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sexta-feira, 7 de abril de 2017

É pra frente é que se anda ou se roda (no meu caso) 😃


Fonte: Google imagens

Nossa missão é continuar andando pra frente. Não, isso não é o mais natural! Não pra quem tem uma doença crônica. 

Quando a vida parece que começa a regredir, a gente precisa de outras pessoas para fazer coisas simples, como por exemplo pegar um copo d’água.  Para muitos isso é preguiça, mas a gente sabe que não é, pois às vezes passamos sede para não ter que pedir nem ter que ir buscar. 

E o banho? Gente sempre amei aqueles banhos demorados! Mas e agora? A fadiga me consome e em algumas vezes como cadeirante preciso de ajuda. A bendita cadeira de banho, desconfortável, fria. NÃO, LITERALMENTE NÃO É PREGUIÇA!  

Esses  são apenas alguns exemplos, mas existem inúmeras situações que nos fazem sentir meio que andando para trás... quando o motorista do ônibus não para quando vê minha cadeira, ou quando o ônibus não é adaptado. 

Felizmente, ninguém retrocede por uma situação IMPOSTA pela vida. Mas te garanto que caminhamos  muito mais quando conseguimos nos superar e fazer o que a fadiga teima em impedir. Toda vez que se sentir incapaz, levante-se, vá lá e pegue sua água e mostre que quem manda na sua vida é você. Se você não puder levantar, sua cadeira te ajuda , mas só ela nunca vai te lembrar que te ajudou, porque o comando é seu. Não importa a limitação, da mais leve à mais severa tem sempre algo que será uma superação pra você. Sem muita firmeza no passo, meio sem equilíbrio, com a ajuda de apoios ou apenas rodando, vá sempre em frente e comemore, comemore muito cada vez que conseguir fazer algo que não faria naturalmente por fadiga. 

Você estar vivo hoje e lendo este texto é a certeza de que a batalha contra a doença é você quem esta vencendo e com muita fé em Deus um dia ela se cansa e vai embora ,como os fracos fazem quando encontram alguém mais forte que eles... 

Pra quem pensa que não sou feliz, que não é possível acreditar que a vida é linda mesmo depois de me tornar cadeirante ou ver o mundo meio embaçado, eu respondo: é  verdade, as cores estão embaçadas, já não existem mais passos ou corrida pela vida, mas também afirmo que pra seguir em frente nunca foi preciso pernas, mas fé... Em Deus, na vida, na certeza que viver é muito mais que ser esteticamente perfeita. Tenho muitos problemas, incontáveis, em cada situação, a cada momento aparecem outros, mas em cada superação um sorriso e em cada sorriso a certeza de que vale a pena tentar. Desistir é pra quem quebra a unha e pensa estar tudo acabado, não pra mim que quebrou o mundo e tive que colar cada caco, mesmo com ele girando... 


Nada de felicidade inútil, sorriso amarelo ou dizer por dizer... pra quem superou o incurável e vive sabendo que a sua presença é notável, não conhece a palavra desistir!

Ana Maria Christianini
Catequista e dona de casa


36 anos, moradora de Jaú/SP
Mãe da princesa Bianca.
Portadora de NMO , desde 2003, quando minha filha tinha 4 meses.
Cadeirante desde 2009, faço tratamento em Ribeirão Preto/USP, usando medicação pra estabilizar a doença. 
Catequista, e dona de casa, mesmo que limitada!


segunda-feira, 6 de março de 2017

Pacientes que têm fé respondem melhor a tratamento, afirmam pesquisadores

 
Fonte: Google imagens

“Uma pesquisa feita pela Universidade de São Paulo (USP) mostra que pacientes que têm fé, respondem melhor ao tratamento de doenças. De acordo a terapeuta do Hospital das Clínicas na capital paulista, Katya Stübing, o estudo é resultado da busca por maior conhecimento sobre fé, espiritualidade e recuperação de pacientes. “Está havendo uma revisão muito grande do que é fé, do que é espiritualidade e do que é religiosidade”, comenta a especialista”

( Fonte: G1.globo.com)


Lendo essa matéria, achei que conseguiria expor melhor minha visão sobre o que a significa na minha vida.

Vida de mulher, portadora de Neuromielite Óptica (síndrome de Devic), cadeirante, mãe de uma menina de 13 anos e morando sozinha já há 4 anos.

Foram muitas , inúmeras as vezes que eu não enxergava nada além de tudo que desmoronava em  minha vida. A doença tirou de mim tudo que eu havia construído, um lar, uma família  com marido , filha, uma casa, emprego (que me satisfazia muito) e amigos, muitos amigos...

De 2003 até 2009 foram lutas, vitórias e derrotas, andava... não andava mais.  Enxergava... não enxergava mais. E 2009 foi o pior ano, ano no qual sobrevivi depois de um mês no CTI. Porém sai numa cadeira de rodas da qual não consegui mais me levantar.

Hoje, quando me lembro de algumas dessas lutas, me pergunto: o que ainda me faz prosseguir?  Andar sei que seria algo quase impossível, dito já até pelos médicos. Mas sempre encontro a mesma resposta pra pergunta:  A FÉ!  A fé na vida, a fé de que amanhã será melhor que hoje.

De 2009 em diante , quando me vi ali sentada naquela cadeira, eu resolvi me entregar, entregar minha vida , nas mãos Daquele que seria o único capaz de me ajudar. Aprendi a pedir não cargas mais leves , mas sim, ombros mais fortes. Estabeleci com Deus um dialogo diário de pedidos, reclamações e até mesmo de revoltas. Isso foi me amadurecendo e hoje aprendi a  agradecer também.

De 2013 pra cá essa relação com Deus foi se estreitando e esta FÉ me encorajou a realizar o antigo desejo de voltar pra minha casa com minha filha, eu tinha que tentar, sonhava com isso, podia dar certo , podia dar muito errado, mas entreguei nas mãos de Deus e me aventurei. Ainda hoje Ele segura minha mão, não me deixa desistir. E mesmo quando acho que já não posso mais, de alguma maneira a Fé me faz prosseguir.

Senti que eu poderia de alguma forma , mesmo que limitada , agradecer tamanha força que Ele me dá. A força de levantar da cama todos os dias pra enviar minha filha pra escola, de conseguir fazer almoço mesmo na cadeira de rodas, enfim , tudo que Ele me proporciona e resolvi ser catequista na paróquia próxima a minha casa.

Gente isso me fez aindaaa mais forte. Sei que não melhorei nada desde 2009, mas também não piorei. E na EM ou na NO quando não há uma piora isso já e uma melhora!

Sua crença religiosa não precisa ser a mesma que a minha, e sua Fé pode ser em inúmeras outras coisas, mas nunca a perca.  Às vezes ela se esconde, temos que buscá-la  até achar e então seguir da melhor maneira que nos é permitido, que nos é possível, por ora.

Quando disse a doença me tirou tudo, casa, família, marido, trabalho , muitos amigos, ela não conseguiu me tirar o mais importante que é a FÉ!

Abraço fraterno! Beijos!

Ana Maria Christianini
Catequista e dona de casa


36 anos, moradora de Jaú/SP
Mãe de uma princesa Bianca.
Portadora de NMO , desde 2003, quando minha filha tinha 4 meses.
Cadeirante desde 2009, faço tratamento em Ribeirão Preto/USP, usando medicação pra estabilizar a doença. 
Catequista, e dona de casa, mesmo que limitada!