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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Aceitação



Fonte: Google imagens

Aceitação não é desistir, não é comodismo, não é relaxar dentro de uma situação que não está bem.

Aceitação não é piada, não é fraqueza!

Isso vale para a Esclerose Múltipla e tantas outras situações em nossa vida.

Aceitação é consciência. É consciência, é entendimento, compreensão.

Quando entendo o que está acontecendo comigo do ponto de vista orgânico, mental e emocional, posso compreender os processos que estou vivendo e, assim, sair da posição de vítima e participar do processo de melhora, de recuperação mesmo que o corpo precise de tempo, um tempo que temos resistência a dar porque a dor tende a ser evitada a qualquer custo, mas, sem ela, não saberíamos o quanto estamos "doentes". Estamos, e não, somos doentes, esta é a diferença.

Você é portador de uma doença, mas isto não te define enquanto pessoa. Não se esqueça disso!

Aceitar é conhecer, se envolver no processo da administração do problema e junto com outros, encontrar soluções, melhores formas de viver com o problema.

Aceitar que está passando por um período difícil na vida, uma depressão ou um "surto", também é necessário.

Aceitar o luto, a tristeza, a limitação pode ser como um grande trampolim de onde virá o salto que trará força e uma consciência mais ampliada de quem você é, de novas capacidades adquiridas, de um grande aprendizado pelo qual você descobre que é mais forte e melhor do que imaginava!

Grande abraço!


Luiza Donegá
Psicóloga



Luiza B. Donegá ,  formada em Psicologia há 25 anos e desde então atendendo na área clínica em consultório particular e em algumas instituições, atualmente, na Casa da Esperança de Santo André . Trabalha com pessoas, para que elas conheçam suas potencialidades e as desenvolvam da melhor maneira, focando as suas limitações para que , sejam elas quais forem, não as impeçam de ter qualidade de vida, dignidade e respeito. Diretora Técnica Adjunta da ABCEM.


terça-feira, 29 de agosto de 2017

O que influencia na sua adesão ao tratamento?


Fonte: Figura fonte: pinterest.com
A Esclerose Múltipla (EM) exige bastante da pessoa diagnosticada, exige paciência, atenção, cuidados, pausas, exige desabafos para que o sujeito se fortaleça. Ser diagnosticado com EM pode ser um choque, realmente, e este choque pode levar à negação. Por vezes, a pessoa diagnosticada não aceita ter a EM, nega-a, podendo ser isto  motivo de atraso ao tratamento. Mas o que exatamente influencia nessa adesão, em cada pessoa? Pontuaria aqui pelo menos três motivadores  possíveis para uma baixa adesão ao tratamento da EM, mas me ative a apenas um: o medo humano à cronicidade.

Cronus, o deus grego do tempo, filho da terra e do céu, segundo a mitologia grega. Este deus para os gregos era uma figura que gerava medo, existiu tentando salvar seu próprio poder e existência, a custa da vida dos filhos. Porém é derrotado.  Ao derrotar Cronus, Zeus conquista a imortalidade para todos os deuses.

Vivemos em uma busca pela imortalidade diária.  Esta busca leva-nos à desejar prazeres intensos, a querer sentir-se bem constante, a uma tentativa de viver uma felicidade plena e sem fim.  Veja a alimentação humana, todas as vezes que profissionais de saúde tentam alterar a forma de comer de uma pessoa, drasticamente, há uma chance grande desta alteração não ser aceita. Há estudos que apontam para uma adesão a longo prazo a determinadas mudanças de menos de 5% das pessoas em atendimento. A ideia de permanência em algo incômodo nos é, logicamente, assustadora. Mudemos a tática, então. Aquelas pessoas que convivem com a EM há anos, saberão concordar de que com o passar do tempo, o incômodo não necessariamente passa, mas a forma de enxergá-lo torna-se diferente. Não é se acostumar, mas é aceitar, no caso da EM. E veja, aceitar não é se acomodar, tão pouco desistir, pelo contrário, é persistir. É persistir no próprio bem-estar; é persistir na autocompreensão; é persistir na conscientização de outros seres humanos, visto que somos todos vítimas de um sistema político destrutivamente produtivo, em que o parar não costuma ser aceito. E a EM exige parar. Aceitar, então, é parar. É caminhar após parar, é se sentir livre, porque cada parada e caminhada foi por persistência e desejo seu também. Aceitar é saber que você continua a mesma Vanessa, e o mesmo João de antes. Aceitamos tantas coisas, por que não nos aceitar? Aceitar é saber que, sim, vai ser difícil, mas que você não precisa lutar contra si, se apenas permitir sentir-se triste, feliz, com raiva, intercalando sentimentos - isto também é constância.   
         
Constância está na resistência do permitir-se, do sentir-se forte e não forte, do aceitar a si. Se o medo da cronicidade é o medo do constante, então que a sua constância torne o tempo aceitável.

Fernanda Sabatini
Nutricionista






Nutricionista graduada pela Universidade Federal de São Paulo. Membro do Grupo de pesquisa em alimentação e cultura (GPAC) e mestranda em Nutrição em saúde pública, na USP - Universidade de São Paulo.



segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Descobri que tenho esclerose múltipla, e agora???



Fonte: Google imagens

Quando somos diagnosticados com Esclerose Múltipla, passam muitas coisas pela cabeça... a primeira delas é que estamos recebendo uma sentença de morte anunciada.

A EM é uma doença inflamatória, desmielinizante e autoimune, porém não é mortal e tem tratamento e controle através das várias opções terapêuticas. Os medicamentos mais antigos são os imunomoduladores (interferons, glatirâmer), que são injetáveis. Já os medicamentos mais modernos, chamados de anticorpos monoclonais, podem ser injetáveis, como natalizumab, alentuzumab e aqueles que são de via oral, como o fingolimod, teriflunomida.

Outra coisa que passa pela cabeça é que vamos ficar inválidos e condenados a uma cadeira de rodas ou no fundo de uma cama.

Calma, não há porque se desesperar e pensar no pior e no mais trágico.

Talvez você conheça pacientes que estejam numa situação mais evoluída da patologia, mas pesquise para saber a respeito do porquê este paciente ficou assim. Provavelmente, a doença dele surgiu numa época que se tinha pouco conhecimento a respeito ou os tratamentos existentes ainda não eram tão eficientes, ou até mesmo os médicos que o trataram não eram especialistas na área, e isso pode tê-lo levado a ter tantas sequelas e ter hoje pouca ou nenhuma mobilidade, mas não significa que o mesmo irá acontecer com você.

Outro fator que pesa muito para quem é paciente é enfrentar as comparações sobre nossa patologia com outra pessoa que tem a mesma doença. Não há como  comparar o que o outro sente e o que nós sentimos. Cada pessoa é uma pessoa e cada organismo é um organismo, reações diferentes, lesões localizadas em locais diferentes... Duro é ouvir os comentários: "mas fulano está tão bem e você não está". Mas isso se deve à falta de conhecimento que, lamentavelmente, é muito grande ainda e a falta de informação se combate com esclarecimento, leitura, conhecimento. Tente levar seu familiar ou amigo em palestras sobre EM ou até mesmo entrando e os adicionando em grupos específicos nos quais os membros, na sua grande maioria, são pessoas com a mesma patologia. Ouvir e ver outros pacientes, conhecer um pouco sobre a vida deles e como lidam com a doença, deve ajudar a melhorar a compreensão de todos a respeito do assunto, tornando a convivência família x amigos x paciente muito melhor.

A pior das situações é a negação da doença, bastante comum ao paciente recém diagnosticado e aos familiares em geral, afinal quem quer ter uma doença dessas?? Porém negar não é a melhor escolha, pois negando o paciente se torna omisso, não procura fazer acompanhamento com seus médicos e se esquiva de todo e qualquer tipo de tratamento e exames, o que compromete seriamente suas capacidades a cada surto, diminuindo as chances de recuperação das lesões e consequentemente contribuindo para o aumento de sequelas e limitações.

Para esses casos é importantíssimo um suporte psicológico, tanto para o paciente, quanto para os familiares mais próximos, para que juntos aprendam a lidar com as diversidades da patologia e os altos e baixos que ela nos causa.

Outra dúvida frequente é: como explicar aos familiares e amigos o que é Esclerose Múltipla de forma que compreendam mais facilmente???

Imaginemos um fio de luz, dentro dele temos os fios de cobre e externamente ele tem uma capa protetora que funciona como isolante. No caso do corpo humano temos os neurônios, que possuem prolongamentos chamados axônios pelos quais são transportados os impulsos elétricos que permitem os movimentos e as sensações de temperatura, tato, olfato, etc (seria o fio de cobre). Esse prolongamento é revestido por uma substância chamada bainha de mielina (que seria a capa plástica do fio elétrico). Assim como um fio elétrico desencapado pode provocar curto-circuito, o axônio com lesão na bainha de mielina não funciona bem e as informações chegam mais lentamente, prejudicando a comunicação entre o cérebro e o resto do corpo.

O mais importante para pacientes com EM é realizar o acompanhamento com um neurologista, ele será seu aliado para responder todas as suas dúvidas.


Denise Cataldi 




Técnica de informática, 53 anos.  Portadora de EM há 19 anos.






sexta-feira, 23 de junho de 2017

Acolha a sua irritação


Fonte: https://goo.gl/images/8Cv56S

Tudo o que é negado ou reprimido em nós arruma uma forma de se manifestar e, se fica represado , dói no corpo , na vida , no sentimento.

Irritabilidade , raiva , parece um "pecado" ultimamente, parece errado ficar irritado ou com raiva. Enfim, um sentimento a ser negado, enterrado.

O que na realidade acontece é que por sempre ser negado, quando é libertado, sai de uma forma "torta" , explosiva e várias vezes com a pessoa ou situação errada.

O melhor, quando estamos irritados, seria identificar claramente com quem ou com o que estamos irritados, tentarmos ser bem específicos conosco mesmo.

Aceitar que neste momento precisamos de quietude para achar a melhor forma de transmitir esta insatisfação, esta mágoa, este peso que a raiva carrega.

Muitas vezes, se tentamos "resolver" o problema no auge da raiva, o fazemos de forma "cega" e "burra" e os resultados não são como gostaríamos.

Portanto, uma pausa, respeito pelo sentimento e reflexão com certeza nos darão base pra uma ação mais clara, objetiva e inteligente.

Ninguém precisa "engolir o sapo", carregar a raiva e sofrer, mas com certeza  uma ação pensada, refletida e organizada alcança melhores resultados.

Abraços!

Luiza Donegá
Psicóloga



Luiza B. Donegá ,  formada em Psicologia há 25 anos e desde então atendendo na área clínica em consultório particular e em algumas instituições, atualmente, na Casa da Esperança de Santo André . Trabalha com pessoas, para que elas conheçam suas potencialidades e as desenvolvam da melhor maneira, focando as suas limitações para que , sejam elas quais forem, não as impeçam de ter qualidade de vida, dignidade e respeito. Diretora Técnica Adjunta da ABCEM.



segunda-feira, 19 de junho de 2017

Esclerose Múltipla: 1 ano de diagnóstico


Fonte: https://decasocomamedicina.wordpress.com/tag/aceitacao-radical/

Hoje, 1 ano depois do surto que me diagnosticou com esclerose múltipla, eu posso ver em mim uma mulher que eu não era há 1 ano atrás. Certamente, a doença fez crescer em mim uma força que eu não sabia que eu tinha.

No momento que você recebe um diagnóstico de uma doença crônica, autoimune e grave é fato que mil pensamentos circundam sua mente a partir de então. 

É ruim demais viver com a incerteza do seu futuro. Eu tinha 19 anos quando precisei optar entre erguer a cabeça ou me deixar levar. No início foi difícil, confesso que me deixei levar e fiquei depressiva por 5 meses, mas aos poucos eu fui ganhando a capacidade de enxergar que existe SIM vida depois do diagnóstico. 

Acho que realmente a fase mais difícil é a da aceitação, mas hoje, 1 ano depois, eu olho pra trás e vejo o tanto de coisa que eu superei. Eu buscava ajuda em tudo e não lograva êxito em nada. E, hoje, eu procuro de todas as formas ajudar os pacientes recentemente diagnosticados, e é isso que me mantém feliz, pois saber que posso, através de gestos ou palavras, ajudar alguém que está na mesma situação que eu, é gratificante.


Pérola Diniz Pessanha
Estudante de Direito



Meu nome é Pérola, tenho 20 anos e tenho EM desde os 19.Sou estudante de Direito e apaixonada pela vida.





quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Nossa família também precisa aceitar...



Fonte: Google imagens

Devemos aceitar o que é impossível deixar de acontecer.

(Shakespeare)


Acredito que viver com qualquer doença crônica e incurável traga mutações imensuráveis para a vida de qualquer pessoa. 

Aceitar e conviver com uma enfermidade que limita,  remodela e, muitas vezes, incapacita para uma série de atividades tão corriqueiras anteriormente não é uma tarefa fácil, pelo contrário, é mesmo árdua e necessitamos de muita força de vontade, de muito equilíbrio emocional e espiritual para aceitar essa nova condição de vida e nos adaptar a ela.

Por outro lado, se a nossa própria convivência com a doença  já é uma missão muito pesada, o que dizer então da convivência dos que nos rodeiam com ela? Realmente não é nada fácil,  uma vez que aceitação não é apenas primordial a nós, pacientes,  mas necessário se faz que ela aconteça na vida de todos aqueles que convivam conosco. E, isso, na minha concepção, é o mais difícil de todo o processo.

Conviver com o paciente, aceitar sua nova condição, compreendê-lo e apoiá-lo incondicionalmente não é algo que acontece com a frequência que deveria, pois, muitas vezes, o que ocorre é  um constante estado de negação por parte dos  familiares. 
A negação, portanto, não é exclusividade do paciente.

Eles não se informam acerca da doença. Eles não a abordam. Eles tentam, a todo custo, ignorar a sua presença em nossas vidas, o que só nos faz sofrer ainda mais. Nos faz sentir menosprezados em nossa dor. Nos faz sentir menos amados.

Mas embora isso nos fragilize muito, essa é uma reação normal e esperada, pois ao negarem a enfermidade, nossos entes queridos acreditam que ela deixará de existir e, não falando abertamente sobre ela conosco, acreditam, também, que nos pouparão de mais dores e angústias. Porém, negar indefinidamente não é o que se espera, uma vez que a aceitação por parte daqueles que nos rodeiam é o que faz com que consigamos forças para prosseguir dentro da maior normalidade possível.

Sendo assim,  é imperiosa a necessidade de que a família busque informações, que procure entender o que se passa conosco, que tente se colocar em nosso lugar com a finalidade de ver a doença sob o nosso ângulo de visão. Desconversar, fingir que não está vendo ou tentar minimizar a importância que a patologia tem em nossas vidas não vai fazer com que ela desapareça, mas apenas fará com que doa mais em nós e nos dê a impressão de que estamos sendo negligenciados.

Aceitar e se adaptar não é fácil para ninguém, mas quem disse que é fácil se submeter aos desígnios da vida? Quem disse que é fácil conviver com tudo aquilo que nos tira da nossa zona de conforto? 

Realmente nada disso é simples, mas o caminho para superação é a informação, é a interação com os sintomas, com as características, tratamentos e conflitos emocionais que se instalam depois do diagnóstico, pois, só assim, nos sentiremos respeitados e compreendidos em toda dimensão do que se descobrir acometido por uma doença incurável provoca em nós.


Bete Tezine



"A arte, em todas as suas formas de expressão, tem o poder de mudar os rumos de uma história que desde o começo estava fadada ao fracasso..." 
 (Bete Tezine)

 Nascida em Santo André, SP, 48 anos, advogada, artista plástica, professora universitária de Artes Plásticas, mãe de 2 filhos (1 adulto e 1 adolescente), diagnosticada com Esclerose Múltipla em fevereiro de 2012 e atual presidente da ABCEM. 




segunda-feira, 24 de outubro de 2016

EM: sobre aceitação e limitações


Fonte: http://www.asmelhoresfrases.com.br/tag/limitacoes/

Quando a minha médica fechou o meu diagnóstico, há oito anos, eu não perdi o chão e nem me desesperei. Na verdade, senti um certo alívio porque já estávamos investigando o que outros cinco neurologistas não foram capazes de descobrir, que a causa dos meus sintomas, era a esclerose múltipla.
Digo estávamos porque eu também consultei o famoso "Dr. Google". Sim, eu confesso! No desespero de saber contra "quem" eu estava lutando, fui procurar respostas para minhas dúvidas.
Foi nas redes sociais e nos blogs que encontrei informações que fizeram com que eu ficasse mais familiarizada com a doença. Ao perceber que os  meus sintomas eram parecidos com os dos esclerosados e que apesar de tudo eles estavam bem, deu alento as minhas preocupações. Uma dica para quem está buscando informações: se você for ansioso como eu e não conseguir segurar a curiosidade, por favor procure por sites confiáveis, como por exemplo os das associações, e saiba que a EM é ÚNICA e tem um desenvolvimento que difere de pessoa para pessoa.
Aceitei a minha nova condição de uma maneira bem positiva, mesmo pensando nas incertezas que a EM poderia me trazer. Eu tinha uma doença, teria que aprender a conviver com ela e eu sabia que tudo daria certo.
Os meus primeiros surtos foram leves e fáceis de lidar e, dos sintomas que tive, sempre me recuperava, inclusive o "andar de bêbado" que já me fez passar por diversas situações, das mais engraçadas às mais constrangedoras. Eu sempre voltava ao "normal",  não ser por um formigamento leve e constante no meu braço esquerdo, sequela do meu primeiro surto.
Há dois anos tive um surto bem forte que mudou até a categoria da minha forma de caminhar. De "bêbado" passou para "the walking dead" rsrs. Isto é, à forma de  "zigue-zague" que eu andava acrescentou-se a falta de coordenação e equilíbrio do corpo.
Ao perceber que eu precisava de auxílio para andar, não hesitei em nenhum momento em comprar um andador, pois com ele eu teria mais segurança e estabilidade. Desenvolvi também intolerância ao barulho, o que afetou muito a minha vida social, mas ao conversar com a minha médica, ela sugeriu que eu usasse protetores auriculares e, desta forma, consegui até ir ao cinema.
Há um ano minha fadiga piorou e acho que consequentemente o meu andar também parece que tenho que fazer mais força para dar um passo. E o que fiz?! Novamente não pensei duas vezes para achar uma solução: eu iria andar com uma cadeira de rodas, mesmo precisando de alguém para me empurrar.
Porém agora ela não é mais suficiente, pois quero ter a minha autonomia de volta e não depender de mais ninguém e para isso preciso de uma cadeira de rodas motorizada! URGENTE! Quero poder ir até a padaria que fica na esquina de casa e comprar um cará (pão típico aqui da minha cidade - Santos) para o café da manhã sem ter que pedir ajuda.
Aprender a respeitar os meus limites e conviver com eles foi uma ótima maneira de melhorar a minha qualidade de vida! Tudo isso sem me importar com julgamentos e sempre, sempre pensando no melhor! O Caio Augusto Leite diz assim: "As possibilidades são mínimas, mas as esperanças são infinitas". E eu concordo plenamente.

Priscilla Moreira



Sou Priscilla Moreira, uma caiçara que completa 26 anos, todos os anos, há 10 anos. Sou esclerosada, sim! Caduca, senil ou gagá, não! Por ser tão sincera, às vezes me falta o tato, porém me sobram bom humor e otimismo. Amo cachorros (muito mais a minha Manux) balões de aniversário e amoras. No mais, vou seguindo a minha caminhada... desconstruindo preconceitos e tentando ser justa o máximo possível.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

A importância da autoaceitação


Fonte: Google imagens
Como sabemos, as doenças autoimunes exigem um tratamento de longo prazo, por essa mesma razão é necessário que o paciente cultive hábitos que promovam uma melhor qualidade de vida e um maior autocuidado.

Esses hábitos podem ser a aderência ao tratamento proposto por seu médico que, ao mesmo tempo em que é imprescindível para auxiliá-lo em seu dia a dia, pode ser difícil aceitá-lo.

Mas, porque a aderência ao tratamento se diferencia de paciente para paciente?

Os pacientes têm experiências de vida diferentes uns dos outros, por isso são influenciados por fatores comportamentais distintos, como a percepção da doença, que podem encorajar a continuação do tratamento ou sua descontinuidade.

Lembrando sempre que a descontinuidade do tratamento afeta a qualidade de vida.

Por isso a aceitação pessoal é um dos segredos para ter uma vida equilibrada.

Quando nos conhecemos verdadeiramente, podemos manter nossas expectativas de vida de acordo com nossa realidade e também estar preparados para futuras adversidades.

A aceitação pessoal pode ser uma boa ferramenta para enfrentar os acontecimentos com maior tranquilidade. No caso da Esclerose Múltipla não há como mudarmos o curso da doença, ou sua forma de se manifestar e, por vezes, isso pode causar preocupação que consequentemente leva a um estado de estresse e frustração.

No decorrer de nossas vidas com EM, certamente teremos obstáculos no meio do caminho e se soubermos lidar com tranquilidade podemos alcançar um maior equilíbrio.

Aceitar que a vida não é um caminho perfeito e ensolarado a todo o momento é essencial para evitarmos decepções ao encontrarmos pedras ao longo dele.

É importante dizer que aceitação não é passividade. Aprender a lidar com as mais diversas situações é enfrentar seus problemas de maneira objetiva e mais eficiente. E são essas situações diversas que te levam a um crescimento pessoal.

Para finalizar, gostaria de deixar uma frase que gosto muito do autor Will Garcia, que diz: “O primeiro passo para a mudança é a aceitação. Uma vez que você aceite a si mesmo, você abre a porta para a mudança. Isso é tudo o que você tem que fazer. Mudança não é algo que você faz, é algo que você permite.”

Boa noite!

Maiara Araújo
Psicóloga


sexta-feira, 29 de abril de 2016

O tempo de cada um...


Fonte: Google imagens

A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, 
entender com mais tranquilidade, querer com mais doçura.

(Lya Luft)

Quando da descoberta de qualquer enfermidade grave, passamos a vivenciar um real estado de luto. Luto esse que se manifesta por uma sequência de sentimentos que nos envolve, nos debilita, nos faz mergulhar em sofrimento para, depois, nos fazer emergir novamente para a vida, prontos para retomar do ponto onde paramos.

Choque, ansiedade, negação, depressão, hostilidade, raiva, adaptação, são sentimentos inquietantes que nos acometem para, ao final, nos levar à aceitação da doença. São emoções alarmantes que mexem profundamente com nosso interior, mas que, embora estejam machucando no fundo da alma, resvalam em todos que nos são próximos, provocando, também neles, sofrimento e sensação de impotência por não poderem fazer nada além de ficar ao nosso lado.

Todos esses conflitos interiores são absolutamente normais, compreensíveis e humanos. Viver o luto, chorar pelo luto, imergir nas próprias dores, fechar-se em si mesmo, retrair-se diante da enfermidade... Tudo isso nada mais são que reações esperadas e comuns a toda raça humana.

Porém, nada pode durar tempo demais. Nenhum desses sentimentos penosos pode permanecer indefinidamente ao nosso lado. Há tempo de dor, tempo de revolta, tempo de não aceitar. Há tempo para tudo, entretanto, todas essas vivências para serem consideradas saudáveis, devem nos levar, inquestionavelmente, à aceitação de nossa nova condição de vida. Cada um a seu tempo, cada um a seu modo, cada um da forma que lhe for mais fácil, mas a aceitação da enfermidade é o fator primordial para que possamos buscar a cura, quando esta for possível e, em casos de doenças incuráveis, buscar a melhor convivência possível com a doença.

Fechar os olhos e negar indefinidamente não é o melhor caminho. Fingir que ela não existe só vai no trazer mais sofrimento e dor. Ignorar sua presença só vai dar-lhe mais poder sobre nós, pois, quando não lhe damos a necessária atenção, negligenciamos tratamentos e ficamos mais vulneráveis.

Por outro lado, também não é saudável voltar toda nossa vida exclusivamente para a doença, não devemos supervalorizá-la, dedicar-lhe todo nosso tempo, esquecer que existe vida após o diagnóstico, uma vez que a  vida não para pra que possamos viver exclusivamente para a nossa enfermidade. A vida continua, as pessoas continuam. Apesar de parecer que o mundo desabou sobre nossas cabeças, o mundo não vai estancar para que possamos recolher nossos escombros.

Agora, falando por mim, eu vivi, sim, o choque, a ansiedade, o medo, a revolta... Vivi tudo simultaneamente, intensamente, mas a adaptação veio e, com ela, a aceitação, pois descobri, e isso me trouxe certa paz de espírito, que esta seria a melhor forma de evitar me tornar escrava da Esclerose Múltipla. 

Não a tornei o foco da minha vida e dispenso a ela a exata parcela da minha atenção que ela demanda, nem mais, nem menos. Assim, tenho conseguido uma convivência relativamente pacífica com ela. Ela recebe de mim o que demanda e, em troca, me deixa continuar fazendo parte do mundo com meus sonhos, minhas ideias e minha intensa vontade de viver.

Mas o meu tempo não é o mesmo tempo das demais pessoas. Então eu não posso simplesmente cobrar de ninguém que aceite a EM da mesma forma que aceitei, tenho de respeitar cada um e estender minhas mãos, oferecer meu colo e meu apoio incondicional, pois a aceitação vem naturalmente quando somos compreendidos, acolhidos e respeitados nas nossas dores, medos e angústias.


Bete Tezine