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| A persistência da Memória. Salvador Dalí, 1931. Fonte: Google imagens |
Não sei se vocês são como eu, mas as vezes tenho a
impressão de que meu tempo não existe mais para ninguém, apenas para mim.
Bem, vou explicar o que estou pensando. Antes, na
loucura da correria do dia a dia, de uma rotina praticamente igual todos os
dias, sentia que o tempo que deixava de ver um amigo, 1 ou 2 meses, era
muito, afinal a vida corria igual para todo mundo.
No momento, tenho a nítida sensação que me
desprendi do tempo. Ele passa para mim de uma forma menos exigente. Posso ficar
de 4 à 6 meses, ou até um ano, sem ver um amigo querido, se souber que tudo vai
bem.
Sinto que o meu tempo é preguiçoso, corre, porém
bem lento. Mais ou menos assim, pergunto :
- Mãe, quando foi a última vez que
fomos ao shopping?
Na minha cabeça, pelo menos, fomos no mês passado,
e ela responde:
- Xiii, Fabiana faz tanto tempo que nem me lembro...
Credo, me preocupo: perdi a noção real do tempo?
Mas, quando paro para pensar na real diferença que
o tempo faz em minha vida hoje em dia, me deparo com uma realidade diferente,
que sim, tem a ver com a Esclerose Múltipla.
Para mim hoje, o que me faz preocupar com o tempo,
esse que é contado em dias, meses, anos, números, horas... ou seja,
quantitativo, é o dia que vencerá a minha licença saúde, o mês que preciso
renovar as receitas, a hora de buscar o medicamento na farmácia de alto custo,
o mês de fazer ressonância magnética, a hora de ir à consulta, o dia de colher
sangue....
Aí sim o tempo segue seu ritmo, sem preguiça,
porque são causas providenciais que não podem parar, porque na realidade aquilo que antes era tão
importante, e não podia se perder tempo, hoje não mais é.
Os valores são modificados quando se tem uma doença
crônica sem cura? Não, os valores continuam os mesmos, porém valorizando e
colocando talvez em primeiro lugar o que é de nossa maior importância.
Não que as outras coisas não sejam importantes,
mas as vezes não tem como conciliá-las num mesmo momento, portanto, no cálculo
de tempos diferentes, o mais importante vai na frente do menos. Entretanto, o
ideal é que o tempo real e o preguiçoso se acertem no final e, além das
obrigações, eu possa contemplar minhas amizades.
Bem, meus queridos não quero me prolongar, para não
ficar repetitiva.
Tenham um ótimo restinho de semana.
Mil beijinhos...
Fabi
(Fabiana Dal Ri Barbosa)

Penso da mesma forma antes tinha muitas coisas a fazer .hoje se resume nessas coisas buscar vacina renovar ir a médico ,parece q só existe isso a fazer .mas sempre Deus no controle.bj Boa noite Bom final de semana .
ResponderExcluirSim, em primeiro lugar deixo as obrigações, depois divido a agenda calmamente, no tempo preguiçoso....rs
ExcluirCaramba Fabi! E não é que isso acontece mesmo. Coisas que jamais esqueceria (data de aniversário de amigas, o remédio do marido q antes de acabar já providenciava outro e por aí vai...) hj, passam despercebidos. Incrível mesmo! Assino em baixo td o seu relato. BJ, Ro
ResponderExcluirEntão, isso é muito louco se for querer analisar de perto e cientificamente não é querida amiga Rô? Mas o pior que é assim mesmo, nunca esquecia um aniversário, agora.... Quando vou ver o dia, falo: - nossa, já passou meio ano? Aí que me toco....rs
ExcluirQue bom, que vocês me entenderam!!!
Bjs
Concordo em gênero, número grau. Nosso modo de vida muda muito. Temos que respeitar nossa marcha, que é muito mais lenta. As prioridades são outras.
ResponderExcluirGostei do seu texto, parabéns!!!
Concordo em gênero, número grau. Nosso modo de vida muda muito. Temos que respeitar nossa marcha, que é muito mais lenta. As prioridades são outras.
ResponderExcluirGostei do seu texto, parabéns!!!
É exatamente isso Marisa!!! Muito obrigada, fico feliz que tenha gostado.
ExcluirBeijos