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Fonte: Ffoart.com
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Você já parou para pensar na beleza e harmonia em
que nosso corpo trabalha? Nossas "entranhas" são muito complexas, é
realmente magnífico! Vamos olhar um pouco para uma parte destas "entranhas":
o intestino.
Ao falarmos de Sistema Digestório, anatomicamente
podemos pensar em um tubo muscular contendo diversos órgãos e glândulas que
realizam funções indispensáveis. Os órgãos que compõem tal Sistema são a boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado
e intestino grosso, terminando na região anal.
O intestino
(delgado e grosso) possui um sistema nervoso próprio (sistema nervoso entérico), possuindo milhões de neurônios, os quais permitem o intestino desempenhar
funções vitais como digestão, absorção, movimentação do bolo alimentar e
produção de neurotransmissores. O nosso intestino já foi apelidado inclusive como
nosso segundo cérebro. Além desses
neurônios, também possuímos na região intestinal uma flora repleta de bactérias.
Temos na verdade microrganismos no corpo inteiro, contudo não se compara à
quantidade e funcionalidade encontrada na microbiota (flora intestinal). Esta
microbiota vive em simbiose com o ser humano, ou seja, faz-nos bem e
beneficia-se ao encontrar abrigo e alimento em nós. Faz-nos bem porque está
associada ao mecanismo de defesa do nosso organismo, sendo parte essencial do nosso
sistema imunológico, além da produção de moléculas que podem entrar em conexão
com o sistema nervoso central e influenciar nas emoções e comportamento
alimentar (como desejo por determinadas comidas), por exemplo.
O interesse é
grande por parte de pesquisadores na microbiota humana. Isto possibilitou a
condução de diversos estudos, os quais refletem e apontam indícios da possível
associação entre o desequilíbrio da microbiota com o surgimento ou agravamento
de doenças infecciosas e autoimunes, como a Esclerose Múltipla (EM), já que
este desequilíbrio geraria uma alteração na resposta imune do organismo.
Uma recente revisão sistemática1, novembro
de 2016, foi realizada por pesquisadores de uma Universidade canadense. Neste
estudo, os pesquisadores revisaram trabalhos científicos que apontam alterações
identificadas na microbiota de pacientes adultos e pediátricos com EM e as
potenciais contribuições destas alterações na doença. A colonização de
bactérias nestes pacientes diferiram-se em quantidade e tipo de bactérias colonizantes
(não em todos os pacientes), sendo a alimentação apontada como ferramenta terapêutica importante
a ser considerada na manutenção da microbiota. O consumo de prebióticos e
probióticos são apontados em outros estudos da literatura como importantes para
esta manutenção, estando eles presentes
naquelas refeições prazerosas (afinal, no
pain pleasure, no gain) ricas em frutas, verduras, leguminosas (como
o feijão), cereais (como o arroz e a aveia) e iogurtes fermentados naturalmente
( como os à base de Kefir, caseiros).2 O sono, práticas de
relaxamento e atividades físicas prazerosas também são referenciados de maneira
importante quando o assunto é saúde intestinal.
Veja
como é importante atentar-nos para o que e como comemos! Pensar na composição
do seu prato é muito bacana. E não somente composição. Dietas que restrinjam
sua alimentação a ponto de lhe deixar inseguro, insatisfeito, culpando-se antes
ou após refeições ou ainda pensando em comida mais do que o de costume não são
bons indícios de uma alimentação saudável. A alimentação é uma ferramenta importante
no tratamento da EM, e estudos como o citado evidenciam isto. Lembre-se: alimentação
saudável é aquela a qual você se sente à vontade e feliz antes de comer, ao
comer e depois de comer.
Fernanda Sabatini
Referências
1 Budhram
A, Parvathy S, Kremenchutzky M, Silverman M. Breaking down the gut microbiome
composition in multiple sclerosis. Multiple Sclerosis Journal 2016. p. 1-9.
2 Saad
SMI. Probióticos e prebióticos: o estado da arte. Rev. Bras Cienc Farm 2006. p.
1-16.


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