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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

De nossas entranhas


Fonte: Ffoart.com
Você já parou para pensar na beleza e harmonia em que nosso corpo trabalha? Nossas "entranhas" são muito complexas, é realmente magnífico! Vamos olhar um pouco para uma parte destas "entranhas": o intestino.

Ao falarmos de Sistema Digestório, anatomicamente podemos pensar em um tubo muscular contendo diversos órgãos e glândulas que realizam funções indispensáveis. Os órgãos que compõem tal Sistema são a boca,  faringe, esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso, terminando na região anal.

O intestino (delgado e grosso) possui um sistema nervoso próprio (sistema nervoso entérico), possuindo milhões de neurônios, os quais permitem o intestino desempenhar funções vitais como digestão, absorção, movimentação do bolo alimentar e produção de neurotransmissores. O nosso intestino já foi apelidado inclusive como nosso segundo cérebro.  Além desses neurônios, também possuímos na região intestinal uma flora repleta de bactérias. Temos na verdade microrganismos no corpo inteiro, contudo não se compara à quantidade e funcionalidade encontrada na microbiota (flora intestinal). Esta microbiota vive em simbiose com o ser humano, ou seja, faz-nos bem e beneficia-se ao encontrar abrigo e alimento em nós. Faz-nos bem porque está associada ao mecanismo de defesa do nosso organismo, sendo parte essencial do nosso sistema imunológico, além da produção de moléculas que podem entrar em conexão com o sistema nervoso central e influenciar nas emoções e comportamento alimentar (como desejo por determinadas comidas), por exemplo.

O interesse é grande por parte de pesquisadores na microbiota humana. Isto possibilitou a condução de diversos estudos, os quais refletem e apontam indícios da possível associação entre o desequilíbrio da microbiota com o surgimento ou agravamento de doenças infecciosas e autoimunes, como a Esclerose Múltipla (EM), já que este desequilíbrio geraria uma alteração na resposta imune do organismo. 

Uma recente revisão sistemática1, novembro de 2016, foi realizada por pesquisadores de uma Universidade canadense. Neste estudo, os pesquisadores revisaram trabalhos científicos que apontam alterações identificadas na microbiota de pacientes adultos e pediátricos com EM e as potenciais contribuições destas alterações na doença. A colonização de bactérias nestes pacientes diferiram-se em quantidade e tipo de bactérias colonizantes (não em todos os pacientes), sendo a alimentação  apontada como ferramenta terapêutica importante a ser considerada na manutenção da microbiota. O consumo de prebióticos e probióticos são apontados em outros estudos da literatura como importantes para esta manutenção, estando  eles presentes naquelas refeições prazerosas (afinal, no pain pleasure, no gain) ricas em frutas, verduras, leguminosas (como o feijão), cereais (como o arroz e a aveia) e iogurtes fermentados naturalmente ( como os à base de Kefir, caseiros).2 O sono, práticas de relaxamento e atividades físicas prazerosas também são referenciados de maneira importante quando o assunto é saúde intestinal.

Veja como é importante atentar-nos para o que e como comemos! Pensar na composição do seu prato é muito bacana. E não somente composição. Dietas que restrinjam sua alimentação a ponto de lhe deixar inseguro, insatisfeito, culpando-se antes ou após refeições ou ainda pensando em comida mais do que o de costume não são bons indícios de uma alimentação saudável. A alimentação é uma ferramenta importante no tratamento da EM, e estudos como o citado evidenciam isto. Lembre-se: alimentação saudável é aquela a qual você se sente à vontade e feliz antes de comer, ao comer e depois de comer.

Fernanda Sabatini
Nutricionista

Referências

1 Budhram A, Parvathy S, Kremenchutzky M, Silverman M. Breaking down the gut microbiome composition in multiple sclerosis. Multiple Sclerosis Journal 2016. p. 1-9.

2 Saad SMI. Probióticos e prebióticos: o estado da arte. Rev. Bras Cienc Farm 2006. p. 1-16.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Kefir e seus benefícios


Fonte: Google imagens

Kefir é um probiótico produzido por meio da fermentação do leite em temperatura ambiente, geralmente durante à noite. Possui aparência semelhante a do Iogurte, mas o seu valor nutricional é bastante significativo. Há grupos de bactérias que não se encontram no Iogurte, mas que estão presentes no Kefir, como a Lactobacillus caucasus, Leuconostoc e espécies de Acetobacter e Streptococcus. O kefir possui leveduras benéficas, como as Saccharomyces kefir e Torula kefir, que dominam, controlam e eliminam as leveduras patogénicas presentes no organismo. 

Preparar o Kefir de leite é muito fácil. Os grãos são cultivados no leite, seja de vaca, cabra ou ovelha. As bactérias e leveduras presentes nos grãos metabolizam o açúcar do leite, ou seja, a lactose, reduzindo a caseína, albumina, além de sintetizar o ácido lático, a lactose e outras enzimas. Também modificam os sais de cálcio que se tornam mais fáceis de serem absorvidos pelo organismo humano. O leite de Kefir é composto por um conjunto de microorganismos benéficos, repleto em vitamina, aminoácidos e enzimas. A bebida pode ser feita em casa, adicionando os grãos de kefir ao leite e armazenar adequadamente. Para o kefir ser produzido artesanalmente, basta adicionar os grãos ao leite em temperatura próxima à ambiente, esperar entre 24 e 48 horas e depois coar os grãos. O leite, após essa fermentação, está pronto para ser consumido; os grãos de kefir devem ser coados e adicionados a outro leite, fazendo assim de forma contínua, por tempo indeterminado.

Todos esses microrganismos utilizados na produção de leites fermentados possuem efeitos desejáveis ao organismo e, portanto, são considerados microorganismos seguros (CRAS) (JAY,1996). Os benefícios do consumo de kefir são inúmeros, mas os principais são:
  • É capaz de repovoar o nosso intestino, pois ele consegue resistir ao suco gástrico e sais biliares durante a digestão, favorecendo o sistema imunológico e reduzindo, inclusive, a produção de substâncias cancerígenas.
  • Possui muitas vitaminas, minerais, aminoácidos e enzimas, particularmente cálcio, fósforo, magnésio, vitamina B2 eB12, vitamina K, A e D. OTriptofano, um dos aminoácidos abundantes no Kefir é conhecido pelo tratamento da depressão e estresse, agindo no sistema nervoso.
  • Aumenta a resistência a infecções.
  • Ativa o sistema imunológico.
  • Equilibra a flora intestinal: elimina dos intestinos as bactérias e leveduras prejudiciais, e aumenta a população bacteriana benéfica e protetora.
  • Regulador da flora intestinal, podendo ser usado tanto em casos de obstipação, quanto diarreia, reduz a flatulência e melhora de uma forma geral todo o sistema digestivo.
  • O efeito de “limpeza” que exerce em todo o corpo, ajuda a estabelecer o equilíbrio interno, permitindo um equilíbrio da saúde e aumento da longevidade.
  • Diminui o risco de cancro, principalmente de cólon.
  •  Diminui a fracção do LDL colesterol


Instruções para preparar o Kefir:

1) Coloque os grãos de Kefir em um pote de vidro ou plástico. Importante que os utensílios de cozinha usados não sejam de metal nem alumínio, pois prejudicam as propriedades do fungo.

Fonte: Google imagens
2) Acrescente o leite (temperatura ambiente), que ser integral, semidesnatado ou de soja, como preferir, mas recomendo que não seja desnatado. Em função da quantidade de grãos adicionados deverá se colocar mais ou menos leite, mas geralmente deve-se encher até a metade ou 3/4 do pote. Cubra com um papel toalha, Perflex ou um pano estilo voal (gaze ou fralda funcionam bem), prenda com um elástico e deixe fermentando entre 24 e 48 horas em temperatura ambiente e em local longe de luz. Não armazenar na geladeira, pois o processo de fermentação não se produz no frio.

Fonte: Google imagens
Fonte: Google imagens
3) Depois que ocorreu a fermentação por 24 horas, pegue o pote e coe o leite. Com a ajuda de uma espátula (de plástico ou similar), remova o fungo para poder peneirar (peneira de plástico) bem e extrair todo o líquido. O líquido extraído é o Kefir de leite, portanto deverá colocá-lo em outro pote de vidro. Armazene o líquido fermentado em um recipiente com tampa.

Fonte: Google imagens

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4) Pode-se usar sem açúcar, mas quem preferir pode adicionar.

O “KEFIR” deve ser ingerido pela manhã e à noite, diariamente. Pode substituir uma refeição, pois é muito nutritivo. Também rende uma excelente salada, juntando morangos ou outras frutas que preferir!

Tatiane Araujo Rufino
Nutricionista




Formada em Nutrição pela faculdade Fama de Mauá. Nutricionista voluntária da Associação Casa Do Senhor, Mauá - SP