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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Oh dia! Oh vida! Oh azar!



Fonte: Google imagens

Na minha infância e adolescência, havia um desenho animado na televisão que retratava um par de amigos, sendo um leão e uma hiena. A característica marcante do leão era de ser um otimista insuperável, mas ou menos como aquela pessoa que ganha uma lata de esterco e sai procurando o cavalo. Já a hiena era um daqueles pessimistas que acredita que tudo de ruim deve acontecer com ele, parecendo aquela pessoa que ganhou uma bicicleta e sai pensando no tombo. Logicamente, era um estereótipo exagerado que visava mostrar as reações humanas quando enfrentam algum problema.

Posso afirmar para vocês que já estive nos dois papéis durante a minha vida. Em determinadas ocasiões eu era uma perfeita hiena, prevendo os desastres que poderiam acontecer comigo, fosse no campo pessoal, profissional, amoroso e até mesmo no campo esportivo. Lembro-me de que quando comecei minha vida profissional em uma empresa e no segundo mês que lá eu estava ouvi um comentário na rádio peão (nome dado à central de boatos que habitam uma empresa) sobre um corte de pessoal que haveria no mês seguinte, lá fui eu para casa pensando que teria que tentar conseguir outro emprego e já me desesperando por ter feito algumas compras, desde aquela época já a crediário, pensando em como faria o pagamento das prestações. Foram algumas noites de sono conturbado para, no final, verificar que simplesmente era uma adequação no quadro de funcionários da linha de montagem, tendo havido transferência de funcionários para outras áreas que possuíam necessidade de aumento de quadro.

No outro extremo, quando se tem uma visão super otimista do que pode ocorrer também ficamos vulneráveis. Lembro-me de que na época que isso aconteceu, a grande onda do momento era a loteria esportiva e os resultados que eram vinculados pelo Fantástico com a famosa zebrinha. Estávamos em um domingo à noite na casa de uma colega em um daqueles famosos bailinhos onde um grupo de amigos e amigas reuniam-se na casa de algum deles, colocávamos discos nas famosas vitrolas e passávamos algumas horas dançando. Pois bem, naquela noite estávamos no bailinho, eu, meu irmão e mais quatro colegas e havíamos feito um jogo da loteria esportiva. Quando começou o anúncio dos resultados começamos a nos entusiasmar pois estávamos acertando todos os prognósticos, por último, no jogo em que havíamos colocado vitória de um time sem nenhuma expressão sobre um dos grandes times brasileiros, apareceu a zebrinha e nós havíamos feitos 13 pontos. Saímos e fomos diretamente para uma lanchonete da cidade para comemorar o fato de estarmos ficando milionários. No dia seguinte, a primeira providência foi olhar o jornal para ver o número de acertadores e a enorme quantia que estaríamos colocando no bolso. Haviam acertados os 13 jogos dez mil e duzentas e poucas pessoas, sendo que a cada uma delas destinaram-se um total de, a dinheiro de hoje, algo em torno de R$ 200,00 e como havíamos feito o jogo em seis pessoas, cada um de nós recebeu aproximadamente R$ 33,00.

Dessas experiências fui tirando as lições para todo o resto que acontece nas nossas vidas. Temos o hábito de sofrer por antecipação ou então ficar eufóricos por achar que nos daremos bem ou teremos um resultado favorável naquilo que fazemos ou que sentimos. Aprendi a não antecipar resultado daquilo que me acontece, não significando isto que eu não planeje ao menos aquilo que faz parte dos meus objetivos. Aprendi também que pessoas que somente reclamam da vida, das coisas que lhe acontecem, que se lamuriam até mesmo pelos momentos felizes que não significarão tudo que eles queriam somente conseguem afastar de si as pessoas que com elas convivem e que poderiam, de alguma forma, contribuir para um resultado mais agradável naquilo que querem fazer.

Otimismo exagerado também afasta pessoas de nosso círculo, pois muitas vezes somos considerados esses insensatos que não tomam um cuidado necessário para realizar qualquer coisa. Embora muita gente diga que as pessoas que procuram o equilíbrio entre os dois extremos sejam consideradas como pessoas sem opinião ou, usando uma metáfora utilizada na política, ficam em cima do muro, continuo acreditando que a melhor condição para qualquer ser humano é tender ao centro. 

Voltando aos nossos dois personagens do início, procure sempre que possível chorar no particular e gargalhar em público. Tenho certeza que você conseguirá ser muito mais feliz agindo dessa forma. 

Abraços e até o próximo mês!


Wilson Gomiero
Conselheiro do CONADE



Wilson Gomiero foi o primeiro presidente do Grupo do Alto Tietê de Esclerose Múltipla (Gatem), entidade oficializada em 2002, que contava com doze pacientes. Em 2004, com 28 pacientes, conseguiu do governo estadual uma sala para ser usada como sede e para atendimento de pacientes. Conquistou parcerias com laboratórios fabricantes de medicamentos. Em 2005, a Prefeitura de Mogi das Cruzes possibilitou a locação de uma residência para a sede do Gatem. Em 2006, atendia 64 pacientes na nova sede. O Gatem passou a promover anualmente um simpósio para estudantes e profissionais das áreas de fisioterapia, psicologia e neurologia com o objetivo de informar e conscientizar sobre a esclerose múltipla e outras doenças raras do sistema nervoso central.Foi presidente do Conselho Municipal dos Assuntos da Pessoa com Deficiência de Mogi das Cruzes (2002 a 2006); presidente da Federação Brasileira de Associações Civis de Portadores de Esclerose Múltipla (Febrapem) (2008-2011); integrante da Comissão Organizadora da II Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência; co-autor do Manual para Criação de Conselhos Municipais, lançado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; membro da Comissão de Orçamento e Finanças do CONADE (2013-2014). É membro do Grupo de Trabalho para Elaboração de Políticas para Atendimento a Doenças Raras (desde 2011), membro da Comissão de Implementação das Políticas para Habilitação e Reabilitação da Pessoa com Deficiência e conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE), em Brasília, como representante de todos os Conselhos Municipais do Brasil. Ativista e defensor dos direitos das pessoas com deficiência, especialmente dos portadores de esclerose múltipla e de doenças raras, Gomiero atua no grupo de trabalho do Ministério da Saúde, que produziu pela primeira vez na história do Sistema Único de Saúde (SUS), uma Política Nacional de Cuidados à Saúde para Pessoas com Doenças Raras e, também, no Plano de Ação para Saúde das Pessoas com Deficiência (2014/2021) da Organização Mundial de Saúde (OMS).

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Mais um exemplo!


Fonte: https://www.artofliving.org/br-pt/notas-de-conhecimento/alegria-e-tristeza

Em 2017, produzi algumas matérias para o blog da ABCEM a partir de conversas que tive com  pacientes que falaram como vivem com a esclerose múltipla. Abordei como é o dia a dia de cada um. Sou jornalista e também tenho esclerose múltipla.

Faço o possível para não me deixar abater pela doença. Mesmo tendo problemas físicos no meu caminhar, dificilmente alguém me vê reclamar. Amigos dizem me ver como exemplo, me falam que eu sou exemplo de como agir mesmo sabendo que tenho uma doença sem cura.  

Na verdade, o que é um paciente exemplo?   

Conversei com Fábio Róbson Rodrigues Antunes, 38 anos, carioca, diagnosticado há 20 anos com esclerose múltipla. Visto por muitas pessoas como exemplo, ele consegue mostrar bom humor, apesar da doença que em muitos momentos trouxe-lhe contratempos.

Fábio foi uma das pessoas que criou o grupo "Superação -  Informação", no Whatsapp, com o objetivo de promover bate-papos entre pacientes com a patologia, com compartilhamento de experiências e esclarecimento de dúvidas entre os membros.

Fábio Robson Rodrigues Antunes
Fonte: acervo pessoal
Atualmente, Fábio, além de participar do grupo que criou, demonstra simpatia ao conversar com pacientes de outros grupos via "Zap", passando-lhes informações ou conselhos sobre a doença.

Além das conversas via celular, Fábio também participa de uma página na internet na qual ele posta imagens mostrando como é seu tratamento com fisioterapia ou no pilates. Além de conversar com os pacientes, Fábio se mostra muito ativo, comparecendo em uma escola para conversar com os alunos, falando sobre sua experiência de vida. Mesmo com todas as “limitações” que tem devido a esclerose múltipla, para ele, mau humor não há.

Ivi Paula
Jornalista


Ivi Paula, 34 anos, jornalista formada pelo antigo IMES e atual USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul). Diagnosticada com Esclerose Múltipla em dezembro de 2008. Atualmente é Secretária na ABCEM (Associação de Pacientes com Esclerose Múltipla do Grande ABC e região) . 

“Aproveito o momento e falo que tudo que passamos é um aprendizado de ver como reagimos ao saber que estamos com a doença. E o que fazemos para não se sentir uma pedra no meio do caminho? Em minha opinião para não se sentir assim é acreditar no que eu posso fazer para manter o avanço desta doença longe de mim". (Ivi Paula)


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Recomeçar ? Riscos? Adaptação! Sua medicação


Fonte: https://radiohulhanegra.com.br/1secretaria-de-saude-e-unesc-realizam-campanha-sobre-uso-racional-de-medicamentos/

A medicação é essencial no decorrer de qualquer tratamento, principalmente quando envolve uma doença crônica.  Alguns pacientes  não terão a necessidade de mudar, enquanto de outros já será exigido a adequarem-se conforme ocorra alguma falha terapêutica. Somente você e mais ninguém sabe exatamente como desenrola essa comunicação entre seu "eu", o seu corpo, aceitação e psicológico.
A opção é sua:  simplesmente não pensar a respeito, tomar essa "droga lícita" porque é obrigado ou um dever, ou então, procurar olhar sob uma perspectiva positiva.  É compreensível que não é agradável ouvir sobre essa nova rota, é normal, é humano deparar-se com sentimentos de tristeza, receio, contudo, o que posso afirmar é:  jamais desanime.
Escrevo sobre o tema, pois em cada fase que enfrentei seja de autoaplicar injeções, internações para realizar infusões, comprimidos, enfim, percebi que como lidar com isso é que iria ser determinante.
A vida envolve riscos antes mesmo de sairmos do ventre da nossa mãe. Mmudanças são essenciais para seguir, porém, somos praticamente coagidos pelas oscilações da esclerose múltipla a reavaliarmos, e em pouco tempo, afinal, conter a progressão da doença inexiste espera...

Somente quem convive com a esclerose múltipla sabe o quanto é gratificante conseguir organizar-se , cuidar dos seus afazeres, alguns ainda conseguem manter-se no mercado de trabalho e estudar. Converta a medicação em seu aliado que possibilita aprender, crescer, superar e em todo instante concede a alternativa de recomeçar. Por isso, procuro pensar que esse contratempo é um suporte para que eu possa sair mais  forte e consciente para prosseguir. Enfim, faça tudo que estiver ao seu alcance para ficar bem.
Jennifer Araujo 




Formada em Comunicação Social - produção editorial, 31 anos, divorciada, apaixonada por música, viagens e fotografia. Diagnosticada com esclerose múltipla desde 2013.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Ainda é tempo...


Fonte: Google imagens


Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer...
Devia ter arriscado mais, ter errado mais, ter feito o que eu queria fazer...
As frases dessa música são um convite à reflexão sobre quem somos, como estamos vivendo e o que podemos fazer para viver melhor.
Não é difícil retroceder no tempo e lembrar das vezes que deixamos de demonstrar nosso amor, das vezes em que seguramos o choro por querermos demonstrar que éramos fortes,  quando  o que mais queríamos era simplesmente deixar as lágrimas rolarem até nos sentirmos aliviados.
Quantas vezes deixamos de aproveitar pequenas coisas que a vida estava nos oferecendo  por simplesmente julgá-las sem importância? Sem falar de todas as vezes que criticamos alguém ou ficamos furiosos ao sermos criticados. Quantas coisas não deixamos de fazer?
Quanto tempo gasto dando importância a coisas sem importância?
Quantas alegrias deixamos de viver para darmos espaço à tristeza e ao rancor?
E as mágoas que se apoderaram por dias, meses e até anos das nossas vidas, afastando  pessoas que amávamos por simplesmente pensarem diferentes de nós e permitimos que este espaço de tempo se transformasse em uma cratera imensa?
Se pararmos para refletir podemos analisar quantas inutilidades nós armazenamos. Perdemos um tempo enorme alimentando sentimentos nocivos ao nosso corpo e espírito.
Mas existe uma notícia boa: ao contrário da música que foi inspirada em frases escritas em lápides de cemitério, estamos vivos!!! Isso, estamos vivos!!!! Podemos nos inspirar na música para buscar mudanças: amar mais, chorar mais, arriscar mais, fazer o que se quer fazer. Aceitar as pessoas como elas são, parar de julgar, respeitar as opiniões não significa acatá-las, apenas entender que cada um sabe as alegrias e as tristezas que traz no coração.
Cuide de você, se autoavalie e no momento em que você se ofender com uma opinião contrária à sua, pare, pense e reflita: se  você se julga certo o outro também está se julgando correto e se sentindo no direito de se ofender por sua opinião ser contrária a dele, pois cada um tem seu espaço, o que difere é a coerência que se faz mais presente em uns do que em outros.
Portanto, busque tornar a vida mais leve, tranquila e feliz e veja que mesmo nas adversidades sempre encontramos algo que nos faz sorrir, mesmo que seja vendo o sol se por...

Vilma Prado






Estudante de psicologia.  Amante da psicologia comportamental,  saiu em  busca do autoconhecimento e aprendeu que sua felicidade depende apenas dela mesma. Libertação, superação e determinação a definem.




quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Nenhum esclerosado é coitadinho!


Fonte: http://www.pictame.com/tag/coitadismo


Somos mais fortes do que imaginam, ou imaginamos!

Temos que ter forças para cuidar da casa, tomar banho, ficar em pé etc.

Não é pouca coisa não quando parece que você está carregando nas costas 1.000 Kg!

A esclerose múltipla nos assustou, sim. E ainda assusta. Mas todos os dias lutamos contra ela. Nos entregar está fora de cogitação! Tá certo que têm momentos em que choramos, que achamos que não vamos dar conta. Mas ela veio para nos mostrar que somos fortes!!! Veio para nos superarmos a cada momento! Devemos ficar felizes!!! E chorar é até bom, pois limpa nossa alma. Sem contar que a tristeza, além de nos deixar para baixo, piora o nosso quadro, nos deixando mais vulneráveis ainda.

Não estou falando para fazer ou se esforçar em fazer as coisas. Estou falando para nos aceitarmos, aceitarmos nossas limitações de agora. E tudo bem se não dá para fazer agora. Faça daqui a pouco. Passe por cima de seu orgulho e peça ajuda a quem estiver por perto, mesmo se essa pessoa pensar ou chegar a falar que você é preguiçoso.

Ninguém consegue mensurar o que sofremos em querer fazer algo e não conseguirmos. Somente nós mesmos sabemos o que é! Então... liberte-se, se dispa do que os outros acham ou pensam sobre você e SEJA FELIZ! Do seu jeito, da sua maneira, com suas limitações.


A Esclerose Múltipla não nos fez COITADINHOS! Ela está nos fazendo mais FORTES!!!



Isamara Cardoso Pimentel



Publicitária aposentada por invalidez

Diagnosticada com esclerose múltipla desde 2007







quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O direito de ficar triste

Fonte:  http://obviousmag.org/cinema_pensante/img038.jpg

Olá amores! 

Quem já me conhece sabe que sou muito pensativa. Penso em milhares de coisas ao mesmo tempo e estive refletindo sobre um assunto que parece ser tão simples e fácil, só que na realidade não é. 

Estou falando da tristeza, de sentir-se triste, pra baixo, down, deprê... Do jeito que for melhor pra entender.

A gente sabe que para todos um dia é diferente do outro, mas pra nós que temos uma doença crônica é ainda mais. O nosso humor pode ser instável, nossos sentimentos podem aflorar de repente, assim como uma irritabilidade também e, essa instabilidade geral, pode provocar tristeza. 

Ficamos tristes por "N" motivos várias vezes durante o dia, porém estou falando daquela tristeza que não tem um motivo certo, são vários dentro de um só nome: esclerose múltipla. 

Tenho o blog A vida com esclerose múltipla há 8 anos e sempre que me procuram procuro orientar no que precisam e demonstro muito otimismo e positividade. No entanto, esses dias, alguns amigos me compartilharam que não estavam bem com a EM, estavam tendo muitos problemas, inclusive um era emocional. Tentei oferecer um pouco de otimismo para que eles não desanimem frente a seus obstáculos, como uma amiga que compadece da mesma causa, porém, dessa vez, falei sobre a importância de se sentir  triste.

Algumas pessoas me perguntam: você nunca fica triste por ter EM? 

Sim, mas no início quando o medo, a insegurança e a falta de experiência me assombravam, não era tristeza o sentimento que eu tinha, talvez fosse mais medo. Então os anos passaram e, de medo, o meu sentimento passou a ser de determinação. Pensava que tinha que resolver tudo o que a EM me cercava: exames, atestados, perícias, consultas, receitas, laudos  etc. 

Quando, no início desse ano, fui surpreendida com uma notícia incrível: fui aposentada. Depois de anos nessa luta de licença saúde e perícias, consegui o que mais almejava no momento. 

Fiquei muito feliz! No entanto, após alguns meses foi que experimentei um sentimento de tristeza. Nunca imaginei que iria acontecer comigo, afinal já era meu objetivo, quando já readaptada, pois não conseguia cumprir as 8 horas de trabalho nos 5 dias da semana. 

Porém, comecei a notar que aquela mulher alegre que acordava diariamente feliz pra correr atrás da sua rotina não estava mais ali. Porque, logo que precisei ficar afastada, disse a mim mesma que iria aproveitar pra fazer as atividades que trabalhando não dava mais conta, como o pilates e o curso de francês, por exemplo. Então, ia toda animada aos meus afazeres até que notei que estava me autossabotando, colocando empecilhos todos os dias. Com o afastamento, aproveitei para realizar uma vontade tremenda que era de aprender a tocar piano e nem isso eu estava fazendo. 

Um dia era tontura, fadiga, outro sintomas de gripe, enxaqueca e por aí vai, até que me vi sozinha no meu quarto chorando e me perguntando por que eu? Justo eu que sempre fui tão alegre? Me aposentar com 40 anos? Trabalhei tão pouco...

Todas essas perguntas sem respostas, mas que desde a aposentadoria eu não havia me feito. 

Nesse dia chorei como criança. 

Depois percebi que aquela mulher alegre estava triste, sentindo uma tristeza na alma que precisava descarregar, chorar a perda daquela vida que era tão estressante, mas que era minha, minha vida, minha rotina, para que a nova vida recomece e eu aceite minha nova rotina, muito mais leve e legal, apenas com as atividades que escolhi e que preciso. 

Foi aí que reparei numa coisa: eu adoro música e não vivo sem, então, todos os dias em que fico em casa preparo uma playlist e faço tudo com uma trilha sonora ao fundo. Percebi que naqueles dias eu havia me esquecido da música. A tristeza estava tão dentro de mim, que não sentia a necessidade de cantar, dançar ou apenas admirar a melodia. 

Depois de chorar aos soluços, voltei à minha rotina semanal e a música também voltou. 

Contando tudo isso na terapia, minha psicóloga disse que temos que aceitar o direito de ficarmos tristes, no entanto por pouco tempo e não deixar que essa tristeza nos atrapalhe. Ficar triste onde a alegria predomina, como nos posts das redes sociais, pode parecer um desacato à sociedade de imagem, só que não! 


Ninguém vive feliz 24 horas por dia e no meio dessa mesma sociedade, temos todo o direito de nos recolhermos, refletirmos e sermos felizes, ficando tristes de vez em quando. 


Fabi 


Eu me chamo Fabiana Dal Ri Barbosa, mas me chamam de Fabi. Tenho o blog A vida com Esclerose Múltipla desde 2009, onde trocamos experiências e conhecemos algumas novidades relacionadas à EM.
Sou uma pessoa que não vive sem música, se sente feliz na maioria dos dias, pira de vez em quando por pensar demais, é preocupada demais também, mas apaixonada. Amo escrever, assistir filmes, estudar francês, piano, canto e Teatro.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Quem é o seu pior inimigo?



Fonte: http://rejane-enajer.blogspot.com.br/2012/04/o-seu-pior-inimigo-e-voce-mesmo.html

Seu pior inimigo não são as críticas que você recebe, mas sim as que você aceita.

Por que é tão mais fácil acreditar na opinião dos outros a seu respeito do que na sua própria opinião?

Por que levamos em consideração tudo que chega com teor negativo em vez de acreditar no positivo?

A resposta é: você pode estar sendo seu próprio inimigo e não estar se dando conta disso. 

Quando nossa autoestima está baixa é como se agradecêssemos a alguém que chega pra nos colocar mais pra baixo ainda. Tendenciamos a sempre nos ferir. 

Por que é tão difícil olhar para si mesmo? Por que é tão difícil se valorizar, se amar, se agradar, se defender de críticas maldosas? 

Estamos treinados a sempre achar que o outro é melhor. Mero engano. O outro possui defeitos e qualidades assim como toda a humanidade. 

Por que não pensar que se o outro é capaz de apontar-lhe o dedo é porque no mínimo lhe falta educação e ética, pois só devemos responder o que nos é perguntado.

Pare de aceitar críticas que não acrescentem, olhe para você, busque suas qualidades, veja o quão bom você pode ser e acredite: você nunca irá agradar a todos. Então, por que ficar alimentando críticas desconstrutivas? 

Use seu tempo  para aprimorar-se, aprimorar sua personalidade, adequando-se a cada fase da sua vida, respeitando seus limites. Exija o respeito de todos os que te cercam, não permita que pessoas ditem regras sobre o que você deve ou não fazer, sobre o que é ou não bom para você no momento em que você é a única pessoa que deve saber, afinal você é o dono da sua vida, você é quem deve conduzir as rédeas, não permita que suas vontades sejam controladas por ninguém, se autoavalie todos os dias e diga para você mesmo quem é que manda.

Para aqueles que convivem com a esclerose múltipla, a patologia é algo que transpassa seu poder de escolha, sendo assim não a torne sua inimiga, não tente lutar contra quando ela pedir descanso. Quando a fadiga se instalar, simplesmente a receba e a trate com cortesia, ofereça uma cama, exija respeito, não admita que outra pessoa diga o que você deve fazer, pois é no seu corpo que a EM habita, é você quem a carrega para onde quer que vá, então seja você o anfitrião, trate a EM com os cuidados que ela exige. Diga para todos que chegam com receitas prontas ou opiniões formadas que você é o dono do corpo no qual a EM faz morada, portanto você  conhece cada necessidade dela, não escolha ser seu próprio inimigo. 

Não jogue contra você mesmo e quando ouvir a frase "você precisa ser forte",  tenha convicção de que você é forte, pois abriga dentro de você uma doença rara da qual só você sente os sintomas que ela atira sobre seu corpo, a única coisa que você precisa é apenas de respeito... Então estufe o peito e diga a todos: "RESPEITEM!". Impor respeito precisa partir de nós, sempre.

Vilma Prado






Estudante de psicologia.  Amante da psicologia comportamental,  saiu em  busca do autoconhecimento e aprendeu que sua felicidade depende apenas dela mesma. Libertação, superação e determinação a definem.





sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Chuva torrencial


Fonte: http://tudoela.com/sonhar-com-chuva/

Como a chuva torrente que cai lá fora e lava toda a sujeira que fica exposta nas ruas, os amontados de folhas e lixos em geral, fazendo com que surja um luminoso céu após a tempestade que permite-nos ver um arco íris, deixando que o sol se deixe ver, ainda que tímido,  despontando devagar, seria bom se em nossas almas pudesse chover torrentes de amor para que também em nosso eu que se materializa neste corpo que nos é dado como vestimenta para a alma, também pudéssemos varrer a tristeza, a angústia, incertezas, humilhações, descrenças, mágoas e a falta de amor. E, depois de termos varrido toda essas coisas “sujas” que nos deixam pesarosos, sem brilho e sem encontrar um lugar sequer em que caibamos confortavelmente, pudéssemos ressurgir com a alma lívida, na certeza do perdão e de braços estendidos; de olhares antes acusadores, hoje amistosos, solidários, e que a força maior que move a todos, sem discriminação de credo, raça ou cor, fosse o amor.

No lugar do rancor, o perdão, no lugar da mágoa, a reconciliação, e no lugar do descaso, o amparo vindo de todos os lados e sob todos os aspectos para que não somente um, mas todos os povos, pudessem sentir o valor da amizade, do respeito e da misericórdia, hoje tão abstratos se olharmos como um todo,  pois ainda que a bondade seja maior, parece que o mal tem o poder de atrair até e inclusive aqueles que de alguma forma lutam por um mundo melhor.


Nossa casa comum sendo abrigo para todos e todas as espécies e, neste mundo a ser plantado ou que estamos plantando, a palavra chave em tudo é esperança, esta que brota da fé, da certeza e do plantio de valores que constroem verdadeiros sentimentos, colocando de lado a relatividade porque tocaremos a cada um com o nosso coração e com o sorriso que vem da alma.





Val



53 anos - divorciada - secretária de profissão, atuando nas áreas administrativa e financeira - católica - defensora da causa animal - livro de cabeceira: Bíblia - catequista de crianças da primeira Eucaristia.









quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Mudar, desapegar e viver






Este mês é comemorado a busca pela conscientização sobre a esclerose múltipla (EM). 

Ninguém imagina ou está preparado  para que de um dia para outro ocorram mudanças bruscas em sua vida. E você precisa adaptar-se à incertezas... planejar o que não pode ser controlado e é imprevisível.

Como conseguir motivação para seguir e apenas não sobreviver?! Como viver diante de tantas incertezas?!

Criar expectativas sobre como será o tratamento no decorrer dos anos e como conviver com a doença não é algo que podemos prever. Nem sempre existe uma fórmula ou temos conforto, mesmo ao ler  sobre a experiência de outros colegas. Contudo, notamos muitas vezes similaridades, seja de sintomas ou situações, e temos uma identificação por ser alguém que luta diariamente com a mesma doença que nós.

A cada dia surge um novo aprendizado e desafio. Parece que vivemos em uma montanha russa, literalmente, de sintomas e sentimentos. Um dia acordamos bem, até que uma dormência, fadiga ou visão embaçada possam surgir.

Tanto para os recém diagnosticados, como para aqueles que convivem já há algum tempo com a esclerose múltipla, rever e adaptar-se todos os dias são tarefas necessárias. Aprender a não sentir-se culpado e conviver melhor com as limitações são fundamentais.

Para quem mora sozinho é fundamental planejar previamente  as tarefas diárias, ter contatos ou um plano B quando não consegue executar tudo o que precisa e manter uma agenda/diário referente ao tratamento.


Não perca o seu tempo procurando provar para alguém que possui a doença, pois por mais que existam informações e que elas estejam repercutindo nas mídias, nem todos irão compreender ou ao menos querer compreender. Busque alternativas para ter uma melhor qualidade de vida, mude o que não serve mais, desapegue e viva.

Jennifer Araujo 




Formada em Comunicação Social - produção editorial, 31 anos, divorciada, apaixonada por música, viagens e fotografia. Diagnosticada com esclerose múltipla desde 2013.





sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Medos


Fonte: http://www.mestresdainfluencia.com.br/autoconfianca-por-tras-do-medo/

Todos falam do medo de morrer que sentiram quando descobriram a Esclerose Múltipla. Mas poucos falam dos medos que aparecem depois.

Quando eu descobri a Esclerose Múltipla em minha vida, não senti medo. Depois ele foi aparecendo... Primeiro foi o medo de ficar sozinha, pois havia acabado de me separar e meu sonho sempre foi ser uma esposa, cuidar do marido e da casa. Depois veio o medo de quedas, pois quem iria cuidar de mim se eu quebrasse algum osso? Depois o medo de dirigir, já que eu não estava mais enxergando direito. Depois o medo de não dirigir nunca mais quando parei de dirigir. Mas esses medos foram indo embora, pois fui me acostumando com as situações.

Sei que não vou conseguir dirigir nunca mais. a não ser aqueles carrinhos de bate-bate dos parques de diversões! rs

Tomo mais cuidado, hoje, para evitar quedas.

Sozinha? Aprendi que não estou sozinha nunca, pois estou comigo!

Os medos aparecem em várias situações. Mas temos que ser inteligentes! Vai adiantar alguma coisa ter medo? Respondo que SIM, uma vez que o medo nos faz ser mais fortes, nos faz aprender a contar mais conosco mesmo e sermos humildes para pedir um auxílio quando precisamos, sem ter vergonha disso.

Aconselho aos demais “esclerosados” a deixarem o medo de lado quando este te atrapalhar de fazer algo.

O medo é como a fé: tem que ser RACIOCINADO!!!


E não se morre de Esclerose Múltipla!!!


Isamara Cardoso Pimentel



Publicitária aposentada por invalidez

Diagnosticada com esclerose múltipla desde 2007





quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Autoconhecimento


Fonte: http://ganbatte.com.br/i-emocional/


"Não servir de palco alheio para peças escritas pelos 
outros, por roteiros definidos por terceiros."


Leandro  Karnal

No momento em que fechei meus olhos para todos que me cercavam e olhei apenas para mim mesma, foi quando eu realmente embarquei nesta viagem sem volta para o autoconhecimento. Percebi do que eu gosto e de quem eu gosto, o que me faz feliz e quem me faz feliz. Descobri quanta energia desperdicei tentando agradar a todos enquanto eu me desagradava. Faltam palavras para descrever o quão libertador é não ser refém de uma sociedade que julga .

Autoconhecimento é libertar-se  das amarras, é dizer basta a tudo que não te faz feliz, é não agregar o que não agrega, é não sentir pena de si mesmo, não esperar que os outros te satisfaçam e sim descobrir que a satisfação está nas pequenas gentilezas que você faz a si mesmo. É aprender dizer não e não se sentir culpado por isso, é entender que você é o autor da sua própria história, é respeitar seus limites sem esperar que os outros entendam, é passar o dia na cama e não se sentir culpado e muito menos se lamentar, pois a pior deficiência é quando esperamos compreensão alheia no momento em que nós mesmos não nos compreendemos.

Faço um convite a todos para uma viagem para dentro de si mesmo e que toda as paisagens diante dos seus olhos sejam tudo aquilo que  mais ama e deseja pra si. Que essas paisagens sejam refletidas em seus olhos e em sua mente todos os dias. 

Descubra em qual lugar no pódio da sua vida você está. Não aceite outro lugar que não seja o primeiro.

Vilma Prado




Estudante de psicologia.  Amante da psicologia comportamental,  saiu em  busca do autoconhecimento e aprendeu que sua felicidade depende apenas dela mesma. Libertação, superação e determinação a definem.