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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Vamos florir?


http://estrelafloresmelancia.blogspot.com.br/2014/07/se-deixe-florir_27.html

Engana-se aquele que afirma que tem força suficiente para não se entregar, tantas e tantas vezes, às lágrimas e angústias desenfreadas.


Ilude-se quem engole os soluços para não deixar transparecer a sua humanidade.


Quem não tem suas fraquezas interiores e exteriores?


Quem nunca se ressente pelas mazelas físicas e da alma?


Quem não se entrega ao choro nos momentos em que as forças se esvaem quase que por completo?


Existem instantes que, de tão lancinantes, abrem ou reabrem feridas no corpo e na alma.

A vida não é perfeita, gente não é perfeita e, como disse shakespeare "qualquer um é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente."


Têm dias que dói mais, outros nem tanto e outros que nem dói. Há dias que um terremoto não nos abala, mas há outros em que uma folha seca caindo de uma árvore abala o nosso centro de gravidade. Existem dias em que só ficam os perfumes, porém existem outros em que um minúsculo espinho nos fere.


Ninguém é comparável, nenhum grau de sofrimento é comparável, nem ninguém é melhor que ninguém porque já aprendeu a domar suas dores em público. 


Respeitar a dor alheia é obrigação dos que têm dores mais brandas ou aprenderam a camuflá-las para se agigantarem diante dos outros. Assumir que nem sempre dá para lidar com as mazelas da vida não é fraqueza, pois temos de ter muita coragem para deixarmos transparecer nossas fragilidades e imperfeições, uma vez que a ditadura da felicidade constante tende a menosprezar aqueles que demonstram que isso é apenas uma utopia, pois quem consegue ser feliz 24 horas no dia? 30 dias no mês? 365 dias no ano?


A vida é assim, composta por momentos de alegria e por momentos em que somos tomados por tristezas, dissabores e dores que desatinam nossa alma.

Mas, (sempre tem um mas, não é mesmo?), o que não podemos é viver sob a égide da escola da tristeza, como diz o professor Clóvis de Barros Filho. A tristeza, embora necessária muitas vezes para que possamos mergulhar em nosso interior desordenado e fazer os devidos ajustes para que ele volte ao normal, não pode ser o elemento norteador da nossa existência. Temos direito ao choro, ao desespero, por que não?, ao desalento, porém, temos de nos cercar da energia necessária para buscarmos ajuda e apoio quando percebermos que não estamos conseguindo emergir desse triângulo vicioso da dor, lágrimas e autocomiseração sozinhos. 


Nosso corpo pode até adoecer, faz parte, mas não podemos deixar nossa alma adoecer com ele de forma irreparável. 


Vamos desabrochar dos botões do inverno e florescer! Vamos sair dos casulos e borboletar! Vamos sair da hibernação e voltar à vida! 


Tudo passa nessa vida, mas tudo volta,  mas tudo passa de novo e, assim, vamos fortalecendo nossos sentimentos e nos blindando contra aqueles que não querem ver um sorriso despontando em nossos lábios após uma noite de choro.

Bete Tezine





"A arte, em todas as suas formas de expressão, tem o poder de mudar os rumos de uma história que desde o começo estava fadada ao fracasso..." 

 (Bete Tezine)
Nascida em Santo André, SP, 49 anos, advogada, artista plástica, professora universitária de Artes Plásticas, mãe de 2 filhos (1 adulto e 1 adolescente), diagnosticada com Esclerose Múltipla em fevereiro de 2012 e atual presidente da ABCEM. 



quarta-feira, 29 de junho de 2016

Tão somente uma questão de respeito


Fonte: Google imagens

Custamos a respeitar as dores invisíveis, para as quais não existem prontos-socorros. 
Não adianta soprar que não passa.

(Martha Medeiros)



É engraçado como todos têm uma receita infalível de cura as doenças alheias, principalmente para aquelas que não se enxergam a olho nu.   

Quando nos vemos acometidos por males que nos enfraquecem emocionalmente e fisicamente somos bombardeados com palavras, muitas vezes bem intencionadas até, de que devemos agir dessa ou daquela maneira, de que devemos nos levantar porque ficar muito tempo deitado não é bom, de que devemos reagir, de que devemos parar de dramas, de que devemos ser fortes, de que devemos tomar tal chá ou remédio que foi bom para alguém que também estava como nós, de que não devemos nos preocupar com coisas que não tem como não nos preocupar e por ai vai.

Essas falas são desagradáveis ao extremo,  uma vez que se fosse algo que dependesse apenas de força de vontade, com certeza nem teríamos adoecido, mesmo porque, quem em sã consciência quer contrair qualquer tipo de enfermidade? Quem quer se ver prostrado em uma cama sem forças até para falar? Quem busca para si sentir dores e toda gama de sintomas que as doenças provocam?

Embora muitos cavem doenças para si, quando se entregam a vícios e vidas completamente desregradas, a grande maioria das pessoas faz de tudo para viver o melhor possível e, mesmo assim, as doenças aparecem,  algumas transitórias, outras incuráveis, mas todas, de algum modo, provocam sofrimentos incomparáveis.

Ter de justificar a própria doença é exaustivo. Ter de explicar que não é falta de força, otimismo ou vontade, é desgastante. Ter de se violentar para não demonstrar fraqueza para os que te cobram coragem é desalentador. Nada disso colabora para a cura, nada disso fortalece, nada disso atenua as dores. Pelo contrário, isso apenas nos deixa profundamente decepcionados por ver que nossos sofrimentos são minimizados e, muitas vezes, menosprezados por aqueles de quem esperávamos apoio e compreensão. 

Não precisamos de receitas mirabolantes de cura, pois já estamos buscando a cura quando nos submetemos, por conta própria, a tratamentos físicos e emocionais, quando não nos recusamos a usar os medicamentos receitados por profissionais qualificados, quando nos esforçamos para superar ou conviver, o melhor possível, com enfermidades.

O que precisamos, de verdade, é que nossas doenças sejam olhadas com respeito, mesmo quando elas não sangrarem, mesmo quando elas não deixarem expostas feridas no corpo, mesmo quando elas não forem passíveis de ser enxergadas apenas com um simples olhar.

Não queremos piedade, não queremos discursos de autoajuda, não queremos comparações... queremos apenas compreensão, apoio e respeito, pois um simples gesto de atenção, carinho e entendimento, pode nos levar à cura, senão à cura completa, ao menos à cura dos sintomas que nos levaram além do limite da nossa energia.

Não estamos doentes porque queremos, estamos doentes porque fomos vítimas de uma fatalidade e todos, sem distinção, poderão passar um dia por isso, infelizmente. Portanto, nunca cobre força de quem está dando tudo de si para sair do buraco em que mergulhou, mas estenda sua mão e o ajude a sair de lá.

Bete Tezine