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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Por que precisamos do Agosto laranja?


Numa fria tarde de inverno, estava de bobeira em minha cama, debaixo das cobertas e  refletindo como o tempo está passando rápido. Já estamos em agosto, oitavo mês do ano, mês do cachorro louco que, em São Carlos, venta demais, a gente até brinca dizendo que nesse mês deve falecer um bocado de padres... rs 

Porém, agosto é o mês de conscientizar sobre a EM. Neste mês, todos os pacientes se unem da maneira que for possível e gritam a todos que têm esclerose múltipla.

Conscientizar é mostrar para a todos que essa doença existe e é mais comum do que imaginam. É falar abertamente: tenho esclerose múltipla, uma doença crônica sem cura, crônica porque convivemos diariamente com ela, sem cura, porém com tratamentos para segurar seu avança; outra característica dela é a degeneração do sistema nervoso. 

Temos que explicar que a EM pode se manifestar de maneiras muito diferentes entre um paciente e outro. Podemos ter sintomas iguais, como por exemplo uma vertigem, porém a minha vertigem necessariamente não precisa ser igual a do meu colega, eu tive um surto que pegou meu sistema vestibular e ele não. Ou seja, são lesões em locais diferentes do SNC (Sistema nervoso central). 

Assim é necessário explicar porque as pessoas que conhecem outras com o mesmo diagnóstico têm costume de comparar. No entanto, a esclerose múltipla é individual para cada paciente, a maioria dos meus amigos esclerosados tem que correr para fazer xixi, enquanto eu preciso fazer barulhinho de xiiiiii pra urina sair. Outro dia, na casa da minha irmã, onde só estava minha irmã mais nova, minha sobrinha, ou seja, só mulheres, não fechei a porta do banheiro por preguiça, então ouvi uma perguntando pra outra: 

-  Este barulho é a Fabiana  fazendo xixi? Credo, faz xixi em parcelas! Disse minha irmã espantada.

Eu, do banheiro, com a porta aberta, ouvi tudo e estava morrendo de rir, falei:

- É mais uma da esclerose meu bem, pensa que é fácil? Haja paciência, isso sim! 

Para esvaziar toda a minha bexiga, encosto os dedos da mão nos pés enquanto estou sentada no vaso sanitário. 

Contudo, acredito que nós devemos explicar sobre essa individualidade na doença porque quem recebe esse diagnóstico, a princípio, no desespero, lê tudo que encontra na internet e nesse espaço não vai ter falando sobre suas particularidades. 

Como vocês sabem, já estou nesse trabalho com a EM há 8 anos e até hoje sempre recebo a mesma pergunta: o que esperar desse diagnóstico? 

Acho uma pergunta dificílima de responder.

No meu caso, esse diagnóstico foi uma alegria no momento em que achava que o que estava me cegando era um tumor no cérebro. Enfim, o que eu tinha, tinha tratamento. Só que, após receber a notícia que você tem esclerose múltipla, não dá pra ter a menor ideia do que vai ser. Apenas que você precisa iniciar um tratamento o quanto antes e se este não estiver lhe fazendo bem, contar ao médico pra que ele modifique. Depois, prestar muita atenção se você percebe alguma limitação, ou motora, ou até mesmo na disposição.

Aprender a conviver com os seus limites é uma das coisas mais difíceis, porém muito necessária. Não adianta achar que aguenta tudo e depois ficar mal mais de três dias. Nós devemos nos permitir a descansar, parar quando o corpo dá o sinal. Pois tenho certeza que muitos de nós, não pararam quando ele deu o sinal de alerta de que algo estava dando pane. 

Lembro-me do ano que estava sentindo muita fadiga e vertigem, tanta que tinha ânsia, e que um dos neurologistas que procurei me examinou e disse que estava com uma luz de alerta (isso ele acertou), mas segundo ele era alerta pra pânico, então acho que ele errou feio. Talvez nem tanto, pois estava em pânico mesmo por não conseguir levar mais a minha vida, nem trabalhar ou estudar, de tão cansada que ficava, cheguei a pensar que estava com algo que ia levar a minha vida. Sem exagero, me aprontava pra dar aula e dentro do carro mesmo começava a passar mal. Muita vertigem, náusea que me forçava a voltar para casa, deitar e sentir o corpo pesando uma tonelada. Não fazia a menor ideia do que poderia ser fadiga e já era. 

Por isso, a importância de informarmos sobre a EM. O quanto antes for diagnosticada e tratada, melhor será. Menos lesões, ou seja, menos sequelas e menos incapacidades. 

O que mais devemos, até nós mesmos compreendermos e espalhar por aí, é que podemos ter o mesmo diagnóstico, o mesmo CID, porém, a doença não é igual. Em cada paciente ela se manifesta de maneira personalizada. Costumo dizer assim para que entendam que o que acontece com a Maria, necessariamente pode ou não ocorrer comigo. 

É uma experiência grave, sem cura, autoimune, inflamatória, neurológica, que além disso é única. 

Esclerose múltipla são cicatrizes formadas em múltiplas regiões do sistema nervoso central, por isso ela se caracteriza de maneiras diferentes em cada paciente. 

Para fazer desse mês de agosto uma real conscientização, acredito que temos que informar, contar e explicar sobre a EM por onde passarmos.

Outro dia, na academia, comentei que quando nossa temperatura aumenta, nossos sintomas e/ou sequelas se exacerbam, por isso o calor e até o exercício físico podem causar esses perrengues. Na hora minha fisioterapeuta disse que não tinha ideia dessa peculiaridade da EM e ainda me parabenizou, dizendo que por esse motivo o meu trabalho nas redes sociais é tão importante. Fico muito feliz por poder contribuir com a minha experiência e minha curiosidade... rsrs


Portanto, façamos todos um pouco deste trabalho: compartilhar sobre a EM. 


Fabi 


Eu me chamo Fabiana Dal Ri Barbosa, mas me chamam de Fabi. Tenho o blog A vida com Esclerose Múltipla desde 2009, onde trocamos experiências e conhecemos algumas novidades relacionadas à EM.
Sou uma pessoa que não vive sem música, se sente feliz na maioria dos dias, pira de vez em quando por pensar demais, é preocupada demais também, mas apaixonada. Amo escrever, assistir filmes, estudar francês, piano, canto e Teatro.


segunda-feira, 3 de julho de 2017

EM e eu


Fonte: Google imagens

Lendo agora o post de Liane Moreira (clique aqui para ler), pensei em minha vida depois que a Esclerose Múltipla começou a fazer mudanças nela.

Parei de dirigir, o que me deixou dependente dos outros para ir até a padaria sozinha, pois nem força nas pernas e equilíbrio eu tinha 
para isso.

O que mais me incomodava, e incomoda até hoje, é isso de depender dos outros. Sempre fui muito independente, queria fazer tudo sozinha! Meus pais sempre me barraram muito nisso, então, quando finalmente consegui minha independência financeira, alcei novos horizontes.  Aí me casei pela primeira vez e meu ex-marido me tolhia muito. Voltei a ser dependente dele financeiramente pois parei de trabalhar (erro) e não podia fazer o que eu gostava porque ele não gostava, como ir em danceterias, por exemplo.

Daí, depois da separação veio a EM... Quando achei que poderia voltar para minha independência e voltei a morar com meus pais, mas no apartamento embaixo do deles, pois depois de morar 9 anos sozinha (2 deles estando casada) eu não iria voltar... Era inconcebível para mim tanta dependência e controle.

A EM estava piorando... Aí conheci meu atual marido que me acolheu e acolheu minhas limitações também!

Hoje convivo muito bem com a EM e tenho esse companheiro fantástico que me ajuda muito, mas minha ânsia por voltar a ser independente ainda é forte. E ainda bem que é forte, pois consegui fazer coisas que até eu duvido que fiz. Já fomos 2 vezes para Caldas Novas. Lá desci numa tirolesa, desci num toboágua, fui em escorregador pequeno e num grande para cair na água. Fiz muitas coisas que uma pessoa com limitações, principalmente pessoais (medo), não faria.

Então, chego a uma conclusão: TENDO UMA PESSOA PRA NOS AJUDAR A REALIZAR NOSSAS VONTADES, E QUERENDO REALIZÁ-LAS, CONSEGUIMOS !!!





Isamara Cardoso Pimentel



Publicitária aposentada por invalidez

Diagnosticada com esclerose múltipla desde 2007





segunda-feira, 19 de junho de 2017

Esclerose Múltipla: 1 ano de diagnóstico


Fonte: https://decasocomamedicina.wordpress.com/tag/aceitacao-radical/

Hoje, 1 ano depois do surto que me diagnosticou com esclerose múltipla, eu posso ver em mim uma mulher que eu não era há 1 ano atrás. Certamente, a doença fez crescer em mim uma força que eu não sabia que eu tinha.

No momento que você recebe um diagnóstico de uma doença crônica, autoimune e grave é fato que mil pensamentos circundam sua mente a partir de então. 

É ruim demais viver com a incerteza do seu futuro. Eu tinha 19 anos quando precisei optar entre erguer a cabeça ou me deixar levar. No início foi difícil, confesso que me deixei levar e fiquei depressiva por 5 meses, mas aos poucos eu fui ganhando a capacidade de enxergar que existe SIM vida depois do diagnóstico. 

Acho que realmente a fase mais difícil é a da aceitação, mas hoje, 1 ano depois, eu olho pra trás e vejo o tanto de coisa que eu superei. Eu buscava ajuda em tudo e não lograva êxito em nada. E, hoje, eu procuro de todas as formas ajudar os pacientes recentemente diagnosticados, e é isso que me mantém feliz, pois saber que posso, através de gestos ou palavras, ajudar alguém que está na mesma situação que eu, é gratificante.


Pérola Diniz Pessanha
Estudante de Direito



Meu nome é Pérola, tenho 20 anos e tenho EM desde os 19.Sou estudante de Direito e apaixonada pela vida.





segunda-feira, 22 de maio de 2017

Podemos aprender a ter controle sobre nós mesmos?






Como os pacientes com Esclerose Múltipla  reagem ao saber que possuem uma doença grave?

Cada paciente responde de uma forma. Alguns demonstram  força interior e respondem bem ao tratamento, já outros se mostram angustiados e se entregam aos sintomas, como dificuldade no caminhar, desiquilíbrio, problemas na visão e incontinência urinária. 

Ao navegar pela minha rede social, me deparei com a frase “Ter EM na maioria das vezes é bem difícil... mas o melhor é que aprendemos a ter controle sobre nós mesmos”. Achei a postagem muito interessante e fui atrás do autor da postagem, o paciente com EM Milton Bernardes Filho, morador de Uberaba, Minas Geras, com quem fiz a seguinte entrevista:

Ivi Paula: Há quantos anos você foi diagnosticado com  Esclerose Múltipla?               

Milton e a namorada Bruna
Fonte: acervo pessoal

Milton Bernardes- Fui diagnosticado com Esclerose Múltipla há 8 anos, devido uma neurite óptica no olho direito. Mas antes disso já havia tido outra neurite no olho esquerdo e formigamento no braço e perna. Como acontece com a grande maioria, meu mundo veio abaixo... Consultas, mais consultas, pesquisas e mais pesquisas... Alguma coisa positiva? Sim! Que a EM não transmite e só.  

Ivi Paula – Como foi o início do seu tratamento?

Milton Bernardes- Comecei o tratamento com Rebif, 3 injeções por semana. Na perna, barriga, costas... Se dói? Quase nada! Era só colocar gelo antes nos locais da aplicação pra ver se ajudava em alguma coisa, deitar com 2 cobertas com um sol de verão por causa do frio, tomar remédios pra febre, dores, enjoo e dor de cabeça constantemente! :(Passa o tempo e as 7 lesões no cérebro se tornaram 19... Inúmeras internações de 1 semana para aplicação de corticóides... Resultado: cadeira de rodas! Foram 4 anos nessa luta e nenhuma melhora.

Ivi Paula – Vendo sua página nas redes sociais  você demonstra ser uma pessoa bem “humorada”. Ao saber que estava com EM) em algum momento que ela mexeu com seu estado emocional?

Milton Bernardes- Tive síndrome do pânico, cai nas escadas do prédio, na rua, no banco, no shopping... Chorei muito, sofri demais! Um dia no quarto do hospital, de cabeça baixa, em prantos, falei... Qual o sentido da vida?... O eco respondeu... A vida! Não sei se foi realmente o eco, mas nesse dia ganhei mais força e voltei à luta... Um belo dia encontrei um grupo que me aceitou de braços abertos... Fizeram-me acreditar que era possível, quando eu desanimava, me apoiavam.

Ivi Paula – Atualmente, qual é o remédio que você faz uso?

Milton Bernardes- Comecei a tomar 80.000 Ui por dia de vitamina D, 4 ml de manhã para beber.  Já é um grande avanço, nada de injeção! Um dia no primeiro mês, acordei e fui lavar o rosto... O quê?! Como assim?! Eu levantei?! Estou sonhando? Noooo!!!!!!! Eu levantei e desci as escadas do prédio sozinho e sem apoio!!!! Santa Vitamina D! Eu voltei à vida melhor que antes e mais forte!!!! #Vitaminado 80.000 Ui.

Ivi Paula – Você voltou a trabalhar normalmente?

Milton Bernardes- Eu trabalho por conta própria com manutenção e programação de computadores.

Ivi Paula –  Apesar de todos os problemas que você passou, como você se vê nos dias de hoje?
                                                                       
Milton Bernardes- Não tenho nenhuma sequela, é como se não tivesse EM (Esclerose Múltipla).. Me sinto renovado, renasci literalmente... Aprendi a dar valor a pequenas coisas... Aprendi que o impossível não existe... Cada passo, movimento que faço, é uma vitória, uma felicidade imensa... Há oito anos minha vida é um pé no chão e o outro no abismo, mas nada e nem ninguém pode me impedir de fazer qualquer coisa.

Ivi Paula
Jornalista


Ivi Paula, 34 anos, jornalista formada pelo antigo IMES e atual USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul). Diagnosticada com Esclerose Múltipla em dezembro de 2008. Atualmente é Secretária na ABCEM (Associação de Pacientes com Esclerose Múltipla do Grande ABC e região) . 

“Aproveito o momento e falo que tudo que passamos é um aprendizado de ver como reagimos ao saber que estamos com a doença. E o que fazemos para não se sentir uma pedra no meio do caminho? Em minha opinião para não se sentir assim é acreditar no que eu posso fazer para manter o avanço desta doença longe de mim".


(Ivi Paula)

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Não somos diferentes, somos especiais!


Fonte: https://mariocampello.wordpress.com/2011/07/16/somos-especiais/

Minha vida antes da Esclerose Múltipla era muito diferente. Em certos pontos melhor e em outros pior. Era casada, tinha dois filhos, uma saúde de ferro da qual me orgulhava muito, faculdade, passei em primeiro lugar no concurso da prefeitura para professora. 

Estava nos primeiros 5 anos de exercício do magistério quando do nada comecei a falhar, dores de cabeça diariamente, formigamento, dormência, tontura, sintomas que foram só aumentando com o tempo. Mesmo com tudo isso trabalhava sem parar, pois achava que era só estresse. Um belo dia os sintomas aumentaram de tal forma que fui parar no SPA ( Serviço de Pronto Atendimento) onde me medicaram e me encaminharam para o neurologista. 

Na primeira consulta ouvi que tinha tido um princípio de AVC e que não era nada demais. Imediatamente retornei ao trabalho, porém os sintomas só aumentavam e passei a ter espasmos musculares, por isso decidi procurar um novo neurologista que me diagnosticou com epilepsia para o que passei a fazer uso de medicação e nada de melhorar, ao contrário, novos sintomas começaram a aparecer. Comecei a tremer as mãos sem parar. 

Resolvi mudar de médico e o novo disse que eu tinha mal de Parkinson, comecei o tratamento e nada. Troquei de novo e o próximo disse que era Miastenia Gravis, mais remédios e nenhum resultado. 

Por fim já estava em profunda depressão, com meu trabalho prejudicado, as pessoas achando que era fingimento, no fundo do poço, foi quando a psicóloga perguntou se eu não queria tentar um quinto neurologista, que ela conhecia, especialista em doenças neurológicas, no entanto tinha um porém, era particular e a consulta a mais cara da cidade. 

Resolvi tentar pela última vez e, logo na primeira consulta, ao me examinar e ouvir meu relato, ele simplesmente falou:  você tem ESCLEROSE MÚLTIPLA. Solicitou uma ressonância e o liquor, confirmando o diagnóstico. 

Devo confessar que não recebi bem o resultado, pois as informações que tinha sobre a EM é que com o tempo eu perderia os movimentos do pescoço pra baixo, teria dificuldade para comer, falar etc. O médico ainda me deu 2 anos de vida. Foi um período terrível, o tratamento foi muito agressivo no começo, com corticoides. Fiquei na cadeira de rodas e me recuperei. 

Então com o tempo fui conhecendo mais sobre a doença, fui me adaptando às dificuldades e hoje estou aqui, 4 anos depois, firme e forte. Meu relacionamento com meu marido melhorou, pude descobrir quem são os verdadeiros amigos, a única coisa que me entristeceu foi não poder mais exercer minha profissão, o resto eu tiro de letra, até o fato de ter dobrado de peso rsrsrsrs. Sou feliz, não me sinto diferente de ninguém, não culpo ninguém pelo que me aconteceu, acredito que se Deus me escolheu dentre tantos para ser portadora de esclerose múltipla é porque ele sabia que eu ia ser capaz!!! 

Não somos diferentes, somos especiais!!!

Walcilene Saraiva Gomes











terça-feira, 4 de abril de 2017

Somente limitações


Fonte: https://br.pinterest.com/dimitrisch/nature-homme/
Em 2002 tudo ia bem até meu ex-marido se separar de mim repentinamente, sem maiores explicações, no dia seguinte ao meu aniversário! Choque total!
A partir disso comecei a ter tonturas, dessas que só imaginávamos ver em novelas e filmes. Eu estava deitada na cama, olhando para cima, e via o lustre (que é fixo) girar como se andasse pelo teto! Vomitava muito! Os médicos  (sim, foram vários que consultei) diziam ser labirintite de fundo emocional por conta da separação brusca. Tomei por muito tempo remédio para labirintite e antidepressivos. Mas nada resolvia! Até um Otorrinolaringologista consultei e fiz os testes para ver se havia algo no labirinto. Nada !!! E as tonturas continuavam.
Em 2006 comecei a namorar novamente. Meu namorado da época falou para eu ir no Oftalmologista, pois um olho meu ia para o lado e o outro demorava para chegar no mesmo canto. O Oftalmologista falou que não tinha nada com minha vista e falou para eu consultar um NEUROLISTA. Ele, o neurologista, me pediu uma ressonância magnética que acusou “possível Esclerose Múltipla”.
O namoro terminou e comecei minha jornada para achar um neurologista que entendesse dessa tal de ESCLEROSE MÚLTIIPLA. Fiz exame de Líquor confirmando a suspeita da ressonância.
Eu estava solteira, com apenas 33 anos, sem filhos e com uma doença degenerativa! Me bateu o desespero, mas não me deixei abater. O apoio de meus pais foi essencial para eu enfrentar o diagnóstico.
Em 2012 perdi meu pai. Foi um AVC hemorrágico. Ele ainda ficou uma semana no hospital e acabou morrendo após 8 paradas cardíacas! Eu achei que enfrentei bem, mas meu neurologista da época falou que a fraqueza em minhas pernas foi em decorrência disso.
Em 2013, com a doença já mostrando “suas garras” e cada vez mais pensando que ficaria sozinha pro resto de minha vida, conheci, pela internet, meu atual marido/anjo.

Por isso creio ser muito importante as pessoas saberem mais sobre Esclerose Múltipla. Saberem que não é contagiosa  e que nós, os “esclerosados”, somos pessoas “normais” com apenas algumas LIMITAÇÕES !

Isamara Cardoso Pimentel
Publicitária aposentada por invalidez







quinta-feira, 30 de março de 2017

Angústias traduzidas...


Bete Tezine, Silêncio. Acumulação, 2012-2014.

Pior é que eu berrei. Berrei com o pior tipo de desespero do mundo. 
Meu silêncio, meu conformismo, minha aceitação, minha quase maturidade. 
Eu tenho a impressão que a hora que eu chorar, vai ser das coisas mais tristes do mundo.
(Tati Bernardi)
No próximo dia 02 de abril, minha parceria com o Rebif completará 5 anos de existência.
Fazendo uma conta aproximada, daquela primeira picada até hoje foram cerca de 800 injeções aplicadas em diversas partes do corpo.
Coxas, nádegas, barriga, costas e braços receberam cada um por volta de 160 agulhadas introdutórias do "precioso líquido" em meu organismo.
Quando me refiro à preciosidade do medicamento, estou querendo ressaltar o quanto ele é valioso para quem dele necessita, como no meu caso, mas também o quanto ele é caro, financeiramente falando, a ponto de só me ser possível, assim como para muitos outros, fazer uso dele porque é fornecido pelo SUS, pois caso não fosse ele estaria muito aquém do meu orçamento.
Costuma-se dizer que a Esclerose Múltipla é uma doença cara, uma doença que não deveria acometer pessoas desprovidas de recursos financeiros, com o que sou obrigada a concordar, uma vez que embora a medicação para controle seja recebida, em tese, gratuitamente do Poder Público, a patologia  necessita de cuidados multidisciplinares e outros remédios altamente onerantes.
Doença rara, complexa e cara...
Mas deixemos a parte financeira de lado por ora, porque hoje quero abordar a preciosidade por outro ângulo: o protetivo que o interferon tem exercido sobre a evolução da EM em mim. 
Eu iniciei seu uso exatamente 2 meses após ter recebido o diagnóstico e de lá pra cá tive alguns surtos que não deixaram sequelas graves. Na verdade, apesar de ter perdido um pouco de força e sensibilidade, eu caminho sem precisar, quase sempre, de apoio e tenho conseguido fazer quase tudo o que preciso na maioria dos dias, o que quer dizer que o meu "ouro líquido", como eu apelidei o interferon, está cumprindo seu papel desacelerador da progressão da EM.
Eu não consegui descartar nenhuma das seringas vazias. Tenho todas guardadas. Algumas se transformaram em arte bem no começo do tratamento e as demais terão o mesmo destino. Já elaborei mentalmente o projeto dos trabalhos que pretendo realizar com elas, o que tem me faltado é tempo para elaborá-los.
Me lembro bem das reações que meus trabalhos com as seringas provocaram nos observadores quando os expus nas redes sociais. Algumas foram bem antagônicas, denotando repulsa, suscitando críticas negativas. Outras foram de profunda identificação com o conteúdo de cada uma delas.
Transformei em arte sentimentos que me fizeram sofrer. Fiz arte com o que eu não consegui lidar de outro modo. A arte deu novo significado ao medicamento que me dava a sensação de adoecer mais a cada dose. 
A primeira seringa, aquela que mantive em minhas mãos por um tempo, que me pareceu infindável, sem ganhar coragem para apertar o êmbolo, recebeu o "sangue" que latejava em minhas artérias e transformou-se no elemento chave da obra Solidão.
Bete Tezine, Solidão. Arte objeto, 2012.
As seringas das aplicações seguintes ganharam o dourado do metal que deu nome à obra. Ouro líquido demonstra toda a preciosidade do interferon em minha vida.

Bete Tezine, Ouro líquido. Arte objeto, 2012.

Bete Tezine, Ouro líquido (detalhe). Arte objeto, 2012.

Mais aplicações, mais seringas vazias. Uma caixa branca, um pedido de silêncio... Silêncio é o título da obra que aparece na abertura do post e que traduz o meu direito de escolha ou, talvez, de não escolha... 

Para finalizar, quero deixar aqui uma frase de Nietzsche para reflexão: "temos a arte para não morrer da verdade".

Bete Tezine


"A arte, em todas as suas formas de expressão, tem o poder de mudar os rumos de uma história que desde o começo estava fadada ao fracasso..." 
 (Bete Tezine)


Nascida em Santo André, SP, 49 anos, advogada, artista plástica, professora de Artes Plásticas, mãe de 2 filhos (1 adulto e 1 adolescente), diagnosticada com Esclerose Múltipla em fevereiro de 2012 e atual presidente da ABCEM



segunda-feira, 20 de março de 2017

Minha vida comigo


Fonte: Google imagens

Inspirada na entrevista concedida pela médica e autora do livro ‘Minha vida Comigo - O câncer foi minha cura’, Vania Castanheira, no qual conta como enfrentou a “luta” que travou contra o câncer de mama que contraiu  aos 31 anos, em 2013. No livro ela relata como foi o seu tratamento e como ela se vê nos dias de hoje. 

Assistindo essa entrevista, resolvi solicitar a alguns pacientes com Esclerose Múltipla que me contem  como eles veem a vida.

Obtive várias respostas: alguns acreditam que mesmo estando doente a vida tem que continuar. A paciente Ana Helena, carioca, me disse que mesmo tendo a doença há 15 anos não tomava nenhum remédio e só no ano passado ela teve  surto. Após este surto Ana ficou mais próxima de pacientes com a mesma patologia, começou a frequentar grupos de ajuda de pacientes com EM no Facebook  e WhatsApp.

André Pinto da Silva relatou que quando recebeu o diagnóstico se assustou, teve dúvidas sobre a doença e medo de que não pudesse mais fazer algumas coisas, como correr, andar... Com tranquilidade, André  fala que aprendeu que poderia conviver com com a EM. “Hoje trabalho, estudo, namoro e sou muito feliz com a vida que tenho”, complementa.

A moradora de Atibaia, SP,  Regina Bernadete Morais, diagnosticada com Esclerose Múltipla desde 2004, afirmou: “eu já vivi de mal comigo mesma, hoje eu vivo bem, me aceito mais. Entendi que se eu não me aceitar ninguém mais vai, pois ter Esclerose Múltipla (EM) não é o fim da beleza da vida".

Falei também com Gisele Croxiati Romeiro Servenini, criadora do Grupo  Clube dos Parças, no WhatsApp: “bom, nos dias de hoje, diante de tantas doenças difíceis, como o câncer, entre outras  tão severas, eu me sinto grata por ter tratamento para a doença que eu tenho (EM) e que esse tratamento tem a controlado e estacionado . Sou muito feliz por ter apoio de minha família . E tenho fé em Deus que um dia vou acordar e estarei curada”.

A também paciente Talita Loise dá Silva, membro do grupo Clube dos Parças,  afirmou que ainda não entende a doença  porque se acha “refém” da patologia. “Sair de casa já se torna um grande desafio”, conta Talita.

Por fim conversei com o paciente Dubles Sousa, membro do grupo do WhatsApp da ABCEM e para ele seja qual o problema que tivermos a vida tem que continuar. “Atualmente tenho consciência que assim como eu inúmeras pessoas sempre terão altos e baixos, como qualquer ser humano. Eu encaro a vida com a certeza de procurar fazer sempre o melhor, digo para mim mesmo, tenho EM , e daí? Vou respeitar minhas limitações, seguir em frente com o meu tratamento visando sempre uma melhor qualidade de vida, tomei o controle da minha vida, não deixarei minha condição  tomar o controle de tudo. Eu estou no controle", finaliza Dubles.

Ivi de Paula 
Jornalista

Ivi Paula, 34 anos, jornalista formada pelo antigo IMES e atual USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul). Diagnosticada com Esclerose Múltipla em dezembro de 2008. Atualmente é Secretária na ABCEM (Associação de Pacientes com Esclerose Múltipla do Grande ABC e região) . 

“Aproveito o momento e falo que tudo que passamos é um aprendizado de ver como reagimos ao saber que estamos com a doença. E o que fazemos para não se sentir uma pedra no meio do caminho? Em minha opinião para não se sentir assim é acreditar no que eu posso fazer para manter o avanço desta doença longe de mim".

(Ivi Paula)

terça-feira, 7 de março de 2017

Saindo do foco...


Fonte: http://www.felizcomvoce.com.br

Muitas vezes nos sentimos indefesos, perdidos nos turbilhões de emoções e conflitos que cada um de nós enfrentamos dia a dia convivendo com a Esclerose Múltipla. Assim como eu, outras pessoas também vivenciam esses sentimentos. É uma batalha árdua, não tenho dúvidas disso, mas quero dizer com não precisamos passar por isso sozinhos, pois quando dividimos esse fardo com alguém, o simples fato de colocar para fora nossos anseios, medos, inseguranças, aos poucos nos faz perceber que somos mais fortes do que pensamos. 

Quando recebi o diagnóstico, vivenciei alguns desses sentimentos, pois realmente ninguém quer acordar um dia,  após passar por tantas coisas e situações e ouvir de alguém que temos uma doença grave. Me senti impotente e inseguros acerca do que poderia me reservar o amanhã. Para mim e para a minha família foi um verdadeiro choque, me perguntava por algum tempo, por que eu se sempre fui uma pessoa correta, boa, contribuí tanto para amenizar a dor e o sofrimento de tantas pessoas em minha profissão, pois sou Auxiliar de Enfermagem? 

Hoje tenho convicção que era uma pessoa antes da doença e hoje sou outra, mas apesar do que passamos e enfrentamos todos os dias, não entrego os pontos, conheci uma gama de amigos maravilhosos, amigos estes que dividem comigo os anseios, experiências, angústias e até frustrações. ]

Não estou dizendo que é ou será fácil, apenas quero que saiba que estou aqui. Você não está sozinho nesta briga.  Precisamos acordar e nos perguntar: por que não eu? E vamos nos dando conta de que a tempestade que tanto nos abalou ou ainda nos abala podemos sim suportar juntos, ultrapassar e apesar de algumas limitações que enfrentaremos, podemos sim ter uma vida plena. Por isso te digo, saia do foco, reúna-se com os amigos, leia aquele livro que tanto quer, faça aquela viagem que tanto planejou, se aproxime de Deus, encare as suas limitações como obstáculos a serem ultrapassados e não como barreiras que forçam você a parar. Quando o desânimo bater, a fadiga, os medos, ou qualquer outro problema insistirem em se fazerem presentes em sua vida, divida, converse e acima de tudo não aceite, lute e não permita jamais que algumas limitações ou condições  te detenha. Inseguranças, dificuldades e receios podem surgir. Mas jamais nos deter. 

Não existe uma fórmula  para a aceitação de qualquer situação ou problema, cada um de nós reage ou sente o que nos ocorre de uma maneira. Às vezes as forças que não sabíamos ou acreditávamos que tínhamos podem surgir após uma aproximação com um poder maior, espiritualidade ou por que não dizer, uma  cumplicidade com Deus. Lute pelos seus ideais, sonhos, projetos, por quem ama, acredite em Deus, pois sem Ele não somos nada e sem Ele nada podemos fazer. Acredite nas pessoas, mesmo que muitas delas tenham te magoado ou ferido as perdoe, nenhum de nós é perfeito, somos apenas aprendizes da vida. Acredite em você, pois você não é obra do acaso. Antes de você nascer Deus já havia sonhado com você e te fez um ser humano especial e vencedor. Jamais desista de seus sonhos, pois se Deus te fez sonhar é por que é capaz de realizar, sem os sonhos deixaríamos de viver, lute e acredite que Deus te fez mais que vencedor e no final de tudo terá consciência de que não apenas existiu na vida, você viveu e então dirá que valeu a pena lutar, persistir, insistir.

Foi difícil, mas olha eu aqui, eu consegui!

O seu pior adversário é você mesmo, pois se você se deixar abater por pensamentos negativos, nunca será capaz de atrair coisas positivas para a sua vida. A superação exige paciência, resistência, força de espírito e persistência. O bom da vida é que quando menos se espera, nos superamos, basta não parar de tentar. 

Por isso, quando a vida desafiar você, não baixe a cabeça, não desista. Olhe para dentro de si e busque forças para lutar e superar! Não há nada melhor do que sentir que se é capaz de ultrapassar os  próprios limites, e se sentir um vencedor, mesmo que a vida lhe dê poucas armas para enfrentar as batalhas. Só quem já passou por tempestades é que precisa aprender a superar, mas quem passa por provações na vida não deve pensar nisso como um sofrimento vão, a dor traz ensinamentos e sabedoria que de outra forma não se adquiriria. É como diz a expressão "mar calmo nunca fez bom marinheiro"!

Agradeço pelo carinho. Um abraço, força guerreiros e lembrem-se sempre de que #JuntosSomosMaisFortes!


Dubles Sousa Cardoso
Auxiliar de enfermagem



Nascido em Formoso Do Araguaia, TO, 35 anos, Auxiliar de Enfermagem, aspirante a escritor, solteiro, diagnosticado com Esclerose Múltipla em janeiro de 2015, membro da ABCEM.