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segunda-feira, 27 de março de 2017

O melão e seus surpreendentes benefícios para a saúde


Fonte: Google imagens

Você sabe qual é a melhor fruta para comer no verão? Sem dúvidas, o melão está entre elas.

Para quem não sabe, melão é uma das frutas mais hidratantes, ideal para aqueles que não gostam de beber água. Além de prevenir o câncer, doenças cardíacas, ele ajuda na digestão e até a parar de fumar.

É  muito suculento, com polpa macia e doce, tendo em sua composição cerca de 90% de água, perfeita para aqueles dias mais quentes. Com seu formato arredondado, ele é rico em vitaminas A, B, C e E e em minerais como ferro e cálcio, essenciais para uma boa saúde. Suas sementes também são uma excelente fonte de vitamina B12 e proteínas.

Melão é da família das cucurbitáceas, ou seja, ele é parente da abóbora, melancia, pepino e abobrinha. Outro detalhe interessante é a sua origem, ele foi inicialmente cultivado na Ásia e África e ainda podemos acrescentar que os melhores meses de cultivo são de abril a agosto.

No Brasil, há dois tipos de melões mais conhecidos e comercializados. São eles:
  • Melão amarelo (tipo espanhol): pode ter casca enrugada ou lisa de cor amarela. Não tem cheiro e a poupa possui um tom branco. É o mais fácil de se encontrar no mercado.
  •  Melão Cantaloupe (tipo americano): possui casca com algumas irregularidades – tipo uma rede- coloração amarelo-esverdeado e cheiro característico.



Veja os 10 benefícios do melão para saúde:

1) - Ajuda a emagrecer

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  Apesar de todo mundo saber que quase todas as frutas são amigas da balança, o melão em especial pode ter um lugar garantido na sua dieta. Um dos motivos é que ele possui poucas calorias, em 100g há 34 kcal, o outro motivo é que é relativamente pobre em gorduras prejudiciais. Além disso, ele é cheio de nutrientes e vitaminas que fazem muito bem à saúde e nos dá uma saciedade maior.


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2)- Elimina toxinas

 O ácido fólico do melão provoca uma ação diurética, ou seja, ajuda a eliminar toxinas e líquidos que ficam acumulados em nosso corpo por meio da urina.



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3) - Melhora a visão

O melão é rico em vitamina A, responsável por proteger as células das ações dos radicais livres e que retarda a degeneração macular e outros males relacionados à idade, além de fazer manutenção na retina (responsável por transformar luz em impulsos elétricos), oferecendo-lhe proteção.

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4)- Diminui os sintomas da TPM e menopausa

Para as mulheres, essa fruta é ainda mais benéfica já que auxilia na regulação do período menstrual, pois age como um anticoagulante e melhora a circulação. Então, coma um pedaço de melão antes, durante e depois da menstruação.


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5)- Previne o câncer

A presença de antioxidantes como Luteína, Beta-caroteno, Criptoxantina e Zeaxantina combatem células defeituosas que se transformam em tumores.



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6)- Prevenção da insônia

O melão tem efeitos calmantes, deixando os músculos e nervos relaxados ideal para uma boa noite de sono. Ainda, por ter grandes quantidades de água e fibra, evita que levantemos a noite para comer ou beber água, proporcionando boas horas de sono com qualidade.


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7)- Diminui a pressão arterial

Quantidades significativas de potássio ajudam a equilibrar fluídos das células e a manter a pressão arterial estável. Isso, por sua vez, previne ataques cardíacos e AVC.



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8)- Ajuda na hidratação 

Com seu alto teor de água e eletrólitos, melão é um grande aliado para quem deseja evitar a desidratação durante o verão.




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9)- Aumenta a imunidade do organismo

A vitamina C e o magnésio (presentes no melão) quando consumidos de maneira correta aumenta a imunidade. Isso se deve à barreira ou resistência que se cria contra infecções virais, infecções bacterianas e células prejudiciais ao corpo. 



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10)- 10- Ajuda a eliminar pedras nos rins

Sua grande porcentagem de nutrientes ajuda na cura de pedra nos rins e por conter bastante água ajuda na prevenção dessa doença já que os rins ficam sempre limpos.



Como comprar no mercado?

Vale lembrar que os melhores alimentos para o consumo são os de origem orgânica, já que são livres de agrotóxicos. Mas temos algumas dicas para a hora da compra: observe a casca, procure por aranhões, cortes ou lesões, pois a bactéria podem se alojar em uma fissura. Veja o brilho e sinta se ele está firme e pesado. Analise se a cor está bem viva. Balance o melão e veja se as sementes estão soltas.Para melhor conservação, guarde em um local fresco ou na geladeira. Para saber se está maduro sinta se a polpa está meio mole.

Como consumir?

Antes de comer lave em água abundante, da forma correta. A maneira mais comum de consumo é ao natural, porém pode ser ingerido em saladas de frutas e sucos. Para o suco é necessário uma xícara de polpa de melão e 250 ml de água, bata todos os ingredientes no liquidificador, não precisa ser adoçado, sirva gelado.

Só não exagere no consumo do melão, pois pode causar diarreia.

Dubles Sousa
Auxiliar de enfermagem

Fontes:

http://www.rediff.com/getahead/report/health-15-benefits-of-eating-musk-melon/20150316.htm

http://www.nutrition-and-you.com/cantaloupe.html







Nascido em Formoso Do Araguaia, TO, 35 anos, Auxiliar de Enfermagem, aspirante a escritor, solteiro, diagnosticado com Esclerose Múltipla em janeiro de 2015, membro da ABCEM.








quinta-feira, 15 de setembro de 2016

E Meu filho?


Fonte: Google imagens

"Meu filho tem Esclerose Múltipla, ele não quer comer, não sei se é por causa da doença ou pela idade. Mas ele está emagrecendo, o médico disse que ele precisa comer, o que eu faço?".

Você já pensou algo assim?

O perfil Epidemiológico da Esclerose Múltipla apresenta a maior prevalência do diagnóstico em mulheres, caucasianas e na faixa etária de 20 a 40 anos de idade, sendo raro o aparecimento da doença na infância.  Contudo, quando falamos em comprometimentos na saúde, para nós profissionais da área , cada caso, mesmo que raro, é de suma importância de ser  estudado, compreendido e trabalhado.  O estudo de Fragoso et al. aponta para uma prevalência de crianças com EM no Brasil estimada em até 3000 indivíduos.  Há poucos estudos sobre a terapêutica pediátrica no diagnóstico da EM, sendo que o que basicamente temos hoje em dia é uma conduta semelhante ao tratamento em adultos.

Os sintomas da doença que levam ao diagnóstico por vezes se difere um pouco em relação aos sintomas dos adultos. Porém, os sintomas no decorrer da doença passam a ser muito parecidos com os encontrados em pessoas de faixas etárias maiores. Além disto, sintomas como aumento de peso e perda de apetite em decorrência do tratamento medicamentoso e dos efeitos psíquicos da doença também são encontrados em crianças.  O estresse do convívio com os sintomas e surtos é de difícil aceitação para muitos pequenos, porém muitas mães, pais e familiares responsáveis relatam que a EM tornou-se um motivo de fortalecimento emocional para suas crianças, tornando-as mais maduras, conhecedoras das suas potencialidades, assim como de seus momentos de limitações, os quais devem ser respeitados.

Quando se trata da Alimentação, a fala apresentada inicialmente neste texto surge com frequência. E, sim, a falta de apetite e a perda de peso são tanto da doença como da idade, contudo em ambas as situações, o cuidado é necessário. Quando falamos de crianças, temos uma regrinha importante a seguir: os responsáveis pela criança decidem o momento de se sentar à mesa para comer e o que será servido, porém é a criança quem decide o quanto comerá! Esta regrinha vira a loucura de qualquer mãe e pai. "Mas se eu deixar, ele não come nada!". Não, não será assim. Sabe por quê? Porque nosso corpo tem um instinto natural de sobrevivência. Se a criança não quer comer, algum motivo tem. Todos eles são muito individuais e somente devem ser trabalhados com a ajuda de um nutricionista. Vamos a alguns motivos que levam a criança a não ter fome no momento das refeições em família. Existem vários e para cada um, uma conduta diferente, mas vejamos dois:

1. A criança sente fome só em momentos não planejados. Pode ser que a criança tenha comido ou beliscado próximo à refeição principal. Às vezes, a criança não estava com tanta fome no café da manhã, por exemplo, ou comeu correndo, não prestando atenção, fazendo outras atividades junto,como comer em pé, caminhando pela casa. E, por isto, não ficou plenamente satisfeita com a refeição. Depois de algumas horas, esta criança pode apresentar fome, porém em um horário em que a comida ainda não está pronta. O que acontece? Geralmente essa criança vai comer alguma "besteirinha" só pra não ficar com fome. Esta "besteirinha" pode  diminuir o apetite para a próxima refeição que é quando será oferecido alimentos de verdade, comida, necessários para o fortalecimento da saúde da criança. Sendo assim, o truque aqui é sempre exigir, de forma amorosa, que a criança coma sentada na mesa, sem TV, computador, celular, jogos que desviem a atenção dela do alimento. É importante esta criança ter uma rotina mais ou menos estabelecida de horários, que acompanhe a família, sem ofertas de alimentos açucarados ou gordurosos  em horários próximos às  principais refeições.  Caso a criança não sinta fome nesta refeição, ela poderá aguardar a próxima, porém sem a oferta constante de alimentos nos intervalos. Outras condutas podem ser realizadas, mas sempre com o auxílio do Nutricionista.

Fonte: Google imagens

2A criança nunca apresenta apetite. O pequeno mostra um constante desinteresse pela comida?  Pode ser que esta criança esteja psicologicamente confusa e angustiada pela situação da EM. É de extrema importância o acompanhamento com profissionais psicólogos, tanto pela criança, quanto pela família. Além disso, a medicação também pode desempenhar o papel de inibidor de apetite. Conversar com seu o médico e nutricionista sobre a medicação é importante. No que tange a alimentação, a oferta de preparações que a criança goste ou peça pode ajudar bastante, porém cuidado para não oferecer somente o que a criança gosta sem atentar-se ao que ela precisa. É possível ofertar o que ela precisa e gosta em um mesmo alimento. Preparações coloridas, cheirosas e com gosto que lhe agrade é indispensável. E isto consegue-se com o uso de ervas naturais, por exemplo! É possível ofertar qualquer alimento de forma prazerosa.  Durante as refeições, é bom tentar não iniciar discussões, sobretudo entre os pais. É um momento ideal para confraternização, de saber como o foi o dia da criança, de saber se algo aconteceu e a incomodou, assim como se algo aconteceu e a deixou feliz. Pense na possibilidade de deixar broncas e cobranças para outros momentos que não o da comida, pode ajudar bastante!

Algumas crianças, em momentos de angústia pode também apresentar um apetite aumentado, gerando um comer descompensado. Isto também deve ser conversado. É sempre necessário entender o que está gerando essa forma de se alimentar. A compreensão é um processo, que exige paciência e atenção.  Não pense que o que está vivenciando não tem solução. Tem sim. Certamente é muito difícil para você, mas cerque-se de pessoas e profissionais que possam lhe ajudar. Existem outras mães e pais que também estão vivenciando a EM e saber o que eles sentem pode lhe ajudar a encontrar conforto.

Deixo abaixo uma receita de hambúrguer caseiro para caso queira fazer um lanche especial!


Fonte:gnt.com/CarolinaFerraz 

Ingredientes

720 g de fraldinha moída ou patinho
2 colheres (sopa) de água 
2 colheres (sopa) de azeite
4 fatias de queijo da sua preferência

alface a gosto
tomate a gosto
4 pães de hambúrguer
2 col. de chá de sal
pimenta-do-reino moída na hora a gosto (opcional)

ervas como coentro, manjericão, salsinha, orégano e outras a gosto.

Modo de Preparo

1. Corte os pães ao meio, transfira para 4 pratos e reserve. Se preferir, leve ao forno baixinho para aquecer.

2. Em uma tigela, coloque a carne, a água, o azeite e misture rapidamente com as mãos. Divida em 4 bolas (180 g cada) e achate, formando o hambúrguer. Lembre-se de que ele encolhe ao cozinhar, por isso, deve ficar um pouco maior que o diâmetro do pão. 

3. Com o polegar, faça uma marca bem no meio da carne - quando ela cozinha, dá uma inflada. Se não for cozinhar na hora, leve para a geladeira, a carne deve estar bem fria.

4.  Tempere com sal e as ervas um lado dos hambúrgueres somente agora. DICA: O sal não é colocado antes de fazer as bolinhas , senão fica emborrachado o hambúrguer.  Vire e tempere o outro lado. Se quiser, tempere com pimenta-do-reino moída na hora. 

5. Leve ao fogo alto em uma frigideira antiaderente. Caso não tenha uma grande, use duas frigideiras ou faça em etapas, retirando os dois primeiros hambúrgueres 2 minutos antes do tempo e transferindo para o forno, sobre o pão. Assim eles terminam de cozinhar enquanto você prepara os outros dois.

6. Quando a frigideira estiver pelando, transfira a carne e tampe. Deixe dourar por 1 minuto e vire. No último minuto, coloque o queijo prato e regue com uma colherinha de água no meio da frigideira para deixar o queijo puxa-puxa. Tampe novamente. 

7. Atenção: nem pense em apertar o hambúrguer contra a frigideira enquanto ele estiver grelhando! Fica duro e seco. 

8. Com uma espátula, coloque os hambúrgueres nos pães com o alface e o tomate e sirva a seguir. Deixe a carne descansar por um minutinho antes de comer - ela fica mais saborosa, pois os líquidos internos se acomodam.


(Receita adaptada de panelinha.ig.com.br)


Fernanda Sabatini
Nutricionista


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Comer como?


Fonte: Fonte: https://twitter.com/ijustwanttoeat

Diversos estudos apontam para a importância da alimentação na manutenção da saúde da pessoa com Esclerose Múltipla (EM). As recomendações para se ter uma alimentação adequada na EM não deve assumir restrições drásticas. Restrições na alimentação ocorrerão, quando necessário, pensando na atenuação de sintomas específicos. Por exemplo, se você desenvolveu a disfagia como comprometimento secundário à EM, algumas mudanças - como as consistências das comidas - deverão ser pensadas para a segurança e conforto da sua deglutição e digestão. Se você está desenvolvendo ganho ou perda de peso como consequência da EM, sua alimentação será pensada para o reequilíbrio do seu peso corporal. E assim por diante, pensando em cada sintoma específico que varia de pessoa para pessoa.

Para além dos sintomas, a melhor alimentação para a pessoa com EM segue os mesmos padrões que para um indivíduo sem EM. A pessoa com esclerose sentirá as consequências de uma alimentação equilibrada na melhora na qualidade de vida: nos sintomas, na locomoção, na força muscular, na disposição diária, no humor. Mas como é essa forma de comer melhor????

  • A primeira característica dessa melhor forma de comer, comentei no primeiro parágrafo: restrições só se forem pensadas com seu nutricionista, focadas em algum sintoma específico. Para a pessoa com EM comer bem, não é obrigatório ficar sem comer doce ou sem tomar leite ou sem comer carne.
  • Coma mais alimentos in natura! Você já teve acesso ao novo Guia Alimentar para a População Brasileira? É um guia elaborado pelo Ministério da Saúde, em conjunto com profissionais da área da saúde, sobre como manter uma alimentação saudável. Um dos principais pilares deste guia é o caminho que a comida faz até chegar ao seu prato. Sabendo de onde vem a sua comida, você pode saber se é o melhor pra você ou não. Quanto mais próxima a sua comida está da terra, do cultivo, do plantio, da pesca, do pasto, melhor é a qualidade desta comida. Isso porque mais íntegra ela estará: arroz, feijão, verduras, legumes, frutas, peixes frescos, sementes, castanhas. A feira é uma grande aliada para termos esses alimentos. Tá na feira, provavelmente é alimento fresco, in natura. E se é alimento fresco, mais vitamina A tem, mais ômega 3 tem, mais vitamina D tem, mais vitamina C tem, mais vitamina do complexo B tem!! E os nutrientes vindos da comida são melhores aproveitados pelo nosso corpo do que os provenientes de cápsulas e outros suplementos. Os suplementos podem ser aliados e às vezes necessários em diversos casos na EM, porém não substituem e não são melhores do que a comida em si. Além disso, se você consegue aumentar o consumo dos alimentos in natura e minimamente processados, você tem mais chance de preparar seu próprio alimento, o que lhe faz ter mais controle sobre os temperos usados, a quantidade de gordura usada e ainda de realizar uma refeição condizente com suas tradições culturais e regionais. Seu corpo funcionará melhor! 

Fonte:http://gravurando.blogspot.com.br/p/watercolor.html
  • Coma colorido! Se você sempre come os mesmos alimentos, você sempre oferecerá ao seu corpo os mesmos sabores, os mesmos nutrientes e as mesmas sensações. Sempre que possível, tente experimentar algo novo.
    Fonte:
    itscute.com.br/2015/06/18/comer-o-prazer-da-vida/
  • Coma com prazer! O que é comer com prazer pra você? O que era comer com prazer para sua avó? Acredito que sua avó diria coisas como: "comer do pomar que minha mãe cuidava"; "comer com a família toda na mesa". Eu também acredito que, para você, comer com prazer não se resuma somente a fast food e inclua comer tendo tempo para apreciar o sabor da comida, comer uma comida feita por você ou por alguém que você gosta, comer uma comida que o tempero foi cultivado por você; comer quando você está com fome; comer um lanche de hambúrguer caseiro com seu filho. Há muitas formas de comer, mas todas devem incluir prazer! Viva seu prato!

Ao se comunicar, muitos profissionais acabam passando informações mecânicas sobre como comer bem: coma mais vitamina D, vitamina A, vitamina do complexo B, coma menos gordura saturada. Essa forma técnica de olhar para o comer está atrapalhando mais do que ajudando na saúde da população. Vamos tentar olhar para a comida de forma mais leve, mais tranquila e descontraída? Vamos curtir mais nossas refeições? Comer bem é comer colorido, comer o que for fresco, comer gostando do que você tá comendo, respeitando sua fome, seu desejo e sua saciedade. Isso certamente é saúde!


Fernanda Sabatini
Nutricionista


terça-feira, 24 de maio de 2016

Xô constipação!


Fonte: Google imagens

A constipação intestinal, mais conhecida como "prisão de ventre", assim como a fadiga é um dos sintomas comuns na Esclerose Múltipla.
Ela é agravada pela falta de atividade física, além do estresse, irregularidades nos horários das refeições, falta de atendimento ao reflexo da evacuação, uso abusivo de laxantes, diminuição na ingestão de líquidos (água) e dieta pobre em fibras.
Mais da metade dos pacientes com EM se queixa de obstipação. A fisiopatologia deste sintoma ainda não está bem estabelecida. As lesões no SNC – Sistema Nervoso Central- podem ser responsáveis por alguns dos casos, mas a disfunção autonômica também tem sido apontada como causa. A anormalidade da atividade colônica, o trânsito intestinal lento, bem como a dificuldade defecatória e a ausência de relaxamento dos músculos do assoalho pélvico, também podem ser responsáveis pela constipação. Além disso, as medicações usadas em pacientes com esclerose múltipla, como antidepressivos e relaxantes musculares causam, muitas vezes, obstipação.
As fibras exercem papel importantíssimo para favorecer o fluxo intestinal, porém o seu uso deve ser moderado, pois quando existe o abuso de farelos, sem o acompanhamento de ingestão de líquidos (pensamento sempre voltado à água) adequados, diariamente, pode gerar problemas maiores e mais graves que a constipação. Expondo melhor, a fibra é benéfica quando em dupla com sua parceira inseparável, a água, pois as duas juntas realizam maravilhas no intestino, colaborando para um fluxo melhor.
Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde, a recomendação é de 25 g de fibras alimentares ao dia para adultos e acrescenta que, se a alimentação contiver quantidades adequadas de cereais, tubérculos, raízes, frutas, hortaliças, leguminosas, essa quantidade de fibras será atingida. Inclusive o consumo de fibras é reconhecido como necessário pela legislação brasileira, que tornou obrigatória a informação nutricional de sua quantidade nos rótulos de alimentos industrializados, mesmo depois das diversas alterações das resoluções.
Mas o que são fibras solúveis e Insolúveis, Mayara?
Vamos lá... As solúveis contém uma propriedade que se mistura à água, formando um tipo de gel em nosso estômago, ajudando a regular os níveis de colesterol e açúcar no sangue e, também, no controle e na prevenção de doenças como a diabetes tipo 2 e problemas cardíacos.
Já, as insolúveis, propiciam o aumento do bolo fecal, estimulam o bom funcionamento do intestino e previnem a constipação intestinal. Elas ajudam na prevenção de algumas doenças como a constipação e o câncer colorretal.
Pensando em vocês, irei passar uma receitinha caseira e super fácil para contribuir no consumo de fibras insolúveis e solúveis em nosso café da manhã:

Bolo de banana com aveia
250 g de aveia fina (1 caixinha)
1 colher (sopa) fermento
3 ovos
1/2 xícara de óleo
4 bananas maduras
1 1/2 xícaras de açúcar mascavo
canela para polvilhar

Bom Apetite amigos da ABCEM!  *_*

Espero que tenham gostado da dica. Para maiores esclarecimentos, por favor, enviem seus comentários aqui no post.

Mayara Ribeiro Baptista
Nutricionista - CRN 44270/P

terça-feira, 17 de maio de 2016

Reconectar-se


Fonte: Google imagens

Entre os cuidados com a Esclerose Múltipla, está o de se evitar o desenvolvimento de comprometimentos paralelos, a fim de que não se somem desestabilizadores da qualidade de vida. A prática de uma alimentação adequada é reconhecidamente uma conduta auxiliadora neste processo de cuidado. Porém, como manter uma alimentação que lhe seja adequada todos os dias? E a esta pergunta acrescento: você deve comer todos os dias de forma padronizada em horários e quantidade? Reflitamos sobre isto.

Somos bombardeados diariamente com informações sobre o quê comer e quando comer. Certamente já lhe pediram para comer de três em três horas, para sair da mesa sempre com fome, para não jantar de jeito nenhum, entre outras informações que na verdade em nada ajudam, pelo contrário atrapalham. Quando o assunto é comida, nosso organismo possui mecanismos fundamentais para captura e ingestão. Entre estes mecanismos está a fome e a saciedade. Na amamentação, uma das principais recomendações para oferta do leite é a livre demanda, porque é seguro e saudável respeitar o instinto de fome e saciedade da criança a fim de nutri-la. Este instinto, porém, é intrínseco a qualquer indivíduo. Todos nós temos a capacidade de perceber em que momento devemos começar a comer, em que momento devemos parar de comer e o quanto realmente precisamos comer. Retomando a nossa segunda pergunta introdutória, podemos perceber que na verdade é normal não comermos de forma padronizada todos os dias.  A sua fome no almoço de hoje pode não ser a mesma do que no seu almoço de amanhã. É completamente saudável moldar a quantidade que você come a partir do grau de fome e saciedade, apesar de ser necessário compreender os motivos que alteram seu apetite.

Sobretudo com o atual bombardeio das "dietas", acontece cada vez mais a nossa desconexão com os nossos próprios sinais internos de fome e saciedade, deixando nossa alimentação à mercê de fatores externos, como o já citado comer de três em três horas, mesmo você não estando com fome; ou a culpa em sair da mesa sem fome, por exemplo.

E quais as implicações negativas disso? Certamente muitas. Tente controlar sua respiração, agora. Provavelmente o ritmo da sua respiração alterará um pouco. Imagine-se tentando controlar os momentos que você inspira e expira a todo momento. Você acha que seria uma respiração confortável? O mesmo é com a alimentação. Ao tentarmos normatizar demais o que e quando comemos é que perdemos o controle da nossa alimentação. Comer é algo natural, intrínseco a nós. A tarefa de reconectar-se, ouvir e respeitar seu corpo deve ser trabalhada por você e pelo profissional em saúde que lhe acompanha. Adequar a forma como comemos para nos favorecer é possível e pertinente, porém esta adequação deve ser condizente com suas próprias demandas. Respondendo à nossa primeira pergunta introdutória, ouvir e respeitar seu corpo é uma tarefa necessária para conhecer um pouco justamente destas demanda, - sociais, culturais, psicológicas, físicas - e assim manter uma alimentação o mais adequada possível para você a cada dia. Suas demandas mudam e, assim, sua alimentação também. 

Para agora, sugiro pensar: como foi seu apetite hoje?

Fernanda Sabatini
Nutricionista

quinta-feira, 24 de março de 2016

O prazer em comer


Obra de Josefa de Ayala Figueira, 1676.

Para iniciar com minha colaboração no blog, escrevo sobre a importância de respeitarmos a complexidade da nossa alimentação.  Há várias pesquisas em andamento sobre nutrientes e tipos de alimentações que podem otimizar a saúde da pessoa com Esclerose Múltipla.  Mas a verdade é que estas escolhas devem sempre se guiar pelo quadro de sintomas da Esclerose para você naquele momento específico e, mais do que isto, as escolhas alimentares devem sim ser condizentes com o que é prazeroso para você.
Alimento tem uma definição técnica de tudo aquilo que serve como um reservatório de nutrientes; a ANVISA¹ define assim: "Alimento: toda substância ou mistura de substâncias, no estado sólido, líquido, pastoso ou qualquer outra forma adequada, destinadas a fornecer ao organismo humano os elementos normais à sua formação, manutenção e desenvolvimento". Contudo, existe uma diferença muito importante entre o que é alimento e o que é comida. Vocês já pensaram nisto? A comida tem uma definição bem mais ampla, que envolve escolhas. Para ser comida, o alimento tem que ter sido aceito por uma determinada cultura como bom e comível. Toda comida provavelmente é um alimento, mas nem todo alimento será comida. Confuso? Valorizar esta diferença é valorizar o direito de todos a realizarem escolhas alimentares a partir de suas identidades socioculturais. Falar em comida é também falar em comer com prazer. Em muitos casos, a pessoa com Esclerose Múltipla busca uma alimentação racionalizada apenas ao fisiológico, o que é reforçado por muitos meios de comunicação. Reduzir a alimentação apenas ao fisiológico pode ser um erro.
Nossas escolhas devem ser contextualizadas. Contextualizar com o quê? Com nossas demandas fisiológicas, sim, mas também com nossas memórias alimentares, com nossas sensações de fome e de saciedade, com nossas vontades. E o resultado disto?? Maior capacidade de realizar escolhas de maneira autônoma (a relação profissional-paciente não se torna dependente), de maneira consciente, além de uma relação com a comida em que o prazer está mais presente. Quando comemos com prazer, a comida tem a capacidade de nos gerar bem-estar, saúde mental e física. A terapêutica pode ser de maior sucesso e a saúde da pessoa com Esclerose Múltipla pode ser bem mais otimizada.
Proponho um exercício para você. Ao longo da semana, observe e reflita sobre o quão prazerosas são as suas refeições e o que as fazem prazerosas ou o que as fariam mais prazerosas. Se houver alguém que queira enviar as reflexões, irei gostar muito de ler. Próximas postagens minhas podem inclusive trazer elementos das reflexões.
Obrigada por permitirem que eu colabore, mesmo que só um pouquinho, com a ABCEM.

Fernanda Sabatini
Nutricionista - Mestranda em Nutrição em Saúde Pública 


Fontes: ¹ Agência de Vigilância Sanitária: Decreto-lei nº 986, de 21 de outubro de 1969
             Imagem: discoverbaroqueart.org