Mostrando postagens com marcador qualidade do sono. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador qualidade do sono. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Na esclerose múltipla, dormir melhor pode melhorar a cognição?


Fonte: http://www.nossojornalbm.com.br/dormir-pouco-e-tao-ruim-quanto-fumar-alerta-estudioso/

A esclerose múltipla apresenta-se de forma diferente de pessoa para pessoa. Em muitos indivíduos, porém, a dificuldade de manter-se intelectualmente bem pode ser uma das manifestações mais devastadoras da doença. Com isto em mente, os pesquisadores da Universidade de Michigan estão explorando uma nova maneira de melhorar as questões cognitivas, como memória, atenção e processamento mental em pacientes com EM: examinando o sono.

Pessoas com EM enfrentam um elevado risco de apneia obstrutiva do sono, uma doença em que a garganta colapsa, durante o sono, fazendo com que o paciente pare de respirar, várias vezes, por períodos de 10 segundos ou mais durante toda a noite. A apneia pode levar a um declínio no funcionamento mental.

“Um estudo piloto, publicado na revista Sleep, é o primeiro a encontrar uma associação entre a gravidade da apneia do sono e a disfunção cognitiva em pacientes com EM. Como a apneia obstrutiva do sono é uma condição tratável que também é comumente diagnosticada nos pacientes com EM, os pesquisadores se perguntaram se algumas das dificuldades de pensamento e de processamento que os pacientes com EM experimentam não decorrem diretamente da própria EM, mas sim dos efeitos da apneia do sono ou de outros problemas de sono”, afirma o neurologista, Willian Rezende do Carmo, CRM-SP 160.140.

A EM afeta cerca de meio milhão de americanos e é a principal causa não traumática de incapacidade neurológica em adultos jovens. A equipe de pesquisadores estudou 38 adultos com esclerose múltipla que tinham dúvidas sobre o seu sono ou sua cognição. Os pacientes realizaram sete testes cognitivos, que incluíam tarefas de listar palavras, fazer cálculos e reproduzir figuras e fotos. Eles também passaram uma noite no laboratório de distúrbios do sono e fizeram uma polissonografia durante a noite. Trinta e três dos 38 pacientes preencheram os critérios para apneia obstrutiva do sono.

Várias medidas de gravidade da apneia do sono estão diretamente relacionadas com o pior desempenho em vários testes cognitivos. Em particular, os problemas com atenção e vários aspectos da memória, incluindo memória para palavras e imagens, memória de trabalho, que desempenha um papel na resolução de problemas e tomada de decisão, todos foram associados com um sono mais pobre.

“As medidas de gravidade da apneia representaram entre 11-23% da variação no desempenho do teste cognitivo. Os pesquisadores também observaram relações entre outras medidas da qualidade do sono e o mau desempenho cognitivo. Os tratamentos atuais da EM podem evitar mais danos neurológicos. O foco no sono é parte de uma iniciativa de colaboração maior para identificar as condições anteriormente negligenciadas, mas ainda assim tratáveis ​​que poderiam estar afetando pacientes com EM. Identificar com sucesso e tratar condições como a  apneia poderia nos ajudar a encontrar novas maneiras de melhorar a função cognitiva dos pacientes com EM”, defende Willian Rezende.

Próximos passos

Agora, os pesquisadores vão replicar suas descobertas em uma amostra maior de pacientes com esclerose múltipla, tratando esses pacientes diagnosticados para apneia obstrutiva do sono.  O novo ensaio clínico vai investigar se a função cognitiva em pacientes com esclerose múltipla melhora quando a apneia do sono é tratada. Entretanto, os investigadores querem inspirar mais conversas na clínica neurológica.

Eles defendem que os neurologistas peçam aos seus pacientes com EM exames  sobre o sono, e o paciente seja encorajado a discutir abertamente as preocupações do sono com o seu neurologista.

“Dada a alta prevalência de problemas de sono tratáveis ​​em pacientes com esclerose múltipla e o fato de que muitos pacientes com EM  apresentam altas taxas de fadiga, como um dos seus sintomas mais incômodos, os neurologistas devem falar abertamente com seus pacientes sobre os distúrbios do sono”, alerta o médico.


Willian Rezende do Carmo 
(CRM-SP 160.140) é neurologista, com especialização em Dor, pela USP. Para saber mais sobre a esclerose múltipla, acesse nossa playlist de vídeos sobre o tema: https://www.youtube.com/playlist?list=PLLJYTEvgFMH-z6p7SooZxQVZzmPHSezy3



Perfil completo:

·        Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais, MG;
·         Residência médica em Neurologia, no Hospital Odilon Behrens, Belo Horizonte, MG;
·         Capacitação em Medicina do Sono no Instituto do Sono, São Paulo, SP;
·         Capacitação em aplicação de toxina botulínica tipo A, pelo IMREA, Hospital das Clínicas, FMUSP, São Paulo, SP;
·         Especialização em Dor pela USP, SP;
·         Coordenador da Neurologia no Hospital Santa Helena, São Paulo, SP;
·         Plantonista da Telemedicina, no setor de AVC, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, São Paulo, SP;
·         Médico assistente da retaguarda de Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, São Paulo, SP.


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Sintomas de hipoventilação


Fonte: Globoesporte.com

Respirar, na verdade, refere-se à produção de energia pela célula. O termo adequado a ser empregado em se tratando dos mecanismos de troca gasosa deve ser ventilar, mas o hábito tem desencadeado a regra.

Hiperventilação ou hipoventilação são termos usados no meio médico para definir respiração acelerada ou diminuída. A respiração (ventilação) consiste de um processo automático (não é preciso pensar para respirar), mas também pode se dar de forma voluntária (em menores proporções) e sofre influência também das concentrações de dois gases principais, o oxigênio e o gás carbônico. A atividade especializada e coordenada de neurônios localizados na região do bulbo e ponte (tronco cerebral) permite aos seres humanos inspirar e expirar de forma harmoniosa. Contudo, esses centros especializados sofrem interferência de outras regiões do cérebro, do sistema límbico (relacionado às emoções), por exemplo. Em situações de grande temor ou pânico, respira-se de forma mais ofegante, em ambientes tranquilos e acolhedores, a respiração tende a ser de acordo, em se tratando de atividade física, tipo corrida, ciclismo ou natação, a respiração altera radicalmente. 

A respiração também é um processo mecânico e depende da ação da física, tendo importância os conceitos de pressão, volume e fluxo. A força gerada pelos músculos respiratórios (pressão) permite que o ar seja sugado do meio ambiente para o interior da caixa torácica (aumentando o volume), especialmente pela ação do principal músculo da respiração que é o diafragma. Em um minuto o indivíduo respira 12 vezes (respiração tranquila), em uma dada velocidade (fluxo). Quando inspiramos, o diafragma, que tem uma forma côncava, desce e aplaina comprimindo os órgãos internos (abdome) e aumentando assim o comprimento do tórax no sentido longitudinal. A expiração tranquila se dá pelo simples relaxamento desse músculo. Os músculos intercostais internos elevam as costelas e o tórax cresce no sentido transversal, os intercostais internos fazem o movimento contrário deprimindo as costelas e diminuindo o tamanho do tórax, mas a cinesiologia (estudo do movimento) respiratória conta também com o auxilio dos músculos acessórios da respiração que em situações de estresse ou exercício são acionados sinergicamente. Os pulmões têm, portanto, entre outras atribuições, a função de captar oxigênio que é a moeda ouro circulante no ambiente para o organismo. O sangue conduz esse gás e o distribui através do coração para todas as células de modo a garantir o metabolismo dos órgãos e tecidos corporais. Esses mecanismos diferem quando se trata de sono e vigília em vários aspectos. Durante o sono, por exemplo, o sistema voluntário (dependente da vontade) não atua apenas o automático. Durante o sono REM (movimento rápido dos olhos), ocorre atonia generalizada dos músculos, sendo o diafragma e a musculatura dos olhos os únicos a moverem-se. Nessa situação ocorre também um fenômeno denominado hipoventilação fisiológica, respira-se mais brandamente, sem grande expansão pulmonar e em ciclos menores. Na presença de doença que curse com fraqueza ou incoordenação da musculatura respiratória, algo que desfavoreça a ação principalmente do diafragma, então os sintomas de hipoventilação poderão exacerbar-se. O que seria imputado à fisiologia passa a ser considerado patológico. Há tantos outros aspectos que podem comprometer o sono, mas este é um dos de grande destaque.

Alguns pacientes já chegam ao consultório com queixas do tipo: sonolência diurna excessiva, fadiga exacerbada, dispneia (falta de ar), alterações de memória e concentração, fraqueza, perda de peso (comum em muitas doenças neuromusculares) ou ganho excessivo (síndrome pós-poliomielite e asma), perda da libido e irritabilidade. Fatos que merecem uma avaliação mais acurada. Em outros tantos, há necessidade que se pesquise sua ocorrência. Toda essa gama de sintomas apresenta ligação com o sono não reparador. Dormir mal propicia eventos nefastos em cascata, tanto no aspecto cardiorrespiratório como neurológico. Entretanto, pode-se através da aplicação de uma simples escala de sonolência, detectar possível apneia do sono. A apneia, que significa parada respiratória, pode apresentar-se de forma leve, moderada ou grave. O ronco também deve ser pesquisado. 

Na esclerose múltipla, não são raras as queixas de distúrbios do sono e, infelizmente, com repercussões para as atividades de vigília. Portanto, na avaliação do fisioterapeuta respiratório e também em outras especialidades, vale pesquisar aspectos relacionados ao sono e se visualizadas as inadequações, pode-se simplesmente orientar aos pacientes as regras básicas de higiene do sono ou indicar um exame mais específico, como a polissonografia e um possível tratamento com suporte ventilatório, caso se identifique problemas dessa natureza.

Noite ou dia, respire aliviado!!!


Celiana F. Viana
Fisioterapeuta cardiorrespiratória e mestre em ciências - UNIFESP-EPM


Fisioterapeuta formada pela UEPB - Especialista (Fisiologia do Exercício e Cardiologia) -  Mestra e com Doutorado em andamento pela UNIFESP-EPM -   Responsável pelo setor de Fisioterapia Respiratória do Ambulatório de Síndrome pós-poliomielite da UNIFESP-EPM - Fisioterapeuta Respiratória do Instituto Giorgio Nicolli e RNA (atualmente)