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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Por que ração não é comida, e o que isso tem a ver com uma alimentação saudável?


Fonte:Pinterest.com

Neste mês de outubro, os jornais e outras mídias jornalísticas informaram sobre a nova proposta de ação pública para o combate da fome em São Paulo: a liofilização de sobras alimentares para distribuição a populações pobres, em forma de "farinata" ou, conforme denominação dada ao produto, "ração humana". Esse tema possibilita reflexões sobre as dimensões sociais, políticas econômicas e culturais conferidas ao comer. Não abordei aqui reflexões sobre a dimensão do comer no âmbito político, porque aí teríamos que falar sobre corrupção, sobre beneficiamento de elites etc, e não será o objetivo desta postagem. Então, me ative à possibilidade de reflexão sobre a dimensão cultural do comer.

Vivemos em uma época em que a saúde é tida como um bem de consumo. Busca-se saúde como se fosse um produto comprável. Comprável através de dietas, de remédios, de exercícios extenuantes e de alimentos milagrosos. Busca-se saúde desconsiderando que esta é um percurso e não um final, e que sendo percurso inclui fatores diversos e complexos. Saúde não é produto, é um processo e, enquanto processo, dinâmico. A noção de saúde apresenta caráter diverso e subjetivo, mas de maneira geral está intricada à ideia de viver bem. Para que se admita, portanto, a construção desse percurso saúde, torna-se necessário considerar a multiplicidade de possibilidades sobre o que é viver bem. Para isso, devemos considerar crenças, valores morais, olhar cultural, entre outros aspectos.

O comer bem é um ato emblemático e esperado dentro da construção do processo de saúde, porém apresenta-se também marcadamente enquanto múltiplo e complexo - no que lhe poderia caracterizar como ideal ou almejável. Isto, porque nem tudo o que alimenta é comível. Nem tudo o que é alimento, portanto, é comida.

Alimento é definido para a Ciência da Nutrição enquanto tudo aquilo que é capaz de nutrir, oferecendo nutrientes essenciais à saúde de um indivíduo. Contudo, a noção do que é comida alcança além da ideia daquilo que é capaz de nutrir o corpo, alcançando a ideia de ser  aceitável culturalmente para ser escolhido e comido por uma população ou pessoa. A noção de comida abrange muito mais o caráter de multiplicidade e complexidade do processo de saúde do que a noção de alimento em si, uma vez que a primeira considera o emocional, a experiência de vida, o cultural.

Nesse sentido, podemos refletir que alimento pode nutrir, mas não necessariamente conferir consciência de viver bem, tão pouco consciência de dignidade. Ter acesso a comida, por outro lado, está mais próximo de conferir noção de dignidade, de viver bem e de saúde. Ter acesso a comida é ter acesso ao alimento aceito culturalmente, prazeroso, capaz de oferecer nutrientes e a sinergia agradável de paladar, olfato, visão e tato e promovendo sensação de felicidade e viver bem.

Muitas vezes, pacientes com Esclerose Múltipla procuram-me perguntando o que devem comer para serem mais saudáveis, chegando até mim, contudo, com a expectativa que eu fale de alimentos isolados, prescritos como se fossem remédios. Quando falamos de saúde, de viver bem e de dignidade, é necessário falarmos mais do que de alimentos e nutrientes. É necessário falarmos de comida e de momentos prazerosos com a comida. É pensar no que e no quanto você come, mas também no como você come, no com quem, no onde você come.

Comida também é pasto, como diria Titãs, mas entendamos finalmente que comida é sobretudo arte, é fazer amor, é desejo, é balé.

Fernanda Sabatini

Nutricionista






Nutricionista graduada pela Universidade Federal de São Paulo. Membro do Grupo de pesquisa em alimentação e cultura (GPAC) e mestre em Ciência pela USP - Universidade de São Paulo.





quarta-feira, 12 de julho de 2017

A saúde da nossa pele


Fonte: Google imagens

Você sabia que a pele e o maior órgão do corpo humano??

A pele é o maior órgão do corpo humano, recobrindo cerca de 7500 cm2 de um indivíduo adulto e é uma grande “capa de proteção” contra fungos, bactérias, produtos químicos, físicos e mesmo fatores ambientais.

Suas funções são proteger os órgãos internos contra traumatismos e atritos, evitar a perda excessiva de água, auxiliar na defesa orgânica, proteger contra diversos agentes do meio ambiente, por função excretora eliminar as toxinas e resíduos do metabolismo através do suor, por ação metabólica auxiliar na sintetização da vitamina D que aumenta a absorção do cálcio através da alimentação, atuar na regulação térmica e sensorial através de receptores que permitem a percepção de dor, calor, frio, tato e pressão, proteger contra os raios solares ultravioleta e ainda servir de reservatório energético, onde a hipoderme tem a principal reserva de energia do organismo.
 A pele é um órgão vital e, sem ela, a sobrevivência seria impossível.
Também conhecida como cútis ou tez  é formada por três camadas: epiderme, derme e hipoderme, da mais externa para a mais profunda, respectivamente, cada uma com suas particularidades e compostas por tecidos específicos.
Agora que descobrimos que a pele não é apenas uma parte externa do nosso corpo vamos aprender a cuidar melhor dela.
No inverno, o frio e o vento gelado danificam a camada de proteção natural da nossa pele, tornando-a mais frágil e sensível, principalmente nas áreas que ficam expostas, como rosto, orelhas, pescoço e mãos.
A pele seca se torna mais sensível a agentes externos, como sabão, tecidos sintéticos e lã. A pele ressecada também pode contribuir para o surgimento de alergias como dermatite de contato, provocando coceiras, vermelhidão e descamação, principalmente nas pernas. A melhor forma de combater o ressecamento da pele e evitar as alergias é utilizar hidrantes corporais que podem ser aplicados após o banho ou a qualquer hora do dia.
No verão, a pele fica mais exposta às ações nocivas dos raios solares chamados de ultravioletas tipo A que provocam o envelhecimento e promovem reações nas células, podendo ocasionar o surgimento de lesões pré-cancerosas. O filtro solar é fundamental nessa época, a combinação perfeita é a de filtros solares e hidratantes no mesmo produto.
O ideal mesmo é utilizar o filtro solar durante todas as estações do ano, pois prevenção e proteção nunca são demasiadas, independentemente da cor da nossa pele. Procure comprar filtro solar de acordo com o fator de proteção mais indicado para a sua pele.
Dicas que contribuem para uma pele mais saudável:
  • Utilizar sabonete específico para seu tipo de pele (seca ou mista) 
  • Remover a maquiagem antes de dormir e utilizar maquiagens sem óleo (principalmente nas peles com tendência a formação de acne) 
  • Utilizar filtro solar diariamente
  • Fazer limpeza de pele frequentemente
  • Não lavar com água quente (pode aumentar a oleosidade)
  • Beber ao menos 2 litros de água por dia ajuda a hidratar não só o corpo mas também a pele
  • Beber líquidos, principalmente água, favorece a eliminação de toxinas 
  • Evitar as frituras
  • Fazer exercícios, pois promovem a circulação sanguínea, deixando a pele mais saudável
  • Dormir bem

Lembre-se de manter uma boa dieta alimentar com alimentos ricos em antioxidantes e ácidos graxos essenciais, tais como amoras, morangos, nozes, castanhas, alcachofras, amêndoas, óleo de semente de linhaça, cereais, grãos, aveia, cevada, atum e peru também contribuem para uma pele mais bonita e saudável.
Comer frutas, principalmente as que têm maior quantidade de água em sua composição, como abacaxi, kiwi, abacate, melancia, melão e pêssego médio ajudam na hidratação da pele. Comer legumes de cor verde é indicado para o fortalecimento da melanina (pigmentação) e consequente proteção. O tomate oferece nutrientes importantes: potássio, fósforo, vitamina A e vitamina C e é rico em licopeno, poderoso antioxidante.
Ah! mas não se esqueça, os cuidados com a pele não são só para os adultos, as crianças e os idosos devem ter um cuidado extra.
Seguindo essas dicas, todos podem ter uma pele bonita e saudável o ano todo.

Denise Cataldi 




Técnica de informática, portadora de Esclerose Múltipla há 18 anos.




quarta-feira, 31 de maio de 2017

Qual o meu papel como pessoa com EM?




Hoje é o “Dia mundial de conscientização sobre a esclerose Múltipla”,cuja campanha deste ano foi “A Vida com EM” na qual a ABCEM esteve envolvida durante todo o mês de maio, compartilhando depoimentos de pessoas que encontraram maneiras de viver bem, mesmo tendo a doença.

Cada um, à sua maneira, desenvolve formas de enfrentamento, buscando alternativas para contornar limitações que a EM tenta impor, vivendo, de forma plena, o real significado de ser resiliente.

Recentemente, durante um bate-papo que aconteceu na ABCEM entre pacientes com EM, familiares e graduandos de diversos cursos (saúde e outras áreas), a enfermeira Adriana Caldas Rocha proferiu um questionamento que me fez refletir, ainda mais, sobre o significado das nossas escolhas depois do diagnóstico, ela perguntou “a doença já está instalada, então, o que você pode fazer pra ter o máximo de qualidade de vida?”.

O que eu posso fazer por mim? O que você pode fazer por você? E o que podemos fazer juntos para que nossa vida seja melhor, para que tenhamos nossos direitos respeitados, para que possamos conquistar novos direitos, para que sejamos enxergados?

Como paciente, é minha OBRIGAÇÃO cuidar o melhor possível de mim mesma. Preciso seguir os tratamentos que forem recomendados por meu médico de confiança, buscar terapias que possam me ajudar a manter a sanidade mental, que propiciem ao meu corpo se recuperar o máximo possível das sequelas adquiridas em surtos, que façam com que os sintomas fiquem menos agressivos e que me permitam ter vida, pois o diagnóstico não é o fim da linha, mas apenas o início de uma nova etapa, de uma nova forma de viver.

Como cidadã, eu tenho a OBRIGAÇÃO de me unir a outras pessoas na “luta” pela conscientização e para levar informações sobre a EM, para participar de consultas públicas que versem sobre medicações para controle da doença, mesmo que não seja meu medicamento atual, pois se não é o meu é de outro paciente ou poderá ser o próximo que irei fazer uso. É minha OBRIGAÇÃO me juntar aos que estão na linha de frente para cobrar políticas públicas e atualização de protocolo de tratamento, como as associações de pacientes, me tornando um multiplicador de informações e um agente propiciador da continuidade das instituições como doador, doador da minha participação em eventos e campanhas, voluntariado, apoiador.

Eu DEVO exercer meu direito à saúde com cidadania. Eu NÃO TENHO O DIREITO de achar que eu posso reclamar e aguardar que alguém assuma o papel que cabe a mim exercer. A cultura de apenas reclamar, mas, no momento em que for necessário agir, eu simplesmente achar que não é minha responsabilidade ou que “não adianta fazer nada, pois nada irá mudar mesmo”, TEM de ser banida das nossas vidas, pois o perfil do paciente tem de ser outro nos tempos atuais, TEMOS de nos movimentar para que as coisas mudem, para que conquistas aconteçam, para que a ESCLEROSE MÚLTIPLA receba a tão necessária atenção.


Hoje é a data estabelecida pela   Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF) como o “Dia Mundial da EM”, mas o dia de conscientizar, informar, interagir e nos unir DEVE ser todos os dias, pois somos pacientes, mas a urgência da causa não pode esperar.

Bete Tezine




"A arte, em todas as suas formas de expressão, tem o poder de mudar os rumos de uma história que desde o começo estava fadada ao fracasso..." 

 (Bete Tezine)
Nascida em Santo André, SP, 49 anos, advogada, artista plástica, professora universitária de Artes Plásticas, mãe de 2 filhos (1 adulto e 1 adolescente), diagnosticada com Esclerose Múltipla em fevereiro de 2012 e atual presidente da ABCEM


terça-feira, 16 de maio de 2017

Meu corpo


Fonte: Fernando Vicente, Madame Courbet, acrílico sobre a tela, 60x60cm.


"Meu corpo não é meu corpo,
é ilusão de outro ser.
Sabe a arte de esconder-me
e é de tal modo sagaz
 que a mim de mim ele oculta.
(...)
Meu corpo apaga a lembrança que eu tinha de minha mente.
Inocula-me seu patos,
me ataca, fere e condena
por crimes não cometidos"

(As contradições do corpo, Carlos Drummond de Andrade)

            
O corpo conta uma história. O corpo carrega em si as marcas de uma história. O seu corpo é sua história. A sociedade confere ao corpo valores morais, códigos de boas maneiras. O corpo que não expõe os valores de uma época (magro, esbelto, leve, ereto, ágil, sensual...), expõe na verdade o ser que ali habita ao escárnio, repressão, estigmatização, exclusão. Assim iniciam-se as lutas incansáveis pela padronização do corpo. Lutas em que geralmente não é o corpo o grande vencedor. É mesmo uma coerção. Corpo obediente é corpo útil, a uma minoria economicamente influente. A saúde fisiológica e anatômica não deve estar (e não está) fragmentada da saúde social e psicológica. O corpo não é só matéria biológica, o corpo é um corpo social e cultural. Relação saudável com o corpo é aquela na qual a individualidade deste corpo é considerada e respeitada. Desde quando ter um corpo que fica cansado é crime? Desde quando ter um corpo que pausa procurando ar é crime? De certo este crime não é real.

A quem fere seu corpo realmente, a quais interesses ele fere? Seu corpo torna-te culpado de algo que em nada é crime. Seu corpo é seu e obedece a um conjunto de fatores internos e externos a você (genéticos, históricos, culturais e ambientais). Você pode alterar seu corpo caso queira? Ele é seu, de certo você pode, mas antes você precisa compreendê-lo, então interpretá-lo, aceitá-lo e só depois, dentro da realidade deste corpo, apará-lo. Do crime à aceitação. Da dor pelo corpo, ao amor pelo corpo, então à paz com o corpo. Iniciei o post com os trechos em que Drummond expõe o crime de ter um corpo, finalizo abaixo com os trechos do poema "Antítese" da poeta Jenyffer Nascimento, o qual interpreto como sendo sobre a paz de aceitar esse corpo. Jenyffer é autora de obras da literatura chamada "literatura periférica", movimento literário que ganha espaço em bares, saraus, casas de culturas, entre outros espaços culturais no Brasil. Junto com vozes como a dela, nosso corpo também ganha espaço. Diante da cobrança em padronizar, ser antítese é respeitar a sua própria individualidade, é um percurso de real construção de saúde.

"Pediram um corpo escultural
 eu não tinha.
 (...)
Disseram que eu não amamentasse para o peito
não cair
Eu amamentei até cair.
Submeteram meu corpo e meu psicológico à violência
Eu me juntei a outras como eu para superar.
(...)
Exigiram fidelidade e submissão
Eu rompi por amor próprio."

(Antítese, Jenyffer Nascimento)


Fernanda Sabatini
Nutricionista











terça-feira, 2 de maio de 2017

Hora de pensar


O pensador, Rodin, 1904.
Fonte: reflexoesparatodos.blogspot.com.br/2014/11/pensador-auguste-rodin.html


Estamos passando por momentos difíceis em nosso país. Estamos em uma crise política, ética, de saúde, de direitos, enfim parece que teremos de repensar nosso país desde o começo. Estamos em um ponto que não dá mais para tentar não chegar enxergar o que está acontecendo, desde o descalabro dos políticos que deveriam estar nos representando nos poderes executivos e legislativos, a desconfiança quanto a real atuação do nosso poder judiciário até uma dicotomia da população que muitos insistem em dividir entre nós e eles, pobres e ricos e outras categorias mais.

Essa é a parte componente da crise política e da crise ética, sendo que a crise ética não é exclusiva de políticos mas também da população brasileira que, infelizmente, incorporou ao seu modo de pensar,o mote de uma propaganda realizada há muitos anos pelo jogador Gerson, propaganda esta do cigarro Vila Rica que dizia: "por que não levar vantagem em tudo?". Infelizmente esse modo de pensar passou a fazer parte de muitos em nossa população.

Quanto à crise da saúde esta está escancarada para quem queira observar. São pessoas deitadas pelos corredores dos hospitais, são planos de saúde que vão à falência e arrastam consigo os seus beneficiários, são tratamentos negados por falta de recurso, são judicializações para se conseguir medicamentos ou equipamentos de saúde, são juízes negando provimento a mandados de segurança para continuação de tratamento de pessoas com doenças raras, a bem dizer condenando essas pessoas à morte, embora aí tenhamos uma saída muito boa que é de questionar tal decisão no Supremo Tribunal Federal, visto a decisão ser inconstitucional, pois conforme nossa Constituição não existe, ainda, no Brasil, a pena de morte.

Com relação à crise dos direitos do povo brasileiro que estão sendo pouco a pouco retirados, estamos nos mobilizando para fazer valer aquilo que foi conquistado. A reforma da Previdência Social que na minha opinião deve passar por um amplo debate na sociedade antes de ser feita de forma açodada, até pode ser necessária, porém não nos termos em que se encontra colocada. Nessa reforma, muitos dos direitos adquiridos que na verdade são benesses colocadas até em Constituição por pessoas interessadas nos seus benefícios, deverão ser sim revistos para que pelo menos o princípio da isonomia seja atingido no Brasil. Direitos iguais, deveres iguais, coisa que hoje não é obedecida no país.

Não consigo entender aposentadoria após oito anos de mandato eletivo, não consigo entender aposentadorias com salário integral, muito acima do teto estabelecido para as pessoas que trabalham na iniciativa privada e outras distorções desse tipo. Com relação ao benefício de prestação continuada, o BPC, estão confundindo alhos com bugalhos, isto não é Previdência Social, isto é Assistência Social que deverá sim continuar a ser prestada às pessoas que dela necessitam, deficientes físicos e idosos. Deverá sim ter correção vinculada ao salário mínimo já que, como bem diz o nome, este é o mínimo que uma pessoa necessita para viver com dignidade e qualidade de vida.


Entendemos perfeitamente que o Estado não pode ser responsabilizado por tudo que ocorre no país, porém ele tem que cumprir as funções para as quais foi criado, ou seja, propiciar ao povo educação, saúde, segurança e dar condições à sociedade como um todo para poder desenvolver mecanismos econômicos para cada vez mais todos terem qualidade de vida. 

É hora de todos nós começarmos a questionar pessoas e instituições que nos oferecem milagres sem custo, benesses sem encargos, enfim, que nos oferecem o céu sem que tenhamos de levar uma vida correta. Na visão desses, mesmo o pior dos demônios é bonzinho e tem lugar no céu. Vamos parar de acreditar em contos de fada e enfrentar a realidade do mundo, onde somente por intermédio do trabalho, da honestidade e correção é que podemos conseguir progressos em nossas vidas.

Wilson Gomiero
Ativista social
Conselheiro do CONADE


Wilson Gomiero foi o primeiro presidente do Grupo do Alto Tietê de Esclerose Múltipla (Gatem), entidade oficializada em 2002, que contava com doze pacientes. Em 2004, com 28 pacientes, conseguiu do governo estadual uma sala para ser usada como sede e para atendimento de pacientes. Conquistou parcerias com laboratórios fabricantes de medicamentos. Em 2005, a Prefeitura de Mogi das Cruzes possibilitou a locação de uma residência para a sede do Gatem. Em 2006, atendia 64 pacientes na nova sede. O Gatem passou a promover anualmente um simpósio para estudantes e profissionais das áreas de fisioterapia, psicologia e neurologia com o objetivo de informar e conscientizar sobre a esclerose múltipla e outras doenças raras do sistema nervoso central.Foi presidente do Conselho Municipal dos Assuntos da Pessoa com Deficiência de Mogi das Cruzes (2002 a 2006); presidente da Federação Brasileira de Associações Civis de Portadores de Esclerose Múltipla (Febrapem) (2008-2011); integrante da Comissão Organizadora da II Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência; coautor do Manual para Criação de Conselhos Municipais, lançado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; membro da Comissão de Orçamento e Finanças do CONADE (2013-2014). É membro do Grupo de Trabalho para Elaboração de Políticas para Atendimento a Doenças Raras (desde 2011), membro da Comissão de Implementação das Políticas para Habilitação e Reabilitação da Pessoa com Deficiência e conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE), em Brasília, como representante de todos os Conselhos Municipais do Brasil. Ativista e defensor dos direitos das pessoas com deficiência, especialmente dos portadores de esclerose múltipla e de doenças raras, Gomiero atua no grupo de trabalho do Ministério da Saúde, que produziu pela primeira vez na história do Sistema Único de Saúde (SUS), uma Política Nacional de Cuidados à Saúde para Pessoas com Doenças Raras e, também, no Plano de Ação para Saúde das Pessoas com Deficiência (2014/2021) da Organização Mundial de Saúde (OMS). Conselheiro Fiscal da ABCEM.


terça-feira, 18 de abril de 2017

O que você sente tem um porquê


Fonte: http://amor-nunca-faz-sentido.tumblr.com/

Se há algo que valorizo em uma atuação profissional é o reconhecimento dos limites e potencialidades da atuação. Sou nutricionista e, como tal, uma profissional da área da saúde.  Enquanto profissional da saúde, faz-se necessário para mim enxergar a complexidade e amplitude da saúde humana e dialogar sobre isto.  Penso na saúde humana como produto de uma interação natural entre as situações internas a cada indivíduo (memória, emoções, sentimentos, sensações, aspectos metabólicos, bioquímicos etc) e externas (aspectos financeiros, convívio social, crenças, história familiar, momentos e experiências interpessoais).

As reclamações e angústias de outras pessoas não são por vezes nossas angústias e reclamações. Contudo isto não minimiza a dor no outro. Como você reage ao outro influencia no que este sente. O que o outro sente atrela-se à saúde deste.

O historiador Leandro Karnal comenta em uma de suas palestras sobre a ofensa enquanto produto da aceitação desta ofensa, ou seja, ofendo-me se de alguma forma esta ofensa faz-me sentido naquele momento. "Só há uma pessoa que pode me ofender, aquela a qual eu concordo". Mas eu diria que a ofensa pode ir além disso. A culpa. A culpa pode ser uma ofensa pessoal. O que lhe dói mais: o preconceito do outro ou o seu próprio descontentamento consigo?

Veja só, comecei este texto comentando sobre a importância de reconhecer limites e potencialidades em nosso conhecimento. Não cabe a este texto discussões aprofundadas sobre culpa e superação, mas cabe uma breve provocação, uma chamada ao diálogo consigo mesmo: "o quanto a culpa afeta minha saúde hoje?" e, para além disto,  "o quanto a culpa  que às vezes coloco no outro, sobre o que este outro deveria ser e fazer, atinge a saúde dele hoje?". Cada cair seu é uma oportunidade para se levantar, cada cair de uma pessoa próxima a você é uma oportunidade para você dizer-lhe que ela também pode levantar-se. Após cada descontentamento, pode haver a chance de amadurecimento. Amadurecemos enquanto seres que interagem. A fraqueza do outro não é sua fraqueza, e você não precisa compreendê-la, basta não desmerecê-la. Da mesma forma sua fraqueza, os seus medos e culpas são importantes, dizem algo para você. Caso pareça que só você sente, isto não diminui a importância destes sentimentos em sua vida.

Olhe para seus medos, reflita amorosamente sobre eles. Desculpe a si próprio. Prosseguir exige desculpar-se.  Caia quando tiver que cair. Levante-se assim que conseguir, em seu tempo. Da mesma maneira, permita ao outro sentir os próprios medos, as próprias fraquezas e levantarem ao perceberem seus próprios poderes.  

Lembre-se: O que você sente é importante e tem um porquê. Valorize cada sentimento seu!

Fernanda Sabatini

Nutricionista









terça-feira, 15 de março de 2016

Esclerose Múltipla: porque há variabilidade dos sintomas


Fonte: Google imagens

Uma questão que sempre me é trazida e gera muitas indagações é o porque das várias formas sintomáticas da doença.

Então, optei como minha primeira contribuição, discorrer sobre o porque da  multiplicidade de faces de apresentação  da esclerose múltipla, sobre dois aspectos: variabilidade sintomática e a individualidade do sentir.

A esclerose múltipla é uma doença exclusiva do sistema nervoso central (SNC), podendo acometer qualquer região deste amplo universo composto pelo cérebro, tronco-encefálico, cerebelo e medula espinhal. Sendo este responsável por uma imensa gama de sistemas funcionais.

A doença acomete predominantemente a mielina, acarretando lesão e perda da mesma, a desmielinização. A mielina é uma membrana de gordura e proteína que envolve as fibras nervosas. Além de proteger as fibras, ela tem por função acelerar a velocidade de condução do impulso nervoso. A causa básica sintomática é justamente a lentificação nesta  transmissão. Para se ter uma ideia da importância disto, uma fibra não mielinizada conduz o estímulo nervoso em uma velocidade de 1m/segundo, já uma fibra mielinizada o faz em uma velocidade de 200m/segundo.

A mielina está distribuída em todo neuroeixo, este dado é de suma importância.

Pensemos: se a mielina está em todo sistema nervoso central e é ela quando lesada que causa sintomas, disto concluímos que os sintomas estão diretamente relacionados à área afetada e por isto a multiplicidade sintomática. Hoje, há elencados em torno de 86 sintomas e sinais da doença. Falaremos sobre estes em outros posts.

Mas por que para mim os sintomas são tão intensos e limitantes e para outros tão suaves?

Claro que há a variabilidade de intensidade sintomática, a gravidade,  mas também  há a  forma como percebo isto. Como penso, como sinto. Se encaro a doença como mais uma faceta de minha vida ou totalidade da mesma, o que quero dizer, quem possui o quê? Quem está no comando?

O medo, a má elaboração dos  pensamentos e dos sentimentos podem agravar sintomas preexistentes. Não se adoece só no corpo, a mente e  a alma também desequilibram e devem ser assistidos.

A Organização  Mundial de Saúde (OMS) define a saúde como "um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades".

Deixo para reflexão...

Até a próxima!

Com carinho,


Liliana Russo