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| Fonte: Google imagens |
Se
você toma vitaminas e outros suplementos, você está na companhia de mais da
metade de todos os adultos nos Estados Unidos, que fazem o mesmo, na esperança
de evitar deficiências nutricionais, evitar doenças crônicas e melhorar a saúde
global. No Brasil, segundo dados da Abenutri, o consumo de
vitaminas e suplementos alimentares atingiu os R$ 3,5 bilhões em 2014, um
aumento de 69% desde 2009, o que fez o Brasil atingir o 10º lugar no mundo.
Diante
de um mercado tão promissor, devemos nos perguntar: vitaminas e suplementos
podem ajudar ou influenciar o tratamento da esclerose múltipla? A resposta
parece ser um retumbante "depende".
“Tomar
vitamina D, por exemplo... Um estudo publicado, em março de 2014,
no JAMA Neurology descobriu que um
nível mais elevado de vitamina D no organismo possibilitou uma progressão mais
lenta da esclerose múltipla e menos lesões novas em pessoas com os primeiros
sintomas da doença. Na esclerose múltipla, uma lesão é uma área em que a camada
de mielina, que normalmente protege e isola as fibras nervosas, foi
danificada”, afirma o neurologista, Willian Rezende do Carmo, CRM-SP 160.140.
Ellen
M. Mowry, autora do estudo, professora associada de Neurologia na Faculdade de
Medicina da Universidade Johns Hopkins, diz que os resultados do estudo de
2.014 são animadores porque eles confirmam sua pesquisa anterior, quando ela
descobriu que baixos níveis de vitamina D estão correlacionados com mais lesões
e formas mais ativas da doença.
No
entanto, embora as evidências científicas sejam fortes, a pesquisadora
permanece cautelosa sobre aconselhar uniformemente os pacientes com esclerose
múltipla a tomarem suplementos de vitamina D. Seus argumentos são fortes:
"como profissionais, nós queremos ter certeza de aplicar as melhores
evidências científicas. Todos os ensaios clínicos ainda estão em curso, então
realmente ainda não sabemos se os suplementos de vitamina D ajudam ou não os
pacientes”.
Willian
Rezende destaca que para aumentar naturalmente os níveis de vitamina D, o
paciente com esclerose múltipla pode:
- Comer alimentos ricos em vitamina D, como peixes, fígado, leite fortificado e cereais fortificados;
- Tomar sol, sem protetor solar, por cerca de 15 minutos por dia. O corpo pode produzir vitamina D quando a pele é exposta aos raios do sol, mas o excesso de exposição aos raios UV nocivos do sol pode levar ao câncer de pele;
- Antes de tomar suplementos de vitamina D (ou qualquer outro suplemento), o paciente deve falar com um médico. Isso pode evitar quaisquer interações medicamentosas negativas.
Outras vitaminas e suplementos podem ajudar?
O
neurologista reuniu informações sobre estudos relativos a vitaminas, minerais e
ervas que têm sido realizados com pacientes com esclerose múltipla:
Vitaminas
antioxidantes:
as células do corpo usam oxigênio para funcionar. Quando fazem isso liberam
moléculas instáveis conhecidas como radicais livres no organismo que podem
causar danos aos tecidos. “Antioxidantes, incluindo as vitaminas A, C e E, para
eliminar os radicais livres podem impedir danos. Os antioxidantes estão
disponíveis em alimentos saudáveis - vitamina A em frutas e legumes como
cenoura, abóbora, melão, pêssegos, brócolis; vitamina C em frutas cítricas,
vegetais de folhas verdes e morangos; vitamina E em nozes, sementes, grãos
integrais, óleos vegetais, folhas verdes e legumes. Embora eles sejam
importantes para a saúde global, não há estudos conclusivos sobre se os
antioxidantes podem melhorar o curso da esclerose múltipla. É preciso mais
investigação científica”, destaca o neurologista.
Selênio: o selênio é um mineral
com propriedades antioxidantes que é encontrado em frutos do mar, legumes,
grãos integrais, carnes e laticínios. Pessoas com esclerose múltipla podem ter
níveis mais baixos de selênio do que pessoas que não têm a doença. “Um estudo publicado em junho de 2014, no Journal Nutrition, descobriu que os hábitos alimentares podem ter
um impacto significativo sobre os níveis de selênio dos pacientes. O estudo
também concluiu que o tabagismo e a terapia medicamentosa podem ter um efeito
negativo sobre o status antioxidante total das pessoas com a doença. Mais
pesquisas são necessárias para chegarmos a uma conclusão sobre o assunto”,
afirma Willian Rezende.
Ginkgo biloba: um extrato de ervas
com efeitos antioxidantes, é tido como um “bom produto para melhorar a
memória”. “No entanto, num estudo publicado em setembro de
2012, no Neurology, o gingko biloba
foi comparado a um placebo e descobriu-se que ele não melhorou o desempenho
cognitivo de pessoas com esclerose múltipla”, conta o médico.
Valeriana: pessoas com esclerose
múltipla, muitas vezes, têm problemas para dormir e fazem uso desse fitoterápico
para ajudá-las. “Mas de acordo com os National Institutes of Health, os
estudos sobre os efeitos promotores
de sono da valeriana são inconclusivos. A substância é muitas vezes bem
tolerada, mas a valeriana pode afetar a prescrição de alguns medicamentos para
a esclerose múltipla, aumentando seus efeitos sedativos”, alerta o neurologista.
Probióticos: muitas vezes, essas substâncias são denominadas de “bactérias boas”. Os probióticos são encontrados em alimentos, tais como iogurte, bem como em suplementos. “Um estudo publicado na conceituada Neurology, em Abril de 2014, evidenciou que o microbioma do intestino tem influência nos fatores epigenéticos tanto pró-inflamatório como anti-inflamatório. Ou seja, dependo da flora intestinal que temos, ela pode deixar o nosso organismo mais (ou menos) suscetível a inflamações e isso tem total relação com uma doença inflamatória como a esclerose multipla”, conta Willian Rezende.
Mais estudos são necessários
Segundo
Willian Rezende, “a conclusão sobre todos os estudos anteriores é que mais
ensaios clínicos são necessários, antes que recomendações possam ser feitas
sobre quais as vitaminas, minerais e outros suplementos podem ajudar os
pacientes com esclerose múltipla. É sempre importante lembrar que altos níveis
de vitaminas essenciais e até mesmo outros suplementos podem ser perigosos. O
conselho sobre o uso desses recursos é: o paciente com esclerose múltipla deve
conversar com o seu médico e perguntar se algum deles pode ajudá-lo, em que
quantidade, durante quanto tempo”, orienta.
Willian
Rezende do Carmo
CRM-SP 160.140
Neurologista,
com especialização em Dor, pela USP. Para saber mais sobre a esclerose
múltipla, acesse nossa playlist de vídeos sobre o tema: https://www.youtube.com/playlist?list=PLLJYTEvgFMH-z6p7SooZxQVZzmPHSezy3

Sobre a vitamina D, através apenas de alimentação e exposição solar não é possível o portador de Esclerose Múltipla e outras doenças autoimunes, atingir o nível ideal. Em países ensolarados este nível deve estar entre 54 e 100 ng/ml (Estudos de Michael Holick, pioneiro nos estudos de vitamina D, ele que descobriu a forma ativa da vitamina D no inicio da década de 70).
ResponderExcluirEste problema pois portadores de doenças autoimunes tem um erro genético (gene CYP27B1) ele converte a vitamina D inativa em vitamina D ativa (Calcitriol) e este hormônio que é responsável por trazer a melhora nos pacientes de E.M.