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| Fonte: http://www.msif.org/about-us/advocacy/world-ms-day/ |
Fatores
ambientais podem estar desempenhando um papel muito maior no início da
esclerose múltipla (EM) do que se pensava anteriormente, de acordo com as
primeiras pesquisas
lideradas pela Queen Mary University of
London.
A
teoria é baseada em novas descobertas que mostram que os negros e os
sul-asiáticos, no leste de Londres, têm uma prevalência muito maior de EM, em comparação com os grupos de seus
países ancestrais, indicando uma forte influência ambiental sobre a doença que
pode aumentar as taxas de EM em Londres.
A
esclerose múltipla é uma doença neurodegenerativa do sistema nervoso central e
a causa não traumática crônica mais comum de incapacidade em adultos jovens. A
causa para o aparecimento da EM é desconhecida, embora as evidências sugiram
que há vários fatores que contribuam para o aparecimento da doença, tanto
genéticos, quanto ambientais.
Estudos
sugerem que a etnia pode ser um fator de risco, com taxas de incidência e
prevalência geralmente mais elevadas em populações brancas do que em outros
grupos étnicos. Os fatores ambientais parecem incluir infecções virais e
deficiência de vitamina D.
Os
pesquisadores descobriram que as pessoas de origem asiática e africana, em
Londres, são muito mais propensas a ter EM do que pessoas da mesma etnia que
vivem em seus países ancestrais. Os resultados iniciais sugerem que fatores
ambientais desempenham um papel fundamental no risco de desenvolvimento de EM,
enquanto o pano de fundo genético individual pode ser de menor importância.
O
estudo, publicado no Multiple Sclerosis Journal, usou registros eletrônicos de 907.151 pacientes do leste de Londres, 776 tinham o diagnóstico
de EM. A prevalência global de EM, no leste de Londres, foi de 111 por 100.000
(152 para as mulheres e 70 para homens). A prevalência por 100.000 foi de 180
para a população branca, 74 para os negros e 29 para os sul-asiáticos.
A
EM parece ser mais prevalente entre negros e sul-asiáticos que vivem em Londres
em comparação com aqueles grupos que vivem em seu território ancestral. Mesmo
maior que a prevalência relatada em qualquer país da África sub-saariana, 0,24
/ 100.000, como em Gana, é uma pequena fração da prevalência da EM em pessoas
negras no leste de Londres (74 / 100.000). A prevalência da EM nas pessoas que
vivem na Índia (7 / 100.000) e no Paquistão (5 / 100.000) também foi muito
menor do que para os sul-asiáticos que vivem no leste de Londres (29 /
100.000).
Embora
as diferenças de prevalência possam ser explicadas pelo menor número de
diagnósticos de EM que ocorrem em países menos dotados de recursos, ainda assim
elas não explicam a diferença na
prevalência entre esses territórios. Os pesquisadores dizem que uma explicação
seria o aumento da exposição, no Reino Unido, aos agentes ambientais ou
comportamentos que facilitam o desenvolvimento de EM. Estudos de acompanhamento
estão planejados pela equipe para investigar esses achados.
Se
podemos definir claramente o conjunto de fatores de risco e sua relevância
proporcional, poderemos adotar medidas para alterar ou remover esses fatores –
assim, potencialmente, diminuindo a prevalência da EM, que é o objetivo final
da pesquisa em todo o mundo.
Dr. Wiilian Rezende do Carmo
Neurologista
Willian
Rezende do Carmo (CRM-SP 160.140) é neurologista, com especialização em Dor,
pela USP. Para saber mais sobre a esclerose múltipla, acesse nossa playlist de
vídeos sobre o tema: https://www.youtube.com/playlist?list=PLLJYTEvgFMH-z6p7SooZxQVZzmPHSezy3

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