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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Por que ração não é comida, e o que isso tem a ver com uma alimentação saudável?


Fonte:Pinterest.com

Neste mês de outubro, os jornais e outras mídias jornalísticas informaram sobre a nova proposta de ação pública para o combate da fome em São Paulo: a liofilização de sobras alimentares para distribuição a populações pobres, em forma de "farinata" ou, conforme denominação dada ao produto, "ração humana". Esse tema possibilita reflexões sobre as dimensões sociais, políticas econômicas e culturais conferidas ao comer. Não abordei aqui reflexões sobre a dimensão do comer no âmbito político, porque aí teríamos que falar sobre corrupção, sobre beneficiamento de elites etc, e não será o objetivo desta postagem. Então, me ative à possibilidade de reflexão sobre a dimensão cultural do comer.

Vivemos em uma época em que a saúde é tida como um bem de consumo. Busca-se saúde como se fosse um produto comprável. Comprável através de dietas, de remédios, de exercícios extenuantes e de alimentos milagrosos. Busca-se saúde desconsiderando que esta é um percurso e não um final, e que sendo percurso inclui fatores diversos e complexos. Saúde não é produto, é um processo e, enquanto processo, dinâmico. A noção de saúde apresenta caráter diverso e subjetivo, mas de maneira geral está intricada à ideia de viver bem. Para que se admita, portanto, a construção desse percurso saúde, torna-se necessário considerar a multiplicidade de possibilidades sobre o que é viver bem. Para isso, devemos considerar crenças, valores morais, olhar cultural, entre outros aspectos.

O comer bem é um ato emblemático e esperado dentro da construção do processo de saúde, porém apresenta-se também marcadamente enquanto múltiplo e complexo - no que lhe poderia caracterizar como ideal ou almejável. Isto, porque nem tudo o que alimenta é comível. Nem tudo o que é alimento, portanto, é comida.

Alimento é definido para a Ciência da Nutrição enquanto tudo aquilo que é capaz de nutrir, oferecendo nutrientes essenciais à saúde de um indivíduo. Contudo, a noção do que é comida alcança além da ideia daquilo que é capaz de nutrir o corpo, alcançando a ideia de ser  aceitável culturalmente para ser escolhido e comido por uma população ou pessoa. A noção de comida abrange muito mais o caráter de multiplicidade e complexidade do processo de saúde do que a noção de alimento em si, uma vez que a primeira considera o emocional, a experiência de vida, o cultural.

Nesse sentido, podemos refletir que alimento pode nutrir, mas não necessariamente conferir consciência de viver bem, tão pouco consciência de dignidade. Ter acesso a comida, por outro lado, está mais próximo de conferir noção de dignidade, de viver bem e de saúde. Ter acesso a comida é ter acesso ao alimento aceito culturalmente, prazeroso, capaz de oferecer nutrientes e a sinergia agradável de paladar, olfato, visão e tato e promovendo sensação de felicidade e viver bem.

Muitas vezes, pacientes com Esclerose Múltipla procuram-me perguntando o que devem comer para serem mais saudáveis, chegando até mim, contudo, com a expectativa que eu fale de alimentos isolados, prescritos como se fossem remédios. Quando falamos de saúde, de viver bem e de dignidade, é necessário falarmos mais do que de alimentos e nutrientes. É necessário falarmos de comida e de momentos prazerosos com a comida. É pensar no que e no quanto você come, mas também no como você come, no com quem, no onde você come.

Comida também é pasto, como diria Titãs, mas entendamos finalmente que comida é sobretudo arte, é fazer amor, é desejo, é balé.

Fernanda Sabatini

Nutricionista






Nutricionista graduada pela Universidade Federal de São Paulo. Membro do Grupo de pesquisa em alimentação e cultura (GPAC) e mestre em Ciência pela USP - Universidade de São Paulo.





quarta-feira, 10 de maio de 2017

Cajá e seus maravilhosos benefícios


Fonte: Google imagens
A fruta cajá é típica do norte e nordeste do país, entra em sua melhor safra durante o verão proporcionando muito sabor e poderosos nutrientes para a saúde. Com gosto peculiar, levemente ácido, suas possibilidades de consumo são enormes e com isso ela pode fazer parte da nossa alimentação. Entre suas principais propriedades nutricionais, o cajá é responsável por fornecer quantidades de fibras alimentares que melhoram o bom funcionamento do intestino, contendo vitamina C que é responsável por ajudar o nosso sistema imunológico e minerais, como ferro, cálcio e fósforo, que ajudam a fortalecem a nossa saúde óssea, prevenindo doenças como a osteoporose, entre outras.

O cajá pode ser consumido em sua forma natural, em sobremesas, saladas de frutas ou sucos. Como a fruta não está disponível em todas as épocas do ano, você pode optar pelas polpas congeladas de cajá que conservam os nutrientes da fruta, além de ser uma bebida deliciosa que pode ser preparada com leite ou com água.

Principais benefícios do cajá: 

1 - Protege contra doenças cardíacas:  Rico em vitamina C que age como antioxidante natural e protege o organismo dos radicais livres, prevenindo as doenças cardiovasculares como o AVC e o infarto.

2 - Previne osteoporose:  Fonte de cálcio, magnésio, potássio que minerais fundamentais na prevenção da osteoporose e de outras enfermidades que podem afetar os nossos ossos ou músculos. O potássio também propicia melhorias na nossa saúde circulatória, ajudando na circulação sanguínea e prevenindo o entupimento de artérias.

3 - Previne a anemia: Rico em ferro, o cajá ajuda a prevenir a anemia.

4 - Baixo teor de gorduras: O cajá não contém nenhuma gordura saturada ou colesterol, possuindo teor baixo de gordura, uma escolha saudável para quem deseja perder peso e garantir a qualidade de vida.

5 - Previne a TPM: Para as mulheres que sofrem com os sintomas da TPM, o cajá é uma ótima indicação para controlar esses incômodos: Por atuar nos hormônios femininos, já que contém vitaminas A, B e C, a futa ajuda a prevenir as oscilações de humor que ocorrem no período da TPM.

Podemos usar o cajá para diversas finalidades, vamos aprender uma deliciosa receita, aproveitem !!!

Mousse de Cajá

Ingredientes:
1 lata de leite condensado 
1 lata de creme de leite
1 lata de polpa de cajá
1 copo de iogurte natural 
                                                                                                                                                                                                           

Modo de preparo: 
Bata todos os ingredientes no liquidificador até misturar bem.
Coloque em 12 taças e deixe gelar por 3 horas


Fonte


Tatiane Araujo Rufino
 Nutricionista


Formada em Nutrição pela faculdade Fama de Mauá. Nutricionista Voluntária da Associação Casa Do Senhor, Mauá – SP.  Nutricionista da Clínica Dr. Vida, Mauá-SP




quinta-feira, 16 de março de 2017

Comer e Cozinhar, é só começar

Fonte: pleasureofeating.com

Como profissional da Nutrição, considero gratificante a valorização do comer. A alimentação é vista cada vez mais como ferramenta indispensável para uma vida saudável, e realmente é. Manter uma alimentação saudável, contudo, pode ser bem mais fácil do que muitas vezes é divulgado.

Neste post, falaremos um pouco sobre o que comemos. Quais comidas/preparações você acredita ser saudável? Independentemente da sua resposta, sugiro que leia o Guia Alimentar para a População Brasileira.1 Foi publicado pelo Ministério da Saúde em parceria com profissionais da área. Atualmente, nosso Guia é referência para a formulação de Guias Alimentares de muitos outros países e é destinado à população como um todo. A melhor forma considerada atualmente para você saber se está comendo algo saudável é pensar no caminho que este alimento percorreu até chegar em seu prato. Quanto mais próximo seu alimento estiver da colheita, pesca ou abate, melhor será a qualidade deste alimento, pois mais nutrientes, menos aditivos e mais riqueza cultural e de sabor terá. O que você acha que está mais próximo da natureza: o peixe comprado na feira ou o steak de frango no setor de congelados? O steak de frango, por sinal, provavelmente tenha bem pouco frango.  Entre 2002-2003 e 2008-2009, houve aumento no consumo de produtos ultraprocessados de 20,8% para 25,4%, e isto ocorreu em todos as classes de renda.2 Os ultraprocessados são reconhecidos como formulações industriais, pois são feitos de substâncias extraídas de alimentos (ex.: óleos e açúcar), derivadas de constituintes de alimentos (ex.: gorduras hidrogenadas e amido modificado) e ainda substâncias completamente sintetizadas em laboratório com base em matérias como petróleo e carvão (ex.: corantes), não sendo proveniente do alimento original. O steak de frango é um exemplo de produto ultraprocessado.  O consumo aumentado destes produtos é compreendido atualmente como grande promotor de doenças como o câncer, diabetes e doenças cardiovasculares, além disso sua produção é ambientalmente e culturalmente desvantajosa para a humanidade.

Mas como nos distanciarmos dos produtos e nos aproximarmos da comida (já que tudo parece ser vendido como a mesma coisa)? Uma resposta bacana pode ser: Comendo mais alimentos que você preparou (descascou, limpou, cozinhou, temperou) e menos alimentos que você desembalou. O ato de cozinhar é carregado de história e simbolismo, percorrendo não somente o mundo da culinária, mas certamente o mundo político e social também. O cozinhar deveria ser uma prática mais constante em nossa cultura, pois é a partir do cozinhar que temos a experiência de comer comida de verdade (próximas da colheita/pesca/abate). Esta experiência é necessária para nosso desenvolvimento biológico, social, psicológico e cognitivo, visto que proporciona-nos acesso a diferentes e indispensáveis nutrientes, sabores, aromas e texturas, além de  acesso a novas culturas, conhecimentos e amizades.

Cozinhar exige prioridade. Enquanto encararmos o cozinhar como um ato secundário e dispensável, não teremos tempo ou vontade para esta prática. Cozinhar não é uma prática da mulher, tão pouco da mãe, é uma prática de quem cuida (de si e do outro). O cozinhar é uma prática importante, assim como o banho e o sono. Você não precisa ter uma cozinha gourmet e ingredientes free glúten e free lactose para cozinhar de maneira que lhe traga saúde. Caso não possa cozinhar todos os dias, escolha um dia da semana para esta prática, congele e coma nos outros dias, por exemplo. Cozinhe de maneira simples, com temperos naturais e, sempre que puder, cozinhe com sua esposa, marido, filhos, mãe, pai. Ensine para seus filhos e filhas o passo a passo para fazer um feijão, deixe-os mexer na carne, no bolo, picar o legumes, entender o preço dos alimentos. Em pouco tempo, você sentirá diferenças importantes em seu convívio familiar, além de em seu sistema imunológico, sua disposição, saciedade e sensações como fome e prazer. 

Independentemente se você já cozinha, considera que odeia cozinhar ou esteja disposto a tentar, conte aqui sua experiência. Afinal, cozinhar é só uma questão de começar.

Fernanda Sabatini
Nutricionista


Referências

1. Brasil. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2 ed. 2014. Disponível em <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf>

2. Martins APB, Levy RB, Claro RM, Moubarac JC, Monteiro CA. Participação crescente de produtos ultraprocessados na dieta brasileira (1987-2009). Rev Saúde Pública 2013;47(4):656-65


quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

E agora, José?


Fonte: blogorama.com

Você já ouviu falar na palavra “biodisponibilidade”? Biodisponibilidade é o termo técnico que se refere, na Ciência da Nutrição, à quantidade (proporção) do nutriente ingerido que atingirá um determinado tecido do seu corpo e agirá fisiologicamente neste tecido.

Muito técnico? Sim. Mas este assunto pode ser uma ferramenta interessante para discutirmos a (in)exatidão das informações que bombardeiam as mídias virtuais e televisivas sobre alimentação e recomendações alimentares. Alguns profissionais chamam, há algum tempo, este bombardeio pelo nome de Nutricionismo, o que parece até a união das palavras Nutrição e Terrorismo. Vejamos o exemplo da vitamina D: você já se perguntou “mas eu tenho que comer vitamina D? Mas eu tenho que tomar suplemento? Mas e se eu não tomar? Posso tomar sol?”?
“E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
  a noite esfriou (...)"
("José", Drummond)¹

Certamente, a vitamina D é de extrema importância para o funcionamento correto do corpo, muito comentada e valorizada no tratamento da Esclerose Múltipla. Não vou dizer que é uma das vitaminas mais importantes, porque eu falaria isto de todas as vitaminas, nosso corpo precisa de variedade nas proporções recomendadas. Contudo, é realmente para deixar-nos de queixo caído todas as funções que a vitamina D desempenha em nosso organismo: trabalha no sistema imune, trabalha para manter em níveis adequados no sangue o cálcio e o fósforo, trabalha na formação e reestruturação óssea, trabalha no tecido da pele, além de sua deficiência ser associada por alguns estudos ao risco de desenvolvimento da esclerose múltipla, de alguns tipos de câncer, de diabetes mellitus e de hipertensão arterial, por exemplo.

Com uma ficha corrida dessas, quem não se animará quando algum meio de comunicação informa sobre as maneiras de se aumentar o consumo de vitamina D no dia a dia? Ou mais, quem não se desesperará para aumentar logo o consumo de vitamina D? E, geralmente, a tendência é querer aumentar este consumo a partir de suplementos, que muitas vezes nem foram orientados por um nutricionista ou médico.

Defini, ao início do texto, o termo biodisponibilidade. Ao pensarmos que existe um termo para referir-se à quantidade real do nutriente ou composto alimentar que será utilizada pelo corpo, é porque sabemos que nem tudo o que comemos será realmente utilizado pelo nosso organismo fisiologicamente. Isto ocorre porque há vários fatores que interferem na ação do nutriente. Alguns fatores que influenciam nesta ação são fatores do próprio alimento; ou ainda a composição da refeição que você come, alguns nutrientes competem com outros, assim como alguns ajudam outros; há também influência do seu estado nutricional e do seu estado emocional, por exemplo. Então vejam, quando tenta-se aumentar de forma isolada o consumo de qualquer nutriente específico, desconsidera-se todos os fatores que agem no real uso deste nutriente pelo organismo. Às vezes parece mais prático resolver um problema com a suplementação, contudo nem sempre é o mais eficiente. E mesmo quando é o mais eficiente, é necessário trabalhar o restante da alimentação e do conjunto de fatores que envolvem sua saúde (psicológico, físico, estresse etc) para que você aproveite melhor esse suplemento. Nem sempre os ajustes nutricionais previstos para você são urgentes, e assim é possível trabalhar com mais calma, focando na comida, em suas escolhas alimentares, na sua rotina. Trabalhar sua saúde e suas refeições com um olhar amplo é sempre necessário, em qualquer situação. Obtém-se, assim, um resultado muito mais adequado.
E agora, José?
A festa acabou?
O menino descansou.
O povo sumiu?
A menina se divertiu.
A luz apagou, A noite esfriou?
Os amantes fizeram Amor e
a vizinhança dançou ao som de “O vencedor”.


Fernanda Sabatini
Nutricionista



Referências

1. Andrade, Carlos Drummond. Poesias. Rio de Janeiro: José Olympio; 1942. 







segunda-feira, 11 de julho de 2016

Comer como?


Fonte: Fonte: https://twitter.com/ijustwanttoeat

Diversos estudos apontam para a importância da alimentação na manutenção da saúde da pessoa com Esclerose Múltipla (EM). As recomendações para se ter uma alimentação adequada na EM não deve assumir restrições drásticas. Restrições na alimentação ocorrerão, quando necessário, pensando na atenuação de sintomas específicos. Por exemplo, se você desenvolveu a disfagia como comprometimento secundário à EM, algumas mudanças - como as consistências das comidas - deverão ser pensadas para a segurança e conforto da sua deglutição e digestão. Se você está desenvolvendo ganho ou perda de peso como consequência da EM, sua alimentação será pensada para o reequilíbrio do seu peso corporal. E assim por diante, pensando em cada sintoma específico que varia de pessoa para pessoa.

Para além dos sintomas, a melhor alimentação para a pessoa com EM segue os mesmos padrões que para um indivíduo sem EM. A pessoa com esclerose sentirá as consequências de uma alimentação equilibrada na melhora na qualidade de vida: nos sintomas, na locomoção, na força muscular, na disposição diária, no humor. Mas como é essa forma de comer melhor????

  • A primeira característica dessa melhor forma de comer, comentei no primeiro parágrafo: restrições só se forem pensadas com seu nutricionista, focadas em algum sintoma específico. Para a pessoa com EM comer bem, não é obrigatório ficar sem comer doce ou sem tomar leite ou sem comer carne.
  • Coma mais alimentos in natura! Você já teve acesso ao novo Guia Alimentar para a População Brasileira? É um guia elaborado pelo Ministério da Saúde, em conjunto com profissionais da área da saúde, sobre como manter uma alimentação saudável. Um dos principais pilares deste guia é o caminho que a comida faz até chegar ao seu prato. Sabendo de onde vem a sua comida, você pode saber se é o melhor pra você ou não. Quanto mais próxima a sua comida está da terra, do cultivo, do plantio, da pesca, do pasto, melhor é a qualidade desta comida. Isso porque mais íntegra ela estará: arroz, feijão, verduras, legumes, frutas, peixes frescos, sementes, castanhas. A feira é uma grande aliada para termos esses alimentos. Tá na feira, provavelmente é alimento fresco, in natura. E se é alimento fresco, mais vitamina A tem, mais ômega 3 tem, mais vitamina D tem, mais vitamina C tem, mais vitamina do complexo B tem!! E os nutrientes vindos da comida são melhores aproveitados pelo nosso corpo do que os provenientes de cápsulas e outros suplementos. Os suplementos podem ser aliados e às vezes necessários em diversos casos na EM, porém não substituem e não são melhores do que a comida em si. Além disso, se você consegue aumentar o consumo dos alimentos in natura e minimamente processados, você tem mais chance de preparar seu próprio alimento, o que lhe faz ter mais controle sobre os temperos usados, a quantidade de gordura usada e ainda de realizar uma refeição condizente com suas tradições culturais e regionais. Seu corpo funcionará melhor! 

Fonte:http://gravurando.blogspot.com.br/p/watercolor.html
  • Coma colorido! Se você sempre come os mesmos alimentos, você sempre oferecerá ao seu corpo os mesmos sabores, os mesmos nutrientes e as mesmas sensações. Sempre que possível, tente experimentar algo novo.
    Fonte:
    itscute.com.br/2015/06/18/comer-o-prazer-da-vida/
  • Coma com prazer! O que é comer com prazer pra você? O que era comer com prazer para sua avó? Acredito que sua avó diria coisas como: "comer do pomar que minha mãe cuidava"; "comer com a família toda na mesa". Eu também acredito que, para você, comer com prazer não se resuma somente a fast food e inclua comer tendo tempo para apreciar o sabor da comida, comer uma comida feita por você ou por alguém que você gosta, comer uma comida que o tempero foi cultivado por você; comer quando você está com fome; comer um lanche de hambúrguer caseiro com seu filho. Há muitas formas de comer, mas todas devem incluir prazer! Viva seu prato!

Ao se comunicar, muitos profissionais acabam passando informações mecânicas sobre como comer bem: coma mais vitamina D, vitamina A, vitamina do complexo B, coma menos gordura saturada. Essa forma técnica de olhar para o comer está atrapalhando mais do que ajudando na saúde da população. Vamos tentar olhar para a comida de forma mais leve, mais tranquila e descontraída? Vamos curtir mais nossas refeições? Comer bem é comer colorido, comer o que for fresco, comer gostando do que você tá comendo, respeitando sua fome, seu desejo e sua saciedade. Isso certamente é saúde!


Fernanda Sabatini
Nutricionista


quinta-feira, 23 de junho de 2016

Alimentação X Fadiga


Fonte: Google imagens

A fadiga é uma queixa comum das pessoas com Esclerose Múltipla. Pesquisas demonstram que, diferentemente do que ocorre em outras situações, na EM ela se mostra mais intensa e frequentemente associada a um grau de incapacidade persistente, sendo mais intensa no final da tarde e em temperaturas elevadas.

A nutrição, aliada a algumas mudanças comportamentais, pode contribuir para diminuir a fadiga e colaborar para um estado mais equilibrado e saudável.

Dicas de atitudes que contribuem para a minimização da fadiga:

  • Pela manhã, sempre manter a hidratação do corpo com água, pois a desidratação causa fadiga;
  • Dormir de 6 à 8 horas diariamente;
  •  Manter uma rotina de refeições de 3 em 3 horas e respeitar os ciclos de sono; 
  •  Evitar o consumo excessivo de álcool ou tabaco;
  •  Nunca pular refeições, mantendo uma média de 6 refeições diárias, divididas em: desjejum, colação (lanche), almoço, merenda, jantar e ceia;
  • Evitar ao máximo o consumo de cafeínas, tais como: café, chá preto, refrigerantes; energéticos e jamais combiná-los com bebidas alcoólicas; 
  • Exercícios realizados em máquinas melhoram a extensão do joelho e flexão, diminuem a fadiga e aumentam o desempenho na subida e descida de degraus;
  • Exercícios desenvolvem o relaxamento e a coordenação, apontando, também, melhora na diminuição de tosses,  o que garante uma grau de respiração equilibrado;
  • A prática de atividade física, até 3 vezes por semana, colabora com a desenvoltura muscular.

Dicas de alimentos que diminuem a fadiga:

Chia (sementes)

Por serem ricas em ômegas 3 e 9 (gorduras saudáveis) é um superalimento que coopera na diminuição da fadiga. Recomendação de 20g por dia.

Nozes

As nozes são frutas secas com valor energético rico, pois elas fornecem calorias, sendo grande fonte de vitaminas B e também de ômega 3. Recomendação de até 3 porções por dia.

Chocolate amargo

Este alimento tem fama de vilão por oferecer um bom aporte calórico, porém quando consumido com moderação apresenta benefícios. Os amargo e preto são mais aconselháveis por terem propriedades antioxidantes. Além disso, também oferecem substâncias estimulantes e que dão mais energia. Recomendação de até 20g por dia.

Lentilhas

As lentilhas fornecem nutrientes como ferro e carboidratos. Há diversas opções de consumo, a mais comum é o consumo da lentilha cozida temperada e adicionada a outros alimentos. Além disso, também pode ser servida junto com saladas frias e na preparação de hambúrguer. Recomendação de um copo por semana.

Banana

Amarela e brasileira, esta fruta é mais rica em carboidratos que as demais frutas e também fornece aminoácidos que contribuem na formação de serotonina, uma substância que previne a depressão. Deve-se tomar cuidado porque favorece o ganho de peso se for ingerida em grande quantidade, mas é fonte de potássio e outros nutrientes, devendo ser consumida diariamente uma pequena unidade.


Mayara Ribeiro Baptista
Nutricionista


quarta-feira, 15 de junho de 2016

O caminho para uma alimentação mais saudável


Fonte: rebloggy.com

Em meu último post aqui no blog, escrevi um pouco sobre a importância de reconectar-se com os sinais internos de fome e saciedade. Sinais que são intrínsecos ao ser humano e que, contudo, desaprendemos a ouvir ao longo da nossa vida. Os sinais aos quais nos prendemos para saber quando iniciar uma refeição e quando parar acabam sendo, na maioria das vezes, dentro da nossa cultura ocidental, provenientes de marcos externos ao corpo: regras estabelecidas de forma generalizada quanto ao intervalo de cada refeição, quantidade de comida que ainda há no prato, horários pré-estabelecidos de almoço devido à carga horária do serviço etc. Assim, o primeiro passo em um caminho de alimentação mais saudável é atentar-se à sua sensação de fome e, enquanto come, à sua sensação de saciedade (aquela do “já estou bem, estou satisfeito”).
Como sabemos, nosso corpo possui diversos mecanismos fisiológicos, os quais mantém relação com o contexto sociocultural no qual esse corpo está inserido. Assim, o biológico influencia nosso comportamento e nosso comportamento influencia nosso biológico. Dentre os diversos mecanismos, muito se estuda o mecanismo de fome e saciedade que se apresenta a partir de dois principais conjuntos de circuitos fisiológicos: homeostático e o hedônico. O primeiro, engloba processos bioquímicos em prol da ingestão e interrupção do comer com a finalidade de supressão da demanda energética do corpo. Para tal, há a liberação de hormônios como insulina, leptina, grelina, glucagon, somatostatina, há a adaptação das células para entrada de glicose, metabolismo de substratos, entre outros processos. O segundo, o comer hedônico, por sua vez refere-se a uma ingestão de alimentos para além da necessidade de homeostasia e reabastecimento energético, refere-se assim a um comer pelo prazer. Este mecanismo está atrelado ao nosso sistema de recompensa.
Nosso mecanismo de fome e saciedade trabalha de forma complexa, utilizando tanto do homeostático quanto do hedônico para que busquemos comida na quantidade, qualidade e hora necessária. Alguns daqueles hormônios que comentei anteriormente, como a grelina, trabalharão para que passemos a pensar de maneira insistente em comida; para que nosso metabolismo diminua a fim de poupar energia até que comamos algo; para que salivemos em maior quantidade com o cheiro ou cores de alguma preparação. Todos esses sinais fazem parte do processo de fome. Ao sentir fome, o passo esperado é que paremos e comamos algo. Quando comemos, nossos sinais de fome dão lugar aos sinais de saciedade, nosso interesse pela comida diminui (o prazer em comer diminui) e passamos a ter a sensação de que estamos satisfeitos. Neste momento, paramos de comer.
Sabe aquela sensação de que você come o tempo todo ou vive pulando refeições, ou sente que sempre come mais do que deveria ou menos do que deveria. Os sinais de fome e saciedade são perfeitamente capazes de nos guiar nesse sentido e conduzir-nos para uma alimentação mais adequada para nós mesmos. Muitos fatores dentro do contexto sociocultural que vivemos nas últimas décadas, contudo, influenciam negativamente na nossa percepção desses sinais. Somos conduzidos a negligenciá-los em prol de ideia de autocontrole, em que nossa decisão não deve se guiar a qualquer sinal interno, como se nosso corpo estivesse trabalhando contra nós, deixando-nos com fome só para comermos mais e mais "até explodirmos". É lógico que não é assim! Nosso corpo trabalha para sobrevivermos, termos saúde, é instinto! Deixar seu corpo no controle já é uma forma de autocontrole, a diferença que esta forma é eficaz.
As tantas informações impostas pela mídia e inclusive por alguns profissionais, como padrões de como, quanto, o quê e quando comer fizeram-nos desaprender a ouvir nossos sinais de fome e saciedade. Contudo, respeitá-los é respeitar as reais necessidades do seu corpo, que são específicas para você. Nem o leite materno é igual de mãe para mãe, a composição do leite condiz com as necessidades do bebê gerado! Por isso, por que sua alimentação haveria de ser boa se padronizada? A melhor alimentação para você tem a ver com sua carga biológica e cultural. O caminho para uma alimentação mais saudável, portanto, começa permitindo que seu próprio corpo trabalhe em prol de você, lhe oferecendo os sinais sobre o melhor momento de comer e de parar de comer. Sim, seu corpo dá conta de tudo isso!  
 Quer ouvir melhor seus sinais de fome e saciedade?
1. Atente-se à progressão da sua fome: perceba quanto tempo depois da última refeição você começou a apresentar aqueles sinais que comentei: pensar mais em comida, pensar quanto tempo falta para a próxima refeição, salivar mais ou ainda dor de barriga, irritação, dor de cabeça. Pode ser que seja interessante fazer uma pausa e comer algo que lhe seja interessante neste momento.
2. Enquanto estiver comendo, preste atenção no cheiro da comida, na cor da comida, pense se está gostoso, se está lhe satisfazendo, saboreie cada mordida. Deguste! Isto lhe fará estar atento quando seu corpo lhe disser “chega, já foi suficiente”.
Continuaremos conversando sobre caminhos para uma alimentação mais saudável nos próximos textos. Sugestões e dúvidas são sempre bem-vindas. 

Fernanda Sabatini 
Nutricionista

segunda-feira, 28 de março de 2016

Desperte olhares por sua beleza natural!


Fonte: Google imagens

Algumas pessoas se perguntam qual a relação entre a nutrição e a beleza. Eu respondo, com muita convicção, que têm tudo a ver uma com a outra.
Existem alimentos naturais que provocam o despertar da beleza natural. São alimentos equilibrados que, consumidos em nosso dia a dia, contribuem para a melhora na aparência, como exemplo, pele, cabelos, unhas e até mesmo conquistar o tão desejado peso ideal, logo, deixando em ênfase, a sua beleza natural. Os alimentos são fontes inatas de substâncias que abrem caminho para manutenção e criação de hábitos saudáveis.
Citarei alguns alimentos que podem dar início à sessão de beleza via alimentos in natura.
Alaranjados, amarelos e vegetais verdes escuros, como mamão, cenoura, abóboras, mangas, pêssegos, espinafre, couve, chicória, agrião e  escarola possuem o betacaroteno (o que dá a cor ao alimento), importante antioxidante, que trabalha impedindo o ataque dos radicais livres, evitando a formação de lesões em nossas células. Eles ainda podem reparar as lesões causadas pelos radicais, removendo os danos, reconstituindo as células danificadas, desta forma acontece a manutenção da saúde, pele, cabelos e unhas.
Encontrado principalmente nos tomates, o licopeno é um carotenoide que dá a cor vermelha aos alimentos, como tomate, goiaba, melancia, entre outros. Esse antioxidante, quando é absorvido pelo organismo, ajuda impedir e reparar danos às células pela ação dos radicais livres. Algumas pesquisas dizem que o tomate pode reduzir em até 50% o risco de câncer de próstata, mas o licopeno também tem possibilidades de atuar contra tumores de esôfago, pele e pulmão. O tomate também oferece potássio, vitamina A, fibras e ácido fólico. Esses nutrientes são importantes para o equilíbrio do organismo, já que ajudam na boa digestão, preservando a saúde do sistema nervoso e dos músculos, melhorando a aparência da pele e prevenindo problemas cardiovasculares.
Verdinho e de época, o  abacate é rico em glutationa, poderoso antioxidante, auxiliando na manutenção da jovialidade das células.
Considerada a fruta predileta do brasileiro, cheia de bons açúcares e sais minerais, principalmente cálcio, potássio, fósforo, ferro e vitaminas A, B1, B2 e C, a banana é um ótimo alimento para dar brilho aos cabelos, para revitalizar a pele ressecada e flácida e também evita o excesso de câimbras.
Em nosso cardápio da beleza, também podemos incluir a soja, que possui uma substância denominada isoflavona que atua diretamente na recomposição dos hormônios, sobretudo no período de menopausa, também indicada aos homens. Porém, alguns cuidados com o excesso devem ser tomados na infância, pois estudos mostram que nesta fase ela pode contribuir para o desenvolvimento de mamas.
Linhaça, um alimento da beleza, oleaginosa na qual encontramos a lignana que tem como função agir como um hormônio natural, possuindo efeito antioxidante, além de atenuar os sintomas da TPM (Tensão pré-menstrual), deixando a mulher mais bonita e autoconfiante.
Existem diversos benefícios em alimentos que nos proporcionam estética e saúde adequadas por longos anos, porém, não podemos esquecer  que todos estes efeitos benéficos são expostos de dentro para fora e, para que isso ocorra, temos de dosar alguns pontos, como quantidade, horários, qualidade e, dentro dos limites de cada um, evitar ao máximo separar a dupla perfeita: alimento e prática de atividade física, uma vez que esta combinação contribui para que os ganhos se manifestem sob todos os aspectos no organismo. Do ponto de vista músculo-esquelético, auxilia na melhora da força muscular e da flexibilidade, no fortalecimento dos ossos e das articulações, sem esquecer que praticando exercícios libera-se a endorfina, um hormônio que tem uma potente ação analgésica e que ao ser liberado estimula a sensação de bem-estar, conforto, melhor estado de humor e alegria.
Sabemos que a beleza está na forma em como nos enxergamos  e na iniciativa que tomamos. Todos temos uma beleza natural interna que quando exposta ao meio externo provoca olhares e, na maioria das vezes, não é a estética, e sim a beleza provocada pela endorfina. Lembram? A do bem estar, felicidade e autoconfiança.
SAÚDE POR DENTRO, BELEZA POR FORA.

Mayara Ribeiro Baptista
Nutricionista