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segunda-feira, 9 de abril de 2018

Oh dia! Oh vida! Oh azar!



Fonte: Google imagens

Na minha infância e adolescência, havia um desenho animado na televisão que retratava um par de amigos, sendo um leão e uma hiena. A característica marcante do leão era de ser um otimista insuperável, mas ou menos como aquela pessoa que ganha uma lata de esterco e sai procurando o cavalo. Já a hiena era um daqueles pessimistas que acredita que tudo de ruim deve acontecer com ele, parecendo aquela pessoa que ganhou uma bicicleta e sai pensando no tombo. Logicamente, era um estereótipo exagerado que visava mostrar as reações humanas quando enfrentam algum problema.

Posso afirmar para vocês que já estive nos dois papéis durante a minha vida. Em determinadas ocasiões eu era uma perfeita hiena, prevendo os desastres que poderiam acontecer comigo, fosse no campo pessoal, profissional, amoroso e até mesmo no campo esportivo. Lembro-me de que quando comecei minha vida profissional em uma empresa e no segundo mês que lá eu estava ouvi um comentário na rádio peão (nome dado à central de boatos que habitam uma empresa) sobre um corte de pessoal que haveria no mês seguinte, lá fui eu para casa pensando que teria que tentar conseguir outro emprego e já me desesperando por ter feito algumas compras, desde aquela época já a crediário, pensando em como faria o pagamento das prestações. Foram algumas noites de sono conturbado para, no final, verificar que simplesmente era uma adequação no quadro de funcionários da linha de montagem, tendo havido transferência de funcionários para outras áreas que possuíam necessidade de aumento de quadro.

No outro extremo, quando se tem uma visão super otimista do que pode ocorrer também ficamos vulneráveis. Lembro-me de que na época que isso aconteceu, a grande onda do momento era a loteria esportiva e os resultados que eram vinculados pelo Fantástico com a famosa zebrinha. Estávamos em um domingo à noite na casa de uma colega em um daqueles famosos bailinhos onde um grupo de amigos e amigas reuniam-se na casa de algum deles, colocávamos discos nas famosas vitrolas e passávamos algumas horas dançando. Pois bem, naquela noite estávamos no bailinho, eu, meu irmão e mais quatro colegas e havíamos feito um jogo da loteria esportiva. Quando começou o anúncio dos resultados começamos a nos entusiasmar pois estávamos acertando todos os prognósticos, por último, no jogo em que havíamos colocado vitória de um time sem nenhuma expressão sobre um dos grandes times brasileiros, apareceu a zebrinha e nós havíamos feitos 13 pontos. Saímos e fomos diretamente para uma lanchonete da cidade para comemorar o fato de estarmos ficando milionários. No dia seguinte, a primeira providência foi olhar o jornal para ver o número de acertadores e a enorme quantia que estaríamos colocando no bolso. Haviam acertados os 13 jogos dez mil e duzentas e poucas pessoas, sendo que a cada uma delas destinaram-se um total de, a dinheiro de hoje, algo em torno de R$ 200,00 e como havíamos feito o jogo em seis pessoas, cada um de nós recebeu aproximadamente R$ 33,00.

Dessas experiências fui tirando as lições para todo o resto que acontece nas nossas vidas. Temos o hábito de sofrer por antecipação ou então ficar eufóricos por achar que nos daremos bem ou teremos um resultado favorável naquilo que fazemos ou que sentimos. Aprendi a não antecipar resultado daquilo que me acontece, não significando isto que eu não planeje ao menos aquilo que faz parte dos meus objetivos. Aprendi também que pessoas que somente reclamam da vida, das coisas que lhe acontecem, que se lamuriam até mesmo pelos momentos felizes que não significarão tudo que eles queriam somente conseguem afastar de si as pessoas que com elas convivem e que poderiam, de alguma forma, contribuir para um resultado mais agradável naquilo que querem fazer.

Otimismo exagerado também afasta pessoas de nosso círculo, pois muitas vezes somos considerados esses insensatos que não tomam um cuidado necessário para realizar qualquer coisa. Embora muita gente diga que as pessoas que procuram o equilíbrio entre os dois extremos sejam consideradas como pessoas sem opinião ou, usando uma metáfora utilizada na política, ficam em cima do muro, continuo acreditando que a melhor condição para qualquer ser humano é tender ao centro. 

Voltando aos nossos dois personagens do início, procure sempre que possível chorar no particular e gargalhar em público. Tenho certeza que você conseguirá ser muito mais feliz agindo dessa forma. 

Abraços e até o próximo mês!


Wilson Gomiero
Conselheiro do CONADE



Wilson Gomiero foi o primeiro presidente do Grupo do Alto Tietê de Esclerose Múltipla (Gatem), entidade oficializada em 2002, que contava com doze pacientes. Em 2004, com 28 pacientes, conseguiu do governo estadual uma sala para ser usada como sede e para atendimento de pacientes. Conquistou parcerias com laboratórios fabricantes de medicamentos. Em 2005, a Prefeitura de Mogi das Cruzes possibilitou a locação de uma residência para a sede do Gatem. Em 2006, atendia 64 pacientes na nova sede. O Gatem passou a promover anualmente um simpósio para estudantes e profissionais das áreas de fisioterapia, psicologia e neurologia com o objetivo de informar e conscientizar sobre a esclerose múltipla e outras doenças raras do sistema nervoso central.Foi presidente do Conselho Municipal dos Assuntos da Pessoa com Deficiência de Mogi das Cruzes (2002 a 2006); presidente da Federação Brasileira de Associações Civis de Portadores de Esclerose Múltipla (Febrapem) (2008-2011); integrante da Comissão Organizadora da II Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência; co-autor do Manual para Criação de Conselhos Municipais, lançado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; membro da Comissão de Orçamento e Finanças do CONADE (2013-2014). É membro do Grupo de Trabalho para Elaboração de Políticas para Atendimento a Doenças Raras (desde 2011), membro da Comissão de Implementação das Políticas para Habilitação e Reabilitação da Pessoa com Deficiência e conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE), em Brasília, como representante de todos os Conselhos Municipais do Brasil. Ativista e defensor dos direitos das pessoas com deficiência, especialmente dos portadores de esclerose múltipla e de doenças raras, Gomiero atua no grupo de trabalho do Ministério da Saúde, que produziu pela primeira vez na história do Sistema Único de Saúde (SUS), uma Política Nacional de Cuidados à Saúde para Pessoas com Doenças Raras e, também, no Plano de Ação para Saúde das Pessoas com Deficiência (2014/2021) da Organização Mundial de Saúde (OMS).

segunda-feira, 12 de março de 2018

Vivendo e aprendendo a jogar


Fonte: Google imagens

Dizem que recordar é viver, concordo plenamente e agora são as recordações e principalmente os sonhos que me levam novamente a tudo que já fiz e experimentei da vida. Quantas vezes, em meus sonhos, vejo-me correndo atrás de uma bola, andando de bicicleta, dançando, subindo e descendo escadas e fazendo um dos meus hobbies prediletos que era cozinhar. Pode parecer que eu esteja me lamentando da situação atual, mas o passar dos anos me fez compreender que mudanças são necessárias na nossa vida, nem sempre da maneira que entendemos que as mudanças devem ocorrer.

Acredito que essas recordações e esses sonhos ajudam-me a melhor compreender tudo que já fiz na minha vida e tudo que ainda posso realizar. Minhas realizações agora estão muito mais no campo da minha atividade mental, do que em minha atividade física. Onde antes eu agia para realizar o que eu queria, hoje, dependo muito mais do meu poder de persuasão para fazer as mesmas coisas.

Sempre me recordo de que, logo após minha cirurgia da coluna e tendo ficado sem movimentos por algum tempo, possuía o habito de ler livros ou jornais, sentado numa cadeira do papai em minha sala que estava colocada bem abaixo de uma lâmpada para facilitar minha leitura.

Um dia percebi que a lâmpada fluorescente apresentava sinais característicos de que iria queimar. Vi meu filho a passar pela sala e comentei com ele: acredito que esta lâmpada vai queimar. Ele me respondeu: não demora mais do que uma semana e seguiu seu caminho. Um pouco depois minha filha passou pela sala e eu novamente indaguei: parece-me que esta lâmpada vai queimar. A resposta foi: é duro quando isso começa a acontecer e foi para o quintal para estender as roupas no varal. Minha esposa entrou, retornando do supermercado e eu mais uma vez falei: não acredito que essa lâmpada dure até a noite de amanhã. Ela olhou para mim me respondeu: se eu não tivesse medo de mexer em eletricidade eu até trocaria a lâmpada, mas você sabe que eu morro de medo de tomar um choque. No outro dia de manhã, meu cunhado chegou em minha casa e veio me cumprimentar. Disse para ele: por favor, pega aquela cadeira e coloca em frente à minha poltrona. Ele mais do que solícito fez o que eu pedi e ficou aguardando, pois achou que eu iria pedir para colocar meus pés para cima da cadeira. Novamente olhei para ele e falei:  Agora, por favor, suba na cadeira e tira essa lâmpada antes que ela queime.

Ele então olhou para mim e falou: porque você não pediu de imediato o que você precisava. Então foi que eu comecei a compreender que a situação que eu agora vivia não tinha mais como tentar falar de algum problema sem especificar realmente o que eu queria. Foi através desses acontecimentos que fui aprendendo que eu teria que modificar totalmente a minha comunicação com minha família, com os meus amigos, na minha vida em geral.

Não tenho mais espaço para sinalizar alguma coisa que eu quero e tenho que sempre ser afirmativo naquilo que estou precisando. Com a evolução das minhas dificuldades físicas fui aprendendo que teria que adaptar inclusive o que normalmente eu faço uso. Como exemplo utilizo o telefone residencial; em determinada ocasião tinha um modelo chamado gôndola, muito bonito, porém toda vez que eu o apanhava ele caia da minha mão. Depois de muito brigar, resolvi o problema da seguinte maneira: pedi para minha esposa comprar um puxador de gaveta, passei superbonder no mesmo e o colei em cima do telefone. Resolvi meu problema, ao invés de tentar apanhar o telefone o levantava pelo puxador.

Desta forma, desde essa época procuro o que pode me ajudar a realizar as tarefas que eu quero. Tenho muita dificuldade para digitar no notebook, para minorar o problema experimentei vários aplicativos de voz, sendo que hoje em dia utilizo-me do voicenote para ditar os textos e após o término, seleciono todo o texto, copio e insiro no word, passo o corretor de texto e corrijo somente onde, por algum erro meu de pronúncia ou entendimento errado do aplicativo, o texto saiu errado.

Um dos primeiros aplicativos que tentei utilizar foi o via voice da IBM. Fiz a instalação e fui fazer o teste para ver se realmente eu conseguiria realizar o que eu pretendia. Iniciei falando pausadamente ofício, o aplicativo escreveu os filhos, tentei novamente e novamente ele escreveu os filhos. Tentei por mais quatro vezes e em todas elas o resultado foi o mesmo. Quem já trabalhou dificuldades que se apresentam na vida sabe muito bem que depois de um tempo a paciência se esgota. Foi o que aconteceu comigo e sem muito pensar falei o filho da p***, o aplicativo escreveu: os filhos do Papa.

Todos os aplicativos de voz hoje são bem mais amigáveis no uso, mas ainda encontramos vários casos de utilização do recurso de voz com resultados às vezes desastrosos, o que me leva a crer que realmente a língua portuguesa é complicada e cheia de nuances que podem levar a mal-entendidos.

Retorno a colaborar com a ABCEM em seu blog e aproveito para cumprimentar e enaltecer todas as mulheres pelo seu dia que foi comemorado na quinta-feira passada.

Boa noite e até o próximo mês!


Wilson Gomiero
Conselheiro do CONADE



Wilson Gomiero foi o primeiro presidente do Grupo do Alto Tietê de Esclerose Múltipla (Gatem), entidade oficializada em 2002, que contava com doze pacientes. Em 2004, com 28 pacientes, conseguiu do governo estadual uma sala para ser usada como sede e para atendimento de pacientes. Conquistou parcerias com laboratórios fabricantes de medicamentos. Em 2005, a Prefeitura de Mogi das Cruzes possibilitou a locação de uma residência para a sede do Gatem. Em 2006, atendia 64 pacientes na nova sede. O Gatem passou a promover anualmente um simpósio para estudantes e profissionais das áreas de fisioterapia, psicologia e neurologia com o objetivo de informar e conscientizar sobre a esclerose múltipla e outras doenças raras do sistema nervoso central.Foi presidente do Conselho Municipal dos Assuntos da Pessoa com Deficiência de Mogi das Cruzes (2002 a 2006); presidente da Federação Brasileira de Associações Civis de Portadores de Esclerose Múltipla (Febrapem) (2008-2011); integrante da Comissão Organizadora da II Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência; co-autor do Manual para Criação de Conselhos Municipais, lançado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; membro da Comissão de Orçamento e Finanças do CONADE (2013-2014). É membro do Grupo de Trabalho para Elaboração de Políticas para Atendimento a Doenças Raras (desde 2011), membro da Comissão de Implementação das Políticas para Habilitação e Reabilitação da Pessoa com Deficiência e conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE), em Brasília, como representante de todos os Conselhos Municipais do Brasil. Ativista e defensor dos direitos das pessoas com deficiência, especialmente dos portadores de esclerose múltipla e de doenças raras, Gomiero atua no grupo de trabalho do Ministério da Saúde, que produziu pela primeira vez na história do Sistema Único de Saúde (SUS), uma Política Nacional de Cuidados à Saúde para Pessoas com Doenças Raras e, também, no Plano de Ação para Saúde das Pessoas com Deficiência (2014/2021) da Organização Mundial de Saúde (OMS).

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Ainda é tempo...


Fonte: Google imagens


Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer...
Devia ter arriscado mais, ter errado mais, ter feito o que eu queria fazer...
As frases dessa música são um convite à reflexão sobre quem somos, como estamos vivendo e o que podemos fazer para viver melhor.
Não é difícil retroceder no tempo e lembrar das vezes que deixamos de demonstrar nosso amor, das vezes em que seguramos o choro por querermos demonstrar que éramos fortes,  quando  o que mais queríamos era simplesmente deixar as lágrimas rolarem até nos sentirmos aliviados.
Quantas vezes deixamos de aproveitar pequenas coisas que a vida estava nos oferecendo  por simplesmente julgá-las sem importância? Sem falar de todas as vezes que criticamos alguém ou ficamos furiosos ao sermos criticados. Quantas coisas não deixamos de fazer?
Quanto tempo gasto dando importância a coisas sem importância?
Quantas alegrias deixamos de viver para darmos espaço à tristeza e ao rancor?
E as mágoas que se apoderaram por dias, meses e até anos das nossas vidas, afastando  pessoas que amávamos por simplesmente pensarem diferentes de nós e permitimos que este espaço de tempo se transformasse em uma cratera imensa?
Se pararmos para refletir podemos analisar quantas inutilidades nós armazenamos. Perdemos um tempo enorme alimentando sentimentos nocivos ao nosso corpo e espírito.
Mas existe uma notícia boa: ao contrário da música que foi inspirada em frases escritas em lápides de cemitério, estamos vivos!!! Isso, estamos vivos!!!! Podemos nos inspirar na música para buscar mudanças: amar mais, chorar mais, arriscar mais, fazer o que se quer fazer. Aceitar as pessoas como elas são, parar de julgar, respeitar as opiniões não significa acatá-las, apenas entender que cada um sabe as alegrias e as tristezas que traz no coração.
Cuide de você, se autoavalie e no momento em que você se ofender com uma opinião contrária à sua, pare, pense e reflita: se  você se julga certo o outro também está se julgando correto e se sentindo no direito de se ofender por sua opinião ser contrária a dele, pois cada um tem seu espaço, o que difere é a coerência que se faz mais presente em uns do que em outros.
Portanto, busque tornar a vida mais leve, tranquila e feliz e veja que mesmo nas adversidades sempre encontramos algo que nos faz sorrir, mesmo que seja vendo o sol se por...

Vilma Prado






Estudante de psicologia.  Amante da psicologia comportamental,  saiu em  busca do autoconhecimento e aprendeu que sua felicidade depende apenas dela mesma. Libertação, superação e determinação a definem.




quarta-feira, 15 de março de 2017

Viver, somente viver


Fonte: Google imagens

Acordar pela manhã, abrir a janela, olhar o mundo lá fora. Sair, sem rumo, sem destino, deixando que nossos pés e nossos pensamentos possam nos guiar. Olhar para o sol, ver desenho nas nuvens, molhar as flores e acompanhar as abelhas na sua coleta de mel, ver o tempo passar.

Coisas simples e corriqueiras do dia a dia de cada pessoa. Será que é isso mesmo? Nem sempre, por volta de 10% da população não tem este dia a dia descrito dessa forma. Alguns não escutam o cantar dos pássaros, outros não veem às flores, as nuvens, nem mesmo suas pessoas queridas. Outros saem, porém não conseguem andar com seus próprios pés, ou andam movidos por rodas, ou às vezes nem isso.

Será que esses são infelizes? A resposta que quase sempre encontramos, quando conversamos com essas pessoas, geralmente é não. Essas pessoas não são infelizes, muito ao contrário, são felizes dentro de suas possibilidades. Quem disse que a pessoa descrita no início desta nossa conversa é feliz?

Novamente nos socorremos dos números e vamos ver que 30% da população sofre de depressão ou de solidão. Quantos desses sentimentos são ocasionados pelo seu estado físico? Quase sempre nenhum, o que ocasionam estes descompasso no modo de vida normalmente são aspectos econômicos, sociais, sentimentais, quando não suas ambições que não são atendidas da forma como gostaria que fosse.

Você já parou para pensar, nem que seja rapidamente, na quantidade de pessoas que se encontram em uma situação que é pior que a sua? Se não, vejamos, no meu caso eu tenho uma doença incurável, progressiva ao longo do tempo, mesmo sem saber qual tempo é este, além dela tenho também uma lesão medular que causa problemas na locomoção, manutenção de meus hábitos e ocasiona ainda um trabalho adicional para as pessoas que comigo convivem.

Tenho motivo então para me isolar do mundo e dizer que sou um pobre coitado? Ou tenho motivo para cada dia mais tentar suplantar tais problemas e tentar continuar vivendo minha vida com as adaptações que se fazem necessárias, este é o universo desta doença.

Se eu tivesse qualquer outra doença em que fosse pré-determinada a minha estada neste mundo, tipo descoberta da doença e a previsão de que em 3 ou 4 meses eu estaria morrendo, qual seria minha reação? Como eu tentaria viver este pouco tempo que me restava?

Volto então ao início do que estamos lendo: viver, somente viver. Parece-me que aí reside aquilo que pode nos mover sempre. Não importa o que tenho, quanto tempo eu tenho, quais condições eu tenho. O que me importa é saber que eu tenho uma vida e que ela tem um ponto final fora do meu comando, pode chegar sorrateiramente ou de forma avassaladora, mas com certeza chegará.

Não quero ficar esperando esse dia chegar, eu quero estar em movimento, seja físico ou mental, quando ele chegar.


Dedicado ao meu amigo Pedro Spragin.

Wilson Gomiero
Ativista social



Wilson Gomiero foi o primeiro presidente do Grupo do Alto Tietê de Esclerose Múltipla (Gatem), entidade oficializada em 2002, que contava com doze pacientes. Em 2004, com 28 pacientes, conseguiu do governo estadual uma sala para ser usada como sede e para atendimento de pacientes. Conquistou parcerias com laboratórios fabricantes de medicamentos. Em 2005, a Prefeitura de Mogi das Cruzes possibilitou a locação de uma residência para a sede do Gatem. Em 2006, atendia 64 pacientes na nova sede. O Gatem passou a promover anualmente um simpósio para estudantes e profissionais das áreas de fisioterapia, psicologia e neurologia com o objetivo de informar e conscientizar sobre a esclerose múltipla e outras doenças raras do sistema nervoso central.Foi presidente do Conselho Municipal dos Assuntos da Pessoa com Deficiência de Mogi das Cruzes (2002 a 2006); presidente da Federação Brasileira de Associações Civis de Portadores de Esclerose Múltipla (Febrapem) (2008-2011); integrante da Comissão Organizadora da II Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência; coautor do Manual para Criação de Conselhos Municipais, lançado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; membro da Comissão de Orçamento e Finanças do CONADE (2013-2014). É membro do Grupo de Trabalho para Elaboração de Políticas para Atendimento a Doenças Raras (desde 2011), membro da Comissão de Implementação das Políticas para Habilitação e Reabilitação da Pessoa com Deficiência e conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE), em Brasília, como representante de todos os Conselhos Municipais do Brasil. Ativista e defensor dos direitos das pessoas com deficiência, especialmente dos portadores de esclerose múltipla e de doenças raras, Gomiero atua no grupo de trabalho do Ministério da Saúde, que produziu pela primeira vez na história do Sistema Único de Saúde (SUS), uma Política Nacional de Cuidados à Saúde para Pessoas com Doenças Raras e, também, no Plano de Ação para Saúde das Pessoas com Deficiência (2014/2021) da Organização Mundial de Saúde (OMS). Conselheiro Fiscal da ABCEM.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Quanto você se expõe?


Fonte: Google imagens

Difícil imaginar viver sem se expor, uma vez vivendo, sempre vamos nos expor de infinitas maneiras. Não estou falando de se expor pelo lado pejorativo de se expor ao ridículo, estou falando em estar em evidência perante o mundo, apresentar-se ao seu cotidiano de forma ereta, sem medo de ser quem realmente é. Arriscar-se de forma consciente a ponto de encontrar a verdadeira felicidade.

Se expor é retirar aquela máscara que muitas vezes colocamos para agradar os outros ou parecermos melhor. Melhor pra quem? Quem disse que o seu melhor é errado?

Viver é revelar-se diante de si mesmo, tornar público seus pensamentos, vestir-se da nudez da alma e ser compreendido, adequando seu comportamento àquilo que você acredita e não ao que a sociedade pede.

Comentários maldosos sempre irão existir, você se expondo ou não. Então, melhor expor-se a si, retirar aquela proteção que muitas vezes nos colocamos como se isso fizesse alguma diferença para as “línguas felinas”.

Passamos grande parte do nosso precioso tempo nos protegendo de coisas que não fazem sentido algum. Por que correr da chuva se você vai se molhar do mesmo jeito? Ah.... vou me molhar menos.... Sinceramente, vai se molhar de qualquer jeito, então, que tal um banho de chuva para lavar a alma daquelas privações tolas?

Expor-se à vida pode ser uma deliciosa aventura em que podemos amar de verdade, viver intensamente os melhores sentimentos, gargalhar de coisas bobas, mesmo que quem esteja ao seu lado dê apenas um sorriso "meia boca", literalmente.

Expor-se ao sol e acumular energia, deixar o coração aberto para as mais variadas emoções.

Durante muito tempo eu bati no peito dizendo que aguentava o que viesse e foi o que aconteceu. Veio de tudo, sem dó nem piedade, a vida me testou de todas as formas e continuo sobrevivendo. Foi minha escolha, eu me expus assim e assim foi feito. Claro que tiveram os dois lados da mesma moeda, a dor e superação, a tristeza e a alegria, mas não há alegria maior que dizer que mesmo perdendo em alguns momentos eu fiz o meu máximo, me dei de presente a experiência de testar os meus limites e de ver que tudo pode ser melhor quando realmente se deseja que isso seja parte da sua história.

Não adianta dizer que se está dentro quanto se está fora, não adianta colocar só um pé na canoa, dar-se pela metade, não acelerar em campo aberto, “deitar e não rolar”. Talvez percamos as grandes chances por segurar o “riso”, por tampar o sol com a peneira, por não nos expormos completamente àquilo que desejamos.

Que tal fazermos de 2017 um ano de exposição? Expor-se a novos projetos, ao amor, a ser uma pessoa melhor pra si mesmo, expor-se ao cotidiano e a novas experiências de vida, expor-se tanto ao sol quanto à chuva, expor-se às energias boas que estão ao nosso redor.


Feliz 2017, 2018, 2020... Feliz vida, feliz você, feliz qualquer coisa que considere importante! 🙂 ❤ #sejafeliz


Máyra Macedo
Youtuber




Máyra Macedo, 40 anos. Mãe de 3 filhas, Giulia, Gabriela e Pietra com 17, 15 e 10 anos respectivamente. Formada em Logistica, Pós-graduada em Gestão de Açúcar e álcool pela UFSCar. Youtuber do canal Faça Quase Tudo . Apresentadora de TV na TV Cultura Paulista (Quadro Faça Quase Tudo, no programa Universo Mais). Figurinista dos espetáculos Quebra-Nozes e Frozen da escola de ballet Renata Canova. Decoradora e personal organizer.