![]() |
Fonte: pleasureofeating.com
|
Como profissional da Nutrição, considero
gratificante a valorização do comer. A alimentação é vista cada vez mais como
ferramenta indispensável para uma vida saudável, e realmente é. Manter uma
alimentação saudável, contudo, pode ser bem mais fácil do que muitas vezes é
divulgado.
Neste post, falaremos um pouco sobre o que comemos. Quais
comidas/preparações você acredita ser saudável? Independentemente da sua
resposta, sugiro que leia o Guia Alimentar para a População Brasileira.1
Foi publicado pelo Ministério da Saúde em parceria com profissionais da área.
Atualmente, nosso Guia é referência para a formulação de Guias Alimentares de
muitos outros países e é destinado à população como um todo. A melhor forma considerada
atualmente para você saber se está comendo algo saudável é pensar no caminho
que este alimento percorreu até chegar em seu prato. Quanto mais próximo seu
alimento estiver da colheita, pesca ou abate, melhor será a qualidade deste
alimento, pois mais nutrientes, menos aditivos e mais riqueza cultural e de
sabor terá. O que você acha que está mais próximo da natureza: o peixe comprado
na feira ou o steak de frango no setor de congelados? O steak de frango, por
sinal, provavelmente tenha bem pouco frango. Entre 2002-2003 e 2008-2009, houve aumento no consumo
de produtos ultraprocessados de 20,8% para 25,4%, e isto ocorreu em todos as
classes de renda.2 Os ultraprocessados são reconhecidos como
formulações industriais, pois são feitos de substâncias extraídas de alimentos
(ex.: óleos e açúcar), derivadas de constituintes de alimentos (ex.: gorduras
hidrogenadas e amido modificado) e ainda substâncias completamente sintetizadas
em laboratório com base em matérias como petróleo e carvão (ex.: corantes), não
sendo proveniente do alimento original. O steak de frango é um exemplo de
produto ultraprocessado. O
consumo aumentado destes produtos é compreendido atualmente como grande
promotor de doenças como o câncer, diabetes e doenças cardiovasculares, além
disso sua produção é ambientalmente e culturalmente desvantajosa para a
humanidade.
Mas como nos distanciarmos dos produtos e nos
aproximarmos da comida (já que tudo parece ser vendido como a mesma coisa)? Uma
resposta bacana pode ser: Comendo mais alimentos que você preparou (descascou,
limpou, cozinhou, temperou) e menos alimentos que você desembalou. O ato de
cozinhar é carregado de história e simbolismo, percorrendo não somente o mundo
da culinária, mas certamente o mundo político e social também. O cozinhar deveria
ser uma prática mais constante em nossa cultura, pois é a partir do cozinhar
que temos a experiência de comer comida de verdade (próximas da
colheita/pesca/abate). Esta experiência é necessária para nosso desenvolvimento
biológico, social, psicológico e cognitivo, visto que proporciona-nos acesso a
diferentes e indispensáveis nutrientes, sabores, aromas e texturas, além
de acesso a novas culturas,
conhecimentos e amizades.
Cozinhar exige prioridade. Enquanto encararmos
o cozinhar como um ato secundário e dispensável, não teremos tempo ou vontade para
esta prática. Cozinhar não é uma prática da mulher, tão pouco da mãe, é uma
prática de quem cuida (de si e do outro). O cozinhar é uma prática importante,
assim como o banho e o sono. Você não precisa ter uma cozinha gourmet e
ingredientes free glúten e free lactose para
cozinhar de maneira que lhe traga saúde. Caso não possa cozinhar todos os dias,
escolha um dia da semana para esta prática, congele e coma nos outros dias, por
exemplo. Cozinhe de maneira simples, com temperos naturais e, sempre que puder,
cozinhe com sua esposa, marido, filhos, mãe, pai. Ensine para seus filhos e
filhas o passo a passo para fazer um feijão, deixe-os mexer na carne, no bolo,
picar o legumes, entender o preço dos alimentos. Em pouco tempo, você sentirá
diferenças importantes em seu convívio familiar, além de em seu sistema
imunológico, sua disposição, saciedade e sensações como fome e prazer.
Independentemente se você já cozinha, considera que odeia cozinhar ou esteja disposto a tentar, conte aqui sua experiência. Afinal, cozinhar é só uma questão de começar.
Independentemente se você já cozinha, considera que odeia cozinhar ou esteja disposto a tentar, conte aqui sua experiência. Afinal, cozinhar é só uma questão de começar.
Nutricionista
Referências
1. Brasil. Ministério da Saúde. Guia
Alimentar para a População Brasileira. 2 ed. 2014. Disponível em <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf>
2. Martins APB, Levy RB, Claro RM, Moubarac JC, Monteiro CA. Participação crescente de produtos ultraprocessados na dieta brasileira (1987-2009). Rev Saúde Pública 2013;47(4):656-65


Sobre experiências sobre cozinhar... tenho envolvido meus filhos de 10 e 4 anos na cozinha há 1 ano. Tornou-se uma diversão e um momento de carinho eles aprendem, se desenvolvem, e se nutrem de amor e bons alimentos... Que fazem os juntos.... é uma prática que super recomendo.
ResponderExcluir