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| Fonte: http://amor-nunca-faz-sentido.tumblr.com/ |
Se há algo que valorizo em uma atuação
profissional é o reconhecimento dos limites e potencialidades da atuação. Sou
nutricionista e, como tal, uma profissional da área da saúde. Enquanto profissional da saúde, faz-se
necessário para mim enxergar a complexidade e amplitude da saúde humana e
dialogar sobre isto. Penso na saúde
humana como produto de uma interação natural entre as situações internas a cada
indivíduo (memória, emoções, sentimentos, sensações, aspectos metabólicos,
bioquímicos etc) e externas (aspectos financeiros, convívio social, crenças,
história familiar, momentos e experiências interpessoais).
As reclamações e angústias de outras pessoas
não são por vezes nossas angústias e reclamações. Contudo isto não minimiza a
dor no outro. Como você reage ao outro influencia no que este sente. O que o
outro sente atrela-se à saúde deste.
O historiador Leandro Karnal comenta em uma de
suas palestras sobre a ofensa enquanto produto da aceitação desta ofensa, ou
seja, ofendo-me se de alguma forma esta ofensa faz-me sentido naquele momento. "Só
há uma pessoa que pode me ofender, aquela a qual eu concordo". Mas eu
diria que a ofensa pode ir além disso. A culpa. A culpa pode ser uma ofensa
pessoal. O que lhe dói mais: o preconceito do outro ou o seu próprio
descontentamento consigo?
Veja só, comecei este texto comentando sobre a
importância de reconhecer limites e potencialidades em nosso conhecimento. Não
cabe a este texto discussões aprofundadas sobre culpa e superação, mas cabe uma
breve provocação, uma chamada ao diálogo consigo mesmo: "o quanto a culpa
afeta minha saúde hoje?" e, para além disto, "o quanto a culpa que às vezes coloco no outro, sobre o que
este outro deveria ser e fazer, atinge a saúde dele hoje?". Cada cair seu
é uma oportunidade para se levantar, cada cair de uma pessoa próxima a você é uma
oportunidade para você dizer-lhe que ela também pode levantar-se. Após cada
descontentamento, pode haver a chance de amadurecimento. Amadurecemos enquanto
seres que interagem. A fraqueza do outro não é sua fraqueza, e você não precisa
compreendê-la, basta não desmerecê-la. Da mesma forma sua fraqueza, os seus
medos e culpas são importantes, dizem algo para você. Caso pareça que só você sente,
isto não diminui a importância destes sentimentos em sua vida.
Olhe para seus medos, reflita amorosamente sobre
eles. Desculpe a si próprio. Prosseguir exige desculpar-se. Caia quando tiver que cair. Levante-se assim
que conseguir, em seu tempo. Da mesma maneira, permita ao outro sentir os
próprios medos, as próprias fraquezas e levantarem ao perceberem seus próprios
poderes.
Lembre-se: O que você sente é importante e tem
um porquê. Valorize cada sentimento seu!
Fernanda
Sabatini


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