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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Incontinência urinária na esclerose múltipla


Fonte: http://blogpilates.com.br/incontinencia-urinaria-na-obesidade/

A incontinência urinária define-se como a queixa de perda involuntária de urina e ela pode se apresentar em quatro tipos mais comuns:
  • Incontinência urinária de esforço (IUE): Ocorre devido a uma deficiência no suporte vesical e uretral que é feito pelos músculos do assoalho pélvico e/ou por uma fraqueza ou lesão do esfíncter uretral. Essa condição leva a perda de urina durante aumento da pressão intra-abdominal, tais como tossir, espirrar, correr, rir, pegar peso, levantar da posição sentada ou até mesmo andar. Em geral, não ocorrem perdas em repouso e durante o sono. Essa situação é bem mais frequente em mulheres.
  • Incontinência urinária por urgência (IUU): Ocorre como consequência da hiperatividade detrusora (HD). Denominamos HD quando o músculo detrusor apresenta contração involuntária. Para a preservação da continência urinária é fundamental que a bexiga apresente função normal e a pressão intravesical deve permanecer relativamente baixa e constante durante todo o enchimento. Em pessoas com a sensibilidade vesical preservada, a HD leva a um desejo súbito e imperioso de urinar. Quando a contração vesical supera a capacidade de oclusão uretral gerada pelo esfíncter ocorre a IUU. Várias situações podem levar à hiperatividade detrusora, desde uma infecção urinária que irrita a mucosa vesical até uma alteração, identificável ou não, da inervação vesical. Os sintomas mais comuns associados a IUU são urgência miccional, polaciúria (urina pouca quantidade muitas vezes ao dia) e noctúria (urina muito durante a noite).
  • Incontinência urinária mista: É a combinação da IUE e IUU, ou seja, uma insuficiência uretral associada à hiperatividade detrusora.
  • Incontinência urinária por transbordamento: Ocorre quando a bexiga não é esvaziada por longos períodos, tornando-se tão cheia que a urina simplesmente transborda. Isso pode acontecer quando existe diminuição da sensibilidade ou da contratilidade vesical ou, ainda, quando existe uma obstrução uretral crônica. A principal causa de incontinência por transbordamento está associada ao aumento prostático (hiperplasia prostática benigna), com consequente obstrução uretral. Por essa razão, esse tipo de incontinência é mais comum no homem. 
A fraqueza do detrusor e diminuição da sensibilidade podem ocorrer em ambos os sexos, mas isso é mais comum em pessoas com diabetes, uso crônico de álcool e outros problemas que levem a diminuição da função neuronal. Do contrário, é possível que se trate de bexiga hiperativa.

A disfunção urinária neurogênica é consequência de hiperreflexia do músculo detrusor (bexiga espástica) que leva a uma diminuição da capacidade de armazenamento de urina, gerando sintomas de urgência urinária, alta frequência de micções e incontinência, esvaziamento incompleto da bexiga e aumento do volume residual de urina, aumentando a possibilidade de se desenvolver infecções do trato urinário.

Cerca de 90% dos pacientes com Esclerose Múltipla vão apresentar queixas do trato urinário em algum ponto da doença, sendo que 70% terão hiperatividade demonstrada pela avaliação urodinâmica. Dos sintomas urinários, a queixa mais frequente é a urgência que chega a atingir 83% dos pacientes, produzindo incontinência em 75%. Das disfunções miccionais, a dissinergia detrusor-esfincteriana é a mais comum, atingindo em torno de 50% dos doentes.

O predomínio da síndrome da bexiga hiperativa é relatado com uma prevalência de 30% a 90%, sendo que os sintomas obstrutivos afetam de 30% a 70% dos pacientes com 25% de retenção urinária crônica. Sintomas irritativos e obstrutivos coexistem em 59% dos homens e 51% das mulheres.


Dados clínicos demonstram que 96% dos pacientes com EM apresentam anormalidades tanto no músculo detrusor quanto no funcionamento esfincteriano e relacionou estes achados à desmielinização do trato córtico espinhal e/ou trato retículoespinhal.

Ricardo Cezar Carvalho
Fisioterapeuta




Sou Ricardo Cezar Carvalho, fisioterapeuta, especialista em neurologia funcional e especialista em acupuntura. Trabalho com pacientes com Esclerose Múltipla há 16 anos. Realizei vários congressos e palestras sobre a Fisioterapia na Esclerose Múltipla.






segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Tratamento conservador da Bexiga Neurogênica do paciente com Esclerose Múltipla - Fisioterapia NeuroPélvica


Fonte: st.depositphotos.com/1812149/2267/i/450/depositphotos_22671493-3d-art-illustration-of-nervous.jpg

No post anterior, escrevi sobre os sintomas urinários muito frequentes nos pacientes com Esclerose Múltipla (EM) e Bexiga Neurogênica. Destaquei a urgência e a urgeincontinência urinária, as idas muito frequentes durante o dia e durante a noite para urinar, a dificuldade de esvaziar completamente a bexiga e as retenções urinárias que podem, por consequência, levar a infecções urinárias de repetição e a lesões renais.

A Fisioterapia Pélvica foi criada com objetivo de proporcionar aos pacientes com disfunções miccionais, coloproctológicas e sexuais, formas conservadoras de tratamento. Preocupados também com as disfunções decorrentes da Bexiga Neurogênica, surge a Fisioterapia NeuroPélvica, uma subespecialidade que atende não apenas pacientes com Esclerose Múltipla, mas também com Parkinson, pacientes que sofreram Lesões Medulares, Acidentes Vasculares Cerebrais ou outras patologias que afetem a integridade da inervação pélvica e de seus respectivos centros no Sistema Nervoso Central.


O tratamento fisioterapêutico vai depender de uma boa avaliação das queixas de cada paciente e da qualidade de contração e relaxamento da Musculatura do Assoalho Pélvico. Essa musculatura é composta por duas camadas (superficial e profunda) e localiza-se entre o púbis, o cóccix e os ísquios. Ela possui 5 funções: proteção e sustentação dos órgãos pélvicos, micção, evacuação e função sexual.  


Musculatura do Assoalho Pélvico
Fonte: Google Imagens
Essa musculatura precisa estar funcional. Isso significa que ela deve estar forte, ser capaz de se manter em contração, de se contrair rapidamente, de se contrair antes de atividades de esforço abdominal, bem como ter capacidade de relaxamento para permitir a micção e a evacuação.

Em pacientes com EM é comum que essa musculatura esteja hiperativa, ou seja, ela permanece tensa para tentar compensar a atividade excessiva do músculo da bexiga que por vezes tem diminuição de sua inibição feita pelo Sistema Nervoso Central. Sendo assim, a musculatura do assoalho pélvico tem dificuldade de se relaxar no momento em que a micção ou evacuação deve ocorrer, levando a hesitações e a retenções urinárias.

Após avaliação da funcionalidade da Musculatura do Assoalho Pélvico e correlação com os sintomas urinários e exames apresentados por cada paciente, é definida a melhor forma de tratamento. Dispomos de recursos como: Eletroestimulação, Biofeedback, Trabalho Manual e Exercícios Ativos da Musculatura do Assoalho Pélvico.

- Eletroestimulação: é um recurso muito utilizado para Bexigas Neurogênicas. Dependendo da frequência trabalhada é possível “modular” a bexiga, induzindo-a a se contrair adequadamente e inibindo contrações involuntárias que possam fazer com que haja urgência, frequência ou incontinência urinária. Através da eletroestimulação também é possível ativar musculaturas do assoalho pélvico que estejam muito fracas.

- Biofeedback: através deste recurso, é possível que o paciente aprenda a contrair e a relaxar adequadamente sua musculatura do assoalho pélvico, visualizando exercícios na tela do computador.

- Trabalho Manual: é uma maneira que temos de liberar pontos de tensão e dor da musculatura do assoalho pélvico. Também auxilia no ganho de funções específicas musculares.

- Exercícios Ativos da Musculatura do Assoalho Pélvico: são exercícios que devem ser programados de forma individual, baseados na função muscular de cada paciente. Podem ter objetivo de fortalecer, de ativar os músculos antes de atividades de esforço, como tossir ou espirrar, ou até mesmo de relaxar para permitir a micção e a evacuação.

A mensagem importante que gostaria de deixar com este post é que existe tratamento para esses sintomas tão incômodos e constrangedores que fazem parte da vida de muitos pacientes com Esclerose Múltipla. E também que não existe uma receita pronta de exercícios para todos os pacientes, cada um deve receber uma atenção individualizada. 

Procure ajuda!!

Abraço!


Cíntia E. Fischer Blosfeld
Fisioterapeuta Pélvica
Fisioterapeuta Neurofuncional
Curitiba-PR