| Fonte: http://obviousmag.org/cinema_pensante/img038.jpg |
Olá amores!
Quem já
me conhece sabe que sou muito pensativa. Penso em milhares de coisas ao mesmo
tempo e estive refletindo sobre um assunto que parece ser tão simples e fácil,
só que na realidade não é.
Estou falando da tristeza, de sentir-se triste, pra baixo, down,
deprê... Do jeito que for melhor pra entender.
A gente sabe que para todos um dia é diferente do outro, mas
pra nós que temos uma doença crônica é ainda mais. O nosso humor pode ser
instável, nossos sentimentos podem aflorar de repente, assim como uma
irritabilidade também e, essa instabilidade geral, pode provocar tristeza.
Ficamos tristes por "N" motivos várias vezes durante o dia, porém
estou falando daquela tristeza que não tem um motivo certo, são vários dentro
de um só nome: esclerose múltipla.
Tenho o blog A vida com esclerose múltipla há 8 anos e sempre que me procuram procuro orientar no que
precisam e demonstro muito otimismo e positividade. No entanto, esses dias, alguns
amigos me compartilharam que não estavam bem com a EM, estavam tendo muitos
problemas, inclusive um era emocional. Tentei oferecer um pouco de otimismo
para que eles não desanimem frente a seus obstáculos, como uma amiga que
compadece da mesma causa, porém, dessa vez, falei sobre a importância de se
sentir triste.
Algumas pessoas me perguntam: você nunca fica triste por ter
EM?
Sim, mas no início quando o medo, a insegurança e a falta de
experiência me assombravam, não era tristeza o sentimento que eu tinha, talvez
fosse mais medo. Então os anos passaram e, de medo, o meu sentimento passou a ser
de determinação. Pensava que tinha que resolver tudo o que a EM me cercava: exames, atestados, perícias, consultas, receitas, laudos etc.
Quando, no início desse ano, fui surpreendida com uma notícia
incrível: fui aposentada. Depois de anos nessa luta de licença saúde e
perícias, consegui o que mais almejava no momento.
Fiquei muito feliz! No entanto, após alguns meses foi que
experimentei um sentimento de tristeza. Nunca imaginei que iria acontecer
comigo, afinal já era meu objetivo, quando já readaptada, pois não conseguia cumprir
as 8 horas de trabalho nos 5 dias da semana.
Porém, comecei a notar que aquela mulher alegre que acordava
diariamente feliz pra correr atrás da sua rotina não estava mais ali. Porque,
logo que precisei ficar afastada, disse a mim mesma que iria aproveitar pra
fazer as atividades que trabalhando não dava mais conta, como o pilates e o
curso de francês, por exemplo. Então, ia toda animada aos meus afazeres até
que notei que estava me autossabotando, colocando empecilhos todos os dias.
Com o afastamento, aproveitei para realizar uma vontade tremenda que era de
aprender a tocar piano e nem isso eu estava fazendo.
Um dia era tontura, fadiga, outro sintomas de gripe, enxaqueca e
por aí vai, até que me vi sozinha no meu quarto chorando e me perguntando por
que eu? Justo eu que sempre fui tão alegre? Me aposentar com 40 anos?
Trabalhei tão pouco...
Todas essas perguntas sem respostas, mas que desde a
aposentadoria eu não havia me feito.
Nesse dia chorei como criança.
Depois percebi que aquela mulher alegre estava triste,
sentindo uma tristeza na alma que precisava descarregar, chorar a perda
daquela vida que era tão estressante, mas que era minha, minha vida, minha
rotina, para que a nova vida recomece e eu aceite minha nova rotina, muito mais
leve e legal, apenas com as atividades que escolhi e que preciso.
Foi aí que reparei numa coisa: eu adoro música e não vivo sem,
então, todos os dias em que fico em casa preparo uma playlist e faço tudo com
uma trilha sonora ao fundo. Percebi que naqueles dias eu havia me esquecido da
música. A tristeza estava tão dentro de mim, que não sentia a necessidade de
cantar, dançar ou apenas admirar a melodia.
Depois de chorar aos soluços, voltei à minha rotina semanal e a música
também voltou.
Contando tudo isso na terapia, minha psicóloga disse que temos
que aceitar o direito de ficarmos tristes, no entanto por pouco tempo e não deixar que
essa tristeza nos atrapalhe. Ficar triste onde a alegria predomina, como nos
posts das redes sociais, pode parecer um desacato à sociedade de imagem, só que
não!
Ninguém vive feliz 24 horas por dia e no meio dessa mesma
sociedade, temos todo o direito de nos recolhermos, refletirmos e sermos
felizes, ficando tristes de vez em quando.
Eu me chamo Fabiana Dal Ri Barbosa, mas me chamam de Fabi. Tenho o blog A vida com Esclerose Múltipla desde 2009, onde trocamos experiências e conhecemos algumas novidades relacionadas à EM.
Sou uma pessoa que não vive sem música, se sente feliz na maioria dos dias, pira de vez em quando por pensar demais, é preocupada demais também, mas apaixonada. Amo escrever, assistir filmes, estudar francês, piano, canto e Teatro.

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