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| Fonte: Google imagens |
Eu quero uma licença de
dormir,
perdão pra descansar horas
a fio,
sem ao menos sonhar
Quero o que antes da vida
a leve palha de um pequeno
sonho.
a graça de um estado.
foi o sono profundo das
espécies,
Semente.
Muito mais que raízes.
(Exausto)
Adélia Prado
Ter Esclerose Múltipla nem sempre é sinônimo de ter limitações físicas visíveis, pois, em grande parte das vezes, os sintomas, embora presentes e altamente incapacitantes, não são perceptíveis ao olhar alheio.
São as dormências,
formigamentos, dores e, a mais debilitante e incompreendida de todas, a fadiga.
Sentir fadiga por conta da
doença autoimune não é apenas um cansaço após a realização de algum esforço. É
muito mais complexo que isso. É se sentir exaurido mesmo sem ter feito qualquer
esforço. É dormir e acordar com a sensação de que se carregou pedras a noite
inteira. Não existe relação entre causa e consequência.
Sintoma complicado de sentir e
explicar, porque poucos compreendem a exata dimensão dele. Não é fácil colocar
em palavras o sentir-se sem energia até para concatenar as ideias. É
simplesmente exaustivo quando vemos no olhar do outro uma interrogação, como
quem diz: mas como você pode estar cansado se não fez nada?
Diante disso, em tantas
ocasiões, para não desperdiçar a já precária energia em explicações ou
justificativas, muitos de nós acabam por se forçar a executar coisas que o
corpo não dá conta, ou mesmo, tentar demonstrar que se está bem quando, na
realidade, estamos à beira de um colapso total. Total sim, porque a fadiga não
acomete apenas o corpo, ela extenua também a mente e a visão. Ela mina nossos
sentidos de forma a nos deixar praticamente fora de combate.
Mas, então, como fazer para
que quem não vivencia na própria pele compreenda a fadiga de forma efetiva?
Pois é, eu não vejo uma
maneira melhor do que a informação. Informar é a ferramenta que derruba as
barreiras da ignorância sobre patologia e sintomas, sobremaneira os que não
podem ser percebidos só de olhar.
E a informação não pode ser
unilateral, ou seja, apenas por parte do paciente, ela tem de ser buscada por
todos os que convivem com a Esclerose Múltipla, sejam familiares, amigos,
conhecidos, colegas de trabalho e de estudo, profissionais da saúde... todos
têm a obrigação de buscar conhecer os sintomas, principalmente os invisíveis,
pois a bagagem fica mais leve quando alguém se propõe a segurar em uma das
alças junto com a gente.
Julgamentos, comentários
descabidos, sobretudo nos momentos em que nossa tolerância ao descaso está em
níveis quase zerados, falta de compaixão (não dó, nem pena) pela dor do
outro... tudo isso vai fazendo com que a convivência com a enfermidade
autoimune acabe sendo mais pesada do que deveria ser.
Mas, o paciente, por sua vez,
também tem de se mostrar disposto a falar dos seus anseios quanto aos que fazem
parte da sua vida. Tem de ser acessível e multiplicador das informações sobre o
que sente e o porquê sente, mas buscando, antes de qualquer coisa, conhecer a
enfermidade e a si mesmo.
A fadiga, sim, exaure o corpo,
a mente e a alma de quem convive com ela, mas, a desinformação maximiza este
sofrimento ao exigir um gasto de energia desnecessário quando se tenta galgar os degraus quase acirrados da ignorância.
A informação, neste caso, é o
atalho, o caminho mais curto para se diminuir o enorme peso que a Esclerose
Múltipla adiciona a nossas vidas. A informação é a rampa de acesso, o elevador,
a plataforma elevatória que nos leva à quebra de preconceitos e pré-conceitos
sobre os sintomas que nem todos os olhos estão aptos a enxergar por eles
mesmos.
Beijos carinhosos!
Bete Tezine

Beleza de colocação . Enquanto não se inventa um aparelho de medir fadiga, o melhor é deitar no chão e dizer que está olhando ou nuvens ou estrelas no céu. Bjs
ResponderExcluirExcelente texto Bete.Parabéns pela ótima explicação! É muito difícil mesmo, por ser assim digamos, subjetiva..
ResponderExcluirSubescrevo o que foi dito. Parabéns pela capacidade de por em palavras o que todos passamos... Grato!
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