![]() |
| Fonte: http://hiperdiasaude.blogspot.com.br/2014/02/os-beneficios-da-pratica-de-atividade.html |
A prática de exercícios físicos vem sendo difundida
mundialmente desde a década de 1950 como um dos principais mecanismos para a
obtenção da boa saúde. É de conhecimento geral e notório que a prática de
atividades físicas regularmente exerce um papel protetor sobre os sistemas
nervoso e neuromuscular, dentre outros. Então, a prevenção ou a minimização das
enfermidades oriundas do ritmo desenfreado da vida moderna deveria passar pela
realização de exercícios desde os primórdios da existência. A educação física,
a atividade esportiva e toda orientação nesse sentido deveria ser mais
valorizada nas escolas, fazendo parte do currículo escolar de forma obrigatória
e possibilitando o ingresso nas universidades através de bolsa de estudos e
ajuda de custo, tal como ocorre em países como os Estados Unidos. Infelizmente,
no Brasil, estamos longe disso.
Um dos maiores vilões nas sociedades modernas, do consumo,
do fast food, dos controles remotos, é o que a ciência conhece como sarcopenia.
Trata-se de uma doença decorrente da idade, do envelhecer, que ocasiona a perda
de força e de massa muscular, observa-se a diminuição do número e tamanho das
fibras musculares. Nos indivíduos sedentários e idosos, ela é muito mais
pronunciada do que naqueles de mesma idade que apresentam um bom histórico de
treinamento físico ou que praticam atividades esportivas regularmente. É uma
das grandes preocupações nas sociedades modernas, uma vez que o sedentarismo
está presente em 30% da população mundial. O sedentarismo, os déficits
nutricionais, o sobrepeso, e o uso excessivo de medicamentos abreviam a vida e
qualidade de vida de nossa população idosa e abrem caminho para as infecções
oportunistas e doenças relacionadas à idade. Então, o exercício físico pode
atenuar tudo isso, sobretudo se aliado a outros hábitos saudáveis.
Há um paradoxo em se tratando particularmente de doenças
neurodegenerativas, que é o fato de que, uma vez desenvolvidas, muitas dessas
doenças requerem exercícios suaves, não extenuantes, valorizando-se os aspectos
de conservação de energia, evitando-se a fadiga e a sobrecarga que em tese
piorariam o quadro clínico geral. Mas, o exercício é sempre muito bem vindo!
Nunca é contra indicado - ou quase nunca! O exercício bem feito, dirigido,
coordenado e orientado por especialistas da área, sempre traz resultados
surpreendentes e alentadores mesmo em se tratando de quadros neurológicos
graves. Se o indivíduo apresenta esclerose
múltipla, por exemplo, deve-se ter um olhar específico sobre a fadiga, a
fraqueza e as limitações articulares; se apresenta esclerose lateral
amiotrófica, não apenas a fraqueza, a fadiga, mas também a atrofia muscular
estão presentes e carecem de atenção particular; se apresenta síndrome
pós-poliomielite, a regra é não fadigar, não exagerar nos exercícios e atentar
para a intolerância ao frio e à dor; se a doença de base é miastenia grave, a
fadiga oscila durante o dia, especialmente no período vespertino, e a prática de
atividade física torna-se muito mais expressiva após a administração da
medicação específica. Se a doença que se apresenta é uma Síndrome de Guillain
Barré, todo cuidado é pouco, porque a conduta do fisioterapeuta, do educador
físico, fonoaudiólogo ou qualquer outro profissional que acompanhe esse
indivíduo muda significativamente de uma fase aguda para intermediária e
crônica.
Assim sendo, quanto aos exercícios físicos, todos são unânimes
em categorizá-los
como benéficos, e o são de fato. Contudo, em se tratando de doenças
neurodegenerativas, existem critérios muito específicos e particulares, revelando-se necessária uma avaliação particularizada.
Em suma, o diagnóstico médico deve estar bem claro para a
equipe de reabilitação e a partir daí poder-se-á traçar um planejamento
terapêutico direcionado e eficaz, favorecendo melhora significativa na condição
clínica do indivíduo e devolvendo-o a sociedade, se possível, de forma plena.
Esse é nosso objetivo.
Celiana Figueiredo
Fisioterapeuta respiratória
- Fisioterapeuta formada pela UEPB
- Especialista (Fisiologia do Exercício e Cardiologia)
- Mestra e com Doutorado em andamento pela UNIFESP-EPM
- Responsável pelo setor de Fisioterapia Respiratória do Ambulatório de Síndrome pós-poliomielite da UNIFESP-EPM
- Fisioterapeuta Respiratória do Instituto Giorgio Nicolli e RNA (atualmente)


Nenhum comentário:
Postar um comentário