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O conhecimento fica mais
completo cada vez que é dividido
em palavras e se torna acessível a muitas
pessoas.
(Ivenio Hermes)
Muito se fala sobre lugares acessíveis, porém, pouco se fala sobre pessoas acessíveis.
Eu tenho tido contato com muitos pacientes depois do meu
diagnóstico de esclerose múltipla e posso assegurar que muitos não são acessíveis, são pessoas que
se fecharam em conchas e não permitem que elas sejam abertas por ninguém.
Tenho pleno entendimento que a personalidade
humana é multifacetada. Ninguém é igual a ninguém e ainda bem que é assim.
No entanto, a fim de que possamos sobreviver neste mundo que está cada dia mais
globalizado, temos de nos inserir como gente no meio das gentes que estão
lutando e vivenciando o mesmo ou o extremamente parecido que nós. Simplesmente
negar que estamos doentes, ou minimizar os sintomas alheios porque nós nunca os
sentimos, são formas de nos tornar inacessíveis aos que nos buscam com a
finalidade de compartilhar suas dores e angústias, ou mesmo suas vitórias e
superações, na companhia da Esclerose Múltipla.
Ser alguém acessível, para mim, é respeitar opiniões,
respeitar as limitações alheias, é aceitar que ninguém tem de pensar ou sentir
o mesmo que eu sinto, nem muito menos ter a mesma forma de enfrentamento que eu
tenho. Seres humanos são diversos e muitas vezes divergentes, mesmo quando
estão lutando contra o mesmo mal.
Conheci pessoas para as quais falar sobre a EM é
tabu. São esclerosadas, mas se negam a dizer até mesmo para a própria família,
para o chefe no emprego, para os amigos, na verdade, negam até para si mesmos
que possuem a enfermidade. Daí vem a pergunta: como pessoas assim serão
acessíveis aos tratamentos? Como serão acessíveis às novas condições de
vida que a EM a curto ou a longo prazo pode acabar impondo?
Por outro lado, também conheci pessoas que estão com muitas
sequelas visíveis. Problemas de marcha, de fala e tantos outros que a EM
pode provocar, mas que negam isso para elas mesmas e, por essa razão,
negligenciam tratamentos, se recusam a fazer terapias (como fisioterapia,
fonoaudiologia, terapia ocupacional e outras) e até mesmo às consultas
neurológicas elas deixaram de ir porque acreditam mais nas terapias
alternativas do que na medicina tradicional. Nada contra, cada um sabe o que é
melhor pra si, no entanto, sabemos que a EM não é uma doença que vai
desaparecer das nossa vidas. Ela veio pra ficar e se for negligenciada ou
relegada a segundo plano irá se agigantar até nos deixar fora de combate. Temos
de ser acessíveis aos tratamentos disponíveis e usar as terapias alternativas
como complemento e não como tratamento único.
Outro ponto que faz de nós seres acessíveis é quando nos
propomos a informar e conscientizar sobre a nossa doença, pois só assim
derrubaremos as fronteiras do preconceito e de todo o misticismo que cerca a EM.
Não bastam as campanhas realizadas pelas organizações de apoio, precisamos nos
tornar acessíveis e esclarecer a quantos pudermos sobre a diversidade de
sintomas, a imprevisibilidade, as multifacetas que nossa companheira de vida
possui, porém para que façamos isso, antes de tudo, temos de ser acessíveis a receber informações para que possamos conhecer detalhadamente o que se atrelou
a nós porque temos de ter conhecimento do que falamos para sermos pessoas
verdadeiramente acessíveis.
E você, é acessível?
E você, é acessível?
Bete Tezine
"A arte, em todas as suas formas de expressão, tem o poder de mudar os rumos de uma história que desde o começo estava fadada ao fracasso..."
(Bete Tezine)
Nascida em Santo André, SP, 49 anos, advogada, artista plástica, professora universitária de Artes Plásticas, mãe de 2 filhos (1 adulto e 1 adolescente), diagnosticada com Esclerose Múltipla em fevereiro de 2012 e atual presidente da ABCEM


Creio ser uma pessoa acessível, pois tenho consciência de minha doença e vivo falando para os outros o que é, como se manifesta, pq se manifesta (NÃO SABEMOS AINDA O PQ)e que não tem cura (por enquanto) apenas temos remédios para controlar !
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