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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Você conhece seu Cocô?


Fonte: Google imagens

Umas das queixas comuns em reunião com os pacientes com Esclerose Múltipla é a dificuldade para evacuar e cada um deve ser analisado individualmente. 

A ajuda de uma nutricionista é importante para rever a necessidade de cada paciente. A enfermeira pode colaborar com a equipe de profissionais, prestando informações durante a avaliação de enfermagem por meio do exame físico, medicações que estão sendo utilizadas e sobre sua doença. Isso ressalta, mais uma vez,  a importância de uma abordagem multidisciplinar para avaliar o paciente.

Mas afinal o que é obstipação intestinal ou constipação intestinal?

É uma dificuldade para evacuar. O funcionamento do intestino pode ficar alterado com uma alimentação inadequada ou o uso de alguns medicamentos que são obstipantes, ou até mesmo, pela falta de uma ingesta de água satisfatória.

É importante investigar os hábitos alimentares e também o funcionamento do intestino antes da Esclerose Múltipla. Recomenda-se uma alimentação adequada (rica em fibras, verduras e legumes) e uma ingestão adequada de água para tornar menos consistente o bolo fecal, facilitando sua eliminação.


O profissional de enfermagem pode colaborar ensinando a automassagem para estimular a saída das fezes toda vez que o paciente tiver dificuldade para evacuar. Ela deve ser realizada no sentido horário, conforme demonstrado na figura abaixo:

Fonte: Google imagens

Outra dica é sempre evacuar no mesmo horário, criando uma rotina,  e também após as principais refeições, pois desta forma aproveitamos o reflexo desencadeado pela ingestão de alimentos, estimulando a motilidade do intestino.

É preciso que haja uma avaliação individual de cada paciente e novamente a abordagem multidisciplinar se faz necessária: o médico prescreve uma medicação que ajude na obstipação,  a enfermeira administra o medicamento prescrito e também ensina a melhor forma de utiliza-lo e, a nutricionista, pode avaliar a alimentação.

Abraços!

Adriana Caldas Rocha
Enfermeira



Bacharel em Enfermagem pela Faculdade de Medicina do ABC- FMABC. Aprimoramento/especialização em Enfermagem em reabilitação física - HC FMUSP. Tem experiência em atendimento individual/grupo em programas de reabilitação ambulatorial e internação, incluindo visita domiciliária: doenças crônicas e  neurodegenerativas  na lesão medular, lesão encefálica, amputados, paralisia cerebral e nas incontinências urinárias. Atuação em ambulatório de bloqueio neuromuscular (Toxina botulínica). Educadora em saúde em curso de cuidadores de idosos e pessoas com deficiência física.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Fisioterapia Neuropélvica na Constipação Intestinal do paciente com Esclerose Múltipla


Fonte: Google imagens
Hoje o tema é Disfunção Intestinal!!! Mas o que é isto??  Disfunções intestinais são aquelas situações em que o intestino não funciona adequadamente, entre elas estão a Incontinência Anal (escapes de fezes e/ou gases) e a Constipação (intestino preso). A segunda é a mais comum, presente em 43% dos pacientes com Esclerose Múltipla. Pelo fato de ser a mais comum, vamos escrever sobre ela, a Constipação! 

A constipação ocorre quando as fezes permanecem no intestino por muito tempo, tornando-se ressecadas e endurecidas. Isso dificulta sua eliminação, podendo levar à impossibilidade de defecar. Os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas os mais comuns são tensão, inchaço abdominal e desconforto intenso.

Para ser diagnosticada, foram estabelecidos alguns critérios, chamados de “Critérios de Roma III”. Se o paciente tiver presentes 2 itens dos listados abaixo em 25% das defecações durante 6 meses, a constipação é diagnosticada.

Critérios de Roma III:
  • Esforço para evacuar;
  • Fezes endurecidas;
  • Sensação de evacuação incompleta;
  • Sensação de obstrução de saída;
  • Manobras manuais para facilitar evacuação (dedo);
  • Menos de 3 evacuações por semana.

Tradicionalmente tem-se indicado como tratamento modificações na dieta, laxantes, supositórios e lavagens intestinais, recursos que auxiliam parcialmente o problema.

Como tratamento fisioterapêutico propomos exercícios para Musculatura do Assoalho Pélvico. Mas por quê?? Porque esta musculatura localiza-se abaixo da pelve e uma de suas funções é a de regular a função intestinal. Quando esta musculatura se contrai ela permite a continência de gases e de fezes. O contrário também é verdadeiro, quando ela se relaxa, permite a eliminação das fezes.

Fonte: Google imagens
Para tratarmos esta musculatura, precisamos saber como está sua função. Será que ela está se contraindo adequadamente? Será que ela está se relaxando o necessário para evacuação completa? Será que ela está tensa? A avaliação realizada por um especialista é muito importante, pois é a partir dela que os exercícios serão propostos.

Apesar de não poder escrever neste post exercícios prontos para que todos pudessem realizar, afinal eles são únicos para cada paciente, gostaria de deixar para vocês algumas dicas, tanto para ajudar na percepção da Musculatura do Assoalho pélvico, quanto para ajudar na eliminação das fezes:
  • Tente sentir sua Musculatura do Assoalho Pélvico. Fique sentado adequadamente em uma cadeira, e procure sentir a contração desta musculatura ao tentar fechar o ânus com força para dentro e para cima. Após fazer esta contração procure relaxar completamente, como se seus músculos encostassem da cadeira. Mantenha este relaxamento por alguns segundos e depois repita a contração seguida do relaxamento. Esta percepção da capacidade de contrair e relaxar pode lhe ajudar e muito a relaxar adequadamente no momento da evacuação;
  • Beba bastante água;
  • Alimente-se adequadamente, procure um nutricionista;
  • Faça exercícios físicos, pois a falta deles contribui para o mau funcionamento do intestino.

Para aquelas situações em que estas dicas já não são suficientes, sugiro a procura pelo médico para orientação de medicamentos e de um Fisioterapeuta especialista na área para lhe ajudar com o problema. O importante é saber que existe tratamento!!

Abraço!

Dra. Cíntia Fischer Blosfeld
Fisioterapeuta Pélvica
Fisioterapeuta Neurofuncional
Curitiba-PR


  • Fisioterapeuta formada pela Faculdade Evangélica do Paraná;
  • Especialização em Fisioterapia Neurofuncional pela Universidade Tuiuti do Paraná;
  • Formação Internacional de Uroginecologia, ABAFI, Curitiba-PR;
  • Especialização Internacional em Fisioterapia Pélvica - Urologia, Uroginecologia e Sexualidade Funcional pela Faculdade Inspirar, Curitiba-PR.