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Fonte: Google imagens |
“Só sei
Que o corpo estremece,
As pernas desobedecem.
Inconscientemente a gente dança,
As mãozinhas então embalançam.
Quando passa eu vou atrás...”
Que o corpo estremece,
As pernas desobedecem.
Inconscientemente a gente dança,
As mãozinhas então embalançam.
Quando passa eu vou atrás...”
O tema do texto de hoje me
atropelou como um trator no meio da tarde de ontem, porque na verdade, outros
diversos assuntos estavam pairando na minha cabeça para integrar o blog nessa
quinta-feira. Pois bem, vamos lá...
No meio da
tarde do dia 01/06/2016, as minhas pernas, que andam ruins desde o meio de
2015, resolveram dar sinal de vida, OU
MELHOR, NO MEU CASO, SINAL DE AUSÊNCIA! Às vezes, queimam, ora, pesam, por
momentos, gelam, quiçá, ficam leves, raramente DOEM ou, SIMPLESMENTE, SOMEM! Meu objetivo aqui, não é definir categorias
como: isso é dormência, aquilo é paralisia, outra coisa é paresia (deixo isso
para os nossos blogueiros médicos, pois eles sabem muito melhor o significado
de cada uma dessas palavras)! Pelo contrário, o foco é mostrar como me sinto (COM MINHAS PERNAS ESTRANHAS E
DESOBEDIENTES) e como tento lidar com isso a cada segundo, porque A ESCOLA DA VIDA TAMBÉM ENSINA E A
ESCLEROSE MÚLTIPLA É UMA EXCELENTE PROFESSORA PARA QUEM SE ABRE AO APRENDIZADO!
Dizem que o primeiro passo é um dos mais importantes, então, como lidar
com o medo de cair ao tentar caminhar? Ninguém que não seja um neném, um
idoso debilitado ou um paciente, como nós, É
CAPAZ DE ENTENDER! Mas, às vezes, um olhar de fora pode nos auxiliar! Minha
irmã Paula sempre diz: VAI! E SE DER
MEDO, VAI COM MEDO MESMO! Pode parecer cruel e sem empatia, mas, vindo
dela, entendo como algo prático e pragmático, porque afinal, que opções eu
tenho? 1) Chorar sem parar, enquanto
fico parada em casa; 2) Rezar, chorando sem parar, enquanto fico parada em casa
ou 3) SEGUIR EM FRENTE, ANDANDO COM A MINHA FÉ (que poucos entendem) DO MEU
“JEITINHO” E CHORANDO MUITAS VEZES, MAS EM MOVIMENTO!
Pensem comigo, amigos esclerosados:
se não tentarmos andar por medo de cair, nem ao menos saberemos se iremos ou
não sofrer a queda. É preciso tentar, dando ao nosso sistema nervoso
problemático, o benefício da dúvida. Se acontecer a queda, levanta-se a cabeça,
ergue-se a coluna, respira-se para encher o coração de paz, aguarda-se por ajuda,
e numa próxima vez, usufruí-se de apoios diversos!! Até hoje NUNCA usei apoio,
mas não me negarei a usá-los quando/se a primeira queda ocorrer e a
necessidade for óbvia! E sabem por que? Porque
isso é parte da aceitação da doença, de fato! Se eu me mantenho em casa com
medo, deixo de ser eu mesma, em vez de tentar ser a melhor versão do meu novo
eu, AINDA QUE “SEM PERNAS”!
Na última sexta-feira, por
coincidência do destino (ou não), nosso passarinho sofreu um acidente doméstico
e perdeu a perna direita INTEIRA! Logicamente,
sentiu dor e ficou acanhado por alguns dias, até que agora, APENAS 1 SEMANA DEPOIS, JÁ SE PENDURA
(PERNETA) NO PULEIRO COM MAESTRIA e nem quer saber de deixar esse mundo!!
Ahhh, Liane, mas como bióloga, você deveria saber que os seres vivos são
diferentes! De fato, há fundamento nisso! A irracionalidade dos demais seres
confere a eles certa ausência de MEDO DA
MORTE! O passarinho seguirá a vida, por instinto, com o mesmo ÍMPETO, ainda que
com desafios, com ou sem perna, assim como cães amputados, até que o corpo pare
de funcionar! MAS NENHUM DELES, NUNCA DEIXARÁ DE VIVER POR MEDO!
Nesse ponto, chamo a atenção para
mais um toque providencial da minha irmã! Viajamos em março (em pleno surto) e eu não sentia quase nada em toda a
extensão dos DOIS pés até a bunda, mas ainda tinha movimento, alguma
coordenação e força! Numa das noites da viagem, meus dedos mindinhos
pareciam ter desaparecido e estava REALMENTE
difícil andar sobre eles! Eis que a irmã disse: “Papai não tem o dedão do pé direito e ANDA!” Naquele instante,
meio que me perdi num buraco negro no espaço-tempo e me lembrei dos cirurgiões
falando que seria complicada e talvez demorada a adaptação sem o dedo.
Pois, acreditem se quiser, 10 dias
após ter sido liberado para colocar o pé no chão, meu pai voltou a dirigir e
deixou claro que dormiria, assim que fosse aconselhável, no quarto dele na
cobertura (tendo que subir uma escada estreita em caracol)! Com a praticidade
da minha irmã, eu percebi que podemos ser como os passarinhos, ou como o meu
pai (E TANTOS OUTROS HUMANOS), que
mais parece uma mistura da obra de Frankenstein com o
Highlander!
Nesse momento, estou encerrando
esse texto, no computador do trabalho, e as pernas queimam, FRENETICAMENTE! Estou apreensiva sim com o modo que irei me
levantar, e atualmente, preciso pensar antes de dar cada PASSO. Mas, até o dia em que eu venha a cair (caso ocorra), ME LEVANTAREI E SAIREI ANDANDO EM DIREÇÃO À
CONDUÇÃO! PORQUE, LHES PERGUNTO: QUANTAS COISAS PERDEMOS, POR MEDO DE PERDER?
NOVAMENTE, VOS SUGIRO: SE FALTAREM PERNAS, VOEMOS...
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Liane Moreira
Bióloga


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