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quarta-feira, 22 de junho de 2016

Tempo real X tempo preguiçoso


A persistência da Memória. Salvador Dalí, 1931.
Fonte: Google imagens

Não sei se vocês são como eu, mas as vezes tenho a impressão de que meu tempo não existe mais para ninguém, apenas para mim.

Bem, vou explicar o que estou pensando. Antes, na loucura da correria do dia a dia, de uma rotina praticamente igual todos os dias, sentia que o tempo que deixava de ver um amigo, 1 ou 2 meses, era muito, afinal a vida corria igual para todo mundo.

No momento, tenho a nítida sensação que me desprendi do tempo. Ele passa para mim de uma forma menos exigente. Posso ficar de 4 à 6 meses, ou até um ano, sem ver um amigo querido, se souber que tudo vai bem.

Sinto que o meu tempo é preguiçoso, corre, porém bem lento. Mais ou menos assim, pergunto :
 - Mãe, quando foi a última vez que fomos ao shopping?

Na minha cabeça, pelo menos, fomos no mês passado, e ela responde: 

- Xiii, Fabiana faz tanto tempo que nem me lembro...

Credo, me preocupo: perdi a noção real do tempo?

Mas, quando paro para pensar na real diferença que o tempo faz em minha vida hoje em dia, me deparo com uma realidade diferente, que sim, tem a ver com a Esclerose Múltipla.

Para mim hoje, o que me faz preocupar com o tempo, esse que é contado em dias, meses, anos, números, horas... ou seja, quantitativo, é o dia que vencerá a minha licença saúde, o mês que preciso renovar as receitas, a hora de buscar o medicamento na farmácia de alto custo, o mês de fazer ressonância magnética, a hora de ir à consulta, o dia de colher sangue....

Aí sim o tempo segue seu ritmo, sem preguiça, porque são causas providenciais que não podem parar, porque na realidade aquilo que antes era tão importante, e não podia se perder tempo, hoje não mais é.

Os valores são modificados quando se tem uma doença crônica sem cura? Não, os valores continuam os mesmos, porém valorizando e colocando talvez em primeiro lugar o que é de nossa maior importância.

Não que as outras coisas não sejam importantes, mas as vezes não tem como conciliá-las num mesmo momento, portanto, no cálculo de tempos diferentes, o mais importante vai na frente do menos. Entretanto, o ideal é que o tempo real e o preguiçoso se acertem no final e, além das obrigações, eu possa contemplar minhas amizades.

Bem, meus queridos não quero me prolongar, para não ficar repetitiva.

Tenham um ótimo restinho de semana.

Mil beijinhos...


Fabi
(Fabiana Dal Ri Barbosa)