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| Fonte: blogorama.com |
Você
já ouviu falar na palavra “biodisponibilidade”? Biodisponibilidade é o termo
técnico que se refere, na Ciência da Nutrição, à quantidade (proporção) do
nutriente ingerido que atingirá um determinado tecido do seu corpo e agirá
fisiologicamente neste tecido.
Muito
técnico? Sim. Mas este assunto pode ser uma ferramenta interessante para discutirmos
a (in)exatidão das informações que bombardeiam as mídias virtuais e televisivas
sobre alimentação e recomendações alimentares. Alguns profissionais chamam, há
algum tempo, este bombardeio pelo nome de Nutricionismo,
o que parece até a união das palavras Nutrição
e Terrorismo. Vejamos o exemplo
da vitamina D: você já se perguntou “mas eu tenho que comer vitamina D? Mas eu
tenho que tomar suplemento? Mas e se eu não tomar? Posso tomar sol?”?
“E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou (...)"
("José", Drummond)¹
Certamente,
a vitamina D é de extrema importância para o funcionamento correto do corpo, muito
comentada e valorizada no tratamento da Esclerose Múltipla. Não vou dizer que é
uma das vitaminas mais importantes, porque eu falaria isto de todas as
vitaminas, nosso corpo precisa de variedade nas proporções recomendadas. Contudo,
é realmente para deixar-nos de queixo caído todas as funções que a vitamina D
desempenha em nosso organismo: trabalha no sistema imune, trabalha para manter
em níveis adequados no sangue o cálcio e o fósforo, trabalha na formação e
reestruturação óssea, trabalha no tecido da pele, além de sua deficiência ser
associada por alguns estudos ao risco de desenvolvimento da esclerose múltipla,
de alguns tipos de câncer, de diabetes mellitus e de hipertensão arterial, por
exemplo.
Com
uma ficha corrida dessas, quem não se animará quando algum meio de comunicação
informa sobre as maneiras de se aumentar o consumo de vitamina D no dia a dia?
Ou mais, quem não se desesperará para aumentar logo o consumo de vitamina D? E,
geralmente, a tendência é querer aumentar este consumo a partir de suplementos,
que muitas vezes nem foram orientados por um nutricionista ou médico.
Defini,
ao início do texto, o termo biodisponibilidade. Ao pensarmos que existe um
termo para referir-se à quantidade real do nutriente ou composto alimentar que
será utilizada pelo corpo, é porque sabemos que nem tudo o que comemos será
realmente utilizado pelo nosso organismo fisiologicamente. Isto ocorre porque
há vários fatores que interferem na ação do nutriente. Alguns fatores que
influenciam nesta ação são fatores do próprio alimento; ou ainda a composição
da refeição que você come, alguns nutrientes competem com outros, assim como
alguns ajudam outros; há também influência do seu estado nutricional e do seu
estado emocional, por exemplo. Então vejam, quando tenta-se aumentar de forma
isolada o consumo de qualquer nutriente específico, desconsidera-se todos os
fatores que agem no real uso deste nutriente pelo organismo. Às vezes parece
mais prático resolver um problema com a suplementação, contudo nem sempre é o
mais eficiente. E mesmo quando é o mais eficiente, é necessário trabalhar o
restante da alimentação e do conjunto de fatores que envolvem sua saúde (psicológico,
físico, estresse etc) para que você aproveite melhor esse suplemento. Nem
sempre os ajustes nutricionais previstos para você são urgentes, e assim é
possível trabalhar com mais calma, focando na comida, em suas escolhas
alimentares, na sua rotina. Trabalhar sua saúde e suas refeições com um olhar
amplo é sempre necessário, em qualquer situação. Obtém-se, assim, um resultado
muito mais adequado.
E
agora, José?
A festa acabou?
O menino descansou.
O povo sumiu?
A menina se divertiu.
A luz apagou, A
noite esfriou?
Os amantes
fizeram Amor e
a vizinhança
dançou ao som de “O vencedor”.
Fernanda
Sabatini
Referências
1. Andrade,
Carlos Drummond. Poesias. Rio de
Janeiro: José Olympio; 1942.


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