As alterações da sensibilidade estão
entre os achados mais frequentes da Esclerose Múltipla. No entanto, apesar da
importância da sensibilidade na capacidade de adaptação ao meio e na autorregulação
na vida de qualquer ser vivo, pouco se discute suas repercussões. Quero me
dedicar a explorar esse tema e compartilhar algumas reflexões...
Toda resposta de um ser vivo ao meio
dependerá de um estímulo interno ou externo. Não há resposta motora, visceral,
afetiva, intelectual, sem que ocorra na prévia um estímulo, que chamaremos de
sensorial. A capacidade e a adequação de uma resposta dependem fundamentalmente
do imput de uma informação
sensorialmente adequada. De acordo com a complexidade de cada espécie e do meio
em que vive, os diferentes seres apresentam sistemas sensoriais que lhes são
peculiares.
São muitas e diferentes as categorias
de estímulos sensoriais e nos humanos as informações sensoriais estão divididas
em categorias, de acordo com a natureza dos estímulos e da região em que estes
estímulos são captados. Em outro momento falaremos mais profundamente sobre as
dinâmicas fisiológicas que envolvem essas questões. Hoje, no entanto, desejo
falar sobre a importância das sensações e das percepções na nossa vida. E abrir
assim uma janela que permita ver a importância do comprometimento da
sensibilidade e das percepções na vida da pessoa com EM.
E por que as sensações e as percepções
são tão fundamentais? São elas que
fornecem uma compreensão da natureza dos fenômenos que nos circundam. Também
são elas que participam da construção da imagem que temos de nós mesmos.
As alterações da sensibilidade,
portanto, modificam e prejudicam a nossa capacidade de responder às demandas
internas e àquelas impostas pelo meio ambiente com plenitude. As alterações de
sensibilidade podem levar a desordens motoras, como uso inadequado dos membros,
alterações importantes do equilíbrio corporal, compensações posturais que levam
à gastos energéticos evitáveis, aumentando a possibilidade de fadiga. De modo
mais sutil, mas não menos importante, as alterações de sensibilidade
superficial, profunda, visceral, labiríntica, óptica, gustativa, auditiva, produzem
uma percepção alterada do mundo e do próprio corpo, aumentando a sensação de
vulnerabilidade e de fragilidade.
Portanto, não devemos ignorar ou
negligenciar alterações desse campo. A
melhor percepção de si mesmo e do mundo ao nosso redor contribui não só para a
melhora da dinâmica funcional, mas envolve a possibilidade de melhores
respostas ao meio e à organização de uma imagem corporal mais estruturada.
Bete Guazzelli
Fisioterapeuta - Doutora em Saúde Pública

Perfeitas colocações, plenamente entendidas para alguém que como eu , convive a 16 anos sem sensibilidade do pescoço para baixo .
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