Mostrando postagens com marcador Nutrição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nutrição. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Por que ração não é comida, e o que isso tem a ver com uma alimentação saudável?


Fonte:Pinterest.com

Neste mês de outubro, os jornais e outras mídias jornalísticas informaram sobre a nova proposta de ação pública para o combate da fome em São Paulo: a liofilização de sobras alimentares para distribuição a populações pobres, em forma de "farinata" ou, conforme denominação dada ao produto, "ração humana". Esse tema possibilita reflexões sobre as dimensões sociais, políticas econômicas e culturais conferidas ao comer. Não abordei aqui reflexões sobre a dimensão do comer no âmbito político, porque aí teríamos que falar sobre corrupção, sobre beneficiamento de elites etc, e não será o objetivo desta postagem. Então, me ative à possibilidade de reflexão sobre a dimensão cultural do comer.

Vivemos em uma época em que a saúde é tida como um bem de consumo. Busca-se saúde como se fosse um produto comprável. Comprável através de dietas, de remédios, de exercícios extenuantes e de alimentos milagrosos. Busca-se saúde desconsiderando que esta é um percurso e não um final, e que sendo percurso inclui fatores diversos e complexos. Saúde não é produto, é um processo e, enquanto processo, dinâmico. A noção de saúde apresenta caráter diverso e subjetivo, mas de maneira geral está intricada à ideia de viver bem. Para que se admita, portanto, a construção desse percurso saúde, torna-se necessário considerar a multiplicidade de possibilidades sobre o que é viver bem. Para isso, devemos considerar crenças, valores morais, olhar cultural, entre outros aspectos.

O comer bem é um ato emblemático e esperado dentro da construção do processo de saúde, porém apresenta-se também marcadamente enquanto múltiplo e complexo - no que lhe poderia caracterizar como ideal ou almejável. Isto, porque nem tudo o que alimenta é comível. Nem tudo o que é alimento, portanto, é comida.

Alimento é definido para a Ciência da Nutrição enquanto tudo aquilo que é capaz de nutrir, oferecendo nutrientes essenciais à saúde de um indivíduo. Contudo, a noção do que é comida alcança além da ideia daquilo que é capaz de nutrir o corpo, alcançando a ideia de ser  aceitável culturalmente para ser escolhido e comido por uma população ou pessoa. A noção de comida abrange muito mais o caráter de multiplicidade e complexidade do processo de saúde do que a noção de alimento em si, uma vez que a primeira considera o emocional, a experiência de vida, o cultural.

Nesse sentido, podemos refletir que alimento pode nutrir, mas não necessariamente conferir consciência de viver bem, tão pouco consciência de dignidade. Ter acesso a comida, por outro lado, está mais próximo de conferir noção de dignidade, de viver bem e de saúde. Ter acesso a comida é ter acesso ao alimento aceito culturalmente, prazeroso, capaz de oferecer nutrientes e a sinergia agradável de paladar, olfato, visão e tato e promovendo sensação de felicidade e viver bem.

Muitas vezes, pacientes com Esclerose Múltipla procuram-me perguntando o que devem comer para serem mais saudáveis, chegando até mim, contudo, com a expectativa que eu fale de alimentos isolados, prescritos como se fossem remédios. Quando falamos de saúde, de viver bem e de dignidade, é necessário falarmos mais do que de alimentos e nutrientes. É necessário falarmos de comida e de momentos prazerosos com a comida. É pensar no que e no quanto você come, mas também no como você come, no com quem, no onde você come.

Comida também é pasto, como diria Titãs, mas entendamos finalmente que comida é sobretudo arte, é fazer amor, é desejo, é balé.

Fernanda Sabatini

Nutricionista






Nutricionista graduada pela Universidade Federal de São Paulo. Membro do Grupo de pesquisa em alimentação e cultura (GPAC) e mestre em Ciência pela USP - Universidade de São Paulo.





sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Co-construção do tratamento da EM


Fonte: Pinterest.com 

No campo da pesquisa científica, os estudos sobre Esclerose Múltipla (EM) desenvolvem-se sobretudo a partir de um olhar biomédico, em que se enfatiza a importância de compreender fisiologicamente as causas, o percurso e os possíveis tratamentos para a EM. 

As pesquisas no campo biomédico apresentam historicamente o que é chamado de visão positivista na ciência. Sob este olhar, entre outras coisas, há a doença enquanto alvo a ser considerado, havendo um tratamento racional e objetivo direcionado a essa doença, que provém sobretudo do conhecimento do profissional.

Se há a centralidade do olhar biomédico nos estudos sobre a EM, há em contrapartida a necessidade de compreender a EM de maneira co-construtivista, ou seja, a partir de um olhar em que se compreende o tratamento como construído ao longo do contato entre paciente-profissional, a partir também (e principalmente, na verdade) das próprias experiências dos pacientes, não centralizando a origem dos conhecimentos no assunto ao profissional em si. Essa importância à pesquisa construtivista e não verticalizada é uma forma de olhar a ciência; há quem discordará. Contudo, crescem os olhares concordantes na literatura científica. 

Em 2009, foi publicado um dos poucos estudos nas bases de dados científicos que é sobre a vivência da EM compreendida a partir de relatos de pessoas diagnosticadas (Fernandes, 2009). Os resultados de trabalhos assim ampliam o olhar do profissional em saúde, subsidia condutas mais humanizadas e também mais eficientes, justamente por considerar a vivência prática da doença. Ademais, podem ser uma fonte do sentimento de autocompreensão para pacientes. No estudo de Fernandes (2009), 8 pacientes com EM foram entrevistados, e a partir destas entrevistas sete temas centrais foram construídos, a fim de apresentarem os sentidos e significados atribuídos ao sofrimento com a EM por estes pacientes. Foram eles: “Sofrimento Físico”, “Sofrimento Psicológico”, “Sofrimento Sócio-relacional”, “Sofrimento Existencial”, “Experiências Positivas de Sofrimento”, “Estratégias de Adaptação” e “Expectativas Futuras”.

Os sofrimentos físicos (dor, desconforto, sensação de falta de vigor) atrelados às incertezas do diagnóstico e possíveis limitações de convivência, ou à exposição ao olhar do outro em momentos de cansaço, por exemplo, predispuseram, segundo os relatos, aos sofrimentos psicológicos e sócio-relacionais. Nestes últimos sofrimentos, pode haver a dificuldade do paciente em se reconhecer identitariamente, por exemplo porque as sensações físicas parecem limitar, segundo a visão das pessoas com EM entrevistadas, o fazer e o ser por inteiro.

Apesar das sensações de sofrimento, o autor apontou que as pessoas têm em si o potencial de contornar tais sofrimentos. As “Estratégias de adaptação” e as “Expectativas Futuras” apresentam justamente formas encontradas ou percebidas pelos entrevistados enquanto eficientes para sentirem-se encorajados a viverem com a EM. Entre estas estratégias e expectativas, os entrevistados citaram: viver um dia de cada vez; ser perseverante; ajudar a outras pessoas que apresentam a EM também; procurar distrações e atividades prazerosas; perceber-se em uma rede de apoio; ter uma experiência positiva do sofrimento, revalorizando a vida e seus momentos de felicidade (mesmo que aparentemente pequenos) e, por fim, decidir  finalizar projetos.

Escolhi a figura deste post, pois ela parece mostrar a pluralidade de olhares que cada ser humano tem, os quais construímos e utilizamos conforme o contexto e as relações em que estamos. Todos os olhares que você constrói e direciona para a EM são importantes na construção do tratamento.

É necessário enfatizar a importância do compartilhamento de saberes entre profissionais e pacientes, e pacientes entre pacientes, a fim da construção eficaz do tratamento da EM. Não se trata de você ir ao profissional da saúde, trata-se de você construir seu tratamento com o profissional da saúde. O que você sofre e o que você vive em felicidade são as bases do tratamento e da construção da sua qualidade de vida.

Fernanda Sabatini
Nutricionista
Mestre em Ciência pela Universidade de São Paulo-USP

Referências
Fernandes RD. Vivências de pessoas com esclerose múltipla [Dissertação]. Coimbra:Universidade de Coimbra. 2009.






Nutricionista graduada pela Universidade Federal de São Paulo. Membro do Grupo de pesquisa em alimentação e cultura (GPAC) e mestre em Ciência pela USP - Universidade de São Paulo.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Somos seres que convivemos para viver


Fonte: imdp.com. Cena do filme "Comer, Rezar, Amar", 2010.
A palavra "conviver" expressa a ideia de viver junto, em intimidade. O viver em intimidade pressupõe conflitos de pensamento, e também apoio e presença. Muitas vezes quando o diagnóstico da Esclerose Múltipla (EM) vem, muitos familiares/amigos que antes conviviam e somavam, passam a distanciar-se emocionalmente ou corporalmente. Este texto é uma tentativa de promover àqueles que não têm a EM um olhar não para a influência da EM nas situações de convivência, mas o contrário: a influência da convivência na situação da EM.

Fonte: Valentina Fraiz, folha.uol
O que lhe impede de conviver com a esclerose múltipla na pessoa que você ama? Por que não descobrir o motivo? Há profissionais incríveis da psicologia para lhe ajudarem nesse processo. O sentimento de medo provavelmente pode ser um dos motivos de afastamento, e imagino que seja este medo natural. Contudo, ao atrapalhar o viver em intimidade, gera um obstáculo de amadurecimento tanto seu quanto da pessoa que você ama. Na convivência, conhecemo-nos, tornamo-nos parceiros e geramos transformação.

A mesa das refeições, veja só, pode ser uma alternativa importante para essa convivência. 

Há várias discussões importantes na área da saúde que mostram o significado do comer junto na construção da identidade familiar, por exemplo.¹,² Isto, inclusive, com efeitos na saúde física e emocional de indivíduos.² Há uma palavra chamada "comensalidade", que significa conviver à mesa, dividindo comida, espaço e tempo. Na mesa da refeição, temos a oportunidade de olhar no olho, de perguntar como foi ou como pretende que seja o dia, de descobrir mais sobre a pessoa que está conosco e de ser fonte de presença, intimidade, companheirismo e paciência (é, conviver exige paciência). As refeições são rituais importantes historicamente (desde a pré-história) de convivência. Usufrua mais deste momento, pois transformações e amadurecimentos importantes poderão ser cultivados.


Fernanda Sabatini
Nutricionista

Referências:
1. Romanelli G. O significado da alimentação na família: uma visão antropológica. Medicina (Ribeirão Preto) 2006; 39 (3): 333-9.

2. Moreira SA. Alimentação e comensalidade: aspectos históricos e antropológicos. Cienc. Cult. 2010; 62( 4 ): 23-26.



Nutricionista graduada pela Universidade Federal de São Paulo. Membro do Grupo de pesquisa em alimentação e cultura (GPAC) e mestranda em Nutrição em saúde pública, na USP - Universidade de São Paulo.




quinta-feira, 13 de julho de 2017

O amaranto e seus benefícios


Fonte: Google imagens

Originário do Peru,  o amaranto é um cereal nutritivo e que desde 1996 passou a ser cultivado no cerrado brasileiro. Diferentemente dos outros cereais, ele possui boas quantidades de proteína de alto valor biológico que fornecem todos os aminoácidos essenciais, ou seja, aqueles que o nosso corpo não é capaz de produzir e que devem ser obtidos por meio da alimentação.

O amaranto é rico em gorduras saudáveis, fibras, vitaminas e minerais, possuindo elevado valor nutricional e pode ser encontrado na forma de semente de amaranto, em flocos ou como farinha de amaranto.

Ele é uma ótima opção para vegetarianos, celíacos (não contém glúten), pessoas com intolerância à lactose e alergia à proteína do leite, atletas e pessoa de qualquer idade, mas o consumo não é indicado para gestante e doentes renais, além de que é preciso ficar atento à quantidade ingerida por conter carboidratos que em excesso pode colaborar para aumento de peso e prejudicar o fígado.  

São benefícios do amaranto:
  • Rico em ácidos graxos insaturados: são gorduras consideradas saudáveis, podendo apresentar diversos benefícios à nossa saúde, incluindo as ações dos antioxidantes que neutralizam os radicais livres que são naturalmente produzidos pelo nosso corpo, prevenindo assim o envelhecimento precoce e algumas doenças, tais como problemas cardiovasculares.
  • Rico em fibras que auxiliam na regularização do trânsito gastrointestinal, garantindo o bom funcionamento do intestino.
  • Fonte de vitaminas e minerais, especialmente ferro, zinco, cálcio e magnésio que são essenciais para o crescimento e desenvolvimento, metabolismo e funcionamento de todo o organismo.
  • Possui baixo teor alergênico.

Devido a todas essas propriedades, ele é um alimento que pode ser incluído na dieta para enriquecer a nossa alimentação diária. 

O amaranto é uma planta bem versátil que podemos consumir de várias formas. Sua farinha pode ser incorporada a preparações de pães, bolos e massas. Os flocos acompanham frutas e iogurtes e os grãos podem render sopas e saladas muito saborosas e nutritivas. Então Aproveitem!!!!

Tatiane Araujo Rufino
Nutricionista

Fonte






Formada em Nutrição pela faculdade Fama de Mauá. Nutricionista Voluntária da Associação Casa Do Senhor e Nutricionista da Clínica Dr. Vida, Mauá-SP.





terça-feira, 16 de maio de 2017

Meu corpo


Fonte: Fernando Vicente, Madame Courbet, acrílico sobre a tela, 60x60cm.


"Meu corpo não é meu corpo,
é ilusão de outro ser.
Sabe a arte de esconder-me
e é de tal modo sagaz
 que a mim de mim ele oculta.
(...)
Meu corpo apaga a lembrança que eu tinha de minha mente.
Inocula-me seu patos,
me ataca, fere e condena
por crimes não cometidos"

(As contradições do corpo, Carlos Drummond de Andrade)

            
O corpo conta uma história. O corpo carrega em si as marcas de uma história. O seu corpo é sua história. A sociedade confere ao corpo valores morais, códigos de boas maneiras. O corpo que não expõe os valores de uma época (magro, esbelto, leve, ereto, ágil, sensual...), expõe na verdade o ser que ali habita ao escárnio, repressão, estigmatização, exclusão. Assim iniciam-se as lutas incansáveis pela padronização do corpo. Lutas em que geralmente não é o corpo o grande vencedor. É mesmo uma coerção. Corpo obediente é corpo útil, a uma minoria economicamente influente. A saúde fisiológica e anatômica não deve estar (e não está) fragmentada da saúde social e psicológica. O corpo não é só matéria biológica, o corpo é um corpo social e cultural. Relação saudável com o corpo é aquela na qual a individualidade deste corpo é considerada e respeitada. Desde quando ter um corpo que fica cansado é crime? Desde quando ter um corpo que pausa procurando ar é crime? De certo este crime não é real.

A quem fere seu corpo realmente, a quais interesses ele fere? Seu corpo torna-te culpado de algo que em nada é crime. Seu corpo é seu e obedece a um conjunto de fatores internos e externos a você (genéticos, históricos, culturais e ambientais). Você pode alterar seu corpo caso queira? Ele é seu, de certo você pode, mas antes você precisa compreendê-lo, então interpretá-lo, aceitá-lo e só depois, dentro da realidade deste corpo, apará-lo. Do crime à aceitação. Da dor pelo corpo, ao amor pelo corpo, então à paz com o corpo. Iniciei o post com os trechos em que Drummond expõe o crime de ter um corpo, finalizo abaixo com os trechos do poema "Antítese" da poeta Jenyffer Nascimento, o qual interpreto como sendo sobre a paz de aceitar esse corpo. Jenyffer é autora de obras da literatura chamada "literatura periférica", movimento literário que ganha espaço em bares, saraus, casas de culturas, entre outros espaços culturais no Brasil. Junto com vozes como a dela, nosso corpo também ganha espaço. Diante da cobrança em padronizar, ser antítese é respeitar a sua própria individualidade, é um percurso de real construção de saúde.

"Pediram um corpo escultural
 eu não tinha.
 (...)
Disseram que eu não amamentasse para o peito
não cair
Eu amamentei até cair.
Submeteram meu corpo e meu psicológico à violência
Eu me juntei a outras como eu para superar.
(...)
Exigiram fidelidade e submissão
Eu rompi por amor próprio."

(Antítese, Jenyffer Nascimento)


Fernanda Sabatini
Nutricionista











quarta-feira, 10 de maio de 2017

Cajá e seus maravilhosos benefícios


Fonte: Google imagens
A fruta cajá é típica do norte e nordeste do país, entra em sua melhor safra durante o verão proporcionando muito sabor e poderosos nutrientes para a saúde. Com gosto peculiar, levemente ácido, suas possibilidades de consumo são enormes e com isso ela pode fazer parte da nossa alimentação. Entre suas principais propriedades nutricionais, o cajá é responsável por fornecer quantidades de fibras alimentares que melhoram o bom funcionamento do intestino, contendo vitamina C que é responsável por ajudar o nosso sistema imunológico e minerais, como ferro, cálcio e fósforo, que ajudam a fortalecem a nossa saúde óssea, prevenindo doenças como a osteoporose, entre outras.

O cajá pode ser consumido em sua forma natural, em sobremesas, saladas de frutas ou sucos. Como a fruta não está disponível em todas as épocas do ano, você pode optar pelas polpas congeladas de cajá que conservam os nutrientes da fruta, além de ser uma bebida deliciosa que pode ser preparada com leite ou com água.

Principais benefícios do cajá: 

1 - Protege contra doenças cardíacas:  Rico em vitamina C que age como antioxidante natural e protege o organismo dos radicais livres, prevenindo as doenças cardiovasculares como o AVC e o infarto.

2 - Previne osteoporose:  Fonte de cálcio, magnésio, potássio que minerais fundamentais na prevenção da osteoporose e de outras enfermidades que podem afetar os nossos ossos ou músculos. O potássio também propicia melhorias na nossa saúde circulatória, ajudando na circulação sanguínea e prevenindo o entupimento de artérias.

3 - Previne a anemia: Rico em ferro, o cajá ajuda a prevenir a anemia.

4 - Baixo teor de gorduras: O cajá não contém nenhuma gordura saturada ou colesterol, possuindo teor baixo de gordura, uma escolha saudável para quem deseja perder peso e garantir a qualidade de vida.

5 - Previne a TPM: Para as mulheres que sofrem com os sintomas da TPM, o cajá é uma ótima indicação para controlar esses incômodos: Por atuar nos hormônios femininos, já que contém vitaminas A, B e C, a futa ajuda a prevenir as oscilações de humor que ocorrem no período da TPM.

Podemos usar o cajá para diversas finalidades, vamos aprender uma deliciosa receita, aproveitem !!!

Mousse de Cajá

Ingredientes:
1 lata de leite condensado 
1 lata de creme de leite
1 lata de polpa de cajá
1 copo de iogurte natural 
                                                                                                                                                                                                           

Modo de preparo: 
Bata todos os ingredientes no liquidificador até misturar bem.
Coloque em 12 taças e deixe gelar por 3 horas


Fonte


Tatiane Araujo Rufino
 Nutricionista


Formada em Nutrição pela faculdade Fama de Mauá. Nutricionista Voluntária da Associação Casa Do Senhor, Mauá – SP.  Nutricionista da Clínica Dr. Vida, Mauá-SP




terça-feira, 18 de abril de 2017

O que você sente tem um porquê


Fonte: http://amor-nunca-faz-sentido.tumblr.com/

Se há algo que valorizo em uma atuação profissional é o reconhecimento dos limites e potencialidades da atuação. Sou nutricionista e, como tal, uma profissional da área da saúde.  Enquanto profissional da saúde, faz-se necessário para mim enxergar a complexidade e amplitude da saúde humana e dialogar sobre isto.  Penso na saúde humana como produto de uma interação natural entre as situações internas a cada indivíduo (memória, emoções, sentimentos, sensações, aspectos metabólicos, bioquímicos etc) e externas (aspectos financeiros, convívio social, crenças, história familiar, momentos e experiências interpessoais).

As reclamações e angústias de outras pessoas não são por vezes nossas angústias e reclamações. Contudo isto não minimiza a dor no outro. Como você reage ao outro influencia no que este sente. O que o outro sente atrela-se à saúde deste.

O historiador Leandro Karnal comenta em uma de suas palestras sobre a ofensa enquanto produto da aceitação desta ofensa, ou seja, ofendo-me se de alguma forma esta ofensa faz-me sentido naquele momento. "Só há uma pessoa que pode me ofender, aquela a qual eu concordo". Mas eu diria que a ofensa pode ir além disso. A culpa. A culpa pode ser uma ofensa pessoal. O que lhe dói mais: o preconceito do outro ou o seu próprio descontentamento consigo?

Veja só, comecei este texto comentando sobre a importância de reconhecer limites e potencialidades em nosso conhecimento. Não cabe a este texto discussões aprofundadas sobre culpa e superação, mas cabe uma breve provocação, uma chamada ao diálogo consigo mesmo: "o quanto a culpa afeta minha saúde hoje?" e, para além disto,  "o quanto a culpa  que às vezes coloco no outro, sobre o que este outro deveria ser e fazer, atinge a saúde dele hoje?". Cada cair seu é uma oportunidade para se levantar, cada cair de uma pessoa próxima a você é uma oportunidade para você dizer-lhe que ela também pode levantar-se. Após cada descontentamento, pode haver a chance de amadurecimento. Amadurecemos enquanto seres que interagem. A fraqueza do outro não é sua fraqueza, e você não precisa compreendê-la, basta não desmerecê-la. Da mesma forma sua fraqueza, os seus medos e culpas são importantes, dizem algo para você. Caso pareça que só você sente, isto não diminui a importância destes sentimentos em sua vida.

Olhe para seus medos, reflita amorosamente sobre eles. Desculpe a si próprio. Prosseguir exige desculpar-se.  Caia quando tiver que cair. Levante-se assim que conseguir, em seu tempo. Da mesma maneira, permita ao outro sentir os próprios medos, as próprias fraquezas e levantarem ao perceberem seus próprios poderes.  

Lembre-se: O que você sente é importante e tem um porquê. Valorize cada sentimento seu!

Fernanda Sabatini

Nutricionista









quarta-feira, 12 de abril de 2017

Linhaça e seus benefícios


     Fonte: Google imagens

Não se sabe ao certo qual a origem do linho ou linhaça. Acredita-se que essa planta de cultivo milenar seja asiática. O linho é mencionado no Antigo Testamento e era usado pelos antigos egípcios para confecção do tecido que envolvia as múmias. Recentemente, arqueologistas encontraram em uma pequena vila próxima ao rio Tigre, na Turquia, uma ferramenta envolvida em um pano de linho. Esse artefato foi datado de aproximadamente 7.000 a.C., sendo o tecido mais antigo já descoberto pelo homem. Como alimento, alguns historiadores acreditam que as sementes de linhaça já eram utilizadas na Grécia Antiga (700 a.C.).

A semente de linhaça possui ações anti-inflamatória, cicatrizantes, laxantes e vitamínica, considerada um alimento funcional, utilizado na alimentação e na medicina natural.

Os benefícios da linhaça são atribuídos ao seu óleo rico em ácido alfa-linolênico, lignanas e fibras alimentares encontradas nas formas de grão, moída ou óleo. Pode ser utilizada em preparações como pães, biscoitos, bolos tipo muffins, biscoitos tipo cookies, bolos e sucos.

As sementes de linhaça possuem alguns efeitos biológicos que as tornam úteis na prevenção e tratamento de doenças como: doenças do fígado, diabetes tipo 2, protetores cardiovascular, aterosclerose, pressão alta, prevenção de certos tipos de câncer, antioxidante, redutora do colesterol, melhoria do trânsito intestinal e embolias.

  • Fitoestrógeneos: Reduz o risco de doenças cardiovasculares como também certos cânceres relacionados com hormônios, particularmente mama e próstata.
  • Flavonoides: Atuam como inibidores da peroxidação lipídica, da agregação plaquetária e da permeabilidade capilar.
  • Fibras insolúveis: Promovem melhoras no sistema digestivo e previnem a constipação, principalmente devido ao aumento do bolo fecal e a redução do período de trânsito intestinal.
  • Fibra solúvel: Representa um terço da fibra dietética total da linhaça, auxilia na manutenção dos níveis de glicose no sangue e redução dos níveis de colesterol sanguíneo.
  • Lignanas: Ação citostática, anti-inflamatória, antioxidante e como protetor do fígado, tendo ação preventiva contra diversos tipos de câncer.
  • Ácido alfa-linolênico: Estimula o sistema imunológico e reduz as inflamações (também presente na soja, noz e amêndoa.
  • Ômega-3: Fundamental para deixar o cérebro ativo, assim prevenindo quadros de falta de memória e raciocínio lento.
  • Ômega-6: Ajuda a reduzir o LDL, o risco de ataque cardíaco, promovendo o HDL. Auxilia também no equilíbrio do sistema imunológico, auxilia na cicatrização de feridas.
  • Lipídeos – ácidos graxos: Importante na prevenção de doenças cardíacas e câncer.
  • Proteína:  Atuante nas funções imunológicas do organismo.

Como consumir a linhaça
  • Farinha de linhaça: Pode ser adicionada a sucos, saladas, frutas e iogurtes, e por já estar triturada  garante uma melhor absorção de todos os seus nutrientes, além de conservar as fibras. 
  • Grão: Ao consumir a linhaça em grãos, o ideal e mastigá-los muito bem para quebrar sua casca. Como ela é feita de celulose, não é digerida no intestino e acaba se tornando uma barreira para os nutrientes. Outra forma de garantir o consumo de seus nutrientes é triturá-la em casa, mas só é possível conservar esse alimento na geladeira por quatro dias, mais do que isso ela perde seus nutrientes essenciais. Também dá para comprar a linhaça moída industrialmente, que tem prazo de validade de um mês quando aberta a embalagem. Ou você pode batê-la diretamente com sucos, iogurtes e vitaminas.
  • Óleo de linhaça: Quando prensado a frio, ele se torna uma boa opção e pode ser utilizado em preparações prontas, como temperar saladas. Porém esse óleo não pode ser aquecido nem prensado no calor, pois as altas temperaturas anulam as propriedades da linhaça. Por isso é preciso muito cuidado ao comprar. Além disso, essa versão perde as fibras. 
  • Suplementos: O consumo do óleo de linhaça pode ser manipulado em cápsulas. Normalmente, por conta da manipulação e de todo processo de encapsulamento, elas acabam sendo menos efetivas do que o alimento in natura, mesmo assim seu consumo desta forma deve ser receitado por um médico nutrólogo ou nutricionista com especialidade em fitoterápicos.


Devido ao alto teor de fibras, a linhaça é contraindicada para crianças com menos de seis meses, pois ainda não têm um aparelho digestório que consegue digerir de forma eficiente essas substâncias. Pessoas com intestino que funciona rapidamente podem ter desconfortos.


Devido ao alto teor de fibras, consumir além de duas colheres de sopa de linhaça pode causar inconvenientes como competição por absorção, produção excessiva de gases, chegando até mesmo a obstrução intestinal. 

Além disso, mesmo que seja fonte de gorduras consideradas saudáveis, elas são calóricas e podem causar ganho excessivo de peso.

Deixo abaixo uma deliciosa receita de suco funcional de linhaça com farinha de banana verde.


Receita de suco funcional
Rendimento: 300 ml 
     Fonte: Google imagens


Ingredientes:
Suco de 1 laranja
1 folha de couve  
100 ml de suco de uva
1 colher (sopa) de linhaça
1 colher (sopa) da farinha de banana verde
                                                                                                                         
Modo de preparo: Bata os ingredientes no liquidificador e consuma este suco energético no café da manhã

Valor Nutricional (300ml): 
Valor calórico 183 kcal
Proteínas 4,3 g
Carboidratos 36 g
Gorduras 4 g



Referências

CUPERSMID, Lilian et al. Linhaça: Composição química e efeitos biológicos.e-Scientia, v. 5, n. 2, p. 33-40, 2012. 

Tatiane Araujo Rufino
Nutricionista 

  
Formada em Nutrição pela faculdade Fama de Mauá.
Nutricionista Voluntária da Associação Casa Do Senhor, Mauá – SP. Nutricionista da Clínica Dr. Vida, Mauá-SP