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quinta-feira, 20 de julho de 2017

Quando o outro não entende seu dia de "luto"


Fonte: http://redsensations.blogspot.com.br/2015/05/sozinha.html

É muito comum ouvirmos "críticas" a respeito do nosso humor no cotidiano. Quem nunca sentiu vontade de ficar quietinho em determinado dia? Às vezes, a gente se afasta porque sabe que não está muito bem para interagir com as pessoas. Porém, isso pode ser confundido com o famoso "isolamento" e, consequentemente, recebemos muitas críticas em relação a tal atitude que tomamos.

O que muitos não lembram é que somos feitos de altos e baixos.Talvez esse seja mais um sintoma da Esclerose Múltipla. Por mais que tudo esteja caminhando bem em nossa vida, um dia a gente acorda com uma incerteza ou uma insegurança que acomete a maioria dos pacientes com EM, e isso, de certa forma, nos causa dor.

Eu, pelo menos, só queria que esse dia que meu psicológico escolheu pra mim fosse respeitado. É mais difícil ainda você saber que o seu humor vai afetar todos ao seu redor, pois, dessa forma, cria-se uma responsabilidade/ obrigação de estar bem para ver os outros bem.

Em contrapartida, nós nos conhecemos e sabemos que no dia seguinte estaremos bem novamente e que a esperança irá se renovar. É normal, é o ciclo da vida, é assim mesmo.

Por isso, amadas pessoas que convivem conosco diariamente, tenham paciência, tenham cuidado conosco, tenham carinho, mas também tenham compreensão para com nossos momentos de "luto".

Pérola Diniz Pessanha
Estudante de Direito



Meu nome é Pérola, tenho 20 anos e tenho EM desde os 19. Sou estudante de Direito e apaixonada pela vida.







quinta-feira, 6 de julho de 2017

Você é acessível?



http://ovoodafenix.com.br/presa-a-solidao/


O conhecimento fica mais completo cada vez que é dividido 
em palavras e se torna acessível a muitas pessoas.
(Ivenio Hermes)


Muito se fala sobre lugares acessíveis,  porém, pouco se fala sobre pessoas acessíveis.

Eu tenho tido contato com muitos pacientes depois do meu diagnóstico de esclerose múltipla e posso assegurar que muitos não são acessíveis, são pessoas que se fecharam em conchas e não permitem que elas sejam abertas por ninguém.

Tenho pleno entendimento que a personalidade humana é multifacetada. Ninguém é igual a ninguém e ainda bem que é assim. No entanto, a fim de que possamos sobreviver neste mundo que está cada dia mais globalizado, temos de nos inserir como gente no meio das gentes que estão lutando e vivenciando o mesmo ou o extremamente parecido que nós. Simplesmente negar que estamos doentes, ou minimizar os sintomas alheios porque nós nunca os sentimos, são formas de nos tornar inacessíveis aos que nos buscam com a finalidade de compartilhar suas dores e angústias, ou mesmo suas vitórias e superações, na companhia da Esclerose Múltipla. 

Ser alguém acessível, para mim, é respeitar opiniões, respeitar as limitações alheias, é aceitar que ninguém tem de pensar ou sentir o mesmo que eu sinto, nem muito menos ter a mesma forma de enfrentamento que eu tenho. Seres humanos são diversos e muitas vezes divergentes, mesmo quando estão lutando contra o mesmo mal. 

Conheci pessoas para as quais  falar sobre a EM é tabu. São esclerosadas, mas se negam a dizer até mesmo para a própria família, para o chefe no emprego, para os amigos, na verdade, negam até para si mesmos que possuem a enfermidade. Daí vem a pergunta: como pessoas assim serão acessíveis aos tratamentos? Como serão acessíveis às novas condições de vida que a EM a curto ou a longo prazo pode acabar impondo? 

Por outro lado, também conheci pessoas que estão com muitas sequelas visíveis. Problemas de marcha, de fala e tantos outros que a EM pode provocar, mas que negam isso para elas mesmas e, por essa razão, negligenciam tratamentos, se recusam a fazer terapias (como fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e outras) e até mesmo às consultas neurológicas elas deixaram de ir porque acreditam mais nas terapias alternativas do que na medicina tradicional. Nada contra, cada um sabe o que é melhor pra si, no entanto, sabemos que a EM não é uma doença que vai desaparecer das nossa vidas. Ela veio pra ficar e se for negligenciada ou relegada a segundo plano irá se agigantar até nos deixar fora de combate. Temos de ser acessíveis aos tratamentos disponíveis e usar as terapias alternativas como complemento e não como tratamento único. 

Outro ponto que faz de nós seres acessíveis é quando nos propomos a informar e conscientizar sobre a nossa doença, pois só assim derrubaremos as fronteiras do preconceito e de todo o misticismo que cerca a EM. Não bastam as campanhas realizadas pelas organizações de apoio, precisamos nos tornar acessíveis e esclarecer a quantos pudermos sobre a diversidade de sintomas, a imprevisibilidade, as multifacetas que nossa companheira de vida possui, porém para que façamos isso, antes de tudo, temos de ser acessíveis a receber informações para que possamos conhecer detalhadamente o que se atrelou a nós porque temos de ter conhecimento do que falamos para sermos pessoas verdadeiramente acessíveis.

E você, é acessível?

Bete Tezine



"A arte, em todas as suas formas de expressão, tem o poder de mudar os rumos de uma história que desde o começo estava fadada ao fracasso..." 
(Bete Tezine)


Nascida em Santo André, SP, 49 anos, advogada, artista plástica, professora universitária de Artes Plásticas, mãe de 2 filhos (1 adulto e 1 adolescente), diagnosticada com Esclerose Múltipla em fevereiro de 2012 e atual presidente da ABCEM