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| Fonte: Google imagens |
Hoje, poderiam me perguntar tudo, desde o dia de minha
morte até o imprevisível , mas não como me sinto.
(Parri Xoots)
Eu acredito que o fator mais angustiante em se ter Esclerose Múltipla é sua imprevisibilidade. Aliás, ela é uma doença
imprevisível por natureza, não diz quando vai chegar, não diz quando vai se
manifestar, não diz como vai evoluir.
É muito difícil acordarmos, fazermos o check-up matinal (quem tem EM sabe bem do que estou falando), constatarmos internamente: hoje, eu estou bem, acordei sem dor, com disposição, hoje tem tudo para ser um
grande dia! e, algumas horas depois, às vezes menos que isso, sentirmos como
se um aspirador gigante fosse aspirando nossa energia, paulatinamente... nossas
pernas pesam, os braços queimam e perdem a força, nossa visão fica turva,
nossos pensamentos se embaralham, a cabeça gira e o dia que amanheceu tão promissor escurece repentinamente.
Então, nesses momentos sentimos na pele a total falta de
previsibilidade da nossa companheira múltipla e, ao menos para mim, apesar de
todo desconforto que isso provoca, não é o mais difícil de enfrentar, pois o
complicado mesmo é lidar com a incompreensão daqueles que não compreendem (ou não querem tentar compreender) o que é viver com EM.
Como é decepcionante ouvir a fala: Mas você
estava tão bem agora há pouco! O que aconteceu para você ficar assim de
repente?
Como é terrível vermos olhares desconfiados voltados para
nós toda vez que somos extenuados pela multiplicidade de sintomas.
Como é frustrante termos de desmarcar compromissos
assumidos, instantes antes do combinado, por não termos condições físicas e/ou emocionais de comparecermos a eles?
Como é angustiante percebermos as ironias veladas quando
descrevemos como estamos nos sentindo e, o outro, ver isso como desculpa para não
honrarmos com o combinado.
Eu já perdi a conta das vezes em que me vi em situações
como essas por conta dos sintomas imprevisíveis da EM. Foram
inúmeras as vezes em que desmarquei dentista, aulas de pilates, deixei de ir a
festas, faltei a reuniões familiares por não me sentir em condições físicas e/ou mentais.
Por tudo isso, sempre continuarei a reafirmar o quanto é fundamental que não deixemos de falar sobre a Esclerose Múltipla, dificuldades e angústias provocadas por ela, pois este é o caminho para que um dia deixemos de ser olhados com ironia, dó ou descrença, uma vez que o desconhecimento leva ao preconceito, ou melhor, ao pré-conceito, pois,
mesmo sem saberem exatamente das nossas mazelas, somos submetidos a julgamentos diariamente até mesmo por aqueles que nos conhecem (ou deveriam conhecer) muito bem.
Bete Tezine
"A arte, em todas as suas formas de expressão, tem o poder de mudar os rumos de uma história que desde o começo estava fadada ao fracasso..."
(Bete Tezine)
Nascida em Santo André, SP, 49 anos, advogada, artista plástica, professora de Artes Plásticas, mãe de 2 filhos (1 adulto e 1 adolescente), diagnosticada com Esclerose Múltipla em fevereiro de 2012 e atual presidente da ABCEM.


Como é bom saber que alguém consegue expressar através de palavras tudo o que eu tento colocar pra fora. É isso, sentir um alívio em suas palavras, eu achava que só eu me sentia assim. Muito bom saber que eu não estou sozinha e que com os seus relatos posso compreender um pouco essa imprevisibilidade.
ResponderExcluirA pior pessoa a me fazer essa pergunta : "Mas o que aconteceu ? Vc estava tão bem agora á pouco." - sou EU mesma !
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