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| Fonte: http://cmsmariovitor.blogspot.com.br/ |
Quando recebi o
diagnóstico da Esclerose Múltipla há vinte anos atrás, um enorme buraco se
abriu a minha frente e me joguei dentro dele, me fechei no meu mundo. Sentia-me
a pior pessoa do mundo: a infeliz, a condenada, a castigada, a feia, a gorda e
eu tinha muita vergonha de ter Esclerose Múltipla. Não queria que os outros
soubessem ou percebessem as minhas limitações e incapacidades, porque até então
eu me achava a lindinha, a perfeitinha......pura ilusão do meu inconsciente que
ainda trazia o que meus pais falaram na infância: lindinha, gracinha, coisinha
fofa ...e por aí vai!
Estava internada fazendo
minha primeira pulsoterapia e falei pra minha mãe:
- POR QUE EU?
Ela respondeu:
- POR QUE NÃO VOCÊ?
VOCÊ NÃO É MELHOR QUE NINGUÉM! E EU CHOREI...
Foram momentos muito
difíceis, mas vou parar por aqui. Falar deles, lamuriando, não leva a nada.
Quero sim buscar e passar soluções que podem melhorar nossa qualidade de vida!
Quando ouvia o
mandamento AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO eu sempre pensava primeiro no amor
ao próximo, mas foi há 20 anos que comecei a olhar tudo com outros olhos.
Eu precisei de uma grande
sacudida da vida para começar a ver que eu precisava saber olhar pra
mim...primeiro!!!
Eu fiquei viúva em
1989, seis anos antes do meu primeiro surto, em 1995. E foi por não aceitar
essa perda, por não saber lidar emocionalmente com ela, que acabei me matando
aos poucos, depois da morte dele. Lógico que eu não percebia, era tudo muito inconsciente.
Minha maturidade era zero aos 30 anos! Foram tantas fugas, afinal eu não tinha
o hábito de olhar para dentro mim, eu só pensava em me divertir, tinha um olhar
muito egoísta para a vida. Não quero dizer que hoje eu não tenha rompantes de
egoísmo, só preciso e quero deixar bem claro que amor próprio não é egoísmo.
Nesses seis anos fui
caminhando para o que chamo de um precipício, mas a vida me deu um tropeção
antes de eu cair nele: a Esclerose Múltipla é o que eu chamo de tropeção. Se eu
caísse no precipício seria muito pior, mas mesmo assim, me machuquei.
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| Fonte: https://isabelleepoque.wordpress.com |
O primeiro passo foi
aceitar ajuda. Aceitar ajuda, aqui, significou aprender a ouvir o outro e
reconhecer que eu precisava aprender a caminhar,
pois tive que reconhecer que eu não sabia nada da vida. Aqui era muito evidente
que eu achava que sabia tudo. Eu era a rainha da razão e queria que tudo fosse
feito do meu jeito. Entender e aprender que o mundo é muito diferente disso,
que isso chama-se respeito e que a minha liberdade termina quando começa a do
outro, foram as lições mais difíceis e confesso que ainda titubeio, como a
maioria dos mortais.
Eu aqui comecei uma
nova caminhada e fui me encontrando aos poucos e continuo até hoje aprendendo
com a vida. Por várias vezes ouvi fragmentos do que achava ser amar-se!
Confesso que estou
começando, agora, a ver fagulhas se mostrando em minha vida, de que:
AMAR AO PRÓXIMO COMO A
SI MESMO significa primeiro me amar para poder amar o outro, verdadeiramente.
E não pense que foi
fácil chegar a essa conclusão. Eu tive vários relacionamentos e até me casei
novamente e caí muitas vezes no mesmo erro, dando a estes relacionamentos mais
importância do que dava a mim e é lógico que quebrei a cara demais. Esse meu
segundo casamento, bem como os outros relacionamentos que tive até hoje, me
ensinaram muita coisa, pois eu já tinha o que podemos chamar de algum entendimento
sobre amor próprio. Mas são nas relações dentro de casa, com a família, o melhor
local para o nosso crescimento interior, com aqueles que vivemos o dia a dia.
No trabalho e com amigos colocamos em prática o que trazemos de casa.
Eu tinha quase 43 anos
quando me separei desse segundo casamento e
eu morava com ele em Santos. Arrumei minhas coisas para vir embora, pois não
queria ficar ali nem mais um dia e, voltando para Santo André, pensava:
- Já estou com mais de
40 anos, o que será de mim? Não arrumo mais ninguém!! Era tudo negativo o que
passava na minha mente. E foi como um passe de mágica, quando aquele ônibus
pegou a estrada foi como se saísse uma venda dos meus olhos, um véu se descortinou e aos
poucos vieram pensamentos positivos:
Eu sou nova......vou
recomeçar......vou ser feliz de novo...e um sorriso brotou em meio às lágrimas.
E foi essa separação
que permitiu que eu olhasse a vida de outra forma e meu olhar se expandiu para
buscar entender a profundidade do amor entre todos os seres.
Sair de um casamento
que chegara ao final foi um ato de coragem e a demonstração que aprendera a me
amar verdadeiramente.
Hoje sou uma linda
mulher de 50 anos que ama a vida, se ama e aprende cada dia mais a se aceitar
com muitos erros e acertos, defeitos e qualidades, que descobriu o poder que
existe dentro de todos nós, pois temos Deus aqui dentro, operando milagres a
todo instante.
Sei que foi minha fé em
acreditar em tudo isso e na força da felicidade que me trouxe até aqui, muito
mais forte e feliz!
Hoje consigo sentir e
ver a beleza do meu Ser. Levei 20 anos para chegar aqui, para aprender a viver
bem e sentir a verdadeira felicidade que é o dom de viver em sua plenitude e
poder sentir essa força pulsando aqui dentro de mim.
Na verdade foram 50
anos com 20 de muita dedicação, estudo e aprendizado. Apeguei-me a esse
aprendizado com unhas e dentes quando apareceram os primeiros resultados, há 20
nos atrás, durante e recuperação do meu primeiro surto, quando olhei para a
Suzete e não para a doença em si.
Aprendi a viver bem e
tenho me dedicado, cada dia mais, para aprender viver melhor e não desenvolver
os sintomas da doença. Passei dez anos sem surto, entre o primeiro surto e o
segundo. Meu primeiro surto foi avassalador, me tirou o caminhar entre outros
sintomas e eu me recuperei 100% dele, após 3
anos de tratamento. Esse tempo de calmaria foi fruto da minha mudança interior.
Meu segundo surto veio dentro do meu segundo casamento e foi bem leve e de
fácil recuperação. A gente aprende a detectar os sintomas e a correr logo para
o neurologista. Assim o estrago fica bem menor.
Foi quando me separei
em 2008 e precisei recomeçar tudo de novo, inclusive profissionalmente, que
veio minha grande oportunidade de por minha força em ação, de comprovar a força
do amor próprio no meu dia a dia, na nova vida e novos relacionamentos que aqui
iniciavam. Busquei muitos caminhos que me realizaram muito, mas antes dessa
realização pessoal e profissional, comecei a patinar, isto é, eu não saia do
lugar e nada que produzia tinha uma continuidade, principalmente no trabalho.
Acredito que foram muitas frustrações que causaram 2 surtos seguidos, um ano
após o outro. O erro em construir expectativas demais sem ir para a ação
realmente, foi aqui meu grande vilão.
No final de 2010, comecei
a usar a medicação injetável chamada Copaxone. Uso diariamente sem manifestar
nenhum efeito colateral e sem surtos deste então. Desde que comecei a usar me
condicionei mentalmente que essa injeção é para que eu possa viver melhor, então,
em 5 anos, não me permiti ainda reclamar dela. Vejo aqui o motivo que me
permite lidar tão bem com esse incômodo diário. Temos uma relação amigável,
pois não sou irônica em dizer que gosto de tomar injeção todo dia, sou sim,
consciente da sua necessidade e benefícios e deixo isso na frente de qualquer
colocação que não seja do meu neurologista, pois ele é o profissional que
escolhi e que me ajuda a lidar com a Esclerose Múltipla há 20 anos. Eu aprendi
a me preservar e prefiro confiar nos profissionais que me cercam. Hoje tenho
consciência que não sou a rainha da razão como pensava aos 30 anos, quando
surgiu a Esclerose Múltipla na minha vida.
Agora, tenho um
presente para você, que busca melhorar, assim como eu.
Existe no Youtube muitos
vídeos da Louise Hay, que eu adoro, autora de diversos trabalhos sobre autocura.
Essa autora sempre me ajudou muito no que se relaciona ao amor próprio.
Espero que goste:
Super beijo no coração!
Suzete Zanatta


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