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| Fonte: http://www.filosofiahoje.com/2014/01/inclusao-social-de-verdade.html |
Estava pensando na falta acessibilidade para
pessoas com deficiências ou com dificuldades motoras, como é meu caso. Fui
diagnosticada com Esclerose Múltipla em 2007, mas somente em 2010 ela começou a
mostrar pra que veio com toda força. Andei de bengala, depois passei pra
andador, e agora estou com meu andador inseparável de rodinhas! Ele me faz
andar mais rápido, mas ultimamente as pernas não têm ajudado e acabo indo
devagar...
Sempre me dou mal com escadas, pois não tenho
equilíbrio e não consigo levar o andador, me equilibrar e subi-las. Para isso fizeram as rampas! Mas na maioria dos lugares que frequento elas não
existem, motivo pelo qual acabo evitando os locais. Aliás, acabo evitando vários lugares!
E quando existem rampas, mas elas são muito íngremes? Fiz
dois anos da faculdade de arquitetura depois que terminei a faculdade de
Publicidade e Propaganda, então sei que as rampas devem ter uma inclinação
adequada. E as rampas que tem um degrauzinho para chegar até elas? Fico me
perguntando como um cadeirante consegue usá-las. Então a inclusão para locomoção ainda tem muitas
falhas!
E a inclusão no meio social? Hoje muita gente já tem conhecimentos sobre doenças e
deficiências, mesmo assim ainda falta muito conhecimento por parte do povo (me
incluo nisso).
E a inclusão que nós mesmos temos que ter conosco?
Essa é a mais difícil. Demorei, quando comecei a ter mais dificuldade para
andar, a me aceitar. Eu já me achava feia, não tinha mais meu ex-marido que foi
embora alegando que nunca me amou. Não conseguia namorado. E ainda por cima vem
uma esclerose múltipla que estava me impedindo de andar. Me aceitar já era
complicado, acabou se tornando impossível, até o momento em que, lendo muito, ouvindo muito,
refletindo muito, percebi que eu teria que me gostar e me aceitar antes de
qualquer um. Como eu poderia exigir algo que nem mesmo eu fazia?
Em 2013, depois de me aceitar e me amar, arrumei um
namorado que hoje é meu marido e cuida muito de mim.
Hoje posso exigir dos outros, pois ME ACEITO e não
tenho vergonha de pedir ajuda quando preciso. Me aceito com minhas limitações,
com minhas imperfeições. Acima de tudo, me amo e não coloco a culpa na
Esclerose Múltipla, nem nos outros, se algo não sai como eu queria. Aprendi a
ter mais paciência comigo e a não desistir. Aprendi a INSISTIR dentro de minhas
limitações.
Isamara Cardoso Pimentel
Publicitária aposentada por invalidez
Diagnosticada com esclerose múltipla desde 2007


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