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| Fonte: http://blogpilates.com.br/incontinencia-urinaria-na-obesidade/ |
A
incontinência urinária define-se como a queixa de perda
involuntária de urina e ela pode se apresentar em quatro tipos mais comuns:
- Incontinência urinária de esforço (IUE): Ocorre devido a uma deficiência no suporte vesical e uretral que é feito pelos músculos do assoalho pélvico e/ou por uma fraqueza ou lesão do esfíncter uretral. Essa condição leva a perda de urina durante aumento da pressão intra-abdominal, tais como tossir, espirrar, correr, rir, pegar peso, levantar da posição sentada ou até mesmo andar. Em geral, não ocorrem perdas em repouso e durante o sono. Essa situação é bem mais frequente em mulheres.
- Incontinência urinária por urgência (IUU): Ocorre como consequência da hiperatividade detrusora (HD). Denominamos HD quando o músculo detrusor apresenta contração involuntária. Para a preservação da continência urinária é fundamental que a bexiga apresente função normal e a pressão intravesical deve permanecer relativamente baixa e constante durante todo o enchimento. Em pessoas com a sensibilidade vesical preservada, a HD leva a um desejo súbito e imperioso de urinar. Quando a contração vesical supera a capacidade de oclusão uretral gerada pelo esfíncter ocorre a IUU. Várias situações podem levar à hiperatividade detrusora, desde uma infecção urinária que irrita a mucosa vesical até uma alteração, identificável ou não, da inervação vesical. Os sintomas mais comuns associados a IUU são urgência miccional, polaciúria (urina pouca quantidade muitas vezes ao dia) e noctúria (urina muito durante a noite).
- Incontinência urinária mista: É a combinação da IUE e IUU, ou seja, uma insuficiência uretral associada à hiperatividade detrusora.
- Incontinência urinária por transbordamento: Ocorre quando a bexiga não é esvaziada por longos períodos, tornando-se tão cheia que a urina simplesmente transborda. Isso pode acontecer quando existe diminuição da sensibilidade ou da contratilidade vesical ou, ainda, quando existe uma obstrução uretral crônica. A principal causa de incontinência por transbordamento está associada ao aumento prostático (hiperplasia prostática benigna), com consequente obstrução uretral. Por essa razão, esse tipo de incontinência é mais comum no homem.
A fraqueza do detrusor
e diminuição da sensibilidade podem ocorrer em ambos os sexos, mas isso é mais
comum em pessoas com diabetes, uso crônico de álcool e outros problemas que
levem a diminuição da função neuronal. Do contrário, é possível que se trate de
bexiga hiperativa.
A
disfunção urinária neurogênica é consequência de
hiperreflexia do músculo detrusor (bexiga espástica) que leva a uma diminuição
da capacidade de armazenamento de urina, gerando sintomas de urgência urinária,
alta frequência de micções e incontinência, esvaziamento incompleto da bexiga e
aumento do volume residual de urina, aumentando a possibilidade de se
desenvolver infecções do trato urinário.
Cerca de 90% dos pacientes com Esclerose Múltipla vão apresentar queixas
do trato urinário em algum ponto da doença, sendo que 70% terão hiperatividade
demonstrada pela avaliação urodinâmica. Dos sintomas urinários, a queixa mais
frequente é a urgência que chega a atingir 83% dos pacientes, produzindo
incontinência em 75%. Das disfunções miccionais, a dissinergia detrusor-esfincteriana
é a mais comum, atingindo em torno de 50% dos doentes.
O predomínio da síndrome da bexiga hiperativa é relatado
com uma prevalência de 30% a 90%, sendo que os sintomas obstrutivos afetam de
30% a 70% dos pacientes com 25% de retenção urinária crônica. Sintomas irritativos
e obstrutivos coexistem em 59% dos homens e 51% das mulheres.
Dados clínicos demonstram que 96% dos pacientes com EM
apresentam anormalidades tanto no músculo detrusor quanto no funcionamento
esfincteriano e relacionou estes achados à desmielinização do trato córtico
espinhal e/ou trato retículoespinhal.
Ricardo Cezar Carvalho
Fisioterapeuta
Sou Ricardo Cezar Carvalho, fisioterapeuta, especialista em neurologia funcional e especialista em acupuntura. Trabalho com pacientes com Esclerose Múltipla há 16 anos. Realizei vários congressos e palestras sobre a Fisioterapia na Esclerose Múltipla.


Muito bom ter essas informações! Obrigada!
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