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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Cara de deficiente


Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/06/150616_super_reconhecedores_rosto_teste_rb


Ah! esta situação provavelmente todo mundo (que tem deficiência) já ouviu pelo menos uma vez na vida: você está na fila preferencial, ou na vaga preferencial, as pessoas olham feio, alguém toma coragem e fala "e aí seu folgado, cara de pau, aqui é preferencial", e você responde "mas eu tenho deficiência (ou mobilidade reduzida)", a criatura te olha com aquela cara de chocado e fala a célebre frase "nooooossa, você não tem cara de deficiente".

E aí  eu pergunto, o que é ter cara de deficiente? É ser feio? Ter aquela cara meio duuur? Ter uma aparência de pessoa sofrida, triste, abatida e depressiva?

Às vezes eu fico imaginando, a pessoa está la de boa, de repente ela sofre um acidente ou por alguma doença acaba perdendo os movimentos, e aí PAH! a cara da pessoa muda, ficou com cara de deficiente.

Geeente, pelo amor né? as coisas não funcionam assim, deficiência não tem cara, não tem cor, não tem gênero, não tem nível social.

E a você que quando vê alguém alegre, bem resolvido com a vida, e acha estranho quando descobre que essa pessoa tem deficiência, sinto em informar, mas pessoas com deficiência têm uma vida igual a você, essas pessoas têm amigos, saem pra passear, se divertem, brigam, dão risada até a barriga doer, choram, dão a "loka" de vez em quando.

Estamos em 2016 (quase final de 2016), como já vimos anteriormente, no texto Acessibilidade psicológica (clique aqui para ler), acessibilidade não é somente o que diz respeito à arquitetura do lugar, mas também como a sociedade acolhe as pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

Camila Pavan
Arquiteta

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Bravinho pela fila preferencial?





Hoje a conversa é com você que faz cara feia quando está no restaurante, na fila do mercado, do banco, da loja de roupa e um deficiente chega 10 horas depois de você e passa na sua frente, "MEU DEUS, QUE ABSURDO, POR QUÊ?" Então vamos la, farei uma série de perguntas e você responde apenas com sim ou não: 

Caso você tenha filho(a), quando você estava grávida, por um acaso você fez planos sobre seu filho sendo o primeiro da turma, sonhou em vê-lo todo pintado e escrito "usp" na testa, imaginou como seria o dia da formatura, aquela hora que todos jogam o capelo para cima, depois a hora do casamento, levando a filha até o altar, depois pensou nos netinhos, será que seu filho vai ter menina ou menino? Mas de repente todos os sonhos foram por água abaixo, "olha, seu filho nasceu com um probleminha"..."talvez ele não vá falar", "nós ainda não sabemos direito o que ele tem", ou "ele vai viver até os 3 anos, e se viver será com sequelas" e então seu mundo de sonhos se tornou em incertezas sobre o futuro? 

Quando você vai nos lugares, você sofre porque fala uma linguagem diferente, aquele tal de libras que quase ninguém usa e aí você não consegue assistir peças de teatro, ir ao cinema porque não sabe o que os atores estão falando e não tem legenda na tela, não consegue se comunicar com as pessoas (elas não conseguem se comunicar com você)? 

Você quando sai de casa imagina os espaços como uma incógnita porque não vê os obstáculos à frente, não sabe onde tem buraco na rua, onde tem degrau, onde fica a escada, a rampa, se tem carro passando, se pode atravessar a rua ou não e fica triste porque os restaurantes não disponibilizam cardápio em braile ? 

Já passou por algum inconveniente por não ter conseguido entrar em algum estabelecimento porque o acesso é somente por escadas ou não pôde utilizar o banheiro porque era muito apertado e a cadeira de roda não entrava?

 Se você respondeu NÃO para todas as perguntas, meu amigo, minha amiga, o mínimo que você faz é ficar feliz** por não usar a fila preferencial. 

**Nós também somos muito felizes, mas todos um dia já passaram por constrangimentos, incertezas e dificuldades.


Camila Pavan
Arquiteta