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quarta-feira, 25 de abril de 2018

Qual o seu limite?

Fonte: Google imagens

Qual o seu limite? Essa é uma pergunta muito complexa e com diversas variáveis. Noto que nem sempre o que funcionou hoje pode ser aplicado amanhã ou é similar para todos que lidam com o mesmo diagnóstico.
Às vezes para um "esclerosado" é necessário um dia de repouso para fazer uma atividade simples, um passeio ou sair para resolver questões ligadas ao tratamento.
Acredito que um sentimento comum entre os que lidam com a EM é que quando não conseguem sair de suas camas, concretizarem suas tarefas ou afazeres, essa  inércia  impacta de forma conflitante e não é nada fácil lidar com tal condição.
Realizei essa indagação no grupo para outros colegas. A seguinte resposta foi descrita: também sinto o mesmo, mas é fundamental aceitar e não remoer que é pior.
É desafiador não pensar sobre, principalmente quando mora-se sozinha como no meu caso, outros quando possuem uma família para cuidar...enfim, cada um sabe onde esse limite surge e interfere.
Diariamente, tenho que repensar esses questionamentos, pois  tinha a visão que ficar parada era um desperdício de tempo e algo relacionado à inutilidade. Fora que nessas ocasiões  aumenta a ansiedade para resolver inúmeras questões.
A aparência ou até mesmo limitações por alguma sequela dos surtos nem sempre podem ditar o seu limite, mas adaptar-se de forma constante e perceber que podemos ocupar ou encontrar uma solução nesse tempo, seja com uma atividade que esteja acessível, pois é essencial desenvolver novas habilidades.

Jennifer Araujo




Bacharel em Comunicação Social - produção editorial, apaixonada por música, viagens, teatro e fotografia. Diagnosticada com esclerose múltipla desde 2013.





terça-feira, 27 de março de 2018

O suicídio mora ao lado


Fonte: Google imagens

Setembro é o mês em que a prevenção ao suicídio é enfocada com mais ênfase, trata-se do "setembro amarelo". Todavia, esse é um assunto que deve receber a mesma atenção durante o ano inteiro, principalmente no que diz respeito aos adolescentes, pois é alarmante o número de pessoas  desta faixa etária que tentam o suicídio todos os dias no Brasil e no mundo. É preciso criar um alerta! Essa geração precisa ser socorrida, mas infelizmente, o rótulo “ABORRECENTE” ainda é unânime dentro da nossa sociedade. Quem nunca proferiu ou ouviu as típicas frases: “No meu tempo não era assim!”; “Uma bela surra resolve!”; “Isso é falta do que fazer!”; “Quem quer se matar se mata!”? Na realidade quem quer se matar não quer morrer e, sim, aliviar sua dor. Acredito que muitos podem estar se perguntando mas que dor, se ser adolescente é a melhor fase da vida? Trata-se de um mero engano, pois ser adolescente nos dias de hoje é um grande desafio.

A adolescência é a fase que marca o fim e o começo, fase na qual predominam as dúvidas, as descobertas e as escolhas que podem influenciar drasticamente seus destinos. Então, afinal, o que se deve escolher?

Essas escolhas só podem ser feitas por meio de vivências, mas o que pensar quando não se tem liberdade ou, muitas vezes, tem liberdade demais?

Conflitos passam a fazer parte do cotidiano junto com a sensação de incompreensão.  O documentário Pro dia Nascer Feliz e o artigo de Sergio Ozella, Adolescência: uma perspectiva crítica, retratam com maestria a fase em que se depara com um mundo onde se cobra muito e não se doa com a mesma equivalência.

Os adolescentes contemporâneos vivem um período no qual a palavra “LIMITE” está em desuso. Eles conhecem o sim e o não, porém de forma inexplicada. Têm o mundo às suas mãos por meio da tecnologia, apesar do pouco conteúdo educativo e informativo.

Hoje, alguns pais estão usando a tecnologia para filmar os castigos aplicados como disciplina e, do outro lado, pais aplaudindo e tomando como exemplos sem levar em conta o impacto que estas exposições podem gerar. Educar requer limites, pois pode resultar em algo inverso.

Pais, escolas e Poder Público não estão preparados para conceber os adolescentes que nascem todos os dias. Olhares lançados quando eram crianças foram substituídos por olhares que os fazem perder a inocência. Com isso, novas aparências, novos desejos, novos desafios em conjunto com tantas transformações vêm de encontro ao desequilíbrio e, na maioria das vezes, à instabilidade emocional e psíquica.

As bases fornecidas aos adolescentes são as que irão fazer a diferença e elas são fundamentais para que se sintam seguros para explorarem as descobertas e para a aquisição de conhecimentos. Infelizmente, a realidade que vemos hoje é uma grande falta de estrutura para garantir que nossos adolescentes construam seus próprios alicerces. Essa é a fase em que os valores estão sendo revistos, é o momento em que passam a formar as próprias opiniões, período este que recebeu o nome de rebeldia. A família, assim como a sociedade e o Poder Público necessitam se preparar para acolherem estes adolescentes, dando a eles o suporte necessário para que cheguem à fase adulta com uma personalidade regada de valores éticos e caráter com princípios morais sólidos e incontestáveis. Quando os pais não estão preparados para compreenderem e dar suporte, existe a grande probabilidade de ser o momento decisivo para os conflitos ganharem seus papéis. Um pai e uma mãe que têm seus instintos protetores altamente evidenciados, esquecem que também foram adolescentes e passam a entrar em uma guerra alucinante, tentando encontrar naquele adolescente a sua criança meiga e participativa que exaltava seus pais como seus heróis. Esses pais por vezes deixam de enxergar seu próprio filho, para enxergarem um ser rebelde e desobediente. Na contramão existem os pais totalmente submissos aos filhos, permitindo que eles estejam no comando de suas próprias vidas sem nenhum discernimento e base constituída. Não podemos esquecer-nos dos adolescentes que hoje vivem nas ruas sem nenhuma chance de acesso à educação, totalmente entregues, por vezes, ao uso de substâncias tóxicas, onde o crime vive em paralelo.

Infelizmente, é raro ver adolescentes mantendo uma relação saudável com seus pais e com a sociedade. Fato lamentável em um período em que eles mais precisam de atenção, pois nada ainda é  definitivo para os adolescentes, tudo é incerto e eles ainda não estão preparados para enfrentarem as mudanças físicas e emocionais que virão pela frente. Estima-se, segundo pesquisas feitas por várias universidades brasileiras e financiadas pelo Governo Federal, que 1 (um) entre cada 3 (três) adolescentes estejam sofrendo de transtornos mentais. É impossível não se perguntar: “o tratamento vai de encontro às necessidades particulares de cada um?” “A família recebe o suporte necessário para aprender a lidar com os problemas?” A resposta para tantos questionamentos é não! Desse modo, estamos diante de um problema que já se pode denominar como epidemia e não existem ações que visem a minimização dos danos que os distúrbios emocionais acarretam nas personalidades desses adolescentes e também não existem políticas de inserção suficientes que lhes propiciem oportunidades para trilharam um caminho que os matenham longe da criminalidade. Nesse sentido, o filme Querô retrata muito bem que a falta de oportunidades, em muitos casos, é fator determinante para que muitos adolescentes sejam empurrados para a marginalidade.

Falando dos adolescentes que não fazem parte deste contexto, mas que estão adoecidos emocionalmente e muitos deles sofrendo de doenças crônicas como a Esclerose Múltipla, entre tantas outras patologias, ao contrário do que é imaginado pelos adultos, eles precisam de apoio, compreensão e respeito, estão passando por transformações e cabe à sociedade entender, compreender e apoiar cada uma das suas necessidades. Mesmo que num primeiro momento o adolescente se mostre contra, ainda assim é competência do adulto ter os subsídios para dar o suporte necessário.  
      
Finalizo esse texto com a ânsia de provocar uma reflexão e idealizando que as estatísticas possam, num futuro breve, nos mostrarem que o suicídio está sendo erradicado e que esses adolescentes recebam o suporte necessário para que adquiram capacidade de desenvolverem condições para lidarem com as frustrações advindas na fase da vida adulta. 

Vilma Prado





Estudante de psicologia. Saiu em  busca do autoconhecimento e aprendeu que sua felicidade depende apenas dela mesma. Libertação, superação e determinação a definem.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

O papel da (minha) mente na (minha) doença autoimune...


Fonte: http://www.aid4disabled.com/imagine-life-without-multiple-sclerosis/

“Não há nada na mente que já não tenha passado antes pelos sentidos”.
(Aristóteles)


Ao ler o artigo O papel da mente nas doenças autoimunes, publicado no site A mente é maravilhosa, tive a nítida sensação de que estava me olhando no espelho, tal a identificação que senti com as palavras nele contidas.

Porém, acho que não sou a única que teve a alma desnuda ao ler esse mesmo artigo ou outro de mesmo teor, pois, cada um de nós que possuímos algum tipo de doença autoimune, mesmo que relute em admitir, bem lá no fundo sabe o quanto nossa mente pode nos sabotar e fazer com que a doença se agrave, provocando uma progressão da doença que, algumas vezes, deixa sequelas irreversíveis.

Falando por mim, quando recebi o diagnóstico de esclerose múltipla, a neurologista me receitou o medicamento para controle da doença e alguns para tratar os sintomas, entre eles um antidepressivo. Aliado a isso, me encaminhou para psicoterapia com o seguinte argumento: “não temos de tratar apenas seu corpo, é essencial tratarmos sua mente também.”

Por vários anos eu fiz terapia, no entanto, por diversas razões, precisei parar de alguns meses para cá e fui sabotada pelos meus próprios sentimentos, entrando num processo depressivo que não me fez surtar da esclerose múltipla, mas me fez surtar como ser humano que não suportou a carga emocional de problemas das mais diversas origens. Consulta, exames, novo antidepressivo e recomendação de retomar a terapia, o que pretendo fazer o mais urgente que minha condição permitir.

Sabemos que o estresse é um agravante poderoso da nossa condição de pessoas com EM, no entanto, sabemos também que não temos como entrar numa bolha e nos isolar do mundo aqui fora. Problemas sempre existirão, dificuldades das mais variadas espécies se abaterão sobre nós mais cedo ou mais tarde, no entanto, é como lidamos com as agruras da vida que determina o quanto seremos atingidos emocionalmente.

Existe fórmula de sucesso para que consigamos controlar nossos sentimentos diante dos percalços? Não, infelizmente, pois como somos seres individuais, individuais também são o poder de enfrentamento e a resiliência de cada um de nós. Porém, quando nossa mente recebe a devida atenção, com cuidados que a mantenha funcionando o mais adequado possível, fica mais difícil que nos autossabotemos, equilibrando corpo e mente.
Finalizo transcrevendo um trecho do artigo citado no início do post para que possamos fazer uma íntima reflexão:

“A saída para uma pessoa com doença autoimune é simplesmente parar de acreditar que é uma pílula, uma vitamina ou algum médico milagroso que vai conseguir recuperar a sua saúde. É claro que não deve abandonar esses tratamentos, mas deve-se procurar também um profissional de saúde mental para complementar esse tratamento.” (A MENTE É MARAVILHOSA)

Beijos carinhosos!

Bete Tezine
Advogada


Referência

A MENTE É MARAVILHOSA. O papel da mente nas doenças autoimunes. Disponível em: <https://amenteemaravilhosa.com.br/papel-da-mente-doencas-autoimunes/>. Acesso: 01 fev 2018. 





Advogada, artista plástica, mãe, diagnosticada com esclerose múltipla há 6 anos, atual presidente da ABCEM, conselheira de saúde do município de São Caetano do Sul.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Você é preconceituoso?


Fonte: Google imagens

Dizer que não somos preconceituosos é uma alienação da sociedade. O preconceito é o pré-julgamento de tudo aquilo que ainda não se conhece a fundo.

Antes de aceitar minha orientação sexual eu era extremamente preconceituoso com tudo que este assunto engloba. Nunca tive dúvidas de quem eu realmente era, porém não aceitava.

Meu erro, por um longo tempo, foi lutar contra quem eu era de verdade, ou seja, lutar contra mim mesmo. Com uma opinião formada perante a sociedade na qual vivia e criado por uma família totalmente tradicional, tudo que vinha à minha cabeça vinha em formato de ponto de interrogação, como se as minhas vontades fossem um crime. No momento em que aceitei minha orientação tudo começou a fluir normalmente, mais leve. Descobri que os desafios são mais simples de serem resolvidos em partes do que como um todo! Comecei a enxergar que as diferenças também são bem-vindas às vezes. Quebrando tabus e ideologias padrões com o meio com o qual me socializava, fui percebendo que o mundo talvez não seja tão "uniforme" assim.

As pessoas, de um modo geral, têm uma carência oculta que ao se depararem com alguém confiante e seguro de si próprio tendem a se sentirem acuadas. Acredito que seja uma forma de autodefesa, como se as diferenças não pudessem ser iguais ou melhores, talvez seja um meio de se sentirem mais confortáveis. Uma pessoa segura de si não se abala por tão pouco.

Não me deixo levar por comentários, julgamentos incoerentes e ataques, amar-se é a melhor arma contra tudo aquilo que não nos traz a felicidade.

Bruno Andrade
Estudante de Psicologia





Estudante de Psicologia, se apaixonando pela área neurológica. Nascido e criado na Zona Leste de São Paulo, quando criança já se identificava com gostos incomuns para o "gênero masculino" e, como qualquer coisa incomum (perante a sociedade), sofreu preconceitos e rompeu barreiras para o próprio crescimento. Generosidade, igualdade e superação o descrevem.





quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O direito de ficar triste

Fonte:  http://obviousmag.org/cinema_pensante/img038.jpg

Olá amores! 

Quem já me conhece sabe que sou muito pensativa. Penso em milhares de coisas ao mesmo tempo e estive refletindo sobre um assunto que parece ser tão simples e fácil, só que na realidade não é. 

Estou falando da tristeza, de sentir-se triste, pra baixo, down, deprê... Do jeito que for melhor pra entender.

A gente sabe que para todos um dia é diferente do outro, mas pra nós que temos uma doença crônica é ainda mais. O nosso humor pode ser instável, nossos sentimentos podem aflorar de repente, assim como uma irritabilidade também e, essa instabilidade geral, pode provocar tristeza. 

Ficamos tristes por "N" motivos várias vezes durante o dia, porém estou falando daquela tristeza que não tem um motivo certo, são vários dentro de um só nome: esclerose múltipla. 

Tenho o blog A vida com esclerose múltipla há 8 anos e sempre que me procuram procuro orientar no que precisam e demonstro muito otimismo e positividade. No entanto, esses dias, alguns amigos me compartilharam que não estavam bem com a EM, estavam tendo muitos problemas, inclusive um era emocional. Tentei oferecer um pouco de otimismo para que eles não desanimem frente a seus obstáculos, como uma amiga que compadece da mesma causa, porém, dessa vez, falei sobre a importância de se sentir  triste.

Algumas pessoas me perguntam: você nunca fica triste por ter EM? 

Sim, mas no início quando o medo, a insegurança e a falta de experiência me assombravam, não era tristeza o sentimento que eu tinha, talvez fosse mais medo. Então os anos passaram e, de medo, o meu sentimento passou a ser de determinação. Pensava que tinha que resolver tudo o que a EM me cercava: exames, atestados, perícias, consultas, receitas, laudos  etc. 

Quando, no início desse ano, fui surpreendida com uma notícia incrível: fui aposentada. Depois de anos nessa luta de licença saúde e perícias, consegui o que mais almejava no momento. 

Fiquei muito feliz! No entanto, após alguns meses foi que experimentei um sentimento de tristeza. Nunca imaginei que iria acontecer comigo, afinal já era meu objetivo, quando já readaptada, pois não conseguia cumprir as 8 horas de trabalho nos 5 dias da semana. 

Porém, comecei a notar que aquela mulher alegre que acordava diariamente feliz pra correr atrás da sua rotina não estava mais ali. Porque, logo que precisei ficar afastada, disse a mim mesma que iria aproveitar pra fazer as atividades que trabalhando não dava mais conta, como o pilates e o curso de francês, por exemplo. Então, ia toda animada aos meus afazeres até que notei que estava me autossabotando, colocando empecilhos todos os dias. Com o afastamento, aproveitei para realizar uma vontade tremenda que era de aprender a tocar piano e nem isso eu estava fazendo. 

Um dia era tontura, fadiga, outro sintomas de gripe, enxaqueca e por aí vai, até que me vi sozinha no meu quarto chorando e me perguntando por que eu? Justo eu que sempre fui tão alegre? Me aposentar com 40 anos? Trabalhei tão pouco...

Todas essas perguntas sem respostas, mas que desde a aposentadoria eu não havia me feito. 

Nesse dia chorei como criança. 

Depois percebi que aquela mulher alegre estava triste, sentindo uma tristeza na alma que precisava descarregar, chorar a perda daquela vida que era tão estressante, mas que era minha, minha vida, minha rotina, para que a nova vida recomece e eu aceite minha nova rotina, muito mais leve e legal, apenas com as atividades que escolhi e que preciso. 

Foi aí que reparei numa coisa: eu adoro música e não vivo sem, então, todos os dias em que fico em casa preparo uma playlist e faço tudo com uma trilha sonora ao fundo. Percebi que naqueles dias eu havia me esquecido da música. A tristeza estava tão dentro de mim, que não sentia a necessidade de cantar, dançar ou apenas admirar a melodia. 

Depois de chorar aos soluços, voltei à minha rotina semanal e a música também voltou. 

Contando tudo isso na terapia, minha psicóloga disse que temos que aceitar o direito de ficarmos tristes, no entanto por pouco tempo e não deixar que essa tristeza nos atrapalhe. Ficar triste onde a alegria predomina, como nos posts das redes sociais, pode parecer um desacato à sociedade de imagem, só que não! 


Ninguém vive feliz 24 horas por dia e no meio dessa mesma sociedade, temos todo o direito de nos recolhermos, refletirmos e sermos felizes, ficando tristes de vez em quando. 


Fabi 


Eu me chamo Fabiana Dal Ri Barbosa, mas me chamam de Fabi. Tenho o blog A vida com Esclerose Múltipla desde 2009, onde trocamos experiências e conhecemos algumas novidades relacionadas à EM.
Sou uma pessoa que não vive sem música, se sente feliz na maioria dos dias, pira de vez em quando por pensar demais, é preocupada demais também, mas apaixonada. Amo escrever, assistir filmes, estudar francês, piano, canto e Teatro.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Quem é o seu pior inimigo?



Fonte: http://rejane-enajer.blogspot.com.br/2012/04/o-seu-pior-inimigo-e-voce-mesmo.html

Seu pior inimigo não são as críticas que você recebe, mas sim as que você aceita.

Por que é tão mais fácil acreditar na opinião dos outros a seu respeito do que na sua própria opinião?

Por que levamos em consideração tudo que chega com teor negativo em vez de acreditar no positivo?

A resposta é: você pode estar sendo seu próprio inimigo e não estar se dando conta disso. 

Quando nossa autoestima está baixa é como se agradecêssemos a alguém que chega pra nos colocar mais pra baixo ainda. Tendenciamos a sempre nos ferir. 

Por que é tão difícil olhar para si mesmo? Por que é tão difícil se valorizar, se amar, se agradar, se defender de críticas maldosas? 

Estamos treinados a sempre achar que o outro é melhor. Mero engano. O outro possui defeitos e qualidades assim como toda a humanidade. 

Por que não pensar que se o outro é capaz de apontar-lhe o dedo é porque no mínimo lhe falta educação e ética, pois só devemos responder o que nos é perguntado.

Pare de aceitar críticas que não acrescentem, olhe para você, busque suas qualidades, veja o quão bom você pode ser e acredite: você nunca irá agradar a todos. Então, por que ficar alimentando críticas desconstrutivas? 

Use seu tempo  para aprimorar-se, aprimorar sua personalidade, adequando-se a cada fase da sua vida, respeitando seus limites. Exija o respeito de todos os que te cercam, não permita que pessoas ditem regras sobre o que você deve ou não fazer, sobre o que é ou não bom para você no momento em que você é a única pessoa que deve saber, afinal você é o dono da sua vida, você é quem deve conduzir as rédeas, não permita que suas vontades sejam controladas por ninguém, se autoavalie todos os dias e diga para você mesmo quem é que manda.

Para aqueles que convivem com a esclerose múltipla, a patologia é algo que transpassa seu poder de escolha, sendo assim não a torne sua inimiga, não tente lutar contra quando ela pedir descanso. Quando a fadiga se instalar, simplesmente a receba e a trate com cortesia, ofereça uma cama, exija respeito, não admita que outra pessoa diga o que você deve fazer, pois é no seu corpo que a EM habita, é você quem a carrega para onde quer que vá, então seja você o anfitrião, trate a EM com os cuidados que ela exige. Diga para todos que chegam com receitas prontas ou opiniões formadas que você é o dono do corpo no qual a EM faz morada, portanto você  conhece cada necessidade dela, não escolha ser seu próprio inimigo. 

Não jogue contra você mesmo e quando ouvir a frase "você precisa ser forte",  tenha convicção de que você é forte, pois abriga dentro de você uma doença rara da qual só você sente os sintomas que ela atira sobre seu corpo, a única coisa que você precisa é apenas de respeito... Então estufe o peito e diga a todos: "RESPEITEM!". Impor respeito precisa partir de nós, sempre.

Vilma Prado






Estudante de psicologia.  Amante da psicologia comportamental,  saiu em  busca do autoconhecimento e aprendeu que sua felicidade depende apenas dela mesma. Libertação, superação e determinação a definem.





sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Chuva torrencial


Fonte: http://tudoela.com/sonhar-com-chuva/

Como a chuva torrente que cai lá fora e lava toda a sujeira que fica exposta nas ruas, os amontados de folhas e lixos em geral, fazendo com que surja um luminoso céu após a tempestade que permite-nos ver um arco íris, deixando que o sol se deixe ver, ainda que tímido,  despontando devagar, seria bom se em nossas almas pudesse chover torrentes de amor para que também em nosso eu que se materializa neste corpo que nos é dado como vestimenta para a alma, também pudéssemos varrer a tristeza, a angústia, incertezas, humilhações, descrenças, mágoas e a falta de amor. E, depois de termos varrido toda essas coisas “sujas” que nos deixam pesarosos, sem brilho e sem encontrar um lugar sequer em que caibamos confortavelmente, pudéssemos ressurgir com a alma lívida, na certeza do perdão e de braços estendidos; de olhares antes acusadores, hoje amistosos, solidários, e que a força maior que move a todos, sem discriminação de credo, raça ou cor, fosse o amor.

No lugar do rancor, o perdão, no lugar da mágoa, a reconciliação, e no lugar do descaso, o amparo vindo de todos os lados e sob todos os aspectos para que não somente um, mas todos os povos, pudessem sentir o valor da amizade, do respeito e da misericórdia, hoje tão abstratos se olharmos como um todo,  pois ainda que a bondade seja maior, parece que o mal tem o poder de atrair até e inclusive aqueles que de alguma forma lutam por um mundo melhor.


Nossa casa comum sendo abrigo para todos e todas as espécies e, neste mundo a ser plantado ou que estamos plantando, a palavra chave em tudo é esperança, esta que brota da fé, da certeza e do plantio de valores que constroem verdadeiros sentimentos, colocando de lado a relatividade porque tocaremos a cada um com o nosso coração e com o sorriso que vem da alma.





Val



53 anos - divorciada - secretária de profissão, atuando nas áreas administrativa e financeira - católica - defensora da causa animal - livro de cabeceira: Bíblia - catequista de crianças da primeira Eucaristia.









quinta-feira, 31 de agosto de 2017

A importância do equilíbrio emocional


Fonte: https://coachmarinaaquino.com.br/blog/como-ter-mais-equilibrio-emocional

Eu nunca levei muita fé nesse papo de que o emocional comandava TUDO dentro da gente, inclusive a saúde. Sempre tive muita desconfiança em relação a essas ideias genéricas que todo mundo acredita, sobre todos os aspectos da vida. Porém, após sofrer muito estresse diário e desenvolver a esclerose múltipla, eu pude perceber que, SIM, o psicológico comanda o nosso corpo e define como vamos estar/ser/ficar.

A partir daí, eu passei a prestar mais atenção nas minhas atitudes e na importância que eu dava pras coisas. Ademais, passei a cuidar mais de mim e prestar mais atenção na energia que as pessoas depositavam em mim.


Não estou dizendo que eu não erro e nem que venho sabendo administrar tudo na minha vida. Mas tudo é uma questão de tempo, percepção e equilíbrio.

Pérola Diniz Pessanha
Estudante de Direito


Meu nome é Pérola, tenho 20 anos e tenho EM desde os 19. Sou estudante de Direito e apaixonada pela vida.



terça-feira, 15 de agosto de 2017

Foram os “NÃOS” que recebi da vida que fizeram com que eu chegasse até aqui



Fonte: Google imagens

Desde crianças temos dificuldades em lidar com os NÃOS, afinal de contas é muito mais legal recebermos um SIM e podermos fazer tudo aquilo que desejamos.

Cada Não que recebemos nos impõe um limite, faz com que deixamos de realizar algo ou até mesmo avançar para uma próxima etapa.

Demorei muito para entender que cada NÃO que eu recebi me fez mudar o percurso, encontrar uma nova solução e chegar a um resultado diferente na minha “equação” da vida.

Outro dia me peguei pensando sobre isso, do nada. Simplesmente estava ligando os pontos e analisando os resultados positivos de tudo que achava que tinha sido negativo. E se eu não tivesse levado aquele “pé na bunda” daquele amorado que eu era apaixonada na adolescência? Na época foi um NÃO terrível, uma “sofrência” sem fim, digno de música de sucesso (rs). Pensando bem, aquele NÃO me fez partir para uma nova oportunidade, não só emocional como muitas outras oportunidades de vida que se eu estivesse naquele relacionamento jamais teria vivido.

Quantas desilusões foram acontecendo e eu nem me dava conta que cada NÃO resultaria em algo muito melhor. E se eu não tivesse recebido um NÃO daquela empresa que eu queria muito trabalhar? Talvez hoje eu ainda estivesse lá, sentada naquela mesma mesa que acreditava ser a melhor solução do mundo, presa em mundo que  me deixaria acorrentada profissionalmente, sem liberdade de criar tudo aquilo que crio hoje.

Quantos NÃOS doloridos que hoje sou grata por ter recebido... cada NÃO me fez chegar até aqui, cada NÃO me fez enxergar opções muito mais prazerosas e gratificantes. Se hoje sou o que sou devo muito aos milhares de NÃOS recebidos, que me fortalecerem, que me fizeram sonhar cada vez mais alto e acreditar que tudo realmente tem seu tempo e sua hora. Tudo tem o melhor momento para acontecer, cada detalhe foi sendo preparado com um caminhão de SIM que me enche de alegria e satisfação.

Não aconteceu no momento que eu quis, mas no momento que seria melhor. Não via a luz no fim do túnel em meio a tanta confusão, mas cheguei num clarão infinito de felizes possibilidades. Não olhei para o problema e encontrei a solução.

Eu achava que estava trilhando o caminho totalmente inverso, quando na verdade aquela forma com que eu me comportava diante dos NÃOS era sim o sentido natural que as coisas tinham que acontecer.

Hoje consigo entender o sentido positivo de cada NÃO que a vida me reservou e, SIM, hoje tenho os melhores SIM que um dia pensei em ter.

E você? É resultado dos NÃOS que a vida te reservou?


Paz e bem e até o próximo post!


Máyra Macedo
Youtuber e apresentadora de TV




Máyra Macedo, 40 anos. Mãe de 3 filhas, Giulia, Gabriela e Pietra, com 17, 15 e 10 anos, respectivamente. Formada em Logistica, Pós-graduada em Gestão de Açúcar e álcool pela UFSCar. Youtuber do canal Faça Quase Tudo . Apresentadora de TV na TV Cultura Paulista (Quadro Faça Quase Tudo, no programa Universo Mais). Figurinista dos espetáculos Quebra-Nozes e Frozen da escola de ballet Renata Canova. Decoradora e personal organizer.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Quando todos parecem não se importar...


Fonte: http://obviousmag.org/espaco_das_letras/2016/03/10-atitudes-contra-as-recaidas-da-depressao.html


* Este texto é direcionado para as pessoas que “parecem” não se importar.

Talvez todos nesta vida, se não passaram, vão passar por um período difícil. Talvez uma depressão, aquela fase em que você pode estar rodeado de pessoas, mas se sente sozinho, pode se arrumar e colocar um sorriso no rosto, mas por dentro é a pessoa mais infeliz do mundo, pode aparentar ter uma vida organizada, mas por dentro as ideias estão um caos. Você grita por socorro, mas parece uma criança mimada querendo chamar atenção.

Você é obrigado a ouvir frases clichês como “tudo vai melhorar”, “é só não pensar nisso”, “você é novo demais para tomar esses remédios”, “tem gente que tem uma vida pior e não está reclamando”. Vou dizer uma coisa: ESSAS FRASES NÃO AJUDAM!

Se você é amigo ou parente de alguém que está nessa situação, tire essas frases do seu livro de autoajuda. Pessoas com depressão (uma DOENÇA), não  precisam de mais julgamento e mais peso sobre elas, essas pessoas precisam de carinho, de atenção que não sufoca, de alguém que ajude a arrumar a bagunça do quarto ou que mande a pessoa para o banho sem julgamentos.

JULGAMENTO, está aí  uma coisa muito difícil para quem enfrenta a depressão, o julgamento dos outros, o que os outros vão pensar se a pessoa falar que está em depressão, ou que já pensou em dar um fim na vida? Encontrar alguém que não julgue é o primeiro passo para quem está com depressão se abrir e contar o que se passa, portanto esteja disposto a ouvir. Mostre que você não está ali para apontar o dedo na cara, mas para apontar uma direção a seguir.

Mostre que você se importa.

OBS.: o autor optou não se identificar


quinta-feira, 20 de julho de 2017

Quando o outro não entende seu dia de "luto"


Fonte: http://redsensations.blogspot.com.br/2015/05/sozinha.html

É muito comum ouvirmos "críticas" a respeito do nosso humor no cotidiano. Quem nunca sentiu vontade de ficar quietinho em determinado dia? Às vezes, a gente se afasta porque sabe que não está muito bem para interagir com as pessoas. Porém, isso pode ser confundido com o famoso "isolamento" e, consequentemente, recebemos muitas críticas em relação a tal atitude que tomamos.

O que muitos não lembram é que somos feitos de altos e baixos.Talvez esse seja mais um sintoma da Esclerose Múltipla. Por mais que tudo esteja caminhando bem em nossa vida, um dia a gente acorda com uma incerteza ou uma insegurança que acomete a maioria dos pacientes com EM, e isso, de certa forma, nos causa dor.

Eu, pelo menos, só queria que esse dia que meu psicológico escolheu pra mim fosse respeitado. É mais difícil ainda você saber que o seu humor vai afetar todos ao seu redor, pois, dessa forma, cria-se uma responsabilidade/ obrigação de estar bem para ver os outros bem.

Em contrapartida, nós nos conhecemos e sabemos que no dia seguinte estaremos bem novamente e que a esperança irá se renovar. É normal, é o ciclo da vida, é assim mesmo.

Por isso, amadas pessoas que convivem conosco diariamente, tenham paciência, tenham cuidado conosco, tenham carinho, mas também tenham compreensão para com nossos momentos de "luto".

Pérola Diniz Pessanha
Estudante de Direito



Meu nome é Pérola, tenho 20 anos e tenho EM desde os 19. Sou estudante de Direito e apaixonada pela vida.