Como lidar de uma forma mais positiva com as medicações injetáveis e
seus efeitos colaterais ou indesejáveis?
Não adianta fugir da situação pelo desconforto, as medicações só
funcionam quando utilizadas da forma indicada. Pular doses porque se sente bem ou
porque não quer passar pelos possíveis desconfortos só trará mais problemas
futuros. Surtos mais frequentes e graves é um risco e o que se quer que seja a
modificação da evolução da doença se perde.
Sem adesão adequada, sem eficácia preconizada.
Como olhar para seu remédio com um olhar mais tolerante e benevolente,
afinal ele é seu parceiro e não inimigo?
Discutirei, hoje, algumas estratégias na utilização dos remédios
injetáveis que minimizam seus possíveis desconfortos:
- Retire
a medicação da geladeira nos dias quentes, duas horas antes da aplicação
e, nos dias frios, quatro horas antes.
- Antes da aplicação coloque a injeção como um termômetro, na região axilar, para que ela adquira sua temperatura corporal.
- Sempre
higienize as mãos antes da manipulação das injeções. Lave-as com água e sabão e após álcool 70%.
- Na
região que receberá a injeção, faça a higienização com álcool 70%.
- Respeite
o rodízio de aplicação. Estamos falando de um tratamento de período
indeterminado, a pele com o decorrer do tempo fragiliza-se, maior risco de
ocorrer ferimentos, endurações, que podem torná-la inviável para
futuras aplicações. Precisamos deixar as áreas se recuperarem.
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Avonex®
Aplicação intramuscular
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Subcutânea
Rebif® betaferon®copaxone®
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Essas condutas reduzem o risco de infecções, ferimentos e endurações.
- Antes
da aplicação, faça por cinco minutos compressas com gelo sobre a região da
pele que receberá a injeção. Após a aplicação, repita o procedimento com o
gelo por mais cinco minutos. Isso anestesia o local e diminui a dor da
aplicação. Algumas pessoas se beneficiam mais de compressas quentes.
Experimente o que lhe traz mais conforto.
- Cuide da sua pele. Hidrate-se bem. Alimente-se bem. Hidratar a pele é dar a ela condições para se manter elástica e macia. A hidratação evita o ressecamento da peleuma. Boa hidratação é fundamental para uma pele bonita, viçosa e saudável. Quando a pele está hidratada, sua camada de proteção se mantém íntegra e problemas como descamação, ressecamento, envelhecimento precoce, irritações e infecções são evitados. Para manter a hidratação, a Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda o uso diário de um hidratante adequado ao seu tipo de pele, além da ingestão de dois litros de água para que a hidratação seja feita por dentro e por fora. É importante também manter uma dieta rica em fibras, com muitas frutas e verduras; evitar o uso excessivo de sabonetes e buchas, assim como banhos muito quentes e demorados (principalmente no inverno); evitar exposição excessiva ao sol e usar protetores solares com proteção UVA e UVB.
- Transforme as injeções em parte de sua rotina diária. Por isso, é recomendado
determinar um horário que seja mais tranquilo para fazer a aplicação todos
os dias e no qual você esteja com mais disposição.
- Não
injetar o medicamento apressadamente e nem com distrações, como na frente
da TV, por exemplo. Escolha um local onde seja possível relaxar.
- Não
injetar o medicamento após a prática de exercícios físicos ou após um
banho quente.
- Não
injetar a droga onde há inchaço, nódulos sólidos ou dor.
- Na
aplicação siga as orientações do fabricante quanto à posição do injetor ou
seringa na hora da penetração na pele. O ideal é aplicar em um ângulo
de 90 graus. Observe refluxo de líquido, sangramento, hematomas. Observe
retrações na pele, ferimentos, endurecimentos, caroços. Qualquer
alteração nos locais da aplicação converse com seu médico. Solicite
suporte dos apoios ao paciente dos fabricantes.
Os interferons apresentam efeitos
colaterais que simulam quadro gripal (flu like): dor de cabeça, dores no corpo,
calafrios, febre, fadiga. Habitualmente isso se minimiza com o decorrer do
tempo e uso e tendem a desaparecer entre o terceiro e sexto mês de uso. Há duas
condutas que podem suavizar esses sintomas desconfortáveis e muitas vezes
limitantes:
1) Titular a dose inicial da medicação
Não iniciar com a dose total, mas ir graduando
paulatinamente. Eu costumo orientar da seguinte forma:
- 1ª semana – ¼ do frasco
- 2ª semana – ½ frasco
- 3ª semana - /4 frasco
- 4ª semana em diante dose total – 1 frasco inteiro
Essa titulação não será possível de ser realizada na apresentação caneta
autoinjetável.
2) Utilize analgésico-antitérmicos/antitérmicos/antiinflamatórios
pré-aplicação e após (exemplos: dipirona, pracetamol, ibuprofeno):
- 2 horas antes da apliação
- 4 horas após
Não se automedique, pergunte para o seu médico qual é a melhor opção para o seu caso.
Deixe a aplicação como a última atividade do dia e evite o risco de
qualquer desconforto atrapalhar a sua rotina.
Não se esqueça de descartar as seringas, após o uso, na caixa de descarte próprio (descarpak). Pode-se levá-la a qualquer Posto de Saúde
quando cheia para a adequada eliminação.
Liliana Russo
Neurologista
Paulista, médica graduada
em 1987 pela faculdade de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes. Pelo
interesse e grande curiosidade do desempenho da mente humana e bem como a
interação do sistema nervoso central com o meio interno e externo, especializou-se
em Neurologia Clínica , em 1990, pelo Hospital do Servidor Público Estadual.
Buscou estudar a relação de trabalho e riscos à saúde, realizando estudo lato
sensu, em 1997, pela Universidade São Francisco. Não satisfeita com a visão
cartesiana e Galênica do ser humano e da medicina atual, buscou uma visão mais
holística, por meio de especialização lato sensu em Homeopatia, em 1996, pelo
Centro de Estudos do Hospital do Servidor Público Municipal e Medicina
Tradicional Chinesa, em 2000, pelo mesmo Centro. E é com esta óptica
amplificada que visualiza e aborda o ser humano hoje. Atuação Profissional:
Médica Neurologista - sócia e Diretora Técnica da Holus Serviços Médicos Ltda -
Médica Neurologista Assistente da Casa da Esperança de Santo André - Médica Neurologista
e de Apoio nas Atividades Científicas da Associação Brasileira de Esclerose
Múltipla - Médica Neurologista Voluntária no Ambulatório de doenças
desmielinizantes, da Faculdade de Medicina da Fundação ABC. Participante
em diversos congressos nacionais e internacionais e publicação de artigos
científicos.




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