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| Fonte: https://goo.gl/XgAFHB |
As pessoas com Esclerose Múltipla (EM), por muito tempo, foram conduzidas a reduzir o nível de atividade física. O objetivo desta orientação era poupar energia dos pacientes, evitar o aumento da temperatura corporal, controlar a fadiga e diminuir a exacerbação da doença. O sedentarismo, além de um grande risco para patologias cardíacas, aumenta os distúrbios da EM, como: espasticidade, ataxia, fraqueza muscular, falta de equilíbrio e fadiga. Assim a prescrição de exercícios resistidos funciona como uma estratégia terapêutica eficiente e segura para minimizar a perda da capacidade funcional (PORTO; RASO, 2007; FURTADO; TAVARES, 2005).
Em pacientes com EM ocorre a diminuição da
força muscular, que está ligada às alterações do Sistema Nervoso Central (SNC),
por conta da desmielinização das fibras nervosas, e ao desuso, por consequência
do baixo nível de atividade física que reduz a ativação das fibras musculares
de todos os tipos e de suas ações enzimáticas.
O déficit da força muscular causa grande impacto
na locomoção e execução das atividades da vida diária (AVD), comprometendo o
estilo de vida independente, isto porque a perda ocorre de maneira mais acentuada
nos músculos de membros inferiores (MMII) prejudicando a deambulação. (FURTADO;
TAVARES, 2007).
A indicação de exercícios físicos não era
recomendada, pois acreditava-se que esta prática ao elevar a temperatura
corporal poderia aumentar a fadiga e potencializar os sintomas da doença. A
partir da década de 80, pesquisas realizadas demonstraram que a prática de
exercícios físicos era eficaz e segura para portadores de EM. (FURTADO;
TAVARES, 2005).
Com relação
ao Treinamento Resistido (TR) é possível citar alguns estudos que mostraram
resultados importantes nos pacientes com EM.
Com o
objetivo de verificar a melhora na ativação neural com um treinamento de força
máxima para portadores de EM, Fimland e cols. (2010) realizaram um estudo
randomizado com uma amostra de 14 pacientes portadores de EM e forneceu
evidências de que o treinamento
de força máxima é eficaz para aumentar a ativação
neuromuscular dos MMII, aliviando alguns dos sintomas em pacientes com ligeira
à moderada deficiência devido a EM.
Apesar da realização de um programa de TR de
curta duração, Debolt e McCubin (2004) puderam notar o impacto dos exercícios
na execução das atividades da vida diária, como entrar e sair do carro e sentar
e levantar de uma cadeira.
A
capacidade funcional de indivíduos com EM é um fator importante, assim Gutierrez
e cols. (2005) realizaram um estudo cujo objetivo era avaliar a cinemática da
marcha através de um programa de exercícios contra resistência. Esta pesquisa
teve duração de oito semanas e tendo como resultado um aumento significativo na
força de MMII, consequentemente, melhora na marcha. Dessa forma, concluiu-se
que o treinamento contra resistência pode ser eficaz no tratamento de pessoas
com EM. White e cols. (2004) corroboram quando perceberam adaptações positivas
com o TR e melhora significativa na capacidade funcional dos indivíduos com EM.
A maioria dos pacientes com EM podem
exercitar-se seguramente, mesmo sabendo que tal prática promove o aumento da
temperatura corporal. Desta forma, sugere-se algumas estratégias para controlar
este sintoma: salas climatizadas, realização de exercícios no início da manhã
ou no final da tarde, manutenção da hidratação durante a atividade física.
(FURTADO; TAVARES, 2006).
Há também a técnica do resfriamento pré-exercício,
onde é feita a imersão corporal até a cintura em água fria por 30 minutos. Esta
estratégia é utilizada para minimizar os efeitos colaterais associados ao calor
e otimizar o conforto físico durante o exercício. (FURTADO; TAVARES,
2005).
Dessa
forma, entende-se que o TR pode ser uma ótima ferramenta para busca da
manutenção ou desenvolvimento da força muscular, tendo como foco principal
minimizar as perdas da capacidade física decorrentes, tanto da EM, como do
envelhecimento. Portanto, o desenvolvimento da força muscular é de suma
importância para um estilo de vida ativo e autônomo (FURTADO; TAVARES, 2007).
REFERÊNCIAS
DEBOLT,
L. S.; MCCUBBIN, J. A. The
effect of home-based resistance exercise on balance, power and mobility in
adults with multiple sclerosis. International Journal of Sports Medicine, Stuttgart, BW: THIEME,
v. 85, n. 2, p. 290-297, feb. 2004.
FIMLAND,
M. S. et al. Enhanced neural drive
after maximal strength training in multiple sclerosis patients. European
Journal of Applied Physiology, Frankfurt, HS: SPRINGER, v. 110, n.2, p. 435-443, sep.
2010.
FURTADO, O. L. P. C.; TAVARES, M. C. G. C. F. Esclerose múltipla e exercício físico. Acta Fisiátrica, São Paulo: HC/FMUSP,
v. 12, n. 3, p. 100-106, dez. 2005.
______. Orientação de
exercícios físicos para pessoas com esclerose múltipla. Revista
Digital, Buenos Aires, v. 11, n. 99, ago. 2006.
Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd99/esclero.htm>. Acesso
em: 9 out 2011.
______. Proposta
de exercícios resistidos para pessoas com esclerose múltipla: um estudo de
caso. Acta Fisiátrica, São Paulo: HC/FMUSP,
v. 14, n. 2, p. 111-116, jun. 2007.
GUTIERREZ, G. M. et al.
Resistance training improves gait kinematics in persons with multiple sclerosis.
Archives of Physical Medicine and
Rehabilitation, Philadelphia, PA: ELSEVIER, v. 86, n. 9, p. 1824-1829, sep.
2005.
PORTO, R. M.; RASO, V. A
importância da atividade física para portadores de esclerose múltipla obesos. Revista Brasileira de Obesidade,
Nutrição e Emagrecimento, São Paulo: IBPEFEX, v. 1, n.
1, p. 80-89, jan./ fev. 2007.
WHITE, L. J. et al. Resistance
training improves strength and functional capacity in persons with multiple
sclerosis. Multiple Sclerosis Journal
Online, Teller Road, CA: SAGE PUBLICATIONS, v. 6, n. 10, p. 668-674, dec. 2004.
Eliciane
Leite
CREF 076979-G/SP
Professora Técnica de Esportes no SESI-SP, CAT Theobaldo de Nigris – Santo André.
Especialista em Fisiologia do Exercício e
Treinamento Resistido, na Saúde, na Doença e no Envelhecimento – Universidade
de São Paulo (2011).
Bacharel em Educação Física – Faculdades Integradas
de Santo André (2009).


Muito bom!
ResponderExcluirTenho minhas dúvidas pois meus músculos enrigessem no frio me impossibilitando até de andar. Então essa imersão em água gelada para mim não funcionaria.
ResponderExcluirOlá Isamara!
ExcluirO resfriamento por imersão é apenas uma das técnicas utilizadas, poderia ser uma ducha fria ou manter-se em um local climatizado. Mas, como você mesma citou sobre a rigidez muscular no frio, nestas condições as técnicas não são necessárias.