Seu pior inimigo não são as críticas que você recebe, mas sim
as que você aceita.
Por que é tão mais fácil acreditar na opinião dos outros a seu respeito do que na sua própria opinião?
Por que levamos em consideração tudo que chega com teor
negativo em vez de acreditar no positivo?
A resposta é: você pode estar sendo seu próprio inimigo e
não estar se dando conta disso.
Quando nossa autoestima está baixa é como se
agradecêssemos a alguém que chega pra nos colocar mais pra baixo ainda. Tendenciamos a sempre
nos ferir.
Por que é tão difícil olhar para si mesmo? Por que é tão difícil se
valorizar, se amar, se agradar, se defender de críticas maldosas?
Estamos
treinados a sempre achar que o outro é melhor. Mero engano. O outro possui
defeitos e qualidades assim como toda a humanidade.
Por que não pensar que se o
outro é capaz de apontar-lhe o dedo é porque no mínimo lhe falta educação e
ética, pois só devemos responder o que nos é perguntado.
Pare de aceitar críticas que não acrescentem, olhe para
você, busque suas qualidades, veja o quão bom você pode ser e acredite: você
nunca irá agradar a todos. Então, por que ficar alimentando críticas
desconstrutivas?
Use seu tempo para
aprimorar-se, aprimorar sua personalidade, adequando-se a cada fase da sua vida,
respeitando seus limites. Exija o respeito de todos os que te cercam, não
permita que pessoas ditem regras sobre o que você deve ou não fazer, sobre o
que é ou não bom para você no momento em que você é a única pessoa que deve
saber, afinal você é o dono da sua vida, você é quem deve conduzir as rédeas,
não permita que suas vontades sejam controladas por ninguém, se autoavalie
todos os dias e diga para você mesmo quem é que manda. Para aqueles que convivem com a esclerose múltipla, a patologia é algo que transpassa
seu poder de escolha, sendo assim não a torne sua inimiga, não tente lutar
contra quando ela pedir descanso. Quando a fadiga se instalar, simplesmente a
receba e a trate com cortesia, ofereça uma cama, exija respeito, não admita que
outra pessoa diga o que você deve fazer, pois é no seu corpo que a EM habita, é
você quem a carrega para onde quer que vá, então seja você o anfitrião,
trate a EM com os cuidados que ela exige. Diga para todos que chegam com
receitas prontas ou opiniões formadas que você é o dono do corpo no qual a EM faz
morada, portanto você conhece cada necessidade
dela, não escolha ser seu próprio inimigo.
Não jogue contra você mesmo e
quando ouvir a frase "você precisa ser forte", tenha convicção de que você é forte, pois abriga
dentro de você uma doença rara da qual só você sente os sintomas que ela atira sobre seu corpo, a única coisa que você precisa é apenas de respeito... Então
estufe o peito e diga a todos: "RESPEITEM!". Impor respeito precisa partir de nós, sempre. Vilma Prado
Estudante de psicologia. Amante da psicologia comportamental, saiu em busca do autoconhecimento e aprendeu que sua felicidade depende apenas dela mesma. Libertação, superação e determinação a definem.
"Não servir de palco alheio para peças escritas pelos
outros, por roteiros
definidos por terceiros."
Leandro
Karnal
No
momento em que fechei meus olhos para todos que me cercavam e olhei apenas para
mim mesma, foi quando eu realmente embarquei nesta viagem sem volta para o
autoconhecimento. Percebi do que eu gosto e de quem eu gosto, o que me faz
feliz e quem me faz feliz. Descobri quanta energia desperdicei tentando agradar
a todos enquanto eu me desagradava. Faltam palavras para descrever o quão
libertador é não ser refém de uma sociedade que julga .
Autoconhecimento é libertar-se das amarras, é dizer basta a tudo que não te
faz feliz, é não agregar o que não agrega, é não sentir pena de si mesmo, não
esperar que os outros te satisfaçam e sim descobrir que a satisfação está nas
pequenas gentilezas que você faz a si mesmo. É aprender dizer não e não se sentir
culpado por isso, é entender que você é o autor da sua própria história, é respeitar
seus limites sem esperar que os outros entendam, é passar o dia na cama e não
se sentir culpado e muito menos se lamentar, pois a pior deficiência é quando
esperamos compreensão alheia no momento em que nós mesmos não nos compreendemos.
Faço
um convite a todos para uma viagem para dentro de si mesmo e que toda as
paisagens diante dos seus olhos sejam tudo aquilo que mais ama e deseja
pra si. Que essas paisagens sejam refletidas em seus olhos e em sua mente todos os
dias.
Descubra em qual lugar no pódio da sua vida você está. Não aceite outro
lugar que não seja o primeiro.
Vilma Prado
Estudante de psicologia. Amante da psicologia comportamental, saiu em busca do autoconhecimento e aprendeu que sua felicidade depende apenas dela mesma. Libertação, superação e determinação a definem.
Fonte: Fernando
Vicente, Madame Courbet, acrílico sobre a tela, 60x60cm.
"Meu corpo não é meu corpo,
é ilusão de outro ser.
Sabe a arte de esconder-me
e é de tal modo sagaz
que a mim de mim ele
oculta.
(...)
Meu corpo apaga a lembrança que eu tinha de minha mente.
Inocula-me seu patos,
me ataca, fere e condena
por crimes não cometidos"
(As contradições do corpo, Carlos Drummond de Andrade)
O
corpo conta uma história. O corpo carrega em si as marcas de uma história. O
seu corpo é sua história. A sociedade confere ao corpo valores morais, códigos
de boas maneiras. O corpo que não expõe os valores de uma época (magro,
esbelto, leve, ereto, ágil, sensual...), expõe na verdade o ser que ali habita
ao escárnio, repressão, estigmatização, exclusão. Assim iniciam-se as lutas
incansáveis pela padronização do corpo. Lutas em que geralmente não é o corpo o
grande vencedor. É mesmo uma coerção. Corpo obediente é corpo útil, a uma
minoria economicamente influente. A saúde fisiológica e anatômica não deve
estar (e não está) fragmentada da saúde social e psicológica. O corpo não é só
matéria biológica, o corpo é um corpo social e cultural. Relação saudável com o
corpo é aquela na qual a individualidade deste corpo é considerada e
respeitada. Desde quando ter um corpo que fica cansado é crime? Desde quando
ter um corpo que pausa procurando ar é crime? De certo este crime não é real.
A
quem fere seu corpo realmente, a quais interesses ele fere? Seu corpo torna-te
culpado de algo que em nada é crime. Seu corpo é seu e obedece a um conjunto de
fatores internos e externos a você (genéticos, históricos, culturais e
ambientais). Você pode alterar seu corpo caso queira? Ele é seu, de certo você
pode, mas antes você precisa compreendê-lo, então interpretá-lo, aceitá-lo e só
depois, dentro da realidade deste corpo, apará-lo. Do crime à aceitação. Da dor
pelo corpo, ao amor pelo corpo, então à paz com o corpo. Iniciei o post com os
trechos em que Drummond expõe o crime de ter um corpo, finalizo abaixo com os
trechos do poema "Antítese" da poeta Jenyffer Nascimento, o qual
interpreto como sendo sobre a paz de aceitar esse corpo. Jenyffer é autora de
obras da literatura chamada "literatura periférica", movimento
literário que ganha espaço em bares, saraus, casas de culturas, entre outros
espaços culturais no Brasil. Junto com vozes como a dela, nosso corpo também
ganha espaço. Diante da cobrança em padronizar, ser antítese é respeitar a sua própria
individualidade, é um percurso de real construção de saúde.
"Pediram um corpo escultural
eu não tinha.
(...)
Disseram que eu não amamentasse para o peito
não cair
Eu amamentei até cair.
Submeteram meu corpo e meu psicológico à violência
"Será
que sou capaz?" ou "O que as pessoas vão pensar de mim?"
Em
diversos e diferentes eventos de nossas vidas nos deparamos com situações que
mexem com a nossa autoestima, nos fazendo ter alguns questionamentos.
A
autoestima pode ser definida como um sentimento que se tem de si próprio, de
como a pessoa se enxerga e o que pensa dela mesma, podendo ser tanto aspectos
positivos quanto negativos.
Por
exemplo, quando o sujeito se vê com uma doença e esta progride com a presença
de incapacidades físicas, dificultando ou até mesmo impossibilitando a pessoa
de realizar algumas atividades, isto pode levá-lo ao isolamento social,
ansiedade, depressão e consequentemente à redução ou perda de sua autoestima,
refletindo em todos os aspectos de sua vida.
Um
dos profissionais que pode auxiliar nessa situação é o terapeuta ocupacional que, por intermédio do uso de atividades, promoverá a melhora da funcionalidade, bem
como o resgate dessa autoestima.
O
uso de atividades de interesse da pessoa facilita e possibilita que esta se
reconheça como alguém capaz, que cria, que atua, que se reconhece como um ser
ativo e participante de sua própria vida.
Uma
boa autoestima permite um melhor julgamento e enfrentamento das adversidades
do cotidiano. Por isso tenha sempre em mente:
VOCÊ
É CAPAZ! VOCÊ É IMPORTANTE! VOCÊ CONSEGUE!
Luci Takiuchi
Terapeuta ocupacional
Graduada em Engenharia de Produção pela
Faculdade Mauá em 2004 e em Terapia Ocupacional pela Faculdade de Medicina do
ABC em 2016. Atualmente é terapeuta ocupacional do
Centro de Tecnologia e Inclusão em São Paulo. Diretora técnica da ABCEM.
Stephanie Santos
Terapeuta ocupacional
23 anos, Terapeuta Ocupacional
(CREFITO3: 18065-TO) formada pela Faculdade de Medicina do ABC,Pós Graduanda
em Psicomotricidade pela FMU. Atualmente atua como terapeuta
ocupacional no Espaço Arte Psico, em São Bernardo do Campo, e na Clínica Ceccat,o
em São Caetano do Sul. Artesã nas horas vagas, e apaixonada por
viagens (as literárias também).
Referências
ALVAREZ, C.R.S.T.; MARTINS, M.B.S. A terapia ocupacional e suas
possíveis contribuições na saúde mental coletiva. Vittalle, Rio Grande,
n.24, v.2, p. 63-68, 2012.
DINI, G.M.; QUARESMA, M.R.; FERREIRA, L.M. Adaptação cultural e
validação da versão brasileira da Escala de Autoestima de Rosenberg. Rev Soc
Bras CirPlást. n.19, v.1, p. 41-52, 2004.
FROES DA SILVA, M., PAES DA SILVA, M. A auto-estima de pacientes
ambulatoriais com queimaduras. Revista Baiana de Enfermagem, Salvador, v. 17,
n. 3, p. 75-84, 2002.
OLIVEIRA, J.N.; TAVARES, C.M.; SQUASSONI, S.D.; MACHADO, N.C.;
CORDONI, P.K.; BORTOLASSI, L.C.; LAPA, M.S.; FISS, E. Impacto das atividades na
autoestima dos pacientes em um programa de reabilitação pulmonar. Einstein,
v.13, n.1, p. 47-51, 2015.
Em conversa recente com pacientes
de Esclerose Múltipla (EM), falaram-me sobre a importância de terem de manterem a autoestima elevada. Mesmo sabendo que a Esclerose Múltipla (EM) é uma doença que não
tem cura, isso não quer dizer que a vida “acabou”. É exatamente neste momento que a autoestima
precisa ser maximizada, buscando por atividades, como exercícios físicos
(muitos fazem karatê, judô), dando continuidade aos estudos (alguns são
universitários) ou realizando algo que de que gostem.
Dialogando com a paciente Ana
Paula, ela me contou como foi sua reação ao receber o diagnóstico de Esclerose
Múltipla. Na época ela estava fazendo o curso de Auxiliar de enfermagem.
“Quando me falaram que estava com Esclerose Múltipla comecei a ir às lojas
ortopédicas para ver preços das cadeiras de rodas para comprar, já comecei a me
preparar”, diz Ana.
No passado, o paciente com
Esclerose Múltipla não tinha tantas informações como nos dias de hoje, “o boca a
boca”, as associações, internet (principalmente os sites de apoio aos
pacientes) e redes sociais, estão repletos de conteúdo sobre a patologia. Todavia, se atualmente informações sobre a doença estão mais
acessíveis, , obter o diagnóstico mostra-se ainda, na maioria das vezes,
bastante complicado. No entanto, é de fundamental importância que o paciente mantenha
sua autoestima durante essa, tantas vezes longa, busca por respostas.
Eu também tenho Esclerose
Múltipla e sinto que em alguns momentos a doença veio me limitar e, são nestas
horas, que aparece a super autoestima, me fazendo lembrar das coisas que eu
continuo podendo realizar e das que ainda posso aprender.
Quando recebi o
diagnóstico da Esclerose Múltipla há vinte anos atrás, um enorme buraco se
abriu a minha frente e me joguei dentro dele, me fechei no meu mundo. Sentia-me
a pior pessoa do mundo: a infeliz, a condenada, a castigada, a feia, a gorda e
eu tinha muita vergonha de ter Esclerose Múltipla. Não queria que os outros
soubessem ou percebessem as minhas limitações e incapacidades, porque até então
eu me achava a lindinha, a perfeitinha......pura ilusão do meu inconsciente que
ainda trazia o que meus pais falaram na infância: lindinha, gracinha, coisinha
fofa ...e por aí vai!
Estava internada fazendo
minha primeira pulsoterapia e falei pra minha mãe:
- POR QUE EU?
Ela respondeu:
- POR QUE NÃO VOCÊ?
VOCÊ NÃO É MELHOR QUE NINGUÉM! E EU CHOREI...
Foram momentos muito
difíceis, mas vou parar por aqui. Falar deles, lamuriando, não leva a nada.
Quero sim buscar e passar soluções que podem melhorar nossa qualidade de vida!
Quando ouvia o
mandamento AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO eu sempre pensava primeiro no amor
ao próximo, mas foi há 20 anos que comecei a olhar tudo com outros olhos.
Eu precisei de uma grande
sacudida da vida para começar a ver que eu precisava saber olhar pra
mim...primeiro!!!
Eu fiquei viúva em
1989, seis anos antes do meu primeiro surto, em 1995. E foi por não aceitar
essa perda, por não saber lidar emocionalmente com ela, que acabei me matando
aos poucos, depois da morte dele. Lógico que eu não percebia, era tudo muito inconsciente.
Minha maturidade era zero aos 30 anos! Foram tantas fugas, afinal eu não tinha
o hábito de olhar para dentro mim, eu só pensava em me divertir, tinha um olhar
muito egoísta para a vida. Não quero dizer que hoje eu não tenha rompantes de
egoísmo, só preciso e quero deixar bem claro que amor próprio não é egoísmo.
Nesses seis anos fui
caminhando para o que chamo de um precipício, mas a vida me deu um tropeção
antes de eu cair nele: a Esclerose Múltipla é o que eu chamo de tropeção. Se eu
caísse no precipício seria muito pior, mas mesmo assim, me machuquei.
Aqui começou a grande
jornada para a recuperação do meu amor próprio. Uma jornada difícil, mas que eu
consegui achar, dentro dela, um caminhar prazeroso: me conhecer e assim me ajudar a lidar com essa doença. O papo aqui
era eu comigo. Porque num primeiro momento, como descrevi acima, me senti a
vítima, a pior da pessoas, a coitadinha, e eu precisava encontrar forças e as
procurava nos outros. Eu ainda não sabia que tudo que precisava estava dentro
de mim.
O primeiro passo foi
aceitar ajuda. Aceitar ajuda, aqui, significou aprender a ouvir o outro e
reconhecer que eu precisavaaprender a caminhar,
pois tive que reconhecer que eu não sabia nada da vida. Aqui era muito evidente
que eu achava que sabia tudo. Eu era a rainha da razão e queria que tudo fosse
feito do meu jeito. Entender e aprender que o mundo é muito diferente disso,
que isso chama-se respeito e que a minha liberdade termina quando começa a do
outro, foram as lições mais difíceis e confesso que ainda titubeio, como a
maioria dos mortais.
Eu aqui comecei uma
nova caminhada e fui me encontrando aos poucos e continuo até hoje aprendendo
com a vida. Por várias vezes ouvi fragmentos do que achava ser amar-se!
Confesso que estou
começando, agora, a ver fagulhas se mostrando em minha vida, de que:
AMAR AO PRÓXIMO COMO A
SI MESMO significa primeiro me amar para poder amar o outro, verdadeiramente.
E não pense que foi
fácil chegar a essa conclusão. Eu tive vários relacionamentos e até me casei
novamente e caí muitas vezes no mesmo erro, dando a estes relacionamentos mais
importância do que dava a mim e é lógico que quebrei a cara demais. Esse meu
segundo casamento, bem como os outros relacionamentos que tive até hoje, me
ensinaram muita coisa, pois eu já tinha o que podemos chamar de algum entendimento
sobre amor próprio. Mas são nas relações dentro de casa, com a família, o melhor
local para o nosso crescimento interior, com aqueles que vivemos o dia a dia.
No trabalho e com amigos colocamos em prática o que trazemos de casa.
Eu tinha quase 43 anos
quando me separei dessesegundo casamento e
eu morava com ele em Santos. Arrumei minhas coisas para vir embora, pois não
queria ficar ali nem mais um dia e, voltando para Santo André, pensava:
- Já estou com mais de
40 anos, o que será de mim? Não arrumo mais ninguém!! Era tudo negativo o que
passava na minha mente. E foi como um passe de mágica, quando aquele ônibus
pegou a estrada foicomo se saísseuma venda dos meus olhos, um véu se descortinou e aos
poucos vieram pensamentos positivos:
Eu sou nova......vou
recomeçar......vou ser feliz de novo...e um sorriso brotou em meio às lágrimas.
E foi essa separação
que permitiu que eu olhasse a vida de outra forma e meu olhar se expandiu para
buscar entender a profundidade do amor entre todos os seres.
Sair de um casamento
que chegara ao final foi um ato de coragem e a demonstração que aprendera a me
amar verdadeiramente.
Hoje sou uma linda
mulher de 50 anos que ama a vida, se ama e aprende cada dia mais a se aceitar
com muitos erros e acertos, defeitos e qualidades, que descobriu o poder que
existe dentro de todos nós, pois temos Deus aqui dentro, operando milagres a
todo instante.
Sei que foi minha fé em
acreditar em tudo isso e na força da felicidade que me trouxe até aqui, muito
mais forte e feliz!
Hoje consigo sentir e
ver a beleza do meu Ser. Levei 20 anos para chegar aqui, para aprender a viver
bem e sentir a verdadeira felicidade que é o dom de viver em sua plenitude e
poder sentir essa força pulsando aqui dentro de mim.
Na verdade foram 50
anos com 20 de muita dedicação, estudo e aprendizado. Apeguei-me a esse
aprendizado com unhas e dentes quando apareceram os primeiros resultados, há 20
nos atrás, durante e recuperação do meu primeiro surto, quando olhei para a
Suzete e não para a doença em si.
Aprendi a viver bem e
tenho me dedicado, cada dia mais, para aprender viver melhor e não desenvolver
os sintomas da doença. Passei dez anos sem surto, entre o primeiro surto e o
segundo. Meu primeiro surto foi avassalador, me tirou o caminhar entre outros
sintomas e eu me recuperei 100% dele, após 3
anos de tratamento. Esse tempo de calmaria foi fruto da minha mudança interior.
Meu segundo surto veio dentro do meu segundo casamento e foi bem leve e de
fácil recuperação. A gente aprende a detectar os sintomas e a correr logo para
o neurologista. Assim o estrago fica bem menor.
Foi quando me separei
em 2008 e precisei recomeçar tudo de novo, inclusive profissionalmente, que
veio minha grande oportunidade de por minha força em ação, de comprovar a força
do amor próprio no meu dia a dia, na nova vida e novos relacionamentos que aqui
iniciavam. Busquei muitos caminhos que me realizaram muito, mas antes dessa
realização pessoal e profissional, comecei a patinar, isto é, eu não saia do
lugar e nada que produzia tinha uma continuidade, principalmente no trabalho.
Acredito que foram muitas frustrações que causaram 2 surtos seguidos, um ano
após o outro. O erro em construir expectativas demais sem ir para a ação
realmente, foi aqui meu grande vilão.
No final de 2010, comecei
a usar a medicação injetável chamada Copaxone. Uso diariamente sem manifestar
nenhum efeito colateral e sem surtos deste então. Desde que comecei a usar me
condicionei mentalmente que essa injeção é para que eu possa viver melhor, então,
em 5 anos, não me permiti ainda reclamar dela. Vejo aqui o motivo que me
permite lidar tão bem com esse incômodo diário. Temos uma relação amigável,
pois não sou irônica em dizer que gosto de tomar injeção todo dia, sou sim,
consciente da sua necessidade e benefícios e deixo isso na frente de qualquer
colocação que não seja do meu neurologista, pois ele é o profissional que
escolhi e que me ajuda a lidar com a Esclerose Múltipla há 20 anos. Eu aprendi
a me preservar e prefiro confiar nos profissionais que me cercam. Hoje tenho
consciência que não sou a rainha da razão como pensava aos 30 anos, quando
surgiu a Esclerose Múltipla na minha vida.
Agora, tenho um
presente para você, que busca melhorar, assim como eu.
Existe no Youtube muitos
vídeos da Louise Hay, que eu adoro, autora de diversos trabalhos sobre autocura.
Essa autora sempre me ajudou muito no que se relaciona ao amor próprio.