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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Você é preconceituoso?


Fonte: Google imagens

Dizer que não somos preconceituosos é uma alienação da sociedade. O preconceito é o pré-julgamento de tudo aquilo que ainda não se conhece a fundo.

Antes de aceitar minha orientação sexual eu era extremamente preconceituoso com tudo que este assunto engloba. Nunca tive dúvidas de quem eu realmente era, porém não aceitava.

Meu erro, por um longo tempo, foi lutar contra quem eu era de verdade, ou seja, lutar contra mim mesmo. Com uma opinião formada perante a sociedade na qual vivia e criado por uma família totalmente tradicional, tudo que vinha à minha cabeça vinha em formato de ponto de interrogação, como se as minhas vontades fossem um crime. No momento em que aceitei minha orientação tudo começou a fluir normalmente, mais leve. Descobri que os desafios são mais simples de serem resolvidos em partes do que como um todo! Comecei a enxergar que as diferenças também são bem-vindas às vezes. Quebrando tabus e ideologias padrões com o meio com o qual me socializava, fui percebendo que o mundo talvez não seja tão "uniforme" assim.

As pessoas, de um modo geral, têm uma carência oculta que ao se depararem com alguém confiante e seguro de si próprio tendem a se sentirem acuadas. Acredito que seja uma forma de autodefesa, como se as diferenças não pudessem ser iguais ou melhores, talvez seja um meio de se sentirem mais confortáveis. Uma pessoa segura de si não se abala por tão pouco.

Não me deixo levar por comentários, julgamentos incoerentes e ataques, amar-se é a melhor arma contra tudo aquilo que não nos traz a felicidade.

Bruno Andrade
Estudante de Psicologia





Estudante de Psicologia, se apaixonando pela área neurológica. Nascido e criado na Zona Leste de São Paulo, quando criança já se identificava com gostos incomuns para o "gênero masculino" e, como qualquer coisa incomum (perante a sociedade), sofreu preconceitos e rompeu barreiras para o próprio crescimento. Generosidade, igualdade e superação o descrevem.





terça-feira, 27 de setembro de 2016

Quando somos diferentes...


Fonte: http://consolatajovem.blogspot.com.br/2012/07/o-sonho-da-igualdade.html


"Tempo difícil esse em que estamos, onde é mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito."

Albert Einsten

  
Dia desses, conversando com um amigo que possui deficiência física visível, estando ele num daqueles dias em que nada dá certo nas nossas vidas, notei em seu semblante um total desalento com a forma com que o "mundo" trata os diferentes, os desiguais, os que convivem com limitações físicas...

Tanto se fala em inclusão, em quebra de preconceitos... tudo muito bonito na teoria, mas quando vivenciamos na prática qualquer deficiência, seja ela visível ou não, o que vemos é o quanto somos discriminados,  colocados de lado, deixados à margem dos que se julgam acima das diferenças. 

Quando a deficiência é invisível, o preconceito se manifesta ao lançarmos mão de direitos que temos assegurados em leis, como uso de vagas e filas preferenciais, já, quando a deficiência é visível, o preconceito se mostra ao nos excluírem completamente dos grupos, sejam de trabalho, de estudos ou sociais. Podem negar o quanto quiserem, mas só quem vivencia isso sabe a exata dimensão do quanto o preconceito ainda está presente em nossa cultura, infelizmente.

O ser "especial" afasta muitas coisas das nossas vidas, passa um filtro, só faz permanecer aqueles que realmente nos envolvem com amor, compreensão e apoio. Os pseudoamigos vão se retirando um a um e o que de início parece ser uma grande perda, no fim se mostra ser um ganho imensurável porque não precisamos de quem não está disposto a permanecer ao nosso lado, não demonstra vontade alguma de segurar nossas bengalas quando precisamos liberar nossas mãos, ou, de empurrar nossas cadeiras quando os braços estiverem cansados e não derem mais conta de as impulsionar sozinhos... não precisamos de pessoas que só enxergam o que nosso exterior demonstra, que não nos veem por dentro, não entendem que nossas dores, do corpo e da alma, precisam apenas de um sopro, de um antisséptico que vem direto do coração daqueles que realmente se preocupam e querem ficar ao nosso lado, independente da nossa utilidade na vida deles...


Que bom seria se o ser humano fosse como os elefantes que não abandonam um dos seus quando ele adoece, que o ajuda a permanecer em pé, o apoiando, o acompanhando a cada passo, dando-lhe a tão necessária dignidade para que, quando chega o momento de deixar a manada, possa partir desse mundo de pé, com a certeza de que foi amado até o fim dos seus dias, independente da sua condição física.


Bete Tezine