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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Exercícios físicos e doenças neurodegenerativas


Fonte: http://hiperdiasaude.blogspot.com.br/2014/02/os-beneficios-da-pratica-de-atividade.html

A prática de exercícios físicos vem sendo difundida mundialmente desde a década de 1950 como um dos principais mecanismos para a obtenção da boa saúde. É de conhecimento geral e notório que a prática de atividades físicas regularmente exerce um papel protetor sobre os sistemas nervoso e neuromuscular, dentre outros. Então, a prevenção ou a minimização das enfermidades oriundas do ritmo desenfreado da vida moderna deveria passar pela realização de exercícios desde os primórdios da existência. A educação física, a atividade esportiva e toda orientação nesse sentido deveria ser mais valorizada nas escolas, fazendo parte do currículo escolar de forma obrigatória e possibilitando o ingresso nas universidades através de bolsa de estudos e ajuda de custo, tal como ocorre em países como os Estados Unidos. Infelizmente, no Brasil, estamos longe disso.

Um dos maiores vilões nas sociedades modernas, do consumo, do fast food, dos controles remotos, é o que a ciência conhece como sarcopenia. Trata-se de uma doença decorrente da idade, do envelhecer, que ocasiona a perda de força e de massa muscular, observa-se a diminuição do número e tamanho das fibras musculares. Nos indivíduos sedentários e idosos, ela é muito mais pronunciada do que naqueles de mesma idade que apresentam um bom histórico de treinamento físico ou que praticam atividades esportivas regularmente. É uma das grandes preocupações nas sociedades modernas, uma vez que o sedentarismo está presente em 30% da população mundial. O sedentarismo, os déficits nutricionais, o sobrepeso, e o uso excessivo de medicamentos abreviam a vida e qualidade de vida de nossa população idosa e abrem caminho para as infecções oportunistas e doenças relacionadas à idade. Então, o exercício físico pode atenuar tudo isso, sobretudo se aliado a outros hábitos saudáveis.

Há um paradoxo em se tratando particularmente de doenças neurodegenerativas, que é o fato de que, uma vez desenvolvidas, muitas dessas doenças requerem exercícios suaves, não extenuantes, valorizando-se os aspectos de conservação de energia, evitando-se a fadiga e a sobrecarga que em tese piorariam o quadro clínico geral. Mas, o exercício é sempre muito bem vindo! Nunca é contra indicado - ou quase nunca! O exercício bem feito, dirigido, coordenado e orientado por especialistas da área, sempre traz resultados surpreendentes e alentadores mesmo em se tratando de quadros neurológicos graves.  Se o indivíduo apresenta esclerose múltipla, por exemplo, deve-se ter um olhar específico sobre a fadiga, a fraqueza e as limitações articulares; se apresenta esclerose lateral amiotrófica, não apenas a fraqueza, a fadiga, mas também a atrofia muscular estão presentes e carecem de atenção particular; se apresenta síndrome pós-poliomielite, a regra é não fadigar, não exagerar nos exercícios e atentar para a intolerância ao frio e à dor; se a doença de base é miastenia grave, a fadiga oscila durante o dia, especialmente no período vespertino, e a prática de atividade física torna-se muito mais expressiva após a administração da medicação específica. Se a doença que se apresenta é uma Síndrome de Guillain Barré, todo cuidado é pouco, porque a conduta do fisioterapeuta, do educador físico, fonoaudiólogo ou qualquer outro profissional que acompanhe esse indivíduo muda significativamente de uma fase aguda para intermediária e crônica.

Assim sendo, quanto aos exercícios físicos, todos são unânimes em categorizá-los como benéficos, e o são de fato. Contudo, em se tratando de doenças neurodegenerativas, existem critérios muito específicos e particulares, revelando-se necessária uma avaliação particularizada.

Em suma, o diagnóstico médico deve estar bem claro para a equipe de reabilitação e a partir daí poder-se-á traçar um planejamento terapêutico direcionado e eficaz, favorecendo melhora significativa na condição clínica do indivíduo e devolvendo-o a sociedade, se possível, de forma plena. Esse é nosso objetivo.


Celiana Figueiredo
Fisioterapeuta respiratória

  • Fisioterapeuta formada pela UEPB 
  • Especialista (Fisiologia do Exercício e Cardiologia) 
  • Mestra e com Doutorado em andamento pela UNIFESP-EPM
  • Responsável pelo setor de Fisioterapia Respiratória do Ambulatório de Síndrome pós-poliomielite da UNIFESP-EPM
  • Fisioterapeuta Respiratória do Instituto Giorgio Nicolli e RNA (atualmente)


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Home Care para pessoas com doenças neurodegenerativas:


Fonte: http://www.rsaude.com.br/londrina/materia/home-care-cuidados-domiciliares/8373

Home care, expressão que do inglês significa “cuidar no lar”, consiste de um serviço de saúde realizado no domicílio com o objetivo de desospitalização para “hospitalizar em casa”. Nos últimos anos esse tipo de atividade vem sendo largamente difundido no Brasil e no mundo.

O primeiro serviço de home care documentado na história data do século XIII a.C., na terceira dinastia do Egito Antigo. Desde então, os relatos que se sucedem de forma mais organizada são a partir de 1796, em Boston, na Inglaterra.  No Brasil, os primeiros documentos demonstram que em 1949, no Rio de Janeiro, iniciou-se um serviço deste porte ainda que de forma insipiente.

Atualmente, esse segmento já atinge grande parte da prestação de serviços de saúde. Muitos procedimentos já podem ser realizados no domicílio, o que facilita em muito o conforto e qualidade de vida dos indivíduos. Torna-se alentador pensar que há alguns anos atrás as pessoas necessitavam de internações hospitalares para submeterem-se à oxigenoterapia, ventilação mecânica invasiva e não invasiva, dentre outros procedimentos que outrora só se tinha acesso via internação hospitalar e agora, no domicílio, tudo isso é viabilizado. O home care possibilita  a transferência do doente através de ambulância, montagem da estrutura assistencial na residência, administração de medicamentos, realiza alguns exames mais simples ou quando não os faz (em casos de ressonância magnética, tomografia e outros mais específicos) desloca o indivíduo para serviços especializados. O home care veio para ficar, podendo ser adquirido mediante o convênio médico, quando disponibilizado por este, não havendo custos adicionais para sua aquisição. Toda logística deve ficar a cargo da empresa prestadora de serviço.

A equipe de reabilitação, quer seja da área de fisioterapia motora ou respiratória, fonoaudiologia, terapia ocupacional ou nutrição, já fez ou fará parte de algum sistema de home care. Tudo isso, sem contar a assistência de enfermagem que é a base de todo mecanismo organizacional. Há, inclusive, acompanhamento médico clínico semanal em alguns serviços. Muitas enfermidades, agudas ou crônicas, são contempladas dentro do sistema de home care. Dentre as doenças neurodegenerativas destacam-se a esclerose múltipla, esclerose lateral amiotrófica, Alzheimer, parkinson, poliomielite e síndrome pós-poliomielite, dentre outras patologias neurológicas. Essas assumem um grande filão na variedade complexa de doenças atendidas pela equipe de assistência domiciliar.

A satisfação que tem um parente ao receber seu ente querido proveniente de hospital em seu domicílio e vê-lo recuperar-se, dia a dia, é imensa. Deve-se reforçar essa possibilidade, mas necessita-se de melhora na qualidade de assistência e, sobretudo, no treinamento continuado da equipe de profissionais. Ainda observam-se situações de despreparo dos profissionais alocados e ainda há um longo caminho a ser percorrido no sentido de legalização dos funcionários e remuneração mais justa. Esse serviço promete para o futuro uma contribuição significativa para com a saúde coletiva.

O que a sociedade espera dos serviços de home care? Qual é a expectativa dos médicos e demais profissionais de saúde em relação aos serviços de assistência domiciliar?

A resposta que contempla a ambos é qualidade de serviço, comprometimento com o doente e sua recuperação, bem como um projeto mais aprimorado no sentido de educação continuada para os colaboradores. Há necessidade de serviços desse porte para as populações mais carentes também. Até o momento, no ranking dos serviços, os provenientes dos convênios lideram com maioria absoluta sobre a parcela de serviços particulares e, menos expressivamente, observa-se a iniciativa governamental.

Os estados e prefeituras poderiam apresentar um planejamento nesse sentido também, pois faltam recursos, mas sobram criatividade e conhecimento em grande parte dos profissionais de saúde, especialmente aqueles pertencentes às universidades que bem poderiam realizar uma força tarefa e propiciar um serviço mais digno às populações carentes. Todo investimento no sentido da vida é bem vindo!

Celiana Figueiredo
Fisioterapeuta

  • Fisioterapeuta formada pela UEPB 
  • Especialista (Fisiologia do Exercício e Cardiologia) 
  • Mestra e com Doutorado em andamento pela UNIFESP-EPM
  • Responsável pelo setor de Fisioterapia Respiratória do Ambulatório de Síndrome pós-poliomielite da UNIFESP-EPM
  • Fisioterapeuta Respiratória do Instituto Giorgio Nicolli e RNA (atualmente)


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Sintomas de hipoventilação


Fonte: Globoesporte.com

Respirar, na verdade, refere-se à produção de energia pela célula. O termo adequado a ser empregado em se tratando dos mecanismos de troca gasosa deve ser ventilar, mas o hábito tem desencadeado a regra.

Hiperventilação ou hipoventilação são termos usados no meio médico para definir respiração acelerada ou diminuída. A respiração (ventilação) consiste de um processo automático (não é preciso pensar para respirar), mas também pode se dar de forma voluntária (em menores proporções) e sofre influência também das concentrações de dois gases principais, o oxigênio e o gás carbônico. A atividade especializada e coordenada de neurônios localizados na região do bulbo e ponte (tronco cerebral) permite aos seres humanos inspirar e expirar de forma harmoniosa. Contudo, esses centros especializados sofrem interferência de outras regiões do cérebro, do sistema límbico (relacionado às emoções), por exemplo. Em situações de grande temor ou pânico, respira-se de forma mais ofegante, em ambientes tranquilos e acolhedores, a respiração tende a ser de acordo, em se tratando de atividade física, tipo corrida, ciclismo ou natação, a respiração altera radicalmente. 

A respiração também é um processo mecânico e depende da ação da física, tendo importância os conceitos de pressão, volume e fluxo. A força gerada pelos músculos respiratórios (pressão) permite que o ar seja sugado do meio ambiente para o interior da caixa torácica (aumentando o volume), especialmente pela ação do principal músculo da respiração que é o diafragma. Em um minuto o indivíduo respira 12 vezes (respiração tranquila), em uma dada velocidade (fluxo). Quando inspiramos, o diafragma, que tem uma forma côncava, desce e aplaina comprimindo os órgãos internos (abdome) e aumentando assim o comprimento do tórax no sentido longitudinal. A expiração tranquila se dá pelo simples relaxamento desse músculo. Os músculos intercostais internos elevam as costelas e o tórax cresce no sentido transversal, os intercostais internos fazem o movimento contrário deprimindo as costelas e diminuindo o tamanho do tórax, mas a cinesiologia (estudo do movimento) respiratória conta também com o auxilio dos músculos acessórios da respiração que em situações de estresse ou exercício são acionados sinergicamente. Os pulmões têm, portanto, entre outras atribuições, a função de captar oxigênio que é a moeda ouro circulante no ambiente para o organismo. O sangue conduz esse gás e o distribui através do coração para todas as células de modo a garantir o metabolismo dos órgãos e tecidos corporais. Esses mecanismos diferem quando se trata de sono e vigília em vários aspectos. Durante o sono, por exemplo, o sistema voluntário (dependente da vontade) não atua apenas o automático. Durante o sono REM (movimento rápido dos olhos), ocorre atonia generalizada dos músculos, sendo o diafragma e a musculatura dos olhos os únicos a moverem-se. Nessa situação ocorre também um fenômeno denominado hipoventilação fisiológica, respira-se mais brandamente, sem grande expansão pulmonar e em ciclos menores. Na presença de doença que curse com fraqueza ou incoordenação da musculatura respiratória, algo que desfavoreça a ação principalmente do diafragma, então os sintomas de hipoventilação poderão exacerbar-se. O que seria imputado à fisiologia passa a ser considerado patológico. Há tantos outros aspectos que podem comprometer o sono, mas este é um dos de grande destaque.

Alguns pacientes já chegam ao consultório com queixas do tipo: sonolência diurna excessiva, fadiga exacerbada, dispneia (falta de ar), alterações de memória e concentração, fraqueza, perda de peso (comum em muitas doenças neuromusculares) ou ganho excessivo (síndrome pós-poliomielite e asma), perda da libido e irritabilidade. Fatos que merecem uma avaliação mais acurada. Em outros tantos, há necessidade que se pesquise sua ocorrência. Toda essa gama de sintomas apresenta ligação com o sono não reparador. Dormir mal propicia eventos nefastos em cascata, tanto no aspecto cardiorrespiratório como neurológico. Entretanto, pode-se através da aplicação de uma simples escala de sonolência, detectar possível apneia do sono. A apneia, que significa parada respiratória, pode apresentar-se de forma leve, moderada ou grave. O ronco também deve ser pesquisado. 

Na esclerose múltipla, não são raras as queixas de distúrbios do sono e, infelizmente, com repercussões para as atividades de vigília. Portanto, na avaliação do fisioterapeuta respiratório e também em outras especialidades, vale pesquisar aspectos relacionados ao sono e se visualizadas as inadequações, pode-se simplesmente orientar aos pacientes as regras básicas de higiene do sono ou indicar um exame mais específico, como a polissonografia e um possível tratamento com suporte ventilatório, caso se identifique problemas dessa natureza.

Noite ou dia, respire aliviado!!!


Celiana F. Viana
Fisioterapeuta cardiorrespiratória e mestre em ciências - UNIFESP-EPM


Fisioterapeuta formada pela UEPB - Especialista (Fisiologia do Exercício e Cardiologia) -  Mestra e com Doutorado em andamento pela UNIFESP-EPM -   Responsável pelo setor de Fisioterapia Respiratória do Ambulatório de Síndrome pós-poliomielite da UNIFESP-EPM - Fisioterapeuta Respiratória do Instituto Giorgio Nicolli e RNA (atualmente)




terça-feira, 2 de agosto de 2016

Doenças neurodegenerativas e poluição atmosférica


Fonte: www.coripa.org.br

São Paulo, a maior metrópole do Brasil, é uma das cidades mais poluídas do mundo. Evidentemente, que é menos poluída que alguns municípios da China e da Índia, mas está longe do aceitável do ponto de vista atmosférico, de acordo com a OMS. São inúmeras e nefastas as consequências ao organismo humano em face da emissão de poluentes atmosféricos. Desde problemas como alergias, doenças cardiovasculares, abortamentos, prematuridade, bronquite, asma, fibrose pulmonar, neoplasias, alterações pulmonares localizadas e sistêmicas, bem como alterações comportamentais, cognitivas e transtornos de humor. 

Na última década, muitos estudos foram dirigidos para a questão ambiental e doenças neurodegenerativas. Dentre estas, destacam-se alzheimer, parkinson, demências, mas também há linhas de pesquisa em esclerose múltipla, esclerose lateral amiotrófica e miopatia por corpos de inclusão. O estresse oxidativo tem efeitos prejudiciais graves sobre o material genético das células (DNA e RNA) e também sobre suas proteínas e organelas.

Em estudo realizado na região de Lombardia, na Itália, em fevereiro do corrente ano, com pacientes com diagnóstico de esclerose múltipla, demonstrou-se que um maior número de internações hospitalares e a ocorrência de recidivas da doença ocorreram em períodos de maior exposição a poluentes ambientais. Houve aumento agudo nas respostas inflamatórias neurológicas e sistêmicas.

Fica claro que muitas dessas enfermidades apresentam o componente ambiental como um dos prováveis vilões da doença em si. Neste particular, vale ressaltar que a sociedade como um todo necessita de políticas públicas mais eficazes para promover melhora da qualidade do ar inspirado.

O que se pode fazer numa situação de tão amplas proporções? A resposta mais simples seria: faça sua parte! Pare de fumar, por exemplo, para aqueles que ainda insistem. Cerca de 20% da população de São Paulo é fumante, mas todos estão expostos à poluição atmosférica da cidade. Some-se a poluição decorrente da emissão dos gases tóxicos dos automóveis e aquela oriunda do cigarro, tudo é potencializado. Menos nicotina no ar ambiente, melhor para você e para os que o cercam. Pequenas mudanças tais como deixar o automóvel em casa de vez em quando, usar transporte público, trocar o modelo do carro por outro que polui menos (realizar revisões periódicas), além de dar preferência aos combustíveis mais limpos, são medidas pontuais e simples, mas eficazes. Plantar uma árvore também ajuda! Há estudos que demonstram que morar a menos de 300 metros de um parque reduz as possibilidades de infarto agudo do miocárdio em 30%. Exercícios ao ar livre, em regiões arborizadas, são muito mais vantajosos do que fazê-los em ambientes rodeados de carros expostos aos gases dos escapamentos. Lendo isso, pode-se entender o quanto é desproporcional suar a camisa nessas grandes avenidas. Plante dentro de você a ideia de um mundo melhor, com melhor qualidade do ar e melhores condições de saúde para todos. Pode parecer pouco, mas esse pouco é o que está ao seu alcance.

Respire aliviado!!!!



Celiana Figueiredo Viana
Fisioterapeuta


terça-feira, 19 de abril de 2016

Exercício físico: exercício para o cérebro


Fonte: Google imagens

Nicholas Spitzer é um professor de neurociência da Universidade da Califórnia. Segundo o professor, a prática de solucionar jogos de raciocínio não melhora a capacidade cognitiva e música clássica  não desenvolve as suas funções cerebrais.  “Essas teorias foram analisadas em detalhe e elas não se sustentam. É decepcionante de certo modo, mas o que descobrimos é que exercício (físico) é a chave para as funções cerebrais”, afirmou o professor.

De qualquer forma, os jogos de raciocínio e ouvir uma boa música podem trazer sensações de prazer muito interessantes.

O que se discute hoje são as condições em que os exercícios são feitos para que as vantagens da atividade física sobre o cérebro aconteçam.

O ambiente parece ser uma condição importante. De preferência devem ser feitos sob exposição da luz solar. A explicação disso é fruto do processo de evolução. Pesquisa constatou que nosso cérebro muda suas atividades de acordo com o ambiente. Isso por uma questão de sobrevivência. O cérebro tende a diminuir suas atividades em ambientes fechados, após algum período sem exposição à luz solar relevante, condições semelhantes às impostas aos animais (e aos seres humanos) durante o inverno.

Segundo o professor da Universidade de São Paulo à frente do Laboratório de Neurociência e Comportamento, Gilberto Fernando Xavier, o sistema nervoso leva cerca de 12 semanas para produzir alterações detectáveis de melhor desempenho, e isso apenas após uma prática de exercícios regulares (5 ou 7 dias na semana). Por “melhor desempenho” entenda redução dos níveis de stress e ansiedade, melhorando assim capacidade de memória e raciocínio rápido. Isso é o efeito que Xavier chama de “estabilização afetiva”. 

Fator oxigenação

Assim como todas as outras partes do corpo, o tecido cerebral também se deteriora ao não ser usado e com o passar dos anos. A partir dos 20 anos, perde-se anualmente 1% do volume do hipocampo, a porção do cérebro relacionada à memória e certos tipos de aprendizado. É exatamente na proteção dessa região que os exercícios funcionam de forma mais intensa. A prática de atividade física estimula a produção do chamado Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro, ou BNDF, da sigla em inglês – Brain Derived Neurotrhophic Factor. “Essa proteína é responsável por estimular a produção de novas células nervosas, os neurônios, principalmente no hipocampo”, explica o neurocirurgião Fernando Gomes Pinto, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Portanto, o papel primordial dos exercícios é reverter a destruição dos neurônios, estimulando o crescimento de exemplares novinhos e a conexão deles com seus vizinhos. Atividades físicas melhoram a oxigenação das células cerebrais porque incentivam a circulação sanguínea. Pessoas fisicamente ativas têm menor risco de Alzheimer e doença de Parkinson, diz Jomar de Souza, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE). Além disso, há a liberação de endorfinas, que provocam a sensação de bem-estarEssas substâncias naturais diminuem a dor e melhoram o humor. “E não se pode desconsiderar o fato de que os exercícios melhoram o estado psicológico, porque elevam a autoestima, já que a pessoa fica com uma silhueta mais adequada e executa tarefas físicas com maior eficiência”, diz o médico Gomes Pinto.

Três ótimos motivos para não ser sedentário:

- Ao atrasar o avanço das doenças degenerativas,  os exercícios permitem preservar por mais tempo a memória e a noção de tempo e espaço. O sono mais equilibrado, consequência do exercício físico, também favorece as capacidades cognitivas.

- A prática de atividades físicas tem um lado preventivo, pois possibilita a formação de novas conexões no cérebro. Isso é muito importante diante de doenças como Alzheimer, cuja principal característica é a perda progressiva de conexões neurais.


- Trabalhar o corpo favorece a produção de hormônios que dão sensação de bem-estar, como a endorfina. Por isso, quem faz exercícios regularmente fica mais alegre e estável, menos sujeito a ansiedade e depressão.


Egon Félix Hadermann
Fisioterapeuta
Mestre em psicologia da saúde