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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O agosto é laranja!



Pedale por uma causa 2017 - Santo André/SP
Fonte: ABCEM



Embora não seja um vídeo recente, o vídeo que abre este post é de uma sensibilidade ímpar e profundamente assertivo em demonstrar as mil faces da esclerose múltipla.

EM, doença multifacetada, imprevisível e tão incompreendida tantas vezes. Sua sintomatologia tão variada faz com que não existam duas pessoas  que a possuam da mesma forma.

Tremores, fadiga, dores, incoordenações, falta de força, desequilíbrios, vertigens, dores, dificuldade de fala, deglutição, audição, alterações visuais, retenções e incontinências urinárias e fecais, são sintomas que atingem pacientes, afetando suas vidas nas mais diversas esferas. Cada um deles traz consequências, uns em menores escalas, outros de formas mais pungentes, mas são os que não são possíveis de serem vistos com um mero olhar os mais incompreendidos de todos.

Como explicar que a fadiga te impede de andar poucos metros quando você parece absolutamente “normal”? Como descrever que, embora você consiga se locomover sem apoio normalmente, muitas vezes necessitará recorrer aos carrinhos motorizados durante um passeio ou compras em shoppings, por exemplo?

Realmente não são tarefas fáceis, muito menos agradáveis de serem realizadas, porém, a única forma de se fazer com que a incompreensão retroceda, é buscando conscientizar o maior número de pessoas possível sobre o que é a esclerose múltipla e o que significa viver acompanhado por ela.

Hoje, Dia nacional de conscientização sobre a esclerose múltipla, o laranja se fez presente em inúmeras ações pelo país afora. Na verdade, o agosto inteiro se pintou de laranja e o trabalho que vem sendo realizado cada vez mais intensamente pelas instituições, pacientes, profissionais e familiares em prol da informação e conscientização acerca da patologia se tornou mais visível.

Este ano, temos vivenciado, com muita emoção, o quanto pessoas estão envolvidas em prol da causa e se doado para que a EM receba a devida atenção dos diversos seguimentos sociais, para que as pessoas que a possuem possam alcançar melhor qualidade de vida e para que as informações sobre a doença sejam cada dia mais precisas, verídicas e confiáveis.

As associações de pacientes, cada uma a seu modo, se valendo dos recursos que lhes são disponíveis, têm executado um trabalho admirável sob todos os pontos de vista. O #AgostoLaranja de 2017 contou com uma diversidade sem precedentes de eventos com a EM em foco. Em todos as regiões brasileiras algo foi realizado. A mídia precisou voltar seus holofotes à patologia que antes sempre foi tão pouco abordada e, muitas vezes, abordada superficialmente e de forma equivocada.

Devo dizer que estou realmente orgulhosa de fazer parte de uma família tão especial e, como diz meu amigo Dr. Marco Aurélio Torronteguy, uma família que podemos dizer privilegiada. Privilegiada não por ter a EM como principal elo de ligação, mas por ser uma família que mesmo diante de tantas adversidades não desanima e continua, firmemente, buscando envolver um número infinito de pessoas na árdua tarefa de obter diagnósticos cada dia mais precoces por meio da informação e conscientização.

Tem sido fácil essa caminhada? É óbvio que não, pois entraves sempre existirão, motivos para desistir irão acontecer a cada segundo, no entanto, por outro lado, as razões para que se prossiga sempre serão mais poderosas.


Quero finalizar, parabenizando cada um pelo envolvimento, força e determinação que demonstram a todo momento. Vocês são mais que especiais e #JuntosSomosMaisFortes!

Bete Tezine
Advogada





Nascida em Santo André, 49 anos, mãe de dois filhos (Carol e Guilherme), advogada, professora de artes plásticas, atual presidente da ABCEM e esclerosada oficial há 67 meses.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Qual o meu papel como pessoa com EM?




Hoje é o “Dia mundial de conscientização sobre a esclerose Múltipla”,cuja campanha deste ano foi “A Vida com EM” na qual a ABCEM esteve envolvida durante todo o mês de maio, compartilhando depoimentos de pessoas que encontraram maneiras de viver bem, mesmo tendo a doença.

Cada um, à sua maneira, desenvolve formas de enfrentamento, buscando alternativas para contornar limitações que a EM tenta impor, vivendo, de forma plena, o real significado de ser resiliente.

Recentemente, durante um bate-papo que aconteceu na ABCEM entre pacientes com EM, familiares e graduandos de diversos cursos (saúde e outras áreas), a enfermeira Adriana Caldas Rocha proferiu um questionamento que me fez refletir, ainda mais, sobre o significado das nossas escolhas depois do diagnóstico, ela perguntou “a doença já está instalada, então, o que você pode fazer pra ter o máximo de qualidade de vida?”.

O que eu posso fazer por mim? O que você pode fazer por você? E o que podemos fazer juntos para que nossa vida seja melhor, para que tenhamos nossos direitos respeitados, para que possamos conquistar novos direitos, para que sejamos enxergados?

Como paciente, é minha OBRIGAÇÃO cuidar o melhor possível de mim mesma. Preciso seguir os tratamentos que forem recomendados por meu médico de confiança, buscar terapias que possam me ajudar a manter a sanidade mental, que propiciem ao meu corpo se recuperar o máximo possível das sequelas adquiridas em surtos, que façam com que os sintomas fiquem menos agressivos e que me permitam ter vida, pois o diagnóstico não é o fim da linha, mas apenas o início de uma nova etapa, de uma nova forma de viver.

Como cidadã, eu tenho a OBRIGAÇÃO de me unir a outras pessoas na “luta” pela conscientização e para levar informações sobre a EM, para participar de consultas públicas que versem sobre medicações para controle da doença, mesmo que não seja meu medicamento atual, pois se não é o meu é de outro paciente ou poderá ser o próximo que irei fazer uso. É minha OBRIGAÇÃO me juntar aos que estão na linha de frente para cobrar políticas públicas e atualização de protocolo de tratamento, como as associações de pacientes, me tornando um multiplicador de informações e um agente propiciador da continuidade das instituições como doador, doador da minha participação em eventos e campanhas, voluntariado, apoiador.

Eu DEVO exercer meu direito à saúde com cidadania. Eu NÃO TENHO O DIREITO de achar que eu posso reclamar e aguardar que alguém assuma o papel que cabe a mim exercer. A cultura de apenas reclamar, mas, no momento em que for necessário agir, eu simplesmente achar que não é minha responsabilidade ou que “não adianta fazer nada, pois nada irá mudar mesmo”, TEM de ser banida das nossas vidas, pois o perfil do paciente tem de ser outro nos tempos atuais, TEMOS de nos movimentar para que as coisas mudem, para que conquistas aconteçam, para que a ESCLEROSE MÚLTIPLA receba a tão necessária atenção.


Hoje é a data estabelecida pela   Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF) como o “Dia Mundial da EM”, mas o dia de conscientizar, informar, interagir e nos unir DEVE ser todos os dias, pois somos pacientes, mas a urgência da causa não pode esperar.

Bete Tezine




"A arte, em todas as suas formas de expressão, tem o poder de mudar os rumos de uma história que desde o começo estava fadada ao fracasso..." 

 (Bete Tezine)
Nascida em Santo André, SP, 49 anos, advogada, artista plástica, professora universitária de Artes Plásticas, mãe de 2 filhos (1 adulto e 1 adolescente), diagnosticada com Esclerose Múltipla em fevereiro de 2012 e atual presidente da ABCEM


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Terra chamando Marte


Fonte: Google imagens

Acredito que o papel das associações de pacientes de esclerose múltipla tenha de ser mais bem definido. Além de propiciar conhecimento maior sobre a doença, sobre as formas de tratamento, sobre o apoio que o paciente deve ter, sobre o apoio que deve ser dado ao familiar do paciente que normalmente assume o papel de cuidador, mesmo sem saber o que isso vai significar, devemos ainda propiciar toda uma base de conhecimento para que o paciente, seus familiares, seus conhecidos e demais membros da comunidade que estão em seu entorno saibam como funciona o sistema único de saúde, o SUS, no que se relaciona ao paciente de esclerose múltipla, seus tratamentos, suas medicações e as formas que existem para que sejam aprovadas as dispensações pelo SUS.

Nesta última consulta pública levada a efeito pelo Ministério da Saúde, lendo algumas das colocações feitas nas redes sociais, comecei a acreditar que nós temos muito que caminhar. Ao fazer uma referência à consulta pública que estaria sendo efetuada para incorporação de uma nova medicação oral, na grade de atendimento do SUS, deparei-me com uma colocação que me fez pensar seriamente se nós teremos êxito nesta reivindicação. As pessoas confundem consulta pública com as consultas que são efetuadas em entidades públicas, hospitais e demais unidades de saúde relacionadas ao governo. A outra grande dúvida é sobre se essas pessoas teriam condições de preencher os formulários que o SUS determina que sejam preenchidos para cumprir o ritual da consulta pública, com suas já conhecidas armadilhas, pegadinhas, para complicar a participação popular.

Temos hoje por volta de 35 mil pacientes de esclerose múltipla no Brasil, destes apenas 60% devem ter um diagnóstico totalmente fechado e, dos que possuem esse diagnóstico fechado ,somente 60% se utilizam de algum tipo de medicação fornecida pelo SUS. Outro ponto a ser considerado é a quantidade de pessoas que se utilizam de tratamento multidisciplinar fornecido pelo SUS. Se é que podemos considerar atendimento um serviço que é prestado a cada 30 dias com limitação de quantidade de atendimentos por paciente, visto que um paciente de esclerose múltipla tem necessidade de ter ao menos uma sessão de fisioterapia por semana e ser atendido pelo menos mensalmente por um fonoaudiólogo, um psicólogo e por um terapeuta ocupacional. Podem me perguntar se todos necessitam desse atendimento, não nem todos, porém 50% dos pacientes deverão apresentar necessidade deste atendimento pelo menos em alguma fase da sua doença.

Sabe qual é a nossa realidade hoje? Quase de completo abandono. Fica muito difícil termos um serviço de saúde que atenda às nossas necessidades, se nem mesmo nós, pacientes de esclerose múltipla, sabemos quais são essas necessidades. Não sabemos metade do que existe para possibilitar um tratamento melhor para esclerose múltipla. Não sabemos que existem hoje por volta de 20 drogas em fase final de aprovação para uso em esclerose múltipla. Não sabemos da existência de drogas, que embora não atuem diretamente na esclerose múltipla como supressor de surtos, nos auxiliam na nossa manutenção de qualidade de vida, tais como: medicações que auxiliam na transmissão dos impulsos nervosos, medicações que ajudam a prevenir a incontinência urinária, medicações que auxiliam na prevenção da espasticidade, órteses e próteses que podem ser utilizadas para ajudar na qualidade de vida do paciente que já possui algum comprometimento físico. Se continuarmos a discorrer sobre isso iremos descobrir inúmeras coisas que não sabemos, que não são divulgadas e que não existe literatura a respeito e o principal é que o governo faz questão de esconder de quem necessita.

Surgem agora no horizonte novas preocupações, pois começo a pensar o que pode ocorrer se essa onda de greve entre serviços públicos se estender além da Polícia Militar, o que já é um motivo de muita preocupação, pois está ficando claro que o povo brasileiro parece ter chegado a um ponto de ruptura moral, na qual não somente os marginais estão praticando roubos e desmandos, mas inclusive pessoas tidas como de boa índole.

Fico pensando no desastre que pode acontecer se essas greves se espalharem para o sistema de saúde e começamos a ter blackout da área médica, de enfermagem e de outras áreas relacionadas à saúde. Tomara que eu esteja errado nesta minha análise, porém se continuarmos a ter uma classe política, no seu geral, totalmente desconectada da realidade do país, procurando somente o seu bem-estar e dane-se o povo, logo logo deixaremos de existir como país para passarmos a ser um amontoado de pessoas sem lei e sem ordem. Não acredito que a desobediência civil seja a melhor forma de protesto, porém estamos chegando a um patamar que acredito que infelizmente isso será instalado. Se for possível fazer um apelo, o único que faço é: acordem antes que seja tarde.


Recado para os habitantes daquele planeta especial chamado Brasília.

Wilson Gomiero
Ativista social

Wilson Gomiero foi o primeiro presidente do Grupo do Alto Tietê de Esclerose Múltipla (Gatem), entidade oficializada em 2002, que contava com doze pacientes. Em 2004, com 28 pacientes, conseguiu do governo estadual uma sala para ser usada como sede e para atendimento de pacientes. Conquistou parcerias com laboratórios fabricantes de medicamentos. Em 2005, a Prefeitura de Mogi das Cruzes possibilitou a locação de uma residência para a sede do Gatem. Em 2006, atendia 64 pacientes na nova sede. O Gatem passou a promover anualmente um simpósio para estudantes e profissionais das áreas de fisioterapia, psicologia e neurologia com o objetivo de informar e conscientizar sobre a esclerose múltipla e outras doenças raras do sistema nervoso central.Foi presidente do Conselho Municipal dos Assuntos da Pessoa com Deficiência de Mogi das Cruzes (2002 a 2006); presidente da Federação Brasileira de Associações Civis de Portadores de Esclerose Múltipla (Febrapem) (2008-2011); integrante da Comissão Organizadora da II Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência; coautor do Manual para Criação de Conselhos Municipais, lançado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; membro da Comissão de Orçamento e Finanças do CONADE (2013-2014). É membro do Grupo de Trabalho para Elaboração de Políticas para Atendimento a Doenças Raras (desde 2011), membro da Comissão de Implementação das Políticas para Habilitação e Reabilitação da Pessoa com Deficiência e conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE), em Brasília, como representante de todos os Conselhos Municipais do Brasil. Ativista e defensor dos direitos das pessoas com deficiência, especialmente dos portadores de esclerose múltipla e de doenças raras, Gomiero atua no grupo de trabalho do Ministério da Saúde, que produziu pela primeira vez na história do Sistema Único de Saúde (SUS), uma Política Nacional de Cuidados à Saúde para Pessoas com Doenças Raras e, também, no Plano de Ação para Saúde das Pessoas com Deficiência (2014/2021) da Organização Mundial de Saúde (OMS). Conselheiro Fiscal da ABCEM.


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Saúde como cidadania


Fonte: http://redeglobo.globo.com/sp/tvtribuna/noticia/2012/06/saude-e-cidadania-acontece-neste-domingo.html

Os pacientes de doenças crônicas ou raras sempre encontram grandes problemas nos seus tratamentos, seja pelo acesso à medicação, seja pelos serviços multidisciplinares e também pela assistência social, para que possam continuar tendo uma qualidade de vida decente. Como nós, pacientes de doenças crônicas, podemos então tentar interferir nos rumos desses tratamentos?

Sem dúvida, um primeiro passo é o engajamento na luta social pela conquista de direitos das pessoas que necessitam da ajuda do poder público para realizar seus tratamentos. Como podemos fazer esse engajamento? Uma das formas é participar ativamente das associações de pacientes e dos perfis sociais, procurando a todo momento quais são as novidades, tratamentos novos, novas formas de enfoque quanto à doença em si. Lembrando sempre que a proximidade com outros pacientes da mesma patologia, além de estabelecer uma empatia entre pessoas que sofrem da mesma doença, também traz em si o apoio psicológico que um pode fornecer ao outro, tornando mais fácil o dia a dia e a convivência com as armadilhas que as doenças nos aplicam.

Outra forma é procurar sempre estar ligado aos conselhos sociais, principalmente os municipais, pois onde tudo acontece é no município; é do município que saem as demandas que irão atingir os governos estaduais e o governo federal. Temos que aprender que o que consigamos nos municípios, se provarem ser bons e viáveis, sem dúvida serão expandidos para os âmbitos estaduais e federal. Devemos, portanto, estar presentes em todos os conselhos sociais do município, tais como: Conselho de Assistência Social, Conselho da Saúde, Conselho do Idoso, Conselho da Criança e Adolescente, Conselho da Pessoa com Deficiência, Conselho da Igualdade Racial, Conselho de Gênero e no Conselho das Mulheres. Somente desta forma poderemos influir beneficamente nas ações que serão realizadas no município.

Outra forma também viável de participação é estarmos sempre acompanhando as consultas públicas, audiências públicas e todo e qualquer movimentação dos poderes legislativos e executivos na sua cidade. Já parou para pensar o seguinte: se numa consulta pública a respeito da inclusão ou não de uma nova medicação para nossa patologia, esclerose múltipla, quando lançada pela CONITEC, houver uma participação de 10% de todos os pacientes de esclerose múltipla no Brasil e que cada um deles consiga mais duas pessoas, parente ou conhecido, bem como seu médico e alguém da área de saúde que o atenda, tal como um fisioterapeuta, um assistente, uma psicóloga ou uma enfermeira, que também podem participar desta consulta pública, teremos aí um número aproximado de pelo menos 12 mil pessoas participando então da consulta? Ainda é pouco, o ideal seria termos números próximos a 1% da população brasileira, isto é, dois milhões de pessoas.

Reclamamos que o governo não resolve, porém ele não irá ouvir, visto nós não falarmos. Governo surdo, povo mudo, governo atrapalhado e povo desolado. Precisamos urgentemente começar a ter uma participação cidadã muito maior, não se trata de passarmos a ser políticos, mas sim entendermos que todos nós somos seres políticos e só através disso iremos conseguir nossos direitos. Movimento social é o movimento elaborado e conduzido pelo povo e não um simples cabresto colocado pelo governo dizendo que temos uma voz, porém não somos escutados. Também temos que entender que a nossa missão é procurar os erros, mas também indicar soluções e não simplesmente dizer que está errado e que não aceitamos. Temos que entender que somos parte do problema e sem nossa participação ele simplesmente se tornará maior. Nem sempre você verá o resultado, mas pode ter certeza que no futuro esta sua participação terá consequências.


Desejo a todos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, apesar de Brasília, e comunico que estarei exercendo, a partir de fevereiro de 2017, o cargo de conselheiro no Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, CONADE. Desta vez estarei representando a AFAG, Associação de Familiares, Amigos e Pacientes de doenças Graves e Raras. Estou à disposição para que possamos conversar a respeito de nossas necessidades.

Wilson Gomiero
Ativista Social


Wilson Gomiero foi o primeiro presidente do Grupo do Alto Tietê de Esclerose Múltipla (Gatem), entidade oficializada em 2002, que contava com doze pacientes. Em 2004, com 28 pacientes, conseguiu do governo estadual uma sala para ser usada como sede e para atendimento de pacientes. Conquistou parcerias com laboratórios fabricantes de medicamentos. Em 2005, a Prefeitura de Mogi das Cruzes possibilitou a locação de uma residência para a sede do Gatem. Em 2006, atendia 64 pacientes na nova sede. O Gatem passou a promover anualmente um simpósio para estudantes e profissionais das áreas de fisioterapia, psicologia e neurologia com o objetivo de informar e conscientizar sobre a esclerose múltipla e outras doenças raras do sistema nervoso central.
Foi presidente do Conselho Municipal dos Assuntos da Pessoa com Deficiência de Mogi das Cruzes (2002 a 2006); presidente da Federação Brasileira de Associações Civis de Portadores de Esclerose Múltipla (Febrapem) (2008-2011); integrante da Comissão Organizadora da II Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência; coautor do Manual para Criação de Conselhos Municipais, lançado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; membro da Comissão de Orçamento e Finanças do CONADE (2013-2014). É membro do Grupo de Trabalho para Elaboração de Políticas para Atendimento a Doenças Raras (desde 2011), membro da Comissão de Implementação das Políticas para Habilitação e Reabilitação da Pessoa com Deficiência e conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), em Brasília, como representante de todos os Conselhos Municipais do Brasil.
Ativista e defensor dos direitos das pessoas com deficiência, especialmente dos portadores de esclerose múltipla e de doenças raras, Gomiero atua no grupo de trabalho do Ministério da Saúde, que produziu pela primeira vez na história do Sistema Único de Saúde (SUS), uma Política Nacional de Cuidados à Saúde para Pessoas com Doenças Raras e, também, no Plano de Ação para Saúde das Pessoas com Deficiência (2014/2021) da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Conselheiro Fiscal da ABCEM.


terça-feira, 11 de outubro de 2016

A união dos pacientes e sua força!





Sabemos das diversidades que nós, pacientes com EM, passamos em nosso dia-a-dia!

Por vezes, nos sentimos sós, visto que a EM não é uma doença muito conhecida – essa é uma das lutas da ABCEM!! – e somos bombardeados de perguntas, questionamentos e curiosidades a respeito de nossa saúde que podem nos magoar, já que temos que “reviver” nossas cicatrizes novamente.

É por isso que conhecer quem tem uma mesma doença que nós é de grande auxílio, pois é nesse encontro que nos sentimos pertencentes à um grupo e acolhidos, já que estas outras pessoas passaram ou passam pelo mesmo que nós, a empatia é total!!!

A ABCEM é um espaço para isso!!! Além de esclarecer dúvidas de pacientes e familiares, acolhe a todos de forma integral, valorizando-os!

As reuniões que são feitas, os coffee-breaks, as palestras e outros eventos, são valiosos! Enriquecemos como seres humanos e nos fortalecemos cada vez mais! A ABCEM, mais do que uma associação, é uma família!


Juntos, somos uma voz só! E podemos alcançar tudo aquilo que é de nosso direito e tudo aquilo que sonhamos porque: SIM, JUNTOS SOMOS MAIS FORTES!


Maiara Araújo
Psicóloga clínica


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Renovação


Fonte: Google imagens

Vivemos em constante renovação. Quando crianças pensávamos basicamente nas nossas brincadeiras, logo após começamos a pensar em nossos estudos. Crescemos e começamos a enfrentar a vida de uma forma diferente, tivemos que aprender a nos manter, auxiliar  nossos pais no que fosse possível; continuamos nossa caminhada e possivelmente nos envolvemos com uma pessoa e desse envolvimento tem origem uma nova família.

Durante esse período procuramos nos esforçar para conseguir estabelecermo-nos na vida, para poder propiciar o que de melhor nós pudermos para os nossos parceiros e também para os nossos filhos. Do nada surge uma doença que modifica todo esse nosso rumo, fazendo com que tenhamos que repensar toda nossa trajetória. Não é uma tarefa fácil, demanda tempo, cumplicidade, companheirismo e principalmente muito amor.

Nem sempre isso é possível e de repente descobrimos que fomos abandonados por nossos parceiros ou por nossa família e temos que procurar um porto seguro para tentar recomeçar toda a nossa caminhada. Normalmente nosso porto seguro é uma associação ou uma entidade que procura agregar pessoas que tenham problemas semelhantes para que, em uma troca de conhecimento ou angústias, consigamos descobrir as respostas que temos para as nossas dúvidas. Normalmente estas entidades surgem por força da atuação de alguém que sentiu na pele o desconhecimento, a falta de informação, a falta de alguém para que pudesse trocar suas angústias e acertos. Também é normal que a pessoa que tomou a frente na criação ou elaboração nesta entidade permaneça na mesma, exercendo diversas funções durante muito tempo.

Aí surge um problema sério, pois, de repente, esta pessoa pode achar que é o dono da entidade, que pode fazer da mesma um prolongamento de si, é aquilo que normalmente denominamos como o dono da entidade, isto quando não confunde-se o nome da entidade com o nome desta pessoa, gerando afirmações como associação de seu fulano ou o grupo de seu sicrano. Para evitar este tipo de acontecimento temos que entender desde o começo que todo e qualquer associação ou grupo de apoio não têm dono, eles pertences a todos que os compõem, sendo necessária a renovação constante das pessoas que a comandam, pois só assim será atingida a perenidade da entidade. Se isso não for feito, quando do desaparecimento da pessoa que criou a entidade, a tendência é que ela também desapareça.

Agora não pensando na entidade e sim na pessoa que a criou, temos outro problema, qual seja o desta pessoa passar a viver em função da entidade, não tendo mais nenhum objetivo na vida a não ser dedicar-se àquilo que ela criou. É de suma importância que a pessoa sempre procure novos desafios e que entenda que para tudo tem sua hora, inclusive a hora de parar. Que esta hora seja o momento em que tudo esteja correndo bem para que essa transição não se transforme no futuro em um gargalo, tanto para quem está saindo, como para quem esta assumindo o seu posto.

Não passe a tua vida pensando ou agindo somente em função de alguma coisa ou causa, reinvente-se, faça diferente, crie coisas novas, trace novos rumos na sua vida.
Recomeços sempre são necessários.


Wilson Gomiero
Ativista social