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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Qual o meu papel como pessoa com EM?




Hoje é o “Dia mundial de conscientização sobre a esclerose Múltipla”,cuja campanha deste ano foi “A Vida com EM” na qual a ABCEM esteve envolvida durante todo o mês de maio, compartilhando depoimentos de pessoas que encontraram maneiras de viver bem, mesmo tendo a doença.

Cada um, à sua maneira, desenvolve formas de enfrentamento, buscando alternativas para contornar limitações que a EM tenta impor, vivendo, de forma plena, o real significado de ser resiliente.

Recentemente, durante um bate-papo que aconteceu na ABCEM entre pacientes com EM, familiares e graduandos de diversos cursos (saúde e outras áreas), a enfermeira Adriana Caldas Rocha proferiu um questionamento que me fez refletir, ainda mais, sobre o significado das nossas escolhas depois do diagnóstico, ela perguntou “a doença já está instalada, então, o que você pode fazer pra ter o máximo de qualidade de vida?”.

O que eu posso fazer por mim? O que você pode fazer por você? E o que podemos fazer juntos para que nossa vida seja melhor, para que tenhamos nossos direitos respeitados, para que possamos conquistar novos direitos, para que sejamos enxergados?

Como paciente, é minha OBRIGAÇÃO cuidar o melhor possível de mim mesma. Preciso seguir os tratamentos que forem recomendados por meu médico de confiança, buscar terapias que possam me ajudar a manter a sanidade mental, que propiciem ao meu corpo se recuperar o máximo possível das sequelas adquiridas em surtos, que façam com que os sintomas fiquem menos agressivos e que me permitam ter vida, pois o diagnóstico não é o fim da linha, mas apenas o início de uma nova etapa, de uma nova forma de viver.

Como cidadã, eu tenho a OBRIGAÇÃO de me unir a outras pessoas na “luta” pela conscientização e para levar informações sobre a EM, para participar de consultas públicas que versem sobre medicações para controle da doença, mesmo que não seja meu medicamento atual, pois se não é o meu é de outro paciente ou poderá ser o próximo que irei fazer uso. É minha OBRIGAÇÃO me juntar aos que estão na linha de frente para cobrar políticas públicas e atualização de protocolo de tratamento, como as associações de pacientes, me tornando um multiplicador de informações e um agente propiciador da continuidade das instituições como doador, doador da minha participação em eventos e campanhas, voluntariado, apoiador.

Eu DEVO exercer meu direito à saúde com cidadania. Eu NÃO TENHO O DIREITO de achar que eu posso reclamar e aguardar que alguém assuma o papel que cabe a mim exercer. A cultura de apenas reclamar, mas, no momento em que for necessário agir, eu simplesmente achar que não é minha responsabilidade ou que “não adianta fazer nada, pois nada irá mudar mesmo”, TEM de ser banida das nossas vidas, pois o perfil do paciente tem de ser outro nos tempos atuais, TEMOS de nos movimentar para que as coisas mudem, para que conquistas aconteçam, para que a ESCLEROSE MÚLTIPLA receba a tão necessária atenção.


Hoje é a data estabelecida pela   Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF) como o “Dia Mundial da EM”, mas o dia de conscientizar, informar, interagir e nos unir DEVE ser todos os dias, pois somos pacientes, mas a urgência da causa não pode esperar.

Bete Tezine




"A arte, em todas as suas formas de expressão, tem o poder de mudar os rumos de uma história que desde o começo estava fadada ao fracasso..." 

 (Bete Tezine)
Nascida em Santo André, SP, 49 anos, advogada, artista plástica, professora universitária de Artes Plásticas, mãe de 2 filhos (1 adulto e 1 adolescente), diagnosticada com Esclerose Múltipla em fevereiro de 2012 e atual presidente da ABCEM


sexta-feira, 3 de março de 2017

Democracia representativa X democracia participativa


Fonte: http://empoderabrasil.com.br/cidadania/o-dever-tambem-e-seu-conheca-democracia-participativa/

A democracia representativa ou indireta está em crise em nosso país. A maioria dos políticos que deveriam nos representar esqueceram seus compromissos com a população e se afastaram perigosamente das suas bases. Os mandatos que eram para representar a sociedade acabaram se transformando em balcões de negócio e o interesse que deveria ser coletivo, passou a ser individual.

Como se isso não bastasse, as diversas operações, como por exemplo a operação lava jato, escancarou a corrupção que todos sabíamos existir, mas agora se mostra com nome, sobrenome, alcunha e valores desviados.

Sem dúvida um momento difícil para a chamada democracia representativa que durante muitos anos nos iludiu, dando a impressão que podíamos com o nosso voto participar dos destinos e da construção da nossa cidade, do nosso estado e do Brasil.

Pagamos impostos exorbitantes para manter “nossos representantes” que ao invés de fiscalizar a gestão pública, utilizam dos seus cargos para negociarem vantagens em troca de apoio ao executivo e, também, para fecharem os olhos para os contratos superfaturados.

Só em São Caetano do Sul, para mantermos 1,26 vereadores por quilômetro quadrado, gastamos por ano mais de R$ 40 milhões, com esse dinheiro poderíamos construir, equipar e manter um hospital por ano.

Enquanto vemos a democracia representativa perder prestígio, a democracia participativa ou direta está crescendo e aumentado nos últimos anos. É como se a população estivesse reagindo ao seu individualismo e alienação, buscando participar mais dos destinos da sua cidade, do seu estado e do seu país, uma vez que já não se sente mais representada e passa a querer assumir o controle do próprio destino.

A participação está na ordem do dia, a participação facilita o crescimento da consciência crítica da população, fortalece seu poder de reivindicação e a prepara para adquirir mais poder na sociedade.    
    
A participação é uma necessidade humana e um direito do cidadão, portanto é chegada à hora de ocuparmos os conselhos, deixar as lamentações de lado e assumir nosso papel de fiscal, passar a agir e fazer valer cada centavo dos nossos impostos.



Roberto Canavezzi
Enfermeiro e conselheiro municipal de saúde