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quinta-feira, 9 de março de 2017

Tratamento fisioterapêutico das disfunções sexuais em pessoas com esclerose múltipla (EM)


Fonte: Google imagens

Em meu último post escrevi sobre as Disfunções Sexuais comuns às pessoas com Esclerose Múltipla. Hoje, gostaria de entrar um pouco mais a fundo sobre o tratamento que a Fisioterapia Neuropélvica pode proporcionar.

Relembrando, existem 3 tipos de Disfunções Sexuais: as primárias, as secundárias e as terciárias. As primárias têm relação direta com as placas de esclerose, por exemplo a diminuição da libido, da lubrificação vaginal, as alterações da sensibilidade na área genital, as dores durante o ato sexual, a diminuição ou ausência de orgasmo e a disfunção erétil.

As secundárias surgem em consequência de outras alterações físicas causadas pela própria Esclerose Múltipla, por exemplo, a espasticidade, os tremores, a incontinência urinária, a disfunção intestinal e especialmente a fadiga, situação que muitas vezes não permite que a excitação sexual aconteça. As terciárias têm origem nas consequências culturais, sociais, emocionais e psicológicas da Esclerose Múltipla. Incluímos aqui a depressão, a ansiedade e a alteração da imagem corporal, como cada um vê e julga o próprio corpo.


O tratamento fisioterapêutico será baseado nas queixas da Disfunção Sexual citadas acima e na função da Musculatura do Assoalho Pélvico de cada paciente. Esta musculatura é composta por duas camadas (superficial e profunda) e localiza-se entre o púbis, o cóccix e os ísquios. Ela possui 5 funções: proteção e sustentação dos órgãos pélvicos, micção, evacuação e função sexual.  

Fonte: Google imagens


Sobre a função sexual, a Musculatura do Assoalho Pélvico é responsável pelas contrações rítmicas involuntárias durante o orgasmo e durante a relação sexual. Além disto, uma musculatura fraca pode levar a uma diminuição da sensibilidade na região genital e consequentemente levar a uma diminuição ou ausência do orgasmo. Da mesma forma, uma musculatura tensa ou hiperativa pode dificultar a penetração e causar dores durante a relação sexual. Com isso em mente, entendemos o quão importante é procurar o bom funcionamento muscular para uma vida sexual satisfatória.

Como tratamento dispomos de alguns recursos, tais como:

  • Eletroestimulação: Através da eletroestimulação é possível ativar musculaturas do assoalho pélvico que estejam muito fracas com objetivo de melhorar a circulação e a sensibilidade na região genital, melhorando a qualidade do orgasmo. Através deste recurso também é possível utilizar correntes que aliviem pontos dolorosos;
  • Biofeedback: através deste recurso, é possível aprender a contrair e a relaxar adequadamente a musculatura do assoalho pélvico visualizando exercícios na tela do computador. O objetivo principal vai depender de cada caso. Para músculos tensos ou hiperativos ensina-se o relaxamento; para músculos fracos, com baixa capacidade de manutenção ou explosão muscular ensina-se o treinamento baseado na função;


Fonte: Google imagens


  • Trabalho Manual: é uma maneira que temos de liberar pontos de tensão e dor da musculatura do assoalho pélvico com objetivo de permitir uma musculatura mais relaxada e que permita a penetração mais facilmente. Também auxilia no ganho de funções específicas musculares;
  • Exercícios Ativos da Musculatura do Assoalho Pélvico: são exercícios que devem ser programados de forma individual, baseados na queixa e na função muscular de cada paciente. Eles são simples e podem ser realizados em diversas posições: deitada, sentada, em pé, caminhando ou fazendo atividades físicas.


Apesar de focar no tratamento da Fisioterapia Pélvica neste post, gostaria de frisar que o tratamento das Disfunções Sexuais é multidisciplinar. Não deixe de conversar com seu Médico, Psicólogo, Fisioterapeuta Neurofuncional e Fisioterapeuta Pélvico sobre o problema. Uma boa equipe poderá direcionar o tratamento mais adequado.


Abraço!

Dra. Cíntia Fischer Blosfeld
Fisioterapeuta Pélvica
Fisioterapeuta Neurofuncional
Curitiba/PR



  • Fisioterapeuta formada pela Faculdade Evangélica do Paraná;
  • Especialização em Fisioterapia Neurofuncional pela Universidade Tuiuti do Paraná;
  • Formação Internacional de Uroginecologia, ABAFI, Curitiba-PR;
  • Especialização Internacional em Fisioterapia Pélvica - Urologia, Uroginecologia e Sexualidade Funcional pela Faculdade Inspirar, Curitiba-PR.




sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Fisioterapia Neuropélvica na Constipação Intestinal do paciente com Esclerose Múltipla


Fonte: Google imagens
Hoje o tema é Disfunção Intestinal!!! Mas o que é isto??  Disfunções intestinais são aquelas situações em que o intestino não funciona adequadamente, entre elas estão a Incontinência Anal (escapes de fezes e/ou gases) e a Constipação (intestino preso). A segunda é a mais comum, presente em 43% dos pacientes com Esclerose Múltipla. Pelo fato de ser a mais comum, vamos escrever sobre ela, a Constipação! 

A constipação ocorre quando as fezes permanecem no intestino por muito tempo, tornando-se ressecadas e endurecidas. Isso dificulta sua eliminação, podendo levar à impossibilidade de defecar. Os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas os mais comuns são tensão, inchaço abdominal e desconforto intenso.

Para ser diagnosticada, foram estabelecidos alguns critérios, chamados de “Critérios de Roma III”. Se o paciente tiver presentes 2 itens dos listados abaixo em 25% das defecações durante 6 meses, a constipação é diagnosticada.

Critérios de Roma III:
  • Esforço para evacuar;
  • Fezes endurecidas;
  • Sensação de evacuação incompleta;
  • Sensação de obstrução de saída;
  • Manobras manuais para facilitar evacuação (dedo);
  • Menos de 3 evacuações por semana.

Tradicionalmente tem-se indicado como tratamento modificações na dieta, laxantes, supositórios e lavagens intestinais, recursos que auxiliam parcialmente o problema.

Como tratamento fisioterapêutico propomos exercícios para Musculatura do Assoalho Pélvico. Mas por quê?? Porque esta musculatura localiza-se abaixo da pelve e uma de suas funções é a de regular a função intestinal. Quando esta musculatura se contrai ela permite a continência de gases e de fezes. O contrário também é verdadeiro, quando ela se relaxa, permite a eliminação das fezes.

Fonte: Google imagens
Para tratarmos esta musculatura, precisamos saber como está sua função. Será que ela está se contraindo adequadamente? Será que ela está se relaxando o necessário para evacuação completa? Será que ela está tensa? A avaliação realizada por um especialista é muito importante, pois é a partir dela que os exercícios serão propostos.

Apesar de não poder escrever neste post exercícios prontos para que todos pudessem realizar, afinal eles são únicos para cada paciente, gostaria de deixar para vocês algumas dicas, tanto para ajudar na percepção da Musculatura do Assoalho pélvico, quanto para ajudar na eliminação das fezes:
  • Tente sentir sua Musculatura do Assoalho Pélvico. Fique sentado adequadamente em uma cadeira, e procure sentir a contração desta musculatura ao tentar fechar o ânus com força para dentro e para cima. Após fazer esta contração procure relaxar completamente, como se seus músculos encostassem da cadeira. Mantenha este relaxamento por alguns segundos e depois repita a contração seguida do relaxamento. Esta percepção da capacidade de contrair e relaxar pode lhe ajudar e muito a relaxar adequadamente no momento da evacuação;
  • Beba bastante água;
  • Alimente-se adequadamente, procure um nutricionista;
  • Faça exercícios físicos, pois a falta deles contribui para o mau funcionamento do intestino.

Para aquelas situações em que estas dicas já não são suficientes, sugiro a procura pelo médico para orientação de medicamentos e de um Fisioterapeuta especialista na área para lhe ajudar com o problema. O importante é saber que existe tratamento!!

Abraço!

Dra. Cíntia Fischer Blosfeld
Fisioterapeuta Pélvica
Fisioterapeuta Neurofuncional
Curitiba-PR


  • Fisioterapeuta formada pela Faculdade Evangélica do Paraná;
  • Especialização em Fisioterapia Neurofuncional pela Universidade Tuiuti do Paraná;
  • Formação Internacional de Uroginecologia, ABAFI, Curitiba-PR;
  • Especialização Internacional em Fisioterapia Pélvica - Urologia, Uroginecologia e Sexualidade Funcional pela Faculdade Inspirar, Curitiba-PR.


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Sexualidade na Esclerose Múltipla


Fonte: http://www.rosana.com.br/tratamentos/disfuncao-sexual-feminina/

Chegou o momento de escrever sobre outro tipo de disfunção pélvica comum ao paciente com Esclerose Múltipla, a Disfunção Sexual, tema um pouco mais delicado, mas que também é muito importante de ser discutido.

Como expliquei no post sobre Bexiga Neurogênica, aqui a causa da Disfunção Sexual é muito semelhante, porém acrescida de outros fatores. Em função da formação das placas de esclerose em determinadas regiões cerebrais e/ou medulares, o controle central que provoca respostas corporais de preparação para o sexo fica comprometido. Mas, além disso, as alterações motoras, psicológicas e emocionais também podem afetar a vida sexual. Dividimos então as disfunções sexuais em primárias, secundárias e terciárias.

As primárias têm relação direta com as placas de esclerose. Como exemplo estão a diminuição da libido, da lubrificação vaginal, alterações da sensibilidade na área genital, dores durante o ato sexual, diminuição ou ausência de orgasmo e disfunção erétil.

As secundárias surgem em consequência de outras alterações físicas causadas pela própria Esclerose Múltipla, por exemplo, a espasticidade, os tremores, a incontinência urinária, a disfunção intestinal, e especialmente a fadiga, situação que muitas vezes não permite que a excitação sexual aconteça.

As terciárias têm origem nas consequências culturais, sociais, emocionais e psicológicas da Esclerose Múltipla. Incluímos aqui a depressão, a ansiedade e a alteração da imagem corporal (como cada um vê e julga o próprio corpo).

Mas e agora? Depois de tantas definições, o que fazer para driblar essas disfunções? 

Primeiramente, é importante que haja muita conversa e cumplicidade com o(a) parceiro(a), pois algumas situações podem ser melhoradas apenas com alguns ajustes entre o casal. Por exemplo, no caso da diminuição da lubrificação, o uso de lubrificantes a base d’água não irritativos podem ajudar bastante. Quanto à fadiga, quem sabe tentar ter relação sexual pela manhã ou em um horário do dia em que se esteja mais descansado.

Outra questão importante é uma conversa com o médico sobre suas dificuldades sexuais para que ele possa receitar alguma medicação para diminuir a espasticidade, por exemplo, ou então para a disfunção erétil ou depressão. A Fisioterapia Neuropélvica também pode ajudar muito na melhora da função sexual, mas este será o tema de meu próximo post!!

A mensagem de hoje é: converse com seu parceiro, com seu médico e com seu fisioterapeuta sobre como está e como você gostaria que estivesse sua sexualidade. Permita-se mudanças para melhor e realizações também na sua vida sexual!

Abraço!


Dra. Cíntia Fischer Blosfeld
Fisioterapeuta Neurofuncional
Fisioterapeuta Pélvica
 cintiaef@gmail.com

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Tratamento conservador da Bexiga Neurogênica do paciente com Esclerose Múltipla - Fisioterapia NeuroPélvica


Fonte: st.depositphotos.com/1812149/2267/i/450/depositphotos_22671493-3d-art-illustration-of-nervous.jpg

No post anterior, escrevi sobre os sintomas urinários muito frequentes nos pacientes com Esclerose Múltipla (EM) e Bexiga Neurogênica. Destaquei a urgência e a urgeincontinência urinária, as idas muito frequentes durante o dia e durante a noite para urinar, a dificuldade de esvaziar completamente a bexiga e as retenções urinárias que podem, por consequência, levar a infecções urinárias de repetição e a lesões renais.

A Fisioterapia Pélvica foi criada com objetivo de proporcionar aos pacientes com disfunções miccionais, coloproctológicas e sexuais, formas conservadoras de tratamento. Preocupados também com as disfunções decorrentes da Bexiga Neurogênica, surge a Fisioterapia NeuroPélvica, uma subespecialidade que atende não apenas pacientes com Esclerose Múltipla, mas também com Parkinson, pacientes que sofreram Lesões Medulares, Acidentes Vasculares Cerebrais ou outras patologias que afetem a integridade da inervação pélvica e de seus respectivos centros no Sistema Nervoso Central.


O tratamento fisioterapêutico vai depender de uma boa avaliação das queixas de cada paciente e da qualidade de contração e relaxamento da Musculatura do Assoalho Pélvico. Essa musculatura é composta por duas camadas (superficial e profunda) e localiza-se entre o púbis, o cóccix e os ísquios. Ela possui 5 funções: proteção e sustentação dos órgãos pélvicos, micção, evacuação e função sexual.  


Musculatura do Assoalho Pélvico
Fonte: Google Imagens
Essa musculatura precisa estar funcional. Isso significa que ela deve estar forte, ser capaz de se manter em contração, de se contrair rapidamente, de se contrair antes de atividades de esforço abdominal, bem como ter capacidade de relaxamento para permitir a micção e a evacuação.

Em pacientes com EM é comum que essa musculatura esteja hiperativa, ou seja, ela permanece tensa para tentar compensar a atividade excessiva do músculo da bexiga que por vezes tem diminuição de sua inibição feita pelo Sistema Nervoso Central. Sendo assim, a musculatura do assoalho pélvico tem dificuldade de se relaxar no momento em que a micção ou evacuação deve ocorrer, levando a hesitações e a retenções urinárias.

Após avaliação da funcionalidade da Musculatura do Assoalho Pélvico e correlação com os sintomas urinários e exames apresentados por cada paciente, é definida a melhor forma de tratamento. Dispomos de recursos como: Eletroestimulação, Biofeedback, Trabalho Manual e Exercícios Ativos da Musculatura do Assoalho Pélvico.

- Eletroestimulação: é um recurso muito utilizado para Bexigas Neurogênicas. Dependendo da frequência trabalhada é possível “modular” a bexiga, induzindo-a a se contrair adequadamente e inibindo contrações involuntárias que possam fazer com que haja urgência, frequência ou incontinência urinária. Através da eletroestimulação também é possível ativar musculaturas do assoalho pélvico que estejam muito fracas.

- Biofeedback: através deste recurso, é possível que o paciente aprenda a contrair e a relaxar adequadamente sua musculatura do assoalho pélvico, visualizando exercícios na tela do computador.

- Trabalho Manual: é uma maneira que temos de liberar pontos de tensão e dor da musculatura do assoalho pélvico. Também auxilia no ganho de funções específicas musculares.

- Exercícios Ativos da Musculatura do Assoalho Pélvico: são exercícios que devem ser programados de forma individual, baseados na função muscular de cada paciente. Podem ter objetivo de fortalecer, de ativar os músculos antes de atividades de esforço, como tossir ou espirrar, ou até mesmo de relaxar para permitir a micção e a evacuação.

A mensagem importante que gostaria de deixar com este post é que existe tratamento para esses sintomas tão incômodos e constrangedores que fazem parte da vida de muitos pacientes com Esclerose Múltipla. E também que não existe uma receita pronta de exercícios para todos os pacientes, cada um deve receber uma atenção individualizada. 

Procure ajuda!!

Abraço!


Cíntia E. Fischer Blosfeld
Fisioterapeuta Pélvica
Fisioterapeuta Neurofuncional
Curitiba-PR

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Sintomas Urinários em pacientes com Esclerose Múltipla


Fonte: Google imagens

Hoje, ao realizar a avaliação de uma nova paciente com Esclerose Múltipla (EM), fui questionada da seguinte maneira: “- Dra. tem muita gente que perde urina assim como eu???”

Acredito que este seja o questionamento de várias pessoas com EM, por isto, como minha primeira contribuição para o blog, decidi escrever sobre as características dos sintomas urinários nos pacientes com EM.

Estima-se que mais da metade das pessoas acometidas pela EM tenham algum tipo de sintoma urinário, que caracterizam a bexiga neurogênica.

Mas... o que é uma bexiga neurogênica???

À medida que nossa bexiga vai se enchendo de urina, alguns de seus receptores enviam sinais para a nossa medula e para o nosso cérebro de que é necessário irmos até o banheiro para urinar.  Quando não há nenhuma lesão, nosso cérebro e medula são capazes de inibir este desejo e fazer com que tenhamos calma para irmos ao banheiro quando for mais conveniente. Assim, quando for oportuno, nossa bexiga se contrai e se esvazia.

No caso da bexiga neurogênica, dependendo das áreas do cérebro e/ou da medula espinhal em que hajam placas de esclerose, a inibição das contrações da bexiga fica comprometida, fazendo com que o paciente precise urinar várias vezes ao dia e com muita urgência, às vezes até perdendo urina antes de chegar ao banheiro. É por isso também que muitos acordam à noite com uma forte vontade de urinar e chegam ao banheiro e sai apenas uma gotinha, apesar de sentir que a bexiga nunca se esvazia completamente.

Essa situação pode levar há um desequilíbrio em todo o mecanismo de enchimento e esvaziamento da bexiga, consequentemente acarretando a presença de resíduo de urina, infecções urinárias de repetição e comprometimentos renais.

Além disto, são problemas muito constrangedores e que podem limitar a pessoa em suas atividades sociais como viajar, ir a reuniões, realizar atividades físicas e ter relações sexuais com o(a) parceiro(a). Muitos também ficam preocupados que outros sintam o cheiro de urina e acabam se isolando, o que pode levar à depressão e ansiedade.

Mas... e o tratamento para esses sintomas urinários??

Tem-se relatado na literatura formas conservadoras de tratamento, entre elas, cateterismo intermitente, medicamentos e toxina botulínica, que devem ser orientados pelo médico responsável. Além dessas formas, destaco a Fisioterapia Neuropélvica, uma área que tem apresentado bons resultados comprovados cientificamente aos pacientes com EM.

Fisioterapia Neuropélvica é a área em que trabalho com muito carinho e dedicação, e que pretendo apresentar para vocês nos próximos posts ;)

Abraço,


Cíntia E. Fischer Blosfeld
Fisioterapeuta Pélvica
Fisioterapeuta Neurofuncional 
Curitiba-PR