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| Fonte: http://www.nossojornalbm.com.br/dormir-pouco-e-tao-ruim-quanto-fumar-alerta-estudioso/ |
A
esclerose múltipla apresenta-se de forma diferente de pessoa para pessoa. Em
muitos indivíduos, porém, a dificuldade de manter-se intelectualmente bem pode
ser uma das manifestações mais devastadoras da doença. Com isto em mente, os pesquisadores
da Universidade de Michigan estão explorando uma nova maneira de melhorar as
questões cognitivas, como memória, atenção e processamento mental em pacientes
com EM: examinando o sono.
Pessoas
com EM enfrentam um elevado risco de apneia obstrutiva do sono, uma doença em
que a garganta colapsa, durante o sono, fazendo com que o paciente pare de
respirar, várias vezes, por períodos de 10 segundos ou mais durante toda a
noite. A apneia pode levar a um declínio no funcionamento mental.
“Um
estudo piloto, publicado na revista Sleep,
é o primeiro a encontrar uma associação entre a gravidade da apneia do sono e a
disfunção cognitiva em pacientes com EM. Como a apneia obstrutiva do sono é uma
condição tratável que também é comumente diagnosticada nos pacientes com EM, os
pesquisadores se perguntaram se algumas das dificuldades de pensamento e de
processamento que os pacientes com EM experimentam não decorrem diretamente da
própria EM, mas sim dos efeitos da apneia do sono ou de outros problemas de
sono”, afirma o neurologista, Willian Rezende do Carmo, CRM-SP 160.140.
A
EM afeta cerca de meio milhão de americanos e é a principal causa não
traumática de incapacidade neurológica em adultos jovens. A equipe de pesquisadores
estudou 38 adultos com esclerose múltipla que tinham dúvidas sobre o seu sono
ou sua cognição. Os pacientes realizaram sete testes cognitivos, que incluíam
tarefas de listar palavras, fazer cálculos e reproduzir figuras e fotos. Eles
também passaram uma noite no laboratório de distúrbios do sono e fizeram uma
polissonografia durante a noite. Trinta e três dos 38 pacientes preencheram os
critérios para apneia obstrutiva do sono.
Várias
medidas de gravidade da apneia do sono estão diretamente relacionadas com o pior
desempenho em vários testes cognitivos. Em particular, os problemas com atenção
e vários aspectos da memória, incluindo memória para palavras e imagens,
memória de trabalho, que desempenha um papel na resolução de problemas e tomada
de decisão, todos foram associados com um sono mais pobre.
“As
medidas de gravidade da apneia representaram entre 11-23% da variação no
desempenho do teste cognitivo. Os pesquisadores também observaram relações
entre outras medidas da qualidade do sono e o mau desempenho cognitivo. Os
tratamentos atuais da EM podem evitar mais danos neurológicos. O foco no sono é
parte de uma iniciativa de colaboração maior para identificar as condições
anteriormente negligenciadas, mas ainda assim tratáveis que poderiam estar
afetando pacientes com EM. Identificar com sucesso e tratar condições como a apneia poderia nos ajudar a encontrar novas
maneiras de melhorar a função cognitiva dos pacientes com EM”, defende Willian
Rezende.
Próximos passos
Agora,
os pesquisadores vão replicar suas descobertas em uma amostra maior de
pacientes com esclerose múltipla, tratando esses pacientes diagnosticados para
apneia obstrutiva do sono. O novo ensaio
clínico vai investigar se a função cognitiva em pacientes com esclerose
múltipla melhora quando a apneia do sono é tratada. Entretanto, os
investigadores querem inspirar mais conversas na clínica neurológica.
Eles
defendem que os neurologistas peçam aos seus pacientes com EM exames sobre o sono, e o paciente seja encorajado a
discutir abertamente as preocupações do sono com o seu neurologista.
“Dada
a alta prevalência de problemas de sono tratáveis em pacientes com esclerose
múltipla e o fato de que muitos pacientes com EM apresentam altas taxas de fadiga, como um dos
seus sintomas mais incômodos, os neurologistas devem falar abertamente com seus
pacientes sobre os distúrbios do sono”, alerta o médico.
Willian Rezende do
Carmo
(CRM-SP 160.140) é neurologista, com especialização em Dor, pela USP.
Para saber mais sobre a esclerose múltipla, acesse nossa playlist de vídeos
sobre o tema: https://www.youtube.com/playlist?list=PLLJYTEvgFMH-z6p7SooZxQVZzmPHSezy3
Perfil completo:
· Graduação
em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais, MG;
·
Residência
médica em Neurologia, no Hospital Odilon Behrens, Belo Horizonte, MG;
·
Capacitação
em Medicina do Sono no Instituto do Sono, São Paulo, SP;
·
Capacitação
em aplicação de toxina botulínica tipo A, pelo IMREA, Hospital das Clínicas,
FMUSP, São Paulo, SP;
·
Especialização
em Dor pela USP, SP;
·
Coordenador
da Neurologia no Hospital Santa Helena, São Paulo, SP;
·
Plantonista
da Telemedicina, no setor de AVC, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, São Paulo,
SP;
·
Médico
assistente da retaguarda de Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, São
Paulo, SP.


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