O nervo óptico é um nervo sensitivo, localizado na
parte posterior do globo ocular, nasce das células da retina, formando um
conglomerado de fibras nervosas responsável por captar as informações
provenientes dos receptores da retina ( cones e bastonetes) que
estimulado pela luz do meio ambiente as transporta para o sistema nervoso, lobo
occipital. Este por sua vez processa estas informações, assim o indivíduo
enxerga e interpreta forma, cor, tonalidade, brilho, noções de distância e
espaço.
Neurite óptica é a
inflamação do nervo óptico. Esta inflamação gera uma desmielinização, impedindo
a transmissão, de modo correto, da informação pelo nervo.
A etiologia da neurite óptica nem sempre é
encontrada, sendo denominada, neste caso, idiopática. Outras causas englobam a esclerose múltipla,
infecções virais (como a varicela, caxumba, herpes, entre outras) e outras afecções inflamatórias
(como a sífilis, tuberculose e sarcoidose).
Quando aparece isoladamente é denominada
síndrome clínica isolada e como veremos mais a frente pode se converter para
esclerose múltipla.
Pode aparecer como sintoma inicial da esclerose
múltipla em 15 a 20% dos casos e 40 a
50% dos pacientes que já a possuem desenvolvem neurite em algum ponto do curso da
doença.
Epidemiologicamente, o indivíduo mais propenso é:
mulher, caucasiana ( branca), entre 20-55 anos.
A grande maioria dos indivíduos apresentam como
queixa inicial dor ao movimento ocular, perda visual que agrava-se com o
decorrer dos dias, podendo ser parcial ou total. Habitualmente acomete um único
olho, o campo visual pode ser acometido de várias formas, desde um borrão na
visão central, até perda de partes de campos visuais, isto correlacionado à região do acometimento da via óptica.
Alteração de percepção de cores (discromatopsia), tom, brilho, também ocorrem. Agravamento da visão com calor e
exercício são comuns.
O
prognóstico costumeiramente é benigno, sendo que 50% dos acometidos evoluem
para recuperação plena da visão e apenas 10% ficarão com alterações
significativas.
Ter sido acometido por neurite óptica não é
sinônimo de esclerose múltipla, mas alguns cuidados devem ser tomados.
Primeiro passo é firmar diagnóstico meticuloso.
Uma anamnese direcionada, exame físico adequado e a realização de exames
subsidiários se fazem importantes para diagnóstico diferencial, prognóstico
evolutivo quanto déficit visual e risco de conversão para esclerose múltipla.
O maior risco de conversão para esclerose
múltipla, em um indivíduo que apresentou evento de neurite óptica, são: liquor
com presença de bandas oligoclonais, ressonância nuclear magnética demonstrando
lesões assintomáticas. Nestes 50-60% convertem em 10 anos, já com liquor e
ressonância normal este índice cai para 20%.
O que é importante e como proceder nestes
casos?
O diagnóstico quanto mais precoce melhor, visto
que sabe-se que quanto antes tratar e modificar a história evolutiva natural da
doença, minimizam-se atividade inflamatória, quantidade e gravidade de surtos e com
isto acúmulo de lesões no sistema nervoso central e de incapacitações futuras.
Em síntese, estas pessoas precisam e devem ser
alertadas sobre os seus riscos e monitoradas periodicamente.
Na presença de dor em um único olho, alteração
na percepção visual de qualquer gravidade não hesitem, busquem aconselhamento
médico imediato. Nos indivíduos que já apresentam diagnóstico de esclerose
múltipla, este é um surto.
Liliana Russo
Neurologista



Muito bom :)
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