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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O direito de ficar triste

Fonte:  http://obviousmag.org/cinema_pensante/img038.jpg

Olá amores! 

Quem já me conhece sabe que sou muito pensativa. Penso em milhares de coisas ao mesmo tempo e estive refletindo sobre um assunto que parece ser tão simples e fácil, só que na realidade não é. 

Estou falando da tristeza, de sentir-se triste, pra baixo, down, deprê... Do jeito que for melhor pra entender.

A gente sabe que para todos um dia é diferente do outro, mas pra nós que temos uma doença crônica é ainda mais. O nosso humor pode ser instável, nossos sentimentos podem aflorar de repente, assim como uma irritabilidade também e, essa instabilidade geral, pode provocar tristeza. 

Ficamos tristes por "N" motivos várias vezes durante o dia, porém estou falando daquela tristeza que não tem um motivo certo, são vários dentro de um só nome: esclerose múltipla. 

Tenho o blog A vida com esclerose múltipla há 8 anos e sempre que me procuram procuro orientar no que precisam e demonstro muito otimismo e positividade. No entanto, esses dias, alguns amigos me compartilharam que não estavam bem com a EM, estavam tendo muitos problemas, inclusive um era emocional. Tentei oferecer um pouco de otimismo para que eles não desanimem frente a seus obstáculos, como uma amiga que compadece da mesma causa, porém, dessa vez, falei sobre a importância de se sentir  triste.

Algumas pessoas me perguntam: você nunca fica triste por ter EM? 

Sim, mas no início quando o medo, a insegurança e a falta de experiência me assombravam, não era tristeza o sentimento que eu tinha, talvez fosse mais medo. Então os anos passaram e, de medo, o meu sentimento passou a ser de determinação. Pensava que tinha que resolver tudo o que a EM me cercava: exames, atestados, perícias, consultas, receitas, laudos  etc. 

Quando, no início desse ano, fui surpreendida com uma notícia incrível: fui aposentada. Depois de anos nessa luta de licença saúde e perícias, consegui o que mais almejava no momento. 

Fiquei muito feliz! No entanto, após alguns meses foi que experimentei um sentimento de tristeza. Nunca imaginei que iria acontecer comigo, afinal já era meu objetivo, quando já readaptada, pois não conseguia cumprir as 8 horas de trabalho nos 5 dias da semana. 

Porém, comecei a notar que aquela mulher alegre que acordava diariamente feliz pra correr atrás da sua rotina não estava mais ali. Porque, logo que precisei ficar afastada, disse a mim mesma que iria aproveitar pra fazer as atividades que trabalhando não dava mais conta, como o pilates e o curso de francês, por exemplo. Então, ia toda animada aos meus afazeres até que notei que estava me autossabotando, colocando empecilhos todos os dias. Com o afastamento, aproveitei para realizar uma vontade tremenda que era de aprender a tocar piano e nem isso eu estava fazendo. 

Um dia era tontura, fadiga, outro sintomas de gripe, enxaqueca e por aí vai, até que me vi sozinha no meu quarto chorando e me perguntando por que eu? Justo eu que sempre fui tão alegre? Me aposentar com 40 anos? Trabalhei tão pouco...

Todas essas perguntas sem respostas, mas que desde a aposentadoria eu não havia me feito. 

Nesse dia chorei como criança. 

Depois percebi que aquela mulher alegre estava triste, sentindo uma tristeza na alma que precisava descarregar, chorar a perda daquela vida que era tão estressante, mas que era minha, minha vida, minha rotina, para que a nova vida recomece e eu aceite minha nova rotina, muito mais leve e legal, apenas com as atividades que escolhi e que preciso. 

Foi aí que reparei numa coisa: eu adoro música e não vivo sem, então, todos os dias em que fico em casa preparo uma playlist e faço tudo com uma trilha sonora ao fundo. Percebi que naqueles dias eu havia me esquecido da música. A tristeza estava tão dentro de mim, que não sentia a necessidade de cantar, dançar ou apenas admirar a melodia. 

Depois de chorar aos soluços, voltei à minha rotina semanal e a música também voltou. 

Contando tudo isso na terapia, minha psicóloga disse que temos que aceitar o direito de ficarmos tristes, no entanto por pouco tempo e não deixar que essa tristeza nos atrapalhe. Ficar triste onde a alegria predomina, como nos posts das redes sociais, pode parecer um desacato à sociedade de imagem, só que não! 


Ninguém vive feliz 24 horas por dia e no meio dessa mesma sociedade, temos todo o direito de nos recolhermos, refletirmos e sermos felizes, ficando tristes de vez em quando. 


Fabi 


Eu me chamo Fabiana Dal Ri Barbosa, mas me chamam de Fabi. Tenho o blog A vida com Esclerose Múltipla desde 2009, onde trocamos experiências e conhecemos algumas novidades relacionadas à EM.
Sou uma pessoa que não vive sem música, se sente feliz na maioria dos dias, pira de vez em quando por pensar demais, é preocupada demais também, mas apaixonada. Amo escrever, assistir filmes, estudar francês, piano, canto e Teatro.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Perícia médica


Fonte: Imagens retiradas da internet

Tenho acompanhado muitos questionamentos sobre a perícia médica. Muitas vezes esses questionamentos chegam acompanhados de um certo temor desse momento, então achei por bem desmistificar um pouco a perícia e esclarecer o que acontece.

Existem diversos tipos e objetivos de uma perícia e para quem tem esclerose múltipla a rotina de passar por perícias já começa no momento de requisitar o remédio de alto custo. Para iniciar o tratamento é preciso preencher diversos formulários, apresentar relatório médico e exames e em muitos casos também é preciso passar por uma perícia, cujo objetivo é apenas garantir que a pessoa que está solicitando o remédio existe e que de acordo com os exames apresentados possui de verdade a doença que alega ter. Os remédios para a esclerose múltipla são muito caros e existe esse cuidado para aprovar a liberação do remédio.

Para alguns direitos, como carteira de motorista especial ou vale-transporte especial para pessoas com deficiência,  também é preciso passar por perícia. Então para garantir o direito a esses benefícios é preciso levar os exames mais atualizados, o relatório do médico que acompanha a doença identificando a patologia, a incapacidade, a escala EDSS e preencher os formulários solicitados. Algumas vezes o médico perito ainda irá fazer alguns testes simples antes de fazer o laudo e autorizar a solicitação.

A mais temível das perícias médicas é sem dúvida a perícia do INSS. É um momento de fragilidade, pois quem está pedindo afastamento ou aposentadoria por invalidez é porque não está bem mesmo e existe um estresse muito grande em passar por esse momento. Mas não precisa tanto medo, a perícia é só uma etapa para alcançar o objetivo que é o benefício previdenciário.

Na perícia previdenciária é muito importante que se tenha um relatório do seu médico que acompanha o caso, contando a situação atual e pedindo o afastamento. Esse relatório tem que ser atual. Além desse documento que é muito importante e será a base para o perito poder dar o afastamento é preciso apresentar todos os exames com uma ordem histórica, os laudos de todos os médicos que acompanham o caso, se forem mais médicos acompanhando.

Ou seja, para a perícia é preciso chegar com a história completa, pois nem sempre o médico perito conhece a doença com profundidade para concluir alguma coisa. E mais, o médico perito não é o seu médico, ele não o conhece e ele vive uma realidade de muitas fraudes, o que também influencia no momento da decisão. Então cada um precisa levar na hora da perícia todo o histórico da doença com exames, pedidos médicos e um relatório feito pelo seu médico bem detalhado sobre a doença e sua evolução, com a conclusão pelo afastamento ou aposentadoria, escrito com todas as letras por ele.

Diante de uma documentação consistente e de alguns testes simples que o perito fará ficará mais fácil conseguir o objetivo, afinal o médico perito não pode ir contra a conclusão do médico que acompanha o caso.


Espero que essas dicas ajude a todos na hora da perícia. 


Camila Zucareli P. Ribeiro
Advogada


Nascida em São Paulo, SP, 40 anos de idade, advogada. Especialista em direito empresarial e especialista em direito previdenciário. Atuou em escritórios e empresas sempre com a preocupação de melhorar o ambiente e trabalho e incluir a pessoa com deficiência nas empresas. Desde 2010 também é empresária. Já morou em Santos hoje mora em São Caetano e está sempre buscando aprender coisas novas. É casada, tem uma filha e adora viajar. Foi diagnosticada com esclerose múltipla bem no meio da Copa do Mundo de 2014.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Tenho esclerose múltipla, posso me aposentar?


Fonte: http://consultarinss.com/2015/03/simulacao-de-aposentadoria-inss.html

A Esclerose Múltipla é uma doença incapacitante e nos garante diversos direitos como liberação de rodízio para quem vive em São Paulo, atendimento prioritário, isenção de imposto de renda, entre outros. Porém com relação à aposentadoria não é simplesmente o fato de ter a doença que te dará o direito de se aposentar. Mas não desanime, vou explicar melhor.

No INSS existem vários tipos de aposentadorias, uma que é por tempo de serviço, por idade, especial que é para quem trabalhou em exposição permanente a agentes agressivos, aposentadoria por invalidez e aposentadoria da pessoa com deficiência.

Geralmente quem tem esclerose múltipla acaba por se aposentar por invalidez porque começa a ter algumas incapacidades e acaba ficando impossibilitado de trabalhar. Em alguns momentos essa incapacidade para o trabalho é temporária, então a pessoa melhorando já pode voltar a trabalhar. Mas existem situações e pode acontecer com qualquer um, que a incapacidade que a impede de trabalhar é irreversível. Neste caso será necessário se aposentar por invalidez.

E a aposentadoria por invalidez acontece, independente de idade, quando as consequências da doença são irreversíveis e impedem o retorno ao trabalho.

Por isso digo, são as consequências da esclerose múltipla, como por exemplo a neurite óptica, ou a incapacidade motora, ou a confusão mental junto com diagnóstico da esclerose múltipla que comprova ser um quadro irreversível que dará o direito à aposentadoria por invalidez.

Já na aposentadoria da pessoa com deficiência, além de ser preciso comprovar a doença através de perícia, é preciso ter o tempo de contribuição exigido pelo INSS ou a idade, conforme a lei. E dependendo do grau da incapacidade será um valor diferente do benefício. 

Então não desanime, se você ainda consegue trabalhar, vamos em frente, continue trabalhando no seu ritmo, no seu tempo, respeitando os tempos de fadiga para não ter nenhum agravamento do seu quadro e poder se aposentar com um valor melhor. Mas se você não consegue trabalhar peça seu afastamento no INSS, leve o relatório do seu médico contando quais são suas incapacidades, você tem direito. Não precisa ter receio. É direito seu se aposentar.

Camila Zucareli P. Ribeiro
Advogada


Nascida em São Paulo, SP, 40 anos de idade, advogada. Especialista em direito empresarial e especialista em direito previdenciário. Atuou em escritórios e empresas sempre com a preocupação de melhorar o ambiente e trabalho e incluir a pessoa com deficiência nas empresas. Desde 2010 também é empresária. Já morou em Santos hoje mora em São Caetano e está sempre buscando aprender coisas novas. É casada, tem uma filha e adora viajar. Foi diagnosticada com esclerose múltipla bem no meio da Copa do Mundo de 2014.