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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Chuva torrencial


Fonte: http://tudoela.com/sonhar-com-chuva/

Como a chuva torrente que cai lá fora e lava toda a sujeira que fica exposta nas ruas, os amontados de folhas e lixos em geral, fazendo com que surja um luminoso céu após a tempestade que permite-nos ver um arco íris, deixando que o sol se deixe ver, ainda que tímido,  despontando devagar, seria bom se em nossas almas pudesse chover torrentes de amor para que também em nosso eu que se materializa neste corpo que nos é dado como vestimenta para a alma, também pudéssemos varrer a tristeza, a angústia, incertezas, humilhações, descrenças, mágoas e a falta de amor. E, depois de termos varrido toda essas coisas “sujas” que nos deixam pesarosos, sem brilho e sem encontrar um lugar sequer em que caibamos confortavelmente, pudéssemos ressurgir com a alma lívida, na certeza do perdão e de braços estendidos; de olhares antes acusadores, hoje amistosos, solidários, e que a força maior que move a todos, sem discriminação de credo, raça ou cor, fosse o amor.

No lugar do rancor, o perdão, no lugar da mágoa, a reconciliação, e no lugar do descaso, o amparo vindo de todos os lados e sob todos os aspectos para que não somente um, mas todos os povos, pudessem sentir o valor da amizade, do respeito e da misericórdia, hoje tão abstratos se olharmos como um todo,  pois ainda que a bondade seja maior, parece que o mal tem o poder de atrair até e inclusive aqueles que de alguma forma lutam por um mundo melhor.


Nossa casa comum sendo abrigo para todos e todas as espécies e, neste mundo a ser plantado ou que estamos plantando, a palavra chave em tudo é esperança, esta que brota da fé, da certeza e do plantio de valores que constroem verdadeiros sentimentos, colocando de lado a relatividade porque tocaremos a cada um com o nosso coração e com o sorriso que vem da alma.





Val



53 anos - divorciada - secretária de profissão, atuando nas áreas administrativa e financeira - católica - defensora da causa animal - livro de cabeceira: Bíblia - catequista de crianças da primeira Eucaristia.









segunda-feira, 20 de março de 2017

Minha vida comigo


Fonte: Google imagens

Inspirada na entrevista concedida pela médica e autora do livro ‘Minha vida Comigo - O câncer foi minha cura’, Vania Castanheira, no qual conta como enfrentou a “luta” que travou contra o câncer de mama que contraiu  aos 31 anos, em 2013. No livro ela relata como foi o seu tratamento e como ela se vê nos dias de hoje. 

Assistindo essa entrevista, resolvi solicitar a alguns pacientes com Esclerose Múltipla que me contem  como eles veem a vida.

Obtive várias respostas: alguns acreditam que mesmo estando doente a vida tem que continuar. A paciente Ana Helena, carioca, me disse que mesmo tendo a doença há 15 anos não tomava nenhum remédio e só no ano passado ela teve  surto. Após este surto Ana ficou mais próxima de pacientes com a mesma patologia, começou a frequentar grupos de ajuda de pacientes com EM no Facebook  e WhatsApp.

André Pinto da Silva relatou que quando recebeu o diagnóstico se assustou, teve dúvidas sobre a doença e medo de que não pudesse mais fazer algumas coisas, como correr, andar... Com tranquilidade, André  fala que aprendeu que poderia conviver com com a EM. “Hoje trabalho, estudo, namoro e sou muito feliz com a vida que tenho”, complementa.

A moradora de Atibaia, SP,  Regina Bernadete Morais, diagnosticada com Esclerose Múltipla desde 2004, afirmou: “eu já vivi de mal comigo mesma, hoje eu vivo bem, me aceito mais. Entendi que se eu não me aceitar ninguém mais vai, pois ter Esclerose Múltipla (EM) não é o fim da beleza da vida".

Falei também com Gisele Croxiati Romeiro Servenini, criadora do Grupo  Clube dos Parças, no WhatsApp: “bom, nos dias de hoje, diante de tantas doenças difíceis, como o câncer, entre outras  tão severas, eu me sinto grata por ter tratamento para a doença que eu tenho (EM) e que esse tratamento tem a controlado e estacionado . Sou muito feliz por ter apoio de minha família . E tenho fé em Deus que um dia vou acordar e estarei curada”.

A também paciente Talita Loise dá Silva, membro do grupo Clube dos Parças,  afirmou que ainda não entende a doença  porque se acha “refém” da patologia. “Sair de casa já se torna um grande desafio”, conta Talita.

Por fim conversei com o paciente Dubles Sousa, membro do grupo do WhatsApp da ABCEM e para ele seja qual o problema que tivermos a vida tem que continuar. “Atualmente tenho consciência que assim como eu inúmeras pessoas sempre terão altos e baixos, como qualquer ser humano. Eu encaro a vida com a certeza de procurar fazer sempre o melhor, digo para mim mesmo, tenho EM , e daí? Vou respeitar minhas limitações, seguir em frente com o meu tratamento visando sempre uma melhor qualidade de vida, tomei o controle da minha vida, não deixarei minha condição  tomar o controle de tudo. Eu estou no controle", finaliza Dubles.

Ivi de Paula 
Jornalista

Ivi Paula, 34 anos, jornalista formada pelo antigo IMES e atual USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul). Diagnosticada com Esclerose Múltipla em dezembro de 2008. Atualmente é Secretária na ABCEM (Associação de Pacientes com Esclerose Múltipla do Grande ABC e região) . 

“Aproveito o momento e falo que tudo que passamos é um aprendizado de ver como reagimos ao saber que estamos com a doença. E o que fazemos para não se sentir uma pedra no meio do caminho? Em minha opinião para não se sentir assim é acreditar no que eu posso fazer para manter o avanço desta doença longe de mim".

(Ivi Paula)

terça-feira, 7 de março de 2017

Saindo do foco...


Fonte: http://www.felizcomvoce.com.br

Muitas vezes nos sentimos indefesos, perdidos nos turbilhões de emoções e conflitos que cada um de nós enfrentamos dia a dia convivendo com a Esclerose Múltipla. Assim como eu, outras pessoas também vivenciam esses sentimentos. É uma batalha árdua, não tenho dúvidas disso, mas quero dizer com não precisamos passar por isso sozinhos, pois quando dividimos esse fardo com alguém, o simples fato de colocar para fora nossos anseios, medos, inseguranças, aos poucos nos faz perceber que somos mais fortes do que pensamos. 

Quando recebi o diagnóstico, vivenciei alguns desses sentimentos, pois realmente ninguém quer acordar um dia,  após passar por tantas coisas e situações e ouvir de alguém que temos uma doença grave. Me senti impotente e inseguros acerca do que poderia me reservar o amanhã. Para mim e para a minha família foi um verdadeiro choque, me perguntava por algum tempo, por que eu se sempre fui uma pessoa correta, boa, contribuí tanto para amenizar a dor e o sofrimento de tantas pessoas em minha profissão, pois sou Auxiliar de Enfermagem? 

Hoje tenho convicção que era uma pessoa antes da doença e hoje sou outra, mas apesar do que passamos e enfrentamos todos os dias, não entrego os pontos, conheci uma gama de amigos maravilhosos, amigos estes que dividem comigo os anseios, experiências, angústias e até frustrações. ]

Não estou dizendo que é ou será fácil, apenas quero que saiba que estou aqui. Você não está sozinho nesta briga.  Precisamos acordar e nos perguntar: por que não eu? E vamos nos dando conta de que a tempestade que tanto nos abalou ou ainda nos abala podemos sim suportar juntos, ultrapassar e apesar de algumas limitações que enfrentaremos, podemos sim ter uma vida plena. Por isso te digo, saia do foco, reúna-se com os amigos, leia aquele livro que tanto quer, faça aquela viagem que tanto planejou, se aproxime de Deus, encare as suas limitações como obstáculos a serem ultrapassados e não como barreiras que forçam você a parar. Quando o desânimo bater, a fadiga, os medos, ou qualquer outro problema insistirem em se fazerem presentes em sua vida, divida, converse e acima de tudo não aceite, lute e não permita jamais que algumas limitações ou condições  te detenha. Inseguranças, dificuldades e receios podem surgir. Mas jamais nos deter. 

Não existe uma fórmula  para a aceitação de qualquer situação ou problema, cada um de nós reage ou sente o que nos ocorre de uma maneira. Às vezes as forças que não sabíamos ou acreditávamos que tínhamos podem surgir após uma aproximação com um poder maior, espiritualidade ou por que não dizer, uma  cumplicidade com Deus. Lute pelos seus ideais, sonhos, projetos, por quem ama, acredite em Deus, pois sem Ele não somos nada e sem Ele nada podemos fazer. Acredite nas pessoas, mesmo que muitas delas tenham te magoado ou ferido as perdoe, nenhum de nós é perfeito, somos apenas aprendizes da vida. Acredite em você, pois você não é obra do acaso. Antes de você nascer Deus já havia sonhado com você e te fez um ser humano especial e vencedor. Jamais desista de seus sonhos, pois se Deus te fez sonhar é por que é capaz de realizar, sem os sonhos deixaríamos de viver, lute e acredite que Deus te fez mais que vencedor e no final de tudo terá consciência de que não apenas existiu na vida, você viveu e então dirá que valeu a pena lutar, persistir, insistir.

Foi difícil, mas olha eu aqui, eu consegui!

O seu pior adversário é você mesmo, pois se você se deixar abater por pensamentos negativos, nunca será capaz de atrair coisas positivas para a sua vida. A superação exige paciência, resistência, força de espírito e persistência. O bom da vida é que quando menos se espera, nos superamos, basta não parar de tentar. 

Por isso, quando a vida desafiar você, não baixe a cabeça, não desista. Olhe para dentro de si e busque forças para lutar e superar! Não há nada melhor do que sentir que se é capaz de ultrapassar os  próprios limites, e se sentir um vencedor, mesmo que a vida lhe dê poucas armas para enfrentar as batalhas. Só quem já passou por tempestades é que precisa aprender a superar, mas quem passa por provações na vida não deve pensar nisso como um sofrimento vão, a dor traz ensinamentos e sabedoria que de outra forma não se adquiriria. É como diz a expressão "mar calmo nunca fez bom marinheiro"!

Agradeço pelo carinho. Um abraço, força guerreiros e lembrem-se sempre de que #JuntosSomosMaisFortes!


Dubles Sousa Cardoso
Auxiliar de enfermagem



Nascido em Formoso Do Araguaia, TO, 35 anos, Auxiliar de Enfermagem, aspirante a escritor, solteiro, diagnosticado com Esclerose Múltipla em janeiro de 2015, membro da ABCEM.




segunda-feira, 6 de março de 2017

Pacientes que têm fé respondem melhor a tratamento, afirmam pesquisadores

 
Fonte: Google imagens

“Uma pesquisa feita pela Universidade de São Paulo (USP) mostra que pacientes que têm fé, respondem melhor ao tratamento de doenças. De acordo a terapeuta do Hospital das Clínicas na capital paulista, Katya Stübing, o estudo é resultado da busca por maior conhecimento sobre fé, espiritualidade e recuperação de pacientes. “Está havendo uma revisão muito grande do que é fé, do que é espiritualidade e do que é religiosidade”, comenta a especialista”

( Fonte: G1.globo.com)


Lendo essa matéria, achei que conseguiria expor melhor minha visão sobre o que a significa na minha vida.

Vida de mulher, portadora de Neuromielite Óptica (síndrome de Devic), cadeirante, mãe de uma menina de 13 anos e morando sozinha já há 4 anos.

Foram muitas , inúmeras as vezes que eu não enxergava nada além de tudo que desmoronava em  minha vida. A doença tirou de mim tudo que eu havia construído, um lar, uma família  com marido , filha, uma casa, emprego (que me satisfazia muito) e amigos, muitos amigos...

De 2003 até 2009 foram lutas, vitórias e derrotas, andava... não andava mais.  Enxergava... não enxergava mais. E 2009 foi o pior ano, ano no qual sobrevivi depois de um mês no CTI. Porém sai numa cadeira de rodas da qual não consegui mais me levantar.

Hoje, quando me lembro de algumas dessas lutas, me pergunto: o que ainda me faz prosseguir?  Andar sei que seria algo quase impossível, dito já até pelos médicos. Mas sempre encontro a mesma resposta pra pergunta:  A FÉ!  A fé na vida, a fé de que amanhã será melhor que hoje.

De 2009 em diante , quando me vi ali sentada naquela cadeira, eu resolvi me entregar, entregar minha vida , nas mãos Daquele que seria o único capaz de me ajudar. Aprendi a pedir não cargas mais leves , mas sim, ombros mais fortes. Estabeleci com Deus um dialogo diário de pedidos, reclamações e até mesmo de revoltas. Isso foi me amadurecendo e hoje aprendi a  agradecer também.

De 2013 pra cá essa relação com Deus foi se estreitando e esta FÉ me encorajou a realizar o antigo desejo de voltar pra minha casa com minha filha, eu tinha que tentar, sonhava com isso, podia dar certo , podia dar muito errado, mas entreguei nas mãos de Deus e me aventurei. Ainda hoje Ele segura minha mão, não me deixa desistir. E mesmo quando acho que já não posso mais, de alguma maneira a Fé me faz prosseguir.

Senti que eu poderia de alguma forma , mesmo que limitada , agradecer tamanha força que Ele me dá. A força de levantar da cama todos os dias pra enviar minha filha pra escola, de conseguir fazer almoço mesmo na cadeira de rodas, enfim , tudo que Ele me proporciona e resolvi ser catequista na paróquia próxima a minha casa.

Gente isso me fez aindaaa mais forte. Sei que não melhorei nada desde 2009, mas também não piorei. E na EM ou na NO quando não há uma piora isso já e uma melhora!

Sua crença religiosa não precisa ser a mesma que a minha, e sua Fé pode ser em inúmeras outras coisas, mas nunca a perca.  Às vezes ela se esconde, temos que buscá-la  até achar e então seguir da melhor maneira que nos é permitido, que nos é possível, por ora.

Quando disse a doença me tirou tudo, casa, família, marido, trabalho , muitos amigos, ela não conseguiu me tirar o mais importante que é a FÉ!

Abraço fraterno! Beijos!

Ana Maria Christianini
Catequista e dona de casa


36 anos, moradora de Jaú/SP
Mãe de uma princesa Bianca.
Portadora de NMO , desde 2003, quando minha filha tinha 4 meses.
Cadeirante desde 2009, faço tratamento em Ribeirão Preto/USP, usando medicação pra estabilizar a doença. 
Catequista, e dona de casa, mesmo que limitada!