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O treinamento resistido ou a prática de exercícios
com pesos recebe o nome de musculação, devido aos efeitos positivos para o
aumento da massa muscular.
Quando o objetivo da musculação é reabilitar um
indivíduo, seja por uma patologia, seja por uma deficiência ou acidente, pode ser chamada de
Musculação Terapêutica.
A resistência de um movimento é obtida por meio de
pesos livres ou aparelhos. Nos exercícios de pesos livres são utilizados elásticos,
barras, anilhas ou o próprio peso corporal. Quanto ao uso de aparelhos, os mais
conhecidos são os “tijolinhos”, aqueles equipamentos que vemos nas academias.
Além desses, temos os de sistema hidráulico, eletromagnético, molas, freios,
alavancas, entre outros.
Tá?! Diante de um assunto tão “pesado”... Por que a
musculação é indicada para pessoas frágeis, idosas, com deficiências ou para aquelas
que se encontram em um processo de reabilitação??? Como a musculação pode ser
terapêutica???
A musculação é indicada devido sua EFICIÊNCIA e SEGURANÇA.
Para que um exercício seja adequado para fins
terapêuticos, tanto para doenças musculoesqueléticas como para doenças
sistêmicas e fragilidade, as necessidades em eficiência e segurança precisam
ser atendidas. No aspecto da eficiência a musculação é o tipo de exercício que
apresenta o melhor conjunto de efeitos:
Força – Com
músculos mais fortes aumenta a estabilidade das articulações, alivia dores e a
mobilidade se torna confortável. Além disso, os esforços da vida diária são realizados
com menor recrutamento de fibras musculares e, consequentemente, menores
elevações da frequência cardíaca e da pressão arterial, diminuindo a intensidade
dos esforços. A força muscular também é importante para caminhar porque permite
que essa atividade seja aeróbia. Pessoas fracas caminham recrutando muitas
fibras e o esforço passa a ser anaeróbio, o que leva à fadiga precoce. O limiar
anaeróbio corresponde cerca de 30 a 40% das fibras em atividade.
Potência – A força
aplicada rapidamente recebe o nome de potência. Movimentos rápidos não podem
ser terapêuticos porque são agressivos para articulações fragilizadas. No
entanto, os movimentos lentos e moderados, além de aumentar a força aumentam
também a potência, e com isso é possível recuperar o equilíbrio e evitar quedas
diante de situações adversas.
Resistência – A
capacidade de prolongar esforços recebe o nome de resistência. É a capacidade
que nos ajuda em atividades contínuas como correr, pedalar ou nadar. Muito
estimulada na musculação por meio das séries, cargas e repetições. Porém, não
empregada nos exercícios terapêuticos.
Coordenação – Os
exercícios de musculação são eficientes para a coordenação por serem lentos e
moderados, realizados nas maiores amplitudes possíveis, respeitando as
limitações e por utilizarem os movimentos funcionais da vida diária, como
empurrar, puxar e agachar. Mesmo no caso de doenças neurológicas com hipertonia,
a musculação tem se mostrado o mais eficiente estímulo à funcionalidade geral,
sem piorar a espasticidade ou rigidez.
Flexibilidade – A falta
de movimento diminui as amplitudes articulares, podendo prejudicar a
funcionalidade para a vida diária. Para aumentar a flexibilidade das
articulações os exercícios precisam forçar os limites das amplitudes, sempre
respeitando as limitações por deformidade anatômica, patológica ou dores. Na
ausência de dores ou deformidades, a musculação aumenta a flexibilidade em
níveis bem superiores aos necessários.
Alongamento – O alongamento
máximo utilizado na preparação esportiva tem o inconveniente de piorar a
estabilidade, favorecendo lesões. Nas doenças articulares o alongamento máximo provoca
dores imediatas e piora dores cinéticas por agravar a instabilidade. Por outro
lado, o alongamento muscular é importante para aliviar dores de diversas
origens. A musculação estimula o alongamento, em pequenos graus, devido os
efeitos da contração excêntrica resistida sobre a elasticidade e proliferação
do tecido conjuntivo do músculoesquelético.
Massa Muscular – O aumento
da massa muscular tem fundamental importância na saúde, por: aumentar o
metabolismo basal; modificar o perfil hormonal para o anabolismo (construção de
tecidos); favorecer o controle da glicose sanguínea; reduzir a gordura
corporal; proteger as articulações devido ao aumento paralelo da força.
Massa Óssea – A perda
de massa óssea ocorre no envelhecimento, no sedentarismo, nas imobilizações, em
determinadas doenças crônicas, na má nutrição e no uso contínuo de alguns
medicamentos. Os exercícios estimulam o aumento da massa óssea quando comprimem
o esqueleto. Uma das formas de compressão óssea é o impacto, que é a desaceleração
brusca do corpo em movimento, como nos saltos. O impacto é também um grande
fator de lesão para as articulações. A forma segura de compressão dos ossos é o
suporte de pesos, como o peso corporal ou os pesos utilizados em exercícios.
Massa Adiposa – A redução
da gordura corporal é importante para melhorar condições basais para a saúde,
como: diminuir a resistência à insulina; melhorar o perfil lipídico do sangue;
reduzir a pressão arterial; favorecer um bom perfil hormonal; aliviar o
trabalho cardíaco; e diminuir a sobrecarga nos esforços. O aumento da massa
muscular tem papel importante na redução de gordura, pois aumenta o metabolismo
basal e melhora o perfil hormonal adequado.
A segurança é uma qualidade fundamental para exercícios
terapêuticos, visto que a sua aplicação ocorre em situações de saúde comprometida
e fragilidade. A musculação é segura, tanto para o sistema cardiovascular
quanto para o sistema musculoesquelético. No aspecto articular a segurança
decorre do controle e adequação individual de todos os fatores de sobrecarga
para o aparelho locomotor: os aparelhos colocam o corpo nas posições adequadas
e confortáveis; as amplitudes dos movimentos são definidas para respeitar dores
e limitações; a velocidade dos movimentos é leve à moderada, sem acelerações e
desacelerações bruscas; as cargas são definidas de acordo com a força de cada
grupo muscular; as repetições habituais são confortáveis e podem ser muita
baixas na situação de fraqueza acentuada; o número de movimentos totais é
pequeno e a duração das sessões é curta, assim como as suas frequências
semanais.
Quanto à segurança cardiológica, a musculação
adapta o grau de esforço de modo individual; a frequência cardíaca não aumenta
significativamente e a pressão diastólica um pouco mais alta garante maior
oferta de sangue para o miocárdio. A incidência de arritmia ou isquemia na
musculação é baixa, mesmo em cardiopatas. A dispneia em cardiopatas e
pneumopatas é facilmente controladas com baixas repetições e intervalos maiores
entre séries.
A musculação é uma atividade muito segura e
confortável, sendo o exercício eficiente para melhorar a qualidade de vida de
qualquer indivíduo e promover saúde geral.
Eliciane
Leite
Educadora
Física
CREF
076979-G/SP
Referência
SANTAREM, J. M. Musculação em todas as idades. São Paulo: Manole, 2012
Professora Técnica de Esportes no SESI-SP, CAT Theobaldo de Nigris – Santo André.
Especialista em Fisiologia do Exercício e
Treinamento Resistido, na Saúde, na Doença e no Envelhecimento – Universidade
de São Paulo (2011).
Bacharel em Educação Física – Faculdades Integradas
de Santo André (2009).


É muito bom fazer musculação, ficava muito mais disposta.
ResponderExcluirBoa tarde , tive algumas tentativas frustradas de fazer musculação, porém o cansaço ainda é um fator bastante limitante para mim, atualmente faço só fisioterapia, mas assim que eu conquistar um melhor condicionamento físico, pretendo retornar a musculação ... Adorei o assunto abordado.
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