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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Acessibilidade: ainda falta muito?


Fonte: http://turismoadaptado.com.br/blog/2011/06/24/casa-de-eventos-sem-acessibilidade-e-multada-em-dez-mil-reais-pela-subprefeitura-de-itaquera/

Ando com auxílio de um andador de rodas, pois não tenho mais o equilíbrio para dar dois passos sem cair. Sem o andador preciso ter algo em que me apoiar.

Outro dia fui numa padaria na qual, quando não tinha dificuldade alguma, ia sempre. Ao chegar lá já vi dificuldades. Andar pela padaria com o andador era impossível,  pois não havia espaço. Para pedir o pão eu teria que passar por um lugar em que o andador não tinha como atravessar, uma vez que do lado esquerdo havia uma geladeira de sorvetes e do lado direito gôndolas com produtos. Ainda bem que eu estava com meu marido e ele foi até lá pra mim.

Precisei ir ao banheiro e não encontrei banheiro para pessoas com deficiências. Se existia deveria estar longe ou sem sinalização, pois eu não vi. Ainda bem que eu ainda consigo ficar em pé me apoiando, senão não conseguiria ir ao banheiro pois o andador não coube nele.

Percebo que ainda falta muita coisa para todos terem a chamada ACESSIBILIDADE. 

Muitas vezes me pergunto: e um cadeirante? E uma pessoa que não consegue se levantar ou que não tem equilíbrio para ficar em pé mesmo se apoiando? Eu mesma poderia ter comprado muito mais coisas se conseguisse andar pelo local todo! A gente percebe que os funcionários tentam ajudar, mas e os proprietários dos locais?

Ainda tem muita coisa em matéria de acessibilidade que precisa ser feita. E não é somente em comércios, é em residências também! Muita gente ainda sobe escadas. Não estou sendo pessimista, mas REALISTA: e quando não conseguirem mais subir? 

Sabemos que por mais exercícios e fisioterapias que façamos, a Esclerose Múltipla é uma doença degenerativa e que um dia, mais cedo ou mais tarde, vamos precisar andar com o auxilio de uma bengala, andador ou cadeira de rodas. Será que vamos ter dinheiro para comprar e instalar em casa um elevador ou aquela cadeira para subir escadas?


Enquanto não conseguimos a verdadeira acessibilidade, vamos nos virando. E isso é até bom, pois temos que colocar nosso cérebro para trabalhar! E se não conseguir fazer sozinho, exercite o “pedir ajuda, pois, ainda temos pessoas muito boas no mundo!



Isamara Cardoso Pimentel



Publicitária aposentada por invalidez

Diagnosticada com esclerose múltipla desde 2007






sexta-feira, 9 de junho de 2017

Inclusão social





“Inclusão significa aceitar todos. Caso um fique de fora, já não é inclusão. ” 

(Sassaki R.)

De acordo com o último censo do IBGE (2010), no Brasil existem 45,6 milhões de pessoas com deficiência (PcD), sendo 9 milhões apenas no estado de São Paulo.

É nítido que muito mudou quando comparamos o passado com a atualidade no que se refere à pessoa com deficiência, visto que antigamente (Roma Antiga e Idade Média) as PcD eram sacrificadas ou expostas ao público como aberrações da natureza. Hoje, diversas leis amparam esse público, mas ainda há muito o que melhorar para realmente incluí-las, seja na sociedade, na escola ou no mercado de trabalho.

Mas para chegar onde estamos hoje, no que diz respeito à inclusão, algumas fases a antecederam. São elas: 

  • Exclusão
  • Segregação
  • Integração
  • Inclusão
Na exclusão, as PcD eram excluídas de ambientes sociais, além de serem impedidas de frequentar espaços escolares, pois eram consideradas dependentes e incapazes de executar qualquer função. Suas potencialidades e habilidades preservadas não eram identificadas e muito menos estimuladas.




Já na segregação, algumas PcD possuíam certo espaço na sociedade, porém ainda sofrendo discriminação, uma vez que a sociedade acreditava que as PCD podiam oferecer algum perigo e dessa forma eram isoladas em instituições segregadoras.



Na integração, as PcD passaram a ser agrupadas de acordo com a deficiência apresentada e então inseridas em ambientes que as “treinem” para viver em sociedade. Mesmo com características de segregação, a integração representou um significativo avanço. 



Finalmente a inclusão, que pode ser definida como um processo no qual a sociedade se adapta para incluir as PcD e possui como princípios para sua prática:

  •  Aceitar as diferenças
  •  Valorizar cada pessoa
  •  Conviver dentro da diversidade humana
  •  Aprendizagem por meio da cooperação




A inclusão social é um processo que contribui para a construção de um novo tipo de sociedade por intermédio de pequenas e grandes transformações, tanto em espaços físicos, mentalidade e atitude das pessoas.

Infelizmente a inclusão ainda não é 100% realidade. Mas estamos no caminho!

E você? Sente-se incluído? Promove a inclusão?

Que tal refletir sobre o assunto?

Luci Takiuchi
Terapeuta ocupacional




Graduada em Engenharia de Produção pela Faculdade Mauá em 2004 e em Terapia Ocupacional pela Faculdade de Medicina do ABC em 2016. Atualmente é terapeuta ocupacional do Centro de Tecnologia e Inclusão em São Paulo. Diretora técnica da ABCEM.





Stephanie Santos
Terapeuta ocupacional

23 anos, Terapeuta Ocupacional (CREFITO: 18065-TO) formada pela Faculdade de Medicina do ABC,Pós Graduanda em Psicomotricidade pela FMU. Atualmente atua como terapeuta ocupacional no Espaço Arte Psico, em São Bernardo do Campo, e na Clínica Ceccat,o em São Caetano do Sul. Artesã nas horas vagas, e apaixonada por viagens (as literárias também).



Fontes





sexta-feira, 7 de abril de 2017

É pra frente é que se anda ou se roda (no meu caso) 😃


Fonte: Google imagens

Nossa missão é continuar andando pra frente. Não, isso não é o mais natural! Não pra quem tem uma doença crônica. 

Quando a vida parece que começa a regredir, a gente precisa de outras pessoas para fazer coisas simples, como por exemplo pegar um copo d’água.  Para muitos isso é preguiça, mas a gente sabe que não é, pois às vezes passamos sede para não ter que pedir nem ter que ir buscar. 

E o banho? Gente sempre amei aqueles banhos demorados! Mas e agora? A fadiga me consome e em algumas vezes como cadeirante preciso de ajuda. A bendita cadeira de banho, desconfortável, fria. NÃO, LITERALMENTE NÃO É PREGUIÇA!  

Esses  são apenas alguns exemplos, mas existem inúmeras situações que nos fazem sentir meio que andando para trás... quando o motorista do ônibus não para quando vê minha cadeira, ou quando o ônibus não é adaptado. 

Felizmente, ninguém retrocede por uma situação IMPOSTA pela vida. Mas te garanto que caminhamos  muito mais quando conseguimos nos superar e fazer o que a fadiga teima em impedir. Toda vez que se sentir incapaz, levante-se, vá lá e pegue sua água e mostre que quem manda na sua vida é você. Se você não puder levantar, sua cadeira te ajuda , mas só ela nunca vai te lembrar que te ajudou, porque o comando é seu. Não importa a limitação, da mais leve à mais severa tem sempre algo que será uma superação pra você. Sem muita firmeza no passo, meio sem equilíbrio, com a ajuda de apoios ou apenas rodando, vá sempre em frente e comemore, comemore muito cada vez que conseguir fazer algo que não faria naturalmente por fadiga. 

Você estar vivo hoje e lendo este texto é a certeza de que a batalha contra a doença é você quem esta vencendo e com muita fé em Deus um dia ela se cansa e vai embora ,como os fracos fazem quando encontram alguém mais forte que eles... 

Pra quem pensa que não sou feliz, que não é possível acreditar que a vida é linda mesmo depois de me tornar cadeirante ou ver o mundo meio embaçado, eu respondo: é  verdade, as cores estão embaçadas, já não existem mais passos ou corrida pela vida, mas também afirmo que pra seguir em frente nunca foi preciso pernas, mas fé... Em Deus, na vida, na certeza que viver é muito mais que ser esteticamente perfeita. Tenho muitos problemas, incontáveis, em cada situação, a cada momento aparecem outros, mas em cada superação um sorriso e em cada sorriso a certeza de que vale a pena tentar. Desistir é pra quem quebra a unha e pensa estar tudo acabado, não pra mim que quebrou o mundo e tive que colar cada caco, mesmo com ele girando... 


Nada de felicidade inútil, sorriso amarelo ou dizer por dizer... pra quem superou o incurável e vive sabendo que a sua presença é notável, não conhece a palavra desistir!

Ana Maria Christianini
Catequista e dona de casa


36 anos, moradora de Jaú/SP
Mãe da princesa Bianca.
Portadora de NMO , desde 2003, quando minha filha tinha 4 meses.
Cadeirante desde 2009, faço tratamento em Ribeirão Preto/USP, usando medicação pra estabilizar a doença. 
Catequista, e dona de casa, mesmo que limitada!


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Qual o erro?


Fonte: acervo pessoal

Vocês repararam na foto? Qual o erro dela? Olhem que coisa, a porta do banheiro de deficientes está trancada com cadeado!!!

Quando vi isso quis muito compartilhar com vocês porque é uma situação que acontece direto. É banheiro trancado, vaga de estacionamento com cone na frente e por aí vai.

E me pergunto o que acontece na cabeça de uma pessoa de ter banheiro especial ou vaga especial, mas que deixa com impedimentos que atrapalham quem precisa usar. Afinal, de nada adianta ter lei, ter a vaga reservada, mas não garantir a acessibilidade necessária de quem precisa.

Será que é tão difícil entender que as pessoas que fazem uso dos banheiros adaptados ou das vagas especiais é porque realmente precisam? Quando vou reclamar, o que mais ouço, é que estão trancados porque quem não precisa está usando também. Ora, mas se está trancado até quem tem direito não pode usar!

Fonte: acervo pessoal

Então, ainda precisamos continuar exigindo que os direitos das pessoas com necessidades especiais sejam respeitados e sempre denunciar e reclamar se alguma coisa estiver errada. É importante reclamar para que as coisas melhorem e as empresas entendam que o importante é garantir o acesso, porque ter trancado é a mesma coisa que não ter.

Penso sempre nesse banheiro com cadeado. Quem tem esclerose múltipla sabe que banheiro é caso de urgência, não dá tempo de buscar chave, não dá tempo de nada. Imagina encontrar trancado... É sinônimo de acidente!

Só lembrando que a esclerose múltipla dá sim o direito à fila preferencial, banheiro adaptado, vagas de estacionamento. Pode usar sim e se questionarem é só mostrar a carteirinha que comprove a condição, pois algumas vezes a deficiência não é aparente e as pessoas nem sempre são solidárias. No estacionamento precisa do cartão DEFIS (clique aqui para saber como conseguir o seu na região do Grande ABC) aparente no carro. Mas pode usar com certeza.

Use e não tenha receio dos olhares dos outros, cada um sabe da sua necessidade.

Camila Zucareli P. Ribeiro
Advogada


Nascida em São Paulo, SP, 40 anos de idade, advogada. Especialista em direito empresarial e especialista em direito previdenciário. Atuou em escritórios e empresas sempre com a preocupação de melhorar o ambiente e trabalho e incluir a pessoa com deficiência nas empresas. Desde 2010 também é empresária. Já morou em Santos hoje mora em São Caetano e está sempre buscando aprender coisas novas. É casada, tem uma filha e adora viajar. Foi diagnosticada com esclerose múltipla bem no meio da Copa do Mundo de 2014.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Viver, somente viver


Fonte: Google imagens

Acordar pela manhã, abrir a janela, olhar o mundo lá fora. Sair, sem rumo, sem destino, deixando que nossos pés e nossos pensamentos possam nos guiar. Olhar para o sol, ver desenho nas nuvens, molhar as flores e acompanhar as abelhas na sua coleta de mel, ver o tempo passar.

Coisas simples e corriqueiras do dia a dia de cada pessoa. Será que é isso mesmo? Nem sempre, por volta de 10% da população não tem este dia a dia descrito dessa forma. Alguns não escutam o cantar dos pássaros, outros não veem às flores, as nuvens, nem mesmo suas pessoas queridas. Outros saem, porém não conseguem andar com seus próprios pés, ou andam movidos por rodas, ou às vezes nem isso.

Será que esses são infelizes? A resposta que quase sempre encontramos, quando conversamos com essas pessoas, geralmente é não. Essas pessoas não são infelizes, muito ao contrário, são felizes dentro de suas possibilidades. Quem disse que a pessoa descrita no início desta nossa conversa é feliz?

Novamente nos socorremos dos números e vamos ver que 30% da população sofre de depressão ou de solidão. Quantos desses sentimentos são ocasionados pelo seu estado físico? Quase sempre nenhum, o que ocasionam estes descompasso no modo de vida normalmente são aspectos econômicos, sociais, sentimentais, quando não suas ambições que não são atendidas da forma como gostaria que fosse.

Você já parou para pensar, nem que seja rapidamente, na quantidade de pessoas que se encontram em uma situação que é pior que a sua? Se não, vejamos, no meu caso eu tenho uma doença incurável, progressiva ao longo do tempo, mesmo sem saber qual tempo é este, além dela tenho também uma lesão medular que causa problemas na locomoção, manutenção de meus hábitos e ocasiona ainda um trabalho adicional para as pessoas que comigo convivem.

Tenho motivo então para me isolar do mundo e dizer que sou um pobre coitado? Ou tenho motivo para cada dia mais tentar suplantar tais problemas e tentar continuar vivendo minha vida com as adaptações que se fazem necessárias, este é o universo desta doença.

Se eu tivesse qualquer outra doença em que fosse pré-determinada a minha estada neste mundo, tipo descoberta da doença e a previsão de que em 3 ou 4 meses eu estaria morrendo, qual seria minha reação? Como eu tentaria viver este pouco tempo que me restava?

Volto então ao início do que estamos lendo: viver, somente viver. Parece-me que aí reside aquilo que pode nos mover sempre. Não importa o que tenho, quanto tempo eu tenho, quais condições eu tenho. O que me importa é saber que eu tenho uma vida e que ela tem um ponto final fora do meu comando, pode chegar sorrateiramente ou de forma avassaladora, mas com certeza chegará.

Não quero ficar esperando esse dia chegar, eu quero estar em movimento, seja físico ou mental, quando ele chegar.


Dedicado ao meu amigo Pedro Spragin.

Wilson Gomiero
Ativista social



Wilson Gomiero foi o primeiro presidente do Grupo do Alto Tietê de Esclerose Múltipla (Gatem), entidade oficializada em 2002, que contava com doze pacientes. Em 2004, com 28 pacientes, conseguiu do governo estadual uma sala para ser usada como sede e para atendimento de pacientes. Conquistou parcerias com laboratórios fabricantes de medicamentos. Em 2005, a Prefeitura de Mogi das Cruzes possibilitou a locação de uma residência para a sede do Gatem. Em 2006, atendia 64 pacientes na nova sede. O Gatem passou a promover anualmente um simpósio para estudantes e profissionais das áreas de fisioterapia, psicologia e neurologia com o objetivo de informar e conscientizar sobre a esclerose múltipla e outras doenças raras do sistema nervoso central.Foi presidente do Conselho Municipal dos Assuntos da Pessoa com Deficiência de Mogi das Cruzes (2002 a 2006); presidente da Federação Brasileira de Associações Civis de Portadores de Esclerose Múltipla (Febrapem) (2008-2011); integrante da Comissão Organizadora da II Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência; coautor do Manual para Criação de Conselhos Municipais, lançado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; membro da Comissão de Orçamento e Finanças do CONADE (2013-2014). É membro do Grupo de Trabalho para Elaboração de Políticas para Atendimento a Doenças Raras (desde 2011), membro da Comissão de Implementação das Políticas para Habilitação e Reabilitação da Pessoa com Deficiência e conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE), em Brasília, como representante de todos os Conselhos Municipais do Brasil. Ativista e defensor dos direitos das pessoas com deficiência, especialmente dos portadores de esclerose múltipla e de doenças raras, Gomiero atua no grupo de trabalho do Ministério da Saúde, que produziu pela primeira vez na história do Sistema Único de Saúde (SUS), uma Política Nacional de Cuidados à Saúde para Pessoas com Doenças Raras e, também, no Plano de Ação para Saúde das Pessoas com Deficiência (2014/2021) da Organização Mundial de Saúde (OMS). Conselheiro Fiscal da ABCEM.


segunda-feira, 13 de março de 2017

Tenho esclerose múltipla, posso me aposentar?


Fonte: http://consultarinss.com/2015/03/simulacao-de-aposentadoria-inss.html

A Esclerose Múltipla é uma doença incapacitante e nos garante diversos direitos como liberação de rodízio para quem vive em São Paulo, atendimento prioritário, isenção de imposto de renda, entre outros. Porém com relação à aposentadoria não é simplesmente o fato de ter a doença que te dará o direito de se aposentar. Mas não desanime, vou explicar melhor.

No INSS existem vários tipos de aposentadorias, uma que é por tempo de serviço, por idade, especial que é para quem trabalhou em exposição permanente a agentes agressivos, aposentadoria por invalidez e aposentadoria da pessoa com deficiência.

Geralmente quem tem esclerose múltipla acaba por se aposentar por invalidez porque começa a ter algumas incapacidades e acaba ficando impossibilitado de trabalhar. Em alguns momentos essa incapacidade para o trabalho é temporária, então a pessoa melhorando já pode voltar a trabalhar. Mas existem situações e pode acontecer com qualquer um, que a incapacidade que a impede de trabalhar é irreversível. Neste caso será necessário se aposentar por invalidez.

E a aposentadoria por invalidez acontece, independente de idade, quando as consequências da doença são irreversíveis e impedem o retorno ao trabalho.

Por isso digo, são as consequências da esclerose múltipla, como por exemplo a neurite óptica, ou a incapacidade motora, ou a confusão mental junto com diagnóstico da esclerose múltipla que comprova ser um quadro irreversível que dará o direito à aposentadoria por invalidez.

Já na aposentadoria da pessoa com deficiência, além de ser preciso comprovar a doença através de perícia, é preciso ter o tempo de contribuição exigido pelo INSS ou a idade, conforme a lei. E dependendo do grau da incapacidade será um valor diferente do benefício. 

Então não desanime, se você ainda consegue trabalhar, vamos em frente, continue trabalhando no seu ritmo, no seu tempo, respeitando os tempos de fadiga para não ter nenhum agravamento do seu quadro e poder se aposentar com um valor melhor. Mas se você não consegue trabalhar peça seu afastamento no INSS, leve o relatório do seu médico contando quais são suas incapacidades, você tem direito. Não precisa ter receio. É direito seu se aposentar.

Camila Zucareli P. Ribeiro
Advogada


Nascida em São Paulo, SP, 40 anos de idade, advogada. Especialista em direito empresarial e especialista em direito previdenciário. Atuou em escritórios e empresas sempre com a preocupação de melhorar o ambiente e trabalho e incluir a pessoa com deficiência nas empresas. Desde 2010 também é empresária. Já morou em Santos hoje mora em São Caetano e está sempre buscando aprender coisas novas. É casada, tem uma filha e adora viajar. Foi diagnosticada com esclerose múltipla bem no meio da Copa do Mundo de 2014.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Esta vaga não é sua nem por um minuto!


Fonte: https://estavaganaoesua.wordpress.com/2011/09/13/festival-gramado/

Quando perdemos o direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de ser livres
(Charles Evans Hughes)

O Estatuto da Pessoa com Deficiência, que entrou em em janeiro de 2016, traz no capítulo que trata do direito ao transporte e à mobilidade, mais especificamente no caput do artigo 47, o seguinte:

“Em todas as áreas de estacionamento aberto ao público, de uso público ou privado de uso coletivo e em vias públicas, devem ser reservadas vagas próximas aos acessos de circulação de pedestres, devidamente sinalizadas, para veículos que transportem pessoa com deficiência com comprometimento de mobilidade, desde que devidamente identificados.”

Já, o parágrafo 3º, do mesmo artigo, estabelece que:

“A utilização indevida das vagas de que trata este artigo sujeita os infratores às sanções previstas no inciso XVII do art. 181 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997 (Código de Trânsito Brasileiro).”

Por sua vez, as sanções do Código de Trânsito Brasileiro às quais nos remete o texto legal acima, são multa e remoção do veículo.

O que temos de novo é que agora os agentes e autoridades de trânsito podem multar os veículos estacionados em vagas preferenciais, reservadas às pessoas com deficiência, dentro de estabelecimentos privados, coisa que antes era impassível de acontecer, haja vista que o Código de Trânsito Brasileiro não tinha competência para atuar fora das áreas públicas.

Efetivamente, quem possui o cartão DEFIS que garante o direito ao uso das referidas vagas, o que ganha com isso? Teoricamente, muita coisa. Na prática, somente nossa própria atuação como agentes defensores dos direitos que nos são assegurados por lei garantirá que eles saiam do papel, deixem de ser meras letras enfileiradas em uma folha branca e passem a ser algo concreto em nossas vidas.

De que valem as disposições legais se não elevarmos nossa voz a fim de nos fazer valer delas? Temos de ser atuantes, sermos nossos maiores defensores, pois enquanto prevalecer o costume arraigado na cultura brasileira de que não adianta reclamar porque não vai mudar nada mesmo, estaremos engessados dentro do paradigma de que nossos clamores jamais serão ouvidos.

Temos de ser os fiscais das garantias que vieram pela luta de alguns poucos que não aceitaram a premissa de que reclamar não vale a pena. Temos de pedir socorro às autoridades cada vez que nos sentirmos ultrajados em nossos direitos e garantias que foram frutos de suor e lágrimas. Não dá para cruzar os braços e esperar que outros cobrem o que cabe a nós cobrarmos. Se aquela vaga que asseguraria nossa mobilidade estiver ocupada por quem não é de direito, é nosso dever, muito mais que direito (pois temos o dever com nós próprios de não nos deixar aviltar uma garantia),  reclamar para quem tem o poder de aplicar as devidas sanções.

As leis, vagarosamente, têm evoluído, mas isso não basta se também não evoluirmos nossas visões dos instrumentos que temos ao para tornarmos concretas suas integrais aplicações.
Por fim, vale a pena fazermos uma reflexão sobre o nosso papel nos palcos da nossa própria vida. Estamos nos sabotando ou estamos sendo pessoas atuantes e garantidoras do cumprimento do estatuído nos textos legais? Pensemos nisso!

Bete Tezine
Advogada



"A arte, em todas as suas formas de expressão, tem o poder de mudar os rumos de uma história que desde o começo estava fadada ao fracasso..." 
 (Bete Tezine)

Nascida em Santo André, SP, 49 anos, advogada, artista plástica, professora universitária de Artes Plásticas, mãe de 2 filhos (1 adulto e 1 adolescente), diagnosticada com Esclerose Múltipla em fevereiro de 2012 e atual presidente da ABCEM



sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Paquera, sexo e amor... como ficam com as pessoas com deficiência visível?


Fonte:  http://deficienciasonline.blogspot.com.br/

Pessoas com deficiência física visível não costumam, ao primeiro contato, despertar atração.  Não causamos impacto à primeira vista para uma possível aproximação, talvez porque o que é diferente sempre causa estranheza (por preconceito). Ouso até dizer que poderia ser por pena, muitos acham que somos “coitadinhos”, anulando automaticamente o nosso poder de sedução e a nossa libido.

Ledo engano... somos como os “normais”, como todo ser humano. Que bom que ainda existem pessoas que não se importam com as diferenças que nós temos, né amour!?!J <3. Esses conseguem nos ver em primeiro lugar.

Então, se você for uma pessoa com deficiência física, não se preocupe com a paquera. Saia e divirta-se! Em algum momento aparecerá uma pessoa bacana, disposta a transpor com você as suas barreiras diárias.

E quando isso acontecer, aproveite! Porque o começo do namoro é uma delícia, tem sempre aquele encantamento... descobertas em relação ao parceiro, tudo é novidade. Por isso explique quais são as suas limitações e dê tempo para o outro se adaptar. Calma, paciência é tudo! J


E lembre-se, a sua deficiência não é o fator decisivo na hora do flerte. Você não é a sua deficiência. São sua personalidade e o seu caráter que te definem. Paquera, sexo e namoro é muito gostoso! Desfrutem! Vivam!

Priscilla Moreira



Sou Priscilla Moreira, uma caiçara que completa 26 anos, todos os anos, há 10 anos. Sou esclerosada, sim! Caduca, senil ou gagá, não! Por ser tão sincera, às vezes me falta o tato, porém me sobram bom humor e otimismo. Amo cachorros (muito mais a minha Manux) balões de aniversário e amoras. No mais, vou seguindo a minha caminhada... desconstruindo preconceitos e tentando ser justa o máximo possível.



sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Coincidências ou providência Divina?


Fonte: http://pensopositivo.com.br/coincidencias-existem/


Fonte: acervo particular
Muitas vezes acontecem coisas tão interessantes em nossas vidas, que costumamos dizer: "que coincidência!". Mas acontece que nem sempre é mesmo coincidência. Diariamente, Deus age em nossas vidas e às vezes nem percebemos.


Quando me formei, prometi que não iria montar consultório em  cima de farmácia, padaria e outros lugares parecidos por uma série de vivências...

Em 2005, montei meu consultório em um sobrado. Atendia sete pessoas com deficiência e ficava acabada emocionalmente nesse dia. Uma era carregada pelo irmão até o consultório, outra subia sentada e de costas os degraus.

Prometi pra mim mesma com ajuda de Deus mudar isso...

Em 2007, comprei cadeiras em que os pacientes não precisam deslocar-se da cadeira de rodas. A cadeira odontológica é toda articulada, o que permite dar comodidade para o paciente.
Fonte: acervo particular

Em 2012, montei a clinica em uma casa térrea com rampa para o acesso. 

No mesmo ano, comecei a ter dificuldades de locomoção, já não tinha mais força nas pernas para subir escadas e, em 2015, tive o diagnóstico difícil de esclerose múltipla.

Amo o que faço e não sei fazer outra coisa. E se o consultório ainda estivesse no andar de cima sem acessibilidade???

Ainda não está de um modo adequado, mas não é porque TENHO ESCLEROSE MúLTIPLA que morri ou não tenho sonhos.

Estamos tão ocupados e preocupados com o trabalho, com os afazeres do dia a dia, com problemas particulares (saúde, finanças etc) que terminamos nos esquecendo de Quem nunca se esquece de nós: DEUS!

Fonte: acervo particular

Podem até não acreditar, Mas agradeço a Deus por ter me dado a Esclerose, ela me freou e aproveito mais intensamente os momentos antes despercebidos.

Coincidências ou Providência Divina? Analise...

Há tantos outros exemplos que vivenciamos diariamente e muitas vezes nem percebemos. É por isso que devemos lembrar: "A tudo dai graças!".

AMÉM!

Juliana Pelisser
Cirurgiã-dentista







Cirurgiã-dentista desde 2001. Formada pela Universidade Estadual de Araçatuba. Com Esclerose Múltipla desde 1998 e diagnosticada em 2015.