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| Fonte: rebloggy.com |
Em meu
último post aqui no blog, escrevi um pouco sobre a importância de reconectar-se com os sinais internos de fome e saciedade. Sinais que são
intrínsecos ao ser humano e que, contudo, desaprendemos a ouvir ao longo da
nossa vida. Os sinais aos quais nos prendemos para saber quando iniciar uma refeição e
quando parar acabam sendo, na maioria das vezes, dentro da nossa cultura
ocidental, provenientes de marcos externos ao corpo: regras estabelecidas de
forma generalizada quanto ao intervalo de cada refeição, quantidade de comida
que ainda há no prato, horários pré-estabelecidos de almoço devido à carga
horária do serviço etc. Assim, o primeiro passo em um caminho de alimentação
mais saudável é atentar-se à sua sensação de fome e, enquanto come, à sua
sensação de saciedade (aquela do “já estou bem, estou satisfeito”).
Como sabemos, nosso corpo possui
diversos mecanismos fisiológicos, os quais mantém relação com o contexto
sociocultural no qual esse corpo está inserido. Assim, o biológico influencia
nosso comportamento e nosso comportamento influencia nosso biológico. Dentre os
diversos mecanismos, muito se estuda o mecanismo de fome e saciedade que se
apresenta a partir de dois principais conjuntos de circuitos fisiológicos: homeostático
e o hedônico. O primeiro, engloba processos bioquímicos em prol da ingestão e
interrupção do comer com a finalidade de supressão da demanda energética do
corpo. Para tal, há a liberação de hormônios como insulina, leptina, grelina,
glucagon, somatostatina, há a adaptação das células para entrada de glicose,
metabolismo de substratos, entre outros processos. O segundo, o comer hedônico,
por sua vez refere-se a uma ingestão de alimentos para além da necessidade de
homeostasia e reabastecimento energético, refere-se assim a um comer pelo
prazer. Este mecanismo está atrelado ao nosso sistema de recompensa.
Nosso mecanismo de fome e saciedade trabalha
de forma complexa, utilizando tanto do homeostático quanto do hedônico para que
busquemos comida na quantidade, qualidade e hora necessária. Alguns daqueles
hormônios que comentei anteriormente, como a grelina, trabalharão para que passemos
a pensar de maneira insistente em comida; para que nosso metabolismo diminua a
fim de poupar energia até que comamos algo; para que salivemos em maior
quantidade com o cheiro ou cores de alguma preparação. Todos esses sinais fazem
parte do processo de fome. Ao sentir fome, o passo esperado é que paremos e
comamos algo. Quando comemos, nossos sinais de fome dão lugar aos sinais de
saciedade, nosso interesse pela comida diminui (o prazer em comer diminui) e
passamos a ter a sensação de que estamos satisfeitos. Neste momento, paramos de
comer.
Sabe
aquela sensação de que você come o tempo todo ou vive pulando refeições, ou
sente que sempre come mais do que deveria ou menos do que deveria. Os sinais de
fome e saciedade são perfeitamente capazes de nos guiar nesse sentido e
conduzir-nos para uma alimentação mais adequada para nós mesmos. Muitos fatores
dentro do contexto sociocultural que vivemos nas últimas décadas, contudo,
influenciam negativamente na nossa percepção desses sinais. Somos conduzidos a
negligenciá-los em prol de ideia de autocontrole, em que nossa
decisão não deve se guiar a qualquer sinal interno, como se nosso corpo
estivesse trabalhando contra nós, deixando-nos com fome só para comermos mais e
mais "até explodirmos". É lógico que não é assim! Nosso corpo
trabalha para sobrevivermos, termos saúde, é instinto! Deixar seu corpo no
controle já é uma forma de autocontrole, a diferença que esta forma é eficaz.
As
tantas informações impostas pela mídia e inclusive por alguns profissionais,
como padrões de como, quanto, o quê e quando comer fizeram-nos desaprender a
ouvir nossos sinais de fome e saciedade. Contudo, respeitá-los é
respeitar as reais necessidades do seu corpo, que são específicas para você.
Nem o leite materno é igual de mãe para mãe, a composição do leite condiz com
as necessidades do bebê gerado! Por isso, por que sua alimentação haveria de
ser boa se padronizada? A melhor alimentação para você tem a ver com sua carga
biológica e cultural. O caminho para uma alimentação mais saudável, portanto,
começa permitindo que seu próprio corpo trabalhe em prol de você, lhe oferecendo
os sinais sobre o melhor momento de comer e de parar de comer. Sim, seu corpo
dá conta de tudo isso!
Quer ouvir melhor seus sinais de fome e
saciedade?
1. Atente-se à progressão da sua fome: perceba
quanto tempo depois da última refeição você começou a apresentar aqueles sinais
que comentei: pensar mais em comida, pensar quanto tempo falta para a próxima
refeição, salivar mais ou ainda dor de barriga, irritação, dor de cabeça. Pode
ser que seja interessante fazer uma pausa e comer algo que lhe seja interessante
neste momento.
2. Enquanto estiver comendo, preste atenção no
cheiro da comida, na cor da comida, pense se está gostoso, se está lhe
satisfazendo, saboreie cada mordida. Deguste! Isto lhe fará estar atento quando
seu corpo lhe disser “chega, já foi suficiente”.
Continuaremos conversando sobre
caminhos para uma alimentação mais saudável nos próximos textos. Sugestões e
dúvidas são sempre bem-vindas.
Fernanda Sabatini
Nutricionista

Muito interessante. Adorei muito útil
ResponderExcluirQue bom! Fico realmente feliz! Se tiver alguma dúvida ou sugestão, por favor envie. Abraços!
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